Cavaleiros saíram de Santana do Ipanema para pagar promessa em Juazeiro no Dia de Finados

02 nov 2012 - 08:23

Devotos alagoanos são destaques no Juazeiro (Foto: por Yaçanã Nepomucena / Diário do Nordeste)

Acontece hoje, em Juazeiro do Norte, o encerramento da Romaria da Esperança. A expectativa é que o dia seja destinado à visitação dos túmulos do Padre Cícero, que fica na Capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, e de outros religiosos que são representativos para a história da Igreja Católica, como os da beata Mocinha e o beato José Lourenço. A programação inicia-se logo cedo. Às 5 horas da manhã, acontece o canto do ofício de Nossa Senhora das Dores, na Basílica Menor. Também está previsto o canto do ofício das Almas, uma das tradições mais emocionantes.

Após cinco longos dias de peregrinação, romeiros de vários Estados do Nordeste, principalmente, de Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Sergipe estarão reunidos para receber a bênção final, que acontecerá ao meio-dia, na Basílica Menor de Nossa Senhora das Dores. Na ocasião, os líderes católicos irão abençoar também os motoristas e veículos que trouxeram os fiéis e benzê-los para a viagem de retorno aos seus locais de origem. Na Igreja do Socorro, as celebrações comunitárias estão marcadas para as 7 e 10 da manhã e 15 e 16 horas.

Desde o último dia 28, as igrejas estão realizando uma programação especial para a acolhida aos romeiros, que já participaram de diversas caminhadas, missas, encontros com representantes das pastorais e até de apresentações teatrais e shows de artistas regionais. A Romaria de Finados, que acontece, anualmente, desde a morte do Padre Cícero Romão Batista, é o maior evento religioso da cidade. Estima-se que mais de meio milhão de pessoas visitam o local durante este período.

Cavaleiros

Este ano, um grupo de 17 romeiros que vieram em seus cavalos do Estado de Alagoas teve destaque no evento. Para pagar uma promessa, eles tiveram que enfrentar 500 quilômetros de distância, percorridos em dez dias. Nas paradas, a alimentação e modo de dormir foram comprometidos pelo desgaste físico.

Os cavaleiros inspiraram-se nos tropeiros, condutores de tropas do século XVII e há três anos batizaram-se “tropeiros da estrada”, onde o mais novo componente tem 28 anos e o mais experiente tem 72. Ainda no ano de 2010, o idealizador da peregrinação, Eduardo Fontes, saiu de Santana do Ipanema acompanhado de oito amigos.

Na cidade, a ação chamou a atenção da população e tomou proporções maiores. Segundo ele, o sentimento do grupo é de alegria e de dever cumprido. “A gente pensou em vir à cavalo por ser uma forma diferenciada das dos outros romeiros. Mesmo diante dos perigos da estrada e das dores no corpo, a nossa ideia é continuar crescendo nos anos seguintes”, revela. O grupo foi recebido, na Igreja Matriz, no início da noite de ontem, pelo padre José Venturelli, administrador do Horto.

Melhora

A Romaria da Esperança é caracterizada por remontar a vida do Padre Cícero, maior líder religioso do Nordeste. Para os romeiros, nos últimos anos, a acolhida dos peregrinos tem obtido melhoras. Eles, geralmente, chegam aos grupos de cerca de 60 pessoas, permanecem em ranchos e pousadas lotados e dizem gostar dos momentos coletivos. Entre crianças e adultos, cada local de hospedagem recebe até 200 peregrinos. Alguns hábitos cotidianos como o de tomar banho e dormir ficam comprometidos, devido à grande concentração de gente no mesmo ambiente. Para alimentarem-se os romeiros trazem mantimentos. O feijão, arroz e a farinha ajudam a dar força para percorrer os templos tidos como sagrados. Na bagagem de retorno para casa, eles levam diversos objetos relacionados à devoção ao “Padim”, como livros, fitas, CDs e DVDs, chaveiros, terços, redes, lençóis, utensílios em alumínio e a tradicional rapadura empalhada.

Crítica

Apesar de admirarem o povo que reside no município e o considerarem como terra sagrada, a falta de infraestrutura da cidade ainda é uma das críticas frequentes feitas pelos visitantes.

Eles apontam a ausência de segurança, terminais de informações, banheiros químicos e trânsito como sendo os principais problemas. De acordo com a romeira, Eneida de Souza Santos, que veio de Sergipe, os avanços econômicos ainda não permitiram o desenvolvimento de ações pudessem proporcionar uma melhor utilização dos espaços públicos. Para ela, é necessário haver investimentos em organização das vias que dão acesso aos pontos turísticos. “A gente que anda a pé precisa dividir os espaços com camelôs e com os carros e motos. Isso é muito perigoso, principalmente, para os romeiros mais velhos que não prestam tanta atenção”, revela.

Mais informações:

Centro dos Romeiros de Juazeiro

Endereço: Rua Dom Pedro II, 1246 – Centro

Juazeiro Do Norte, Ceará

Telefone: (88) 3511.1844

por Yaçanã Nepomucena / Diário do Nordeste

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