20 dez

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Onde você vai passar o dia do fim do mundo?

Essa foi a pergunta que me fez um amigo meu nesta quinta-feira, dia 20 de dezembro de 2012. Um dia antes de acontecer o tão badalado “fim do mundo”, divulgado pela mídia mundial [pense como dá Ibope esse tipo de notícia, ainda que a maioria das pessoas não admita que acreditem], durante todo este ano de 2012.

Como já era um assunto muito mastigado, não tive muita dúvida na hora de responder. No instante me veio de relance, à memória, uma música do cantor e compositor pernambucano, o qual já teve o seu “fim do mundo”, no momento em que faleceu, Zé Castor.

“Meu fim do mundo pretendo passar na terra em que nasci, me criei e vivo até hoje. No Sertão nordestino. Junto dos meus amigos, familiares e desafetos. Pois foi nessa terra que criei minhas raízes, meus costumes, meus gostos, defeitos e manias. Aqui aprendi a conviver com pessoas. A gostar das tradições, da cultura e da vasta culinária. Eita sertão da gota serena de bom. É nele que pretendo viver até o fim do mundo”, respondi sem pestanejar.

Vendo que eu estava falando “sério”, o meu amigo, que demonstrava querer brincar comigo, por um instante franziu a testa, olhou para mim como se estivesse entre o temor e a surpresa e indagou: “mas você acredita mesmo que o mundo vai se acabar amanhã?”.

– Na verdade – respondi – li alguma coisa sobre o assunto, mas, confesso que, não o bastante para responder que estou a par sobre o assunto.

Ainda surpreso, ele insistiu na pergunta, demonstrando estar preocupado sobre o assunto, como se estivesse acreditando que realmente o que a mídia mundial vinha comentando sobre o fim do mundo para o dia 21 de dezembro de 2012, fosse realmente a única e soberana verdade.

– Bem – disse calmamente a meu amigo – primeiro é preciso respeitar a opinião de cada um. Eu acredito que o mundo se acaba no momento em que você “bate a caçoleta”, “toma da tarraqueta”, “bate as botas”, ou, num português culto, morre.

Depois de minha resposta ainda continuei a lhe encarar, e logo percebi que não tinha lhe convencido. Mas como essa não era a minha intenção, ignorei e tentei mudar de assunto.

Mas o cabra é do tipo renitente, não se contenta com qualquer resposta, e logo retornou ao assunto.

– Rapaz acho que você ta querendo me enrolar – me respondeu.

– Me responda se você acredita ou não que o mundo vai se acabar?

– Vamos lá – disse eu.

Foi quando lhe falei da música de Zé Castor – lembram?.

– Veja bem, – disse com bastante paciência [mas doido pra mandar ele tomar no fim do mundo] – lembre-se que falei que gosto do lugar em que nasci e vivo. Que gosto da cultura daqui, e uma delas é a musicalidade nordestina. Rica em sabedoria. Sou fã incondicional do maior artista do mundo, Luiz Gonzaga, o qual tive a grata satisfação de assistir uma apresentação em minha cidade.

Percebendo sua atenção, continuei.

– Nesse Nordeste, conheci muita gente boa. Artesãos, cantores, donas de casa, palhaços, pedreiros, médicos, garis professores, donos de cabarés músicos e tantos outros que me orgulharam até este dia 20 de ter nascido nesse lugar maravilhoso. Entre eles quero destacar, com grata satisfação, o fato de ter conhecido e assistido um cabra da peste de bom, chamado Zé Castor.

Já demonstrando impaciência, ele me interrompe e pergunta.

– E o que tudo isso tem a ver com a minha pergunta?

– Bem, estou tentando lhe dizer que já vivi o bastante para suportar o que vier daqui pra frente. Já tive tanto lucro, que não será um fimdemunduzinho qualquer que irá me abalar.

– Por isso meu amigo – respondi com convicção – que ainda hoje ligo meu som e ouço Zé Castor cantar: “eu tenho pena de morrer e deixar o mundo. Quando eu morrer o mundo pode se acabar”.

