Carnaval tradicional de Santana: eu fiz parte desta história

“Mexicanos” usavam carroça para percorrer as ruas de Santana (Foto: Cortesia / Cristóvão Ferreira)

Durante 10 anos consecutivos, eu e um grupo de amigos saímos pelas ruas de Santana do Ipanema, durante o período carnavalesco, com o bloco “Os Mexicanos”.

O ano era 1978, e o primeiro a encarar a brincadeira comigo foi o advogado Paulo Fernando Oliveira. Depois vieram o empresário Cristóvão Ferreira e o jornalista José Malta, além dos músicos Índio e José Djalma.

A ideia era se fantasiar de tradicionais mexicanos, com sombreiro e poncho. O motivo da homenagem aos irmãos latinos era a vitoria da seleção brasileira na Copa de 1970, no México. Na época os donos da casa se mostraram imensamente simpáticos a equipe brasileira.

Foram 10 anos de pura alegria e muita animação. Durante o dia a gente visitava as residências de pessoa conhecidas (costume da época). Parte da noite a gente se divertia na Maratona (nome dedicado à folia da praça), com animação da Orquestra de Frevo do Maestro Miguel Bulhões, a qual eu tive a grata satisfação de tocar tarol por dois anos.

Depois da meia noite chegava hora de se divertir no baile do Tênis Clube Santanense, sempre embalado por uma excelente orquestra de frevo, que também tocava músicas de sucessos do momento.

A aquisição dos trajes para o bloco se dava a partir do nosso salário, passando por uma rápida arrecadação no comércio local, que nunca se furtou a colaborar.

Nós fomos o primeiro bloco carnavalesco de Santana do Ipanema a confeccionar uma camiseta com a marca do bloco. A ideia não era se vestir com a camiseta, mas vender para arrecadar fundos para pagar as nossas despesas.

Camisas eram confeccionadas para ajudar no bloco (Foto: Cortesia / Sergio Campos)

No ano seguinte às vendas das camisetas (diga-se de passagem, um sucesso), mandamos confeccionar o primeiro adesivo de um bloco carnavalesco, em nossa cidade. Tanto a camisa, quanto o adesivo foram feitos por Adeilson Dantas, pioneiro no serviço de serigrafia no Sertão.

Trinta anos se passaram desde a última vez que “Os Mexicanos” saíram pelas ruas de Santana do Ipanema para animar o Carnaval. Fica em nossa memória os bons tempos em que colaborávamos para que esta festa fosse realmente um movimento popular em nossa cidade.

No entanto, não éramos os únicos a fazer esta festa ficar animada e sustentar a tradição mais popular do Brasil. Contávamos com muitos blocos tradicionais, que há algum tempo não vimos mais pelas ruas de nossa cidade.

Recordamos de alguns deles: Os Cangaceiros, Bumba-Meu-Boi, Bloco do Urso Preto, Bloco do Urso Branco, Intimidade Com a Sogra, Bloco do Sapo, As Pastorinhas, Os Magnatas, SWAT, Os T Arados, As Damas de Ouro, BrasilGas, Bloco do Passarinho, Pau d’Arco, Bloco Taxi, Os Piratas, As Pecinhas, Pitú Kom Limão,  Os Cãos, Bloco O Firminão.

Essa história a gente conta para que a nova geração saiba que Santana do Ipanema já teve um bom e animado Carnaval de rua, onde prevalecia a manifestação popular.

Santana do Ipanema: 142 anos: uma imagem de uma economia pujante

Foto extraída do no livro Brazilian Cotton, editora Bibliolife (Foto: Reprodução)

Foto extraída do no livro Brazilian Cotton, editora Bibliolife (Foto: Reprodução)

Os tempos áureos da feira livre de Santana do Ipanema estão expressos nesta foto (ao lado), publicada em 1921, no livro Brazilian Cotton. Quando o comércio do algodão era forte em nossa economia.

Inclusive fui testemunha, quando no início da década de 1970 estive na propriedade dos meus avós maternos, localizada na zona rural de Olho d’Água das Flores, observando a colheita de algodão juntamente com meu avô Tomás Doroteu, no sítio Gavião.

