Sobre Clerisvaldo Chagas

Romancista, historiador, poeta, cronista. Escritor Símbolo do Sertão Alagoano.


BOLSAS PLÁSTICAS, PASSADO OU FUTURO?

7 março 2018


Foto: Elo7.com / Divulgação

Há alguns meses fui a uma padaria e tive a surpresa de receber os pães comprados, em um saco de papel com a parte externa cheia de propagandas. Muito bonita, a embalagem. A novidade me deixou feliz e crente de que todas as casas comerciais iriam fazer iguais. Mas a excelente novidade para todo o planeta ficou somente naqueles dias.

A bolsa plástica voltou com seu império absoluto e seus 400 anos para se decompor na Natureza. Foi aí que me lembrei da Padaria Royal, da minha terra, a casa de pães mais antiga da minha lembrança. Os mais velhos, entretanto, já falavam da Padaria de Seu Tavares que talvez tenha funcionado no mesmo lugar da Padaria Royal do senhor Raimundo Melo, centro da cidade.

Não havia agressão ao meio ambiente. Pães, bolachas e biscoitos eram despachados em papel de embrulho e cordão simples. A padaria também fazia entrega de pães através de sacolas de pano, algumas com desenhos bordados e nomes dos seus respectivos donos. As sacolas com os pães eram deixadas penduradas nas portas e janelas dos compradores e ninguém que passava nas ruas mexia com elas.

Nunca ouvi falar de padaria mais antiga do que a do Seu Tavares, pai do deputado santanense, Siloé Tavares. Ao lado da Padaria Royal, havia um espaço para depósito de lenha, para alimentar o forno. Essa prática, ainda hoje existe e muitas padarias ajudam a desmatar o que resta da caatinga, burlando a lei. 

Mas por que as padarias não seguem a boa ideia de fornecer os pães com as sacolas de papel? Quantas toneladas de plástico por mês seriam evitadas no lixo da cidade! E se os canudinhos de plásticos já estão sendo abolidos no mundo inteiro por organizações mais conscientes, por que não poderíamos fazer o mesmo, pelo menos nas padarias com as sacolas de plástico? Eu acho que isso é coisa para a Associação Comercial. Semana passada deu trabalho para comprar papel de embrulho no comércio. Fui encontrá-lo somente em um lugar, assim mesmo, de péssima qualidade.

Pois o papel de embrulho do passado, passa a ser a solução do futuro. E as bolsas plásticas que empestam as ruas de todo o país, passam a ser vilãs da saúde pública do mundo.

Clerisvaldo B. Chagas, 7 de março de 2018

Crônica 1.856 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

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