Link da música de Zé Castor “Quando eu morrer o mundo pode se acabar”

13 dez

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Luiz Gonzaga: O homem que cantou, encantou e defendeu o Brasil

(Autor: José Ronilvo “Roninho”)

Não conheço um artista nesse imenso território chamado Brasil, que tenha retratado tão bem o seu país, o seu povo e suas tradições folclóricas, como o pernambucano filho de Januário e Santana, Luiz Gonzaga do Nascimento (1912/1989).

Entre tantos requisitos, Luiz Gonzaga, ou Mestre Lua, ou ainda Lula Gonzaga, ou simplesmente Gonzagão, foi compositor, cantor, músico, humorista, além de criador de estilos, como por exemplo, o baião. Sem falar que foi o maior divulgador e defensor do forró, do xaxado, do coco do xote, entre outros ritmos brasileiros.

O Mestre Lua, (apelido dado pelo ator Paulo Gracindo, devido ao seu rosto redondo), cantou a riqueza e a pobreza, a alegria e a tristeza, a cidade e o campo, a fauna e a flora. Toda a cultura brasileira foi reverenciada pelo Rei do Baião.

Como ninguém é rei sozinho, Luiz Gonzaga contou com grandes parceiros, ao longo de sua brilhante carreira. Entre eles estão os compositores Zé Dantas, Humberto Teixeira, Patativa do Assaré e João Silva.

Inspirados em seu trabalho Gonzaga revelaria ao mundo da música, artistas, que se consagraram no Brasil e no mundo, como Marinez, Abdias, Dominguinhos, Fagner, Gilberto Gil, Raul Seixas, Elba Ramalho, Alcimar Monteiro, só para citar alguns.

Em defesa da natureza

(Arquivo internet_

Considerado um dos hinos da música popular brasileira, “Asa Branca” (1947) se tornou uma das mais conhecidas e queridas músicas de Luiz Gonzaga, além de ser a mais gravada por tantos artistas. Composta em parceria com Humberto Teixeira, foi eleita em 1997, pela Academia Brasileira de Letras, como sendo a segunda canção brasileira mais marcante do século XX. Nela os autores retratam o sofrimento e a fuga do povo nordestino para outras paragens, devido às longas estiagens, “que braseiro que fornaia, nem um pé de prantação. Por Falta d’água perdi meu gado, morreu de sede meu alazão”. Vejam que há séculos os autores já retratavam o que ainda hoje vem causado a milhares de sertanejos: sede, fome e morte, deixando um rastro de miséria, humilhação e opressão.

Mais de sessenta anos se passaram, desde que Asa Branca foi gravada, e ainda presenciamos o sofrimento da falta d’água, que mata o gado e causa sede aos sertanejos.

Outro ícone da música popular brasileira, “Assum Preto” foi mais uma das grandes parcerias com Humberto Teixeira. Nesta canção o mestre muda o foco e denuncia o mau trato por parte de passarinheiros, especialmente no Nordeste, com uma ave comum da região (assum preto). Eles [os criadores de passarinhos] achavam que furando os olhos da ave ela cantava melhor na gaiola. Através da melodia ele sai em defesa da ave, quando em um trecho diz: “Talvez por ignorânça, ou maldade das pió, furaro os óio do assum preto, pra ele assim, ai, cantá mio”.

Através de “Xote Ecológico”, Luiz Gonzaga chama a atenção em relação ao desrespeito do qual o ser humano vem, há anos, tratando a natureza, quando ele diz, “Cadê a flor que estava aqui? Poluição comeu. E o peixe que é do mar? Poluição comeu. E o verde onde é que está? Poluição comeu, nem o Chico Mendes sobreviveu”, Nela Gonzaga chamando à responsabilidade todos nós para o cuidado com o meio ambiente, afinal somos parte dele, além de denunciar a morte do seringueiro, sindicalista e ecologista acreano Chico Mendes, morto por fazendeiros em 1988, por defender a natureza.