Na Santana que me recordo tivemos duas fábricas de beneficiamento de algodão: uma no cruzamento da Rua Delmiro com a Siqueira Campos, e a outra na Rua Sinhá Rodrigues.

No mesmo ano do registro desta imagem, através da lei nº 893, de 31 de Maio de 1921, Santana do Ipanema recebeu a categoria de Cidade, pois, já era conhecida pelo seu progresso.

No entanto, em 24 de abril de 1875 o local já tinha sido elevado a Vila, quando desmembrou-se de Traipu. Daí a divergência de alguns pesquisadores em relação a comemoração da emancipação política de Santana do Ipanema.

“No Brasil durante muito tempo, a data correta da fundação de municípios antes da proclamação da república era o dia da criação da vila. Com a vila o arraial ou a freguesia adquiria a sua autonomia político-administrativa, passando a constituir uma câmara de vereadores, com direito de cobrar impostos, e baixar ‘posturas’ que eram espécies de leis municipais, recebia ainda um ‘juiz de fora’, pelourinho e cadeia pública”, informa a Wikipédia.

Os tempos mudaram. A nossa economia já não depende da agricultura. O nosso comércio cresceu, em relação a esta época. No entanto ainda vivemos tempos de dúvidas. Santana do Ipanema, que já foi Ribeira do Panema, completa 142 anos de Emancipação Política, no próximo dia 24 de abril de 2017.

Viva o povo santanense: índios, negros e brancos.

*Texto originalmente publicado no Facebook em 04 de abril de 2017

Vicente e Nanete: do Litoral ao Sertão, uma história recíproca de amor

Foto: Arquivo Familiar

Foto: Arquivo Familiar

Recém convocado para compor as fileiras da Polícia Militar de Alagoas, o soldado Vicente Alves da Silva, recebe determinação do seu comando para fortalecer as tropas que prestavam serviços no Sertão do estado.

O ano era 1951 quando desembarcou em terras sertanejas o jovem Vicente Alves da Silva, oriundo da capital alagoana. O Estado era governado por Arnon Afonso de Farias Melo, enquanto isso Santana do Ipanema, a Rainha do Sertão, a qual se destacava como região promissora na economia agrícola, recebendo posteriormente o título de “Terra do Feijão”, se encontrava sob o comando político do prefeito Adeildo Nepomuceno Marques.

Com o coração cheio de esperança e obediente à sua corporação, o militar logo se enturmou com populares e, mesmo tímido, a cada momento construía novas amizades por todo o município, assim como fez ao longo de sua vida.

Na década de 1950 a juventude santanense se reunia nas imediações do Cine Glória, no bairro do Monumento. A casa de entretenimento vivia o auge da diversão, com exibições de grandes clássicos do cinema nacional e internacional, sempre aos sábados e domingos.

Naquele clima de trabalho e distração, o jovem militar enxergou pela primeira vez o olhar da sua amada. Ali o destino lhe reservou o que de melhor poderia ter acontecido em sua vida. Não demorou para que o moço se aproximasse daquela donzela que já arrematara o seu coração, fazendo com que nunca mais pensasse em voltar para a capital.

Filho de seu Antônio Plácido Silva e dona Valdomira Alves da Silva, Vicente Alves, que jamais tinha visitado o sertão, era natural da cidade de Viçosa, tendo ido morar ainda criança em Maceió, enquanto sua namorada, a jovem Maria Nanete Oliveira, havia nascido no Povoado Pedra d’Água dos Alexandres. No momento em que os seus olhares se cruzaram pela vez primeira, a jovem, que lecionava na zona rural de Santana do Ipanema, visitava a residência de sua tia Nina, na Avenida Coronel Lucena, como era de costume, sempre que tinha oportunidade.

Até que os dois estivessem enamorados e concretizassem as núpcias, tudo correu de acordo o protocolo tradicional da época e da localidade. Vicente cortejava a jovem Nanete, mas para que o seu sonho se tornasse algo concreto seria necessária a autorização dos pais da moça, Miguel Fernandes Oliveira e Francisca Fernandes Oliveira, residentes no Povoado Pedra d’Água dos Alexandres.

