Sobre Clerisvaldo Chagas

Romancista, historiador, poeta, cronista. Escritor Símbolo do Sertão Alagoano.


A CHEIA DE 41

11 abril 2018


Última cheia do Rio Ipanema (Foto: Lucas Malta / Alagoas na Net)

A maior cheia registrada do rio Ipanema, anunciou o meu natal cinco anos antes. Naquela ocasião, o Panema veio com a sua força máxima trazendo tudo que encontrava pela frente. Passava boiando mortos na correnteza vários animais desde o gato ao boi. Baraúnas arrancadas pela cepa, vasos e mais vasos de flandres de guardar feijão, cercas de arame, móveis e até pedaços de casebres.

As águas chegaram até a perfuratriz, prédio de máquinas onde hoje estar localizada a sede da Associação Nossa Senhora de Fátima, na boca da Rua da Praia. Na época, a margem direita do rio era quase desabitada e, no lugar da Rua da Praia, havia um corredor de aveloz que ia até o beco seguinte, o último da Rua São Pedro que ia até o Ipanema.

Com a cheia de 41 e outras cheias, formou-se um enorme aglomerado de areia grossa na margem esquerda do rio, entre a antiga rodagem para Olho d’Água das Flores e o atual campinho de futebol do conhecido Luiz Euclides. Esse areal, posteriormente foi cercado pelo senhor Otávio Marchante. Depois, o senhor Euclides (pai), morador da margem do areal, adquiriu o terreno cercado. Resolveu construir um arruado de casas pequenas para alugar à pobreza.

O arruado ficou entre a margem do areal e o antigo corredor de aveloz. Estava assim fundada a chamada Rua da Praia, pelo próprio fundador. Fez igualmente ao senhor José Quirino, comerciante e fazendeiro que fundou a Rua Prof. Enéas com o nome popular de Rua de José Quirino. Este comerciante também fundou a Igreja Sagrada Família, através de doações.

Voltando a Rua da Praia, pode-se dizer que foi a expansão do Bairro São Pedro em direção sul, tendo como limite o rio Ipanema. No lado oposto da antiga rodagem, o rio fez o contrário, ao invés de acumular a areia grossa, escavou a margem, permitindo que no futuro se formasse um sítio de coqueiros pertencente ao cidadão José Cirilo. Este havia sido dono de uma das três antigas olarias da margem direita que ajudou no crescimento de Santana.

E para encerrar este resumo, a cheia de 1941 ficou conhecida popularmente como a “cheia de 41”. Foi imortalizada por um “pagode” escrito e cantado centenas de vezes a pedido, na região, pelo repentista santanense Rafael Paraibano da Costa. O título do pagode era o mesmo, “A Cheia de 41”, cujos fragmentos se encontram no livro ainda inédito: “O boi, a bota e a batina; história completa de Santana do Ipanema”, deste presente autor.

Clerisvaldo B. Chagas, 11 de abril de 2018

Crônica 1.877 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

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