Humor aguçado

(Arquivo internet)

Com um tom aguçado de humor, em muitas músicas, Gonzagão brinca e conta causos que se passam no cotidiano no povo brasileiro, especialmente no Nordeste. Na música “Dezessete e Setecentos”, ele fala de um certo cara “esperto”, que tenta tirar proveito de uma situação, tentando enganar o dono de um comercio com um troco. “Eu lhe dei vinte mil réis pra pagar três e trezentos. Você tem que me voltar dezessete e setecentos”.

Acostuma a contar causos, o sertanejo é tido com um dos povos mais bem humorados do mundo. É capaz de tirar piada de qualquer situação. “Lorota Boa”, foi mais grande sacada da parceria de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, onde podemos perceber, de acordo com os autores, que “o cabra” mente mais do que a peste, veja o porquê: “Dei uma carreira num cabra que mexeu com a Maroquinha, começou na Mata Grande e acabou na Lagonhia”. Vejam só “que mentira, que lorota boa”, pois a distância entre essas duas cidades, uma em Alagoas e a outro no Piauí, é de aproximadamente 822 km, sem dizer que na música ele diz que correu com um balaio cheio de galinha na cabeça. E pra não deixar dúvida de que a lorota é boa, ele continua, “vou contar agora um caso qui astor dia assucedeu, minha sogra ta de prova qui tal fato aconteceu. Uma cobra venenosa vu a veia e mordeu, mais inveis da minha sogra, foi a cobra que morreu”, essa é sem comentário.

Devoção e Religiosidade

Pela sua devoção, Gonzaga sempre destacou a religiosidade em suas músicas. Na composição “Ave Maria Sertaneja”, de Julio Ricardo e O. de Oliveira, ele trás à tona a enorme devoção do sertanejo pela hora da Ave Maria, onde o povo dessa região, às 18 horas, ao final de mais um dia de trabalho, costuma parar e refletir sobre este momento, considerado sagrado. “Quando batem às seis horas, de joelho sobre o cão, o sertanejo reza a sua oração…”

Ao Padre Cícero Romão Batista, considerado o santo dos nordestinos, entre outras homenagens, Gonzaga, em parceria com João Silva, compôs “Viva Meu Padim”, onde mais uma vez destaca a devoção dos nordestinos, que costumam, até os dias de hoje, através das constantes romarias reverenciá-lo, “Eu todos os anos, setembro e novembro vou ao Juazeiro alegre e contente. Cantando na frente sou mais um romeiro”.

Outro que costumava levar milhares de católicos em romarias, que também mereceu a homenagem de Gonzagão foi o frade capuchinho “Frei Damião”, nascido na Itália, foi bastante reverenciado através dos seus sermões pelo interior do Nordeste, “Frei Damião, onde andará Frei Damião. Deu-lhe o destino, viver nordestino, é hoje o nosso irmão”.

Tive oportunidade de ir a algumas missões de frei Damião, onde pude sentir o quanto os sertanejos o respeitavam. E Gonzaga que nunca foi besta, sabia cantar o que o povo gostava, compôs Frei Damião, onde canta: “Pé que pisa a terra, sem caminhos erra, este beco testa-nos e a gente está nas missões. Quer saber do inverno, quer fugir do inferno, quem tem devoção com Frei Damião não tem provação”.

Acredito que um dos maiores momentos na carreira de Luiz Gonzaga aconteceu quando o papa João Paulo II esteve no Brasil pela primeira vez, em 1980. Naquela oportunidade O Rei do Baião cantou “Obrigado, João Paulo”, música que fez especialmente para esta oportunidade, em parceria com o padre Gothardo Lemos. Luiz Gonzaga foi um dos artistas escolhidos para se apresentar ao pontífice, na cidade de Fortaleza. Como numa bênção, foi justamente nesse ano em que Gonzaga iniciou uma turnê pelo País, depois de uma vida conturbada, formando uma parceria com o seu filho Gozaguinha, que ficaria conhecida como “Vida de Viajante”, a partir daí ele adotou o nome de Gonzagão.