A data que marcou uma nova história na vida do casal foi outubro de 1953. Numa manhã ensolarada de terça-feira, a matriz de Senhora Santana testemunhou a cerimônia matrimonial do casal Vicente Alves e Nanete Oliveira: o único e eterno amor do “praça” oriundo da capital, que antes daquele momento distinto já agradecia ao comando da Polícia Militar o fato de tê-lo convocado para uma missão especial na região sertaneja.

Para o casal de sertanejos, que criou seus dez filhos a fim de que um dia pudesse vê-los formar suas famílias nos padrões educacionais da religião católica, a qual praticava, a simpatia foi recíproca com aquele que se tornaria um membro da família. Seu Miguel e Dona Francisca, carinhosamente chamada de “Dona Francisquinha”, não tiveram dificuldades para aceitar o galanteio do militar, que a essa altura já era bastante popular e muito querido na cidade.

Sob as bênçãos do padre Jeferson, pároco auxiliar do cônego Luis Cirilo da Silva, o casal Vicente Alves e Nanete Oliveira passa a viver os seus novos desafios. Inicialmente o casal morou na Rua Barão do Rio Branco, até realizar o sonho da casa própria, onde mora até hoje Dona Nanete, na Avenida Martins Vieira.

Sempre firme nas suas atividades laborais, com exemplo e retidão, Vicente Alves galgou o posto de 3º Sargento da Polícia Militar. Na década de 1970, com intuito de encaminhar os seus filhos para a vida profissional Seu Vicente dá suporte para o funcionamento de uma banca de revistas, o que lhe daria posteriormente o epíteto de “Seu Vicente da Banca de Revistas”.

O “Sargento Vicente”, como era mais conhecido por seus colegas de farda, entre outros hobbies, gostava de futebol.

Com todos os percalços, mas também aproveitando as bênçãos que a vida lhes reservou, o casal conseguiu educar e entregar para a o mundo seus oito filhos: Carlos Alberto, Miguel Antonio, Carlos Jorge, Ana Lúcia, Paulo Fernando, Adenilson, Roberto Cezar e Maria Élcia.

No dia 25 de julho deste ano, véspera do dia em que a cidade que o adotou homenageia sua padroeira Senhora Santana, Dona Nanete, filhos, netos, genros, noras e amigos receberam, com pesar e tristeza, a notícia do falecimento de Seu Vicente. Naquele momento ele acabara de cumprir sua missão aqui na terra. Este viveu 84 anos, sendo 63 deles dedicados a Santana do Ipanema e sua família.

01 Maio

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Semana em homenagem à Caatinga: Artistas nordestinos que cantaram esse bioma

semanacaatinga

Não foram poucos os artistas nordestinos que cantaram e decantaram a Caatinga: que verdeja e clareia a paisagem do semiárido brasileiro, inspirando repentistas, cordelistas, poetas, artesões, forrozeiros e tantos outros artistas amantes da natureza.

Muitos Ambientalistas e defensores dos sertões nordestinos, iniciaram a defesa em favor do Bioma Caatinga, a partir desses artistas.

Agricultor com alma de poeta

Foto: onordeste.com

Patativa do Assaré
(Foto: onordeste.com)

Poucos devem ter ouvido falar em Antônio Gonçalves da Silva, mas se nos referirmos a essa mesma pessoa por seu pseudônimo: “Patativa do Assaré”, um dos maiores poetas nordestinos, nascido em 1909, no sertão cearense, é provável que quase todos os amantes da poesia já tenham lido e se encantado com algo deste extraordinário talento.

Em um verso de um dos maiores dos poemas, “A Triste Partida”, que virou música famosa na voz de Luiz Gonzaga, Patativa, retrata a seca da “mata branca” nordestina, como poucos, diz ele: “Sem chuva na terra descamba janêro, depois, feverêro, e o mêrmo verão. Entonce o rocêro, pensando consigo. Diz: isso é castigo! Não chove mais não”!

