Consertam-se palavras (já era tempo)

14 agosto 2013


Já teria dito um dia, que sou fã de “carteirinha” de seminários. Tem um fabricante de colchões que propaga que “passaremos um terço de nossas vidas sobre eles…” Eu diria que, ao cabo de minha existência terei vivido outro terço justamente em salas de simpósios, seminários, palestras, cursos e outros eventos de tal natureza. Faz parte.

Um tipo de treinamento, surgido, no novo milênio foram as Oficinas. Não poderíamos de deixar de achar interessante a ponto de dar imaginação as nossas asas, e pensar de que mente brilhante surgem essas ideias! Ora oficina é um vocábulo que remontam em nossa mente algo que necessita de reparos: Oficina mecânica.

Já imaginou um professor da Língua Portuguesa, que desse aulas de reforço e resolvesse inovar colocando um cartaz na porta de casa anunciando: “CONSERTAM-SE PALAVRAS”

“O oficina da Palavra foi criada em 2004, como atividade do estágio curricular em “Atenção Pssicossocial na Saúde Coletiva” do curso de Psicologia da UNESP/Assis com o objetivo geral de estimular a circulação da palavra, através da discussão de contos, histórias, “causos”, piadas, poesias e produções jornalísticas.(fonte: www2.assis.unesp.br)

“(…) Os poetas classificam as palavras pela alma porque gostam de brincar com elas e para brincar com elas é preciso intimidade primeiro. É a alma da palavra que define, explica, ofende ou elogia, se coloca entre o significante e o significado para dizer o que quer, dar sentimentos às coisas, fazer sentido,[…] A palavra nuvem chove. A palavra triste chora. A palavra sono dorme. A palavra tempo passa. A palavra fogo queima. A palavra faca corta. A palavra carro corre. A palavra palavra diz. O que quer. E nunca desdiz depois. As palavras têm corpo e alma mas são diferentes das pessoas em vários pontos. As palavras dizem o que querem, está dito e pronto. As palavras são sinceras, as segundas intenções são sempre das pessoas […] As palavras também têm raízes mas não se parecem com plantas, a não ser algumas delas, verde, caule, folha, gota. As células das palavras são as letras. Algumas são mais importantes do que as outras. As consoantes são um tanto insolentes. Roubam as vogais para construírem sílabas e obrigam a língua a dançar dentro da boca. A boca abre e fecha quando a vogal manda. As palavras fechadas nem sempre são as mais tímidas. A palavra sem-vergonha está aí de prova. Prova é uma palavra difícil. Porta é uma palavra que fecha. Janela é uma palavra que abre. Entreaberto é uma palavra que vaza. Vigésimo é uma palavra bem alta. Carinho é uma palavra que falta. Miséria é uma palavra que sobra. A palavra óculos é séria. Cambalhota é uma palavra engraçada. A palavra lágrima é triste. A palavra catástrofe é trágica. A palavra súbito é rápida. Demoradamente uma palavra lenta. Espelho é uma palavra prata. Ótimo é uma palavra ótima. Queijo é uma palavra rato. Rato é uma palavra rua. Existem palavras frias como mármore. Existem palavras quentes como sangue. Existem palavras mangue, caranguejo. Existe, palavras lusas , Alentejo. Existem palavras itálicas, “Ciao”. (…) Existem palavras que são um palavrão. Existem palavras pesadas chumbo, elefante, tonelada. Existem palavras doces, goiabada, “marshmallow”, quindim, bombom. Existem palavras que andam, automóvel. Existem palavras imóveis, montanha. Existem palavras cariocas, Corcovado. Existem palavras completas, elas todas. Toda palavra tem a cara do seu significado. A palavra pela palavra perde o seu significado fica estranha. Palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, não diz nada, é só letra e som. (fonte: Adriana Falcão “Peq. Dicion. De Palavras ao Vento” tirado do livro “Tecendo Linguagem”, Ibep-2012- pág. 15/16).

Pra descontrair vamos finalizar com duas piadas. Uma de mentira a outra real, porém sem graça as duas:

Lá vinha um bêbado atravessando a rua. O fusquinha que quase o atropela, dispara:

-Bibiiiiii!!!

E o bebum:

-Eu também.

Nunca mais tinha visto Abílio Marques. Cumprimentei efusivamente:

-Fala Abílio! Onde tem andado?

-Labutando!

Fabio Campos 13.08.13

Fabio Campos no fabiosoarescampos.blogspot.com o Conto “O Visionário”

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