Reivindicações, denúncias e lamentos

O maior mestre da música brasileira aproveitou suas muitas relíquias para chamar a atenção da população como um todo, e não apenas dos governantes, para os problemas que sempre assolaram nosso país

Um exemplo clássico disso está descrito na música “Comício do Mato” de autoria de Joaquim Augusto e Nelson Barbalho. Esta ainda é uma das muitas músicas de Gonzaga desconhecidas até hoje por fãs mais devotos, gravada em 1957. “Eu voto por muito pouco, digo agora pro senhor. Grito inté ficar rouco, já ganhou, já ganhou. Quero roupa, quero sapato. Paletó lascado atrás, camisa fina de fato. Tarei pedindo demais? Tarei? Tô não”. Naquela época ele já chamava a atenção em relação aos políticos acostumados apenas a fazer promessas vãs, bem como ao candidato que acabava engolindo a balela do malandro, algo ainda muito comum nos dias de hoje.

(J. Borges)

Assim como Asa Branca, acredito que “A Triste Partida” (1964), de Patativa do Assaré, um dos maiores poetas brasileiros, é uma das mais importantes músicas de Luiz Gonzaga. Da poesia do gênio cearense, Gonzaga conseguiu comover o Brasil, principalmente os retirantes nordestinos que se aventuravam pras bandas do Sul e Sudeste do Brasil. Ouvir é uma coisa, mas só de imaginar o sofrimento de alguém que é obrigado a fugir de sua terra natal, em busca da sobrevivência, somente uma pessoa sem alma para não se sensibilizar de tamanho sofrimento cantado por Luiz Gonzaga, “Em caminhão ele joga a famía, chegou o triste dia já vai viajar. Meu Deus, meu Deus. A seca terrivi, que tudo devora. Ai, lhe bota pra fora da terra natal”.

Durante muitos anos chegou a se pensar que o Nordeste estava fadado à desgraça. Quando não era a seca terrível que afugentavam os nativos eram as enchentes que matava com água. Se em Triste Partida o cancioneiro mostra o sertanejo fugindo da seca, em “Súplica Cearense”, dos compositores Gordorinha e Nelinho, ele retrata a triste sena das enchentes que deixaram milhares de mortos e desabrigados nesta região ao longo do tempo. “Oh Deus perdoe este pobre coitado. Que de joelhos rezou um bocado, pedindo pra chuva cair sem papar. E em outro trecho ele suplica, “Desculpe eu pedir a toda hora para o inverno. Desculpe eu pedir para acabar com inferno, que sempre queimou o meu Ceará”.

Lampião e o chapéu de couro

Uma das maiores características de Gonzaga era sem dúvida a audácia. Ele não demonstrava medo em ser ridicularizado pelos críticos. Com coragem e sabedoria “O cara” incorporou como ninguém o povo nordestino em suas canções e entrevistas. Com seus costumes, vestimentas e forma de se expressar, jamais negou suas raízes. Gonzaga adotou o chapéu de couro, a partir do ano de 1947, semelhante ao usado por Lampião, do qual o Rei do Baião tinha grande admiração. Esse fato lhe causou alguns transtornos, no início da carreira, como por exemplo, ser impedido de cantar na Rádio Nacional, no Rio de Janeiro com trajes de cangaceiro.

Na música “Lampião falou”, ele, de certa forma, sai em defesa do mais famosa cangaceiro nordestino, “Eu não sei porque cheguei. Mas sei tudo quanto fiz, maltratei fui maltratado. Não fui bom, não fui feliz. Não fiz tudo quanto falam, não sou o que o povo diz”. E completa, “O cangaço continua. De gravata e jaquetão. Sem usar chapéu de couro. Sem bacamarte na mão. E matando muito mais, ta cheio de lampião”.