No entanto, Patativa do Assaré não cantou apenas a o flagelo da seca. No poema, “A Festa da Natureza”, ele fala das belezas do sertão:

“Chegando o tempo do inverno/Tudo é amoroso e terno/Sentindo o Pai Eterno/Sua bondade sem fim/O nosso sertão amado/Estrumicado e pelado/Fica logo transformado/No mais bonito jardim/Neste quadro de beleza/A gente vê com certeza/Que a musga da natureza/Tem riqueza de incantá/Do campo até na floresta/As ave se manifesta/Compondo a sagrada orquestra/Desta festa naturá/Tudo é paz, tudo é carinho/Na construção de seus ninho/Canta alegre os passarinho/As mais sonora canção/E o camponês prazentero/Vai prantá fejão ligero/Pois é o que vinga premero/Nas terras do meu sertão.”

Outros poemas de Patativa, que se transformaram em músicas consagradas, como: Vaca Estrela e Boi Fubá; ABC do Nordeste Flagelado; O Poeta da Roça; O Sabiá e o Gavião e O Vaqueiro, ainda hoje são lembrados pelos amantes da cultura sertaneja.

Mesmo fazendo poesia de primeira linha, Patativa do Assaré nunca se considerou um profissional da área, morreu em 2002 no mesmo lugar em que nasceu afirmando ser agricultor.

O maior divulgador das belezas da Caatinga

Se Patativa do Assaré recebeu o dom divino de criar poesias belíssimas, coube a Luiz Gonzaga o papel de divulgá-las.

Mesmo compondo, como fez com seus maiores parceiros Humberto Teixeira e Zé Dantas, Gonzaga se consagrou ao divulgar e defender as belezas do Nordeste através da sua voz, especialmente a fauna e a flora, sempre acompanhado da parceira inseparável, a sanfona.

Em o “Xote das Meninas” Gonzaga relata como o sertanejo tem a ideia de que aquele ano o inverno será proveitoso: “Mandacaru quando fulora na seca, é o sinal que a chuva chega no sertão…”.

O mandacaru é uma planta comum no sertão nordestino e não raro, atingir até mais de 5 metros de altura, servindo de alimento para diversas aves típicas da caatinga.

Em sua longa carreira no rádio na TV, nas feiras, nos circos e muitos palcos, Gonzaga divulgou tanto o sofrimento quanto a alegria do sertanejo que convide o dia a dia com na caatinga, cantando animais e plantas, como Juazeiro, Assum Preto, Sabiá, Fogo Pagou, Aroeira e sobre tudo Asa Branca: “Inté mesmo a asa branca bateu assas do sertão”.

Mas Luiz Gonzaga não se contentou apenas em cantar a fauna e flora, ele decantou, sobretudo, o povo do sertão. O folclore, o vaqueiro e o agricultor.

Na música “Acordo as Quatro”, do compositor alagoano Marcondes Costa, Luiz Gonzaga canta a forma simples de uma família sertaneja, a qual, mesmo diante dos percalços enfrentados, não mede distância para encaminhar seus filhos à escola.

Acordo as quatro

Letra e música: Marcondes Costa

Acordo às quatro

Tomo meu café

Dou um beijo na muié

E nas crianças também

Vou pro trabáio

Com céu ainda escuro

Respirando esse ar puro

Que só minha terra tem

Levo comigo

Minha foice e a enxada

Vou seguindo pela estrada

Vou pro campo trabaiá

Vou ouvindo

O cantar dos passarinhos

Vou andando, vou sozinho

Tenho Deus pra me ajudar

Tenho as miúças

Carneiro, porco e galinha

Tenho inté uma vaquinha

Que a muié véve a cuidar

E os meninos

Digo sempre a Iracema

Em Santana de Ipanema

Todos os três vai estudar

Pois eu não quero

 Fío meu anafabeto

Quero no caminho certo

Da cartilha do abc

Eu mesmo

Nunca tive essa sorte

Mas eu luto inté a morte} bis

Móde eles aprender

30 abr

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Semana em Homenagem à Caatinga: poeta descreve bioma excepcionