Com a chegada das chuvas, agricultor já presencia mudança no cenário do Sertão

04 maio 2013 - 02:10

Foto: Lucas Malta / Alagoas na Net

Cenário de chuvas já esverdeia a paisagem do Sertão (Foto: Lucas Malta / Alagoas na Net)

Ainda que acanhada, a chuva finalmente chegou em terras sertanejas, e com ela veio a esperança. Há quase quinze dias consecutivos, boa parte do Nordeste brasileiro vem sendo favorecido com o líquido tão precioso que cai do céu. Apesar de poucas, as chuvas já conseguem modelar um novo cenário, em especial nas regiões do semiárido.

Essa é a situação que encontramos em terras santanenses, no Sertão de Alagoas. O Alagoas na Net foi até o Sitio Sementeira para presenciar as ações de um agricultor, que após a chegada das primeiras gotas de água tem se mobilizado a fim de realizar o plantio do milho e do feijão, a cultura mais tradicional da região.

Iniciativa

O pequeno agricultor José Alexandre Soares, o ‘Del’, relatou como tem sido o dia-a-dia em que tem trabalhado aproveitando as chuvas na região. “Comecei a cortar a terra após o primeiro dia de chuva. Plantei e agora é esperar que o tempo continue assim”, disse Del.

Como de costume, os agricultores de Santana do Ipanema trabalham no plantio do feijão e do milho, onde em condições normais, levam cerca de 60 e 90 dias para a colheita, respectivamente.

A caminho do trabalho

Na companhia do secretário de agricultura de Santana do Ipanema, Luiz Carlos, nossa reportagem percorreu as terras em que o agricultor santanense tem trabalhado. Com poucos recursos próprios, Del planta e colhe há anos numa propriedade do Governo Federal, que é disponibilizada a vários trabalhadores do município.

Foto: Lucas Malta / Alagoas na Net

Terras já aradas contrastam com a paisagem verde (Foto: Lucas Malta / Alagoas na Net)

A ida até o local do plantio fica distante da residência do agricultor, que tem que percorrer mais de cinco quilômetros até uma área que fica do lado de uma reserva ambiental. O caminho pode ser longo, mas traz belas paisagens de uma área preservada da Caatinga.

Herança de família

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Del trabalha ao lado do irmão nas terras (Foto: Lucas Malta / Alagoas na Net)

Trabalhando hoje ao lado do irmão e do filho, o sertanejo, de 45 anos de idade, indica os locais que já colocou o arado na terra, bem como os outros onde já foram plantadas primeiras sementes. “Trabalhei desde pequeno aqui com meu pai e hoje estou com minha família”, diz o agricultor.

Nossa reportagem pode registrar de perto como é feito o trabalho do lavrador, com o corte e o plantio das sementes. A chegada da parelha de bois, que puxa o arado, nos mostra a triste realidade: os dois bovinos revelavam a triste realidade da desnutrição, devido à escassez do pasto e da falta constante da água, causados por uma das maiores estiagens no Nordeste.

Alimentados com uma mistura de sementes, palma, cilo e outros meios, Del conta que o gado, além do homem, é um dos seres que tem mais sofrido com a seca prolongada. “Temos que também não exagerar no uso dos bois, pois eles passam por uma época difícil e estão bem fraquinhos”, diz o sertanejo.

A maior prova do que o agricultor relatou nos foi mostrado a caminho da área de plantio. Uma ossada de um boi foi encontrada por nossa reportagem. “Esse aqui não resistiu”, completou Del.

Foto: Lucas Malta / Alagoas na Net

Ossada de animais é uma das cenas mais comuns neste período de seca (Foto: Lucas Malta / Alagoas na Net)

Secretário da roça

Filho de agricultores, o secretário de agricultura, Luiz Carlos, botou a mão na massa, ou melhor, no arado, e fez questão de mostrar que também sabe lidar com a roça. “Vim da roça e até hoje tenho terras onde eu mesmo planto. Apesar de estar a muito tempo na área da saúde, sempre estive perto do homem do campo”, ressalta Luiz Carlos.

Foto: Lucas Malta / Alagoas na Net

Secretário mostra bom manejo na aração da terra (Foto: Lucas Malta / Alagoas na Net)

O agricultor Del, também nos mostrou uma área onde o plantio já mostra os primeiros ‘fios’ de resultados. Registramos os primeiros ‘pontinhos verdes’ que brotam num solo amarronzado. É o plantio do milho, que deverá ser colhido ao final do mês de julho.

Dias melhores

Ao final da visita à zona rural, o agricultor, visivelmente ansioso pelos próximos dias, nos confidencia que deverá terminar a etapa dos trabalhos de plantio ainda na próxima semana e que caso o tempo continue favorável espera apenas ver sua plantação crescer.

Del termina nossa entrevista com a boa e conhecida humildade e receptividade do homem do campo e ainda aproveita para nos convidar a voltar e ver os resultados de seu precioso trabalho. “Quando o milho estiver crescendo, se quiserem podem voltar”, finaliza o satisfeito agricultor.

Por Redação

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