Localidades

Por fim o Rei do Baião homenageou várias localidades, nesse Brasil de meu Deus. Ao Rio de Janeiro, onde tudo começou ele compôs com Zé Dantas “Adeus Rio de Janeiro”. Na canção ele lamenta deixar tantas belezas, mas promete volta em breve, “Quando eu me alembro de deixar Copacabana, e as morenas que eu tenho visto por cá. Eu fico triste, sinto frio sinto medo. Fico achando tudo azedo, com vontade de chorar”.

Ao nosso estado de Alagoas Gonzaga também falou das suas belezas, como na música “Pedaço de Alagoas”, de Edu Maia. “Tomar banho na bica da pedra. Rever a Pria do Francês e a Barra de São Miguel. Em Conchinha voltar outra vez. Coruripe tem prais tão lindas, que se confundem com mar”. De Lourival Passos ele gravou “Maceió”, na qual também exalta a beleza inconfundível da capital mais bonita do Brasil, “Ai, ai, qua saudade, ai que dó. Viver longe de Maceió”.

O nosso torrão natal, Santana do Ipanema, também não ficou de fora de uma das maelas discografias brasileiras, e foi para nós um grande orgulho ouvir o Rei do Baião cantar “Acordo as Quatro”, de autoria de Marcondes Costa. Nela Gonzagão discorre detalhes da lida diária do homem do campo, no sertão alagoano, “Acordo as quatro, tomo meu café, dou um cheiro da muié e nas crianças também. Vou pro trabáio com o céu ainda escuro, respirando aquele ar puro, que só minha terra tem. Levo comigo uma foice e uma enxada, vou seguindo pela estrada, vou pro campo trabaiá. Vou ouvindo o cantá dos passarinhos, vou andando sozinho, tenho Deus pra me ajudar”.

Entre outras homenagens ele ainda cantou: “Paraíba”, “A Feira de Caruaru”, “Pra Frente Goiás”, “Macapá”, e muito mais.

A discografia do Mestre Luiz Gonzaga é invejável e inexata. Fala-se em quase 200 títulos lançados, entre discos de 78 rotações, elepês e compactos, 1000 músicas, muitas histórias e parceiros desde 1941.

Dedico este texto, assim como fiz em 2008, com o artigo Gonzagão, simplesmente o melhor,  ao homem que escolheu a música para expressar todo seu amor ao Brasil e ao seu povo, “Luiz do Brasil”. Que, se vivo estivesse, completaria 100 anos nesta quinta-feira, 13 de dezembro de 2012. A moldura acima foi pintada pelo artista plástico José Ronilvo Soares Ribeiro “Roninho”, o qual, a meu pedido, retratou de forma belíssima a evolução humana, revelando assim aquele que foi o maior ícone da musica popular brasileira.

Como reflexão fica uma frase de Ganzagão, na música “O Urubu é um Triste”: Se a coruja um dia chegasse a ser beija-flor, naturalmente eu teria dinheiro, paz e amor”.

02 dez

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10 curiosidades da história política de Santana do Ipanema

Foto: Montagem / Alagoas na Net

Para tanto, além do que já tinha guardado em mente, recorri a pesquisas na biblioteca pública municipal Breno Accioly, localizada provisoriamente no Centro de nossa cidade. De qual momento quero deixar o meu apreço pela atenção dedicada pelas bibliotecárias, Cícera e Letícia.

A identidade de um povo é a sua história. O retrato que vemos hoje é o reflexo do que fizerem os nossos antepassados, bem como o nosso futuro se colocará da forma a qual estamos construindo neste momento.

Então, se você não sabia fique sabendo:

– Que Mário Silva é o 13º prefeito eleito pelo voto direto, de Santana do Ipanema e o quarto prefeito eleito a ter exercido o cargo de vereador. Quando Mário Silva assumir, em janeiro de 2013 serão 17 mandatos exercidos por 13 prefeitos.

– Que a prefeita Renilde Bulhões foi a primeira mulher a assumir o Executivo santanense, em 2001, bem como a primeira prefeita a se reeleger, em 2008. Até o ano de 1996 não era permitido a reeleição no Brasil para os chefes do Poder Executivo Municipal, Estadual e Federal.

– Que o primeiro prefeito eleito pelo voto direto foi Joel Marques, em 1936, e seu filho Adeildo Nepomuceno Marques o primeiro vereador a se eleger prefeito de Santana.

– Que Adeildo Nepomuceno Marques foi o único prefeito eleito por três vezes:

de 1951 a 1955

de 1966 a 1969

de 1973 a 1977

– Que Paulo Ferreira de Andrade foi o político que mais se candidatou a prefeito e vice-prefeito de Santana do Ipanema; quatro vezes a prefeito e duas a vice. Sendo candidato a prefeito pela primeira vez em 1972, não obtendo êxito.

De 1983 a 1988, Paulo Ferreira exerceu o cargo de vice-prefeito e em seguida foi eleito duas vezes prefeito, entre os anos: de 1989 a 1992 e de 1997 a 2000.

– Que a vereadora Josefa Eliane Bezerra, a Fofa, foi a primeira mulher a presidir o Legislativo santanense.

– Que o vereador Luciano Gaia é o vereador com maior número de mandatos. Em janeiro de 2013 deverá exercer o cargo pela nona vez. Desde a primeira vez em que foi eleito vereador, em 1971, Luciano só não exerceu o mandato nos exercícios de 2001 a 2004 (Marcos Davi) e de 2005 a 2008 (Renilde Bulhões).

– Que o Coronel José Lucena de Albuquerque Maranhão foi eleito o primeiro deputado estadual para representar Santana do Ipanema, em 1950. Seguido de Siloé Tavares, ex-vereador, e do ex-prefeito Adeildo Nepomuceno Marques.

– Que as cidades de Major Izidoro, Olho d’Água das Flores, Olivença, Carneiros, Poço das Trincheiras, Maravilha, Ouro Banco e Senador Rui Palmeira, já foram distritos de Santana do Ipanema.

10ª – Que a emancipação política de Santana do Ipanema é comemorada no dia 24 de abril, apesar de o Município só ter passado à condição de cidade no dia 31 de maio do ano de 1921, isso porque, antes da proclamação da república, as povoações eram elevadas a vilas de acordo com o sistema português.

No Brasil colonial a data correta da fundação de municípios era a da criação da vila. Com a vila, o arraial ou freguesia, adquiria a sua autonomia político administrativo, podendo escolher o seu intendente (prefeito) e conselheiros (vereadores). Santana do Ipanema, ainda Santana da Ribeira do Panema, passou à sua condição de cidade (vila) emancipada politicamente, através da Resolução nº 681, de 24 de abril de 1875, se desmembrando da Comarca de Traipu.

Prefeitos de Santana do Ipanema, eleitos pelo voto popular:

Joel Maques 1936/1938

Coronel Lucena Maranhão – 1948/1951

Adeildo Nepomuceno Marques – 1951/1955

Hélio Cabral do Nascimento – 1956/1960

Ulisses Silva – 1961/1065

Adeildo Nepomuceno Marques – 1966/1969

Henaldo Bulhões Barros – 1970/1972

Adeildo Nepomuceno Marques – 1973/1976

Genival Wanderlei Tenório – 1977/1982

Isnaldo Bulhões Barros – 1983/1988

Paulo Ferreira de Andrade – 1989/1992

Nenoi Pinto – 1993/1996

Paulo Ferreira de Andrade – 1997/2000

Marcos Davi Santos – 2001/2004

Renilde Silva Bulhões Barros – 2005/2008

Renilde Silva Bulhões Barros – 2009/2012

*Referencia da pesquisa: Livro Santana do Ipanema conta a sua História; Floro de Araujo Melo e Darci de Araujo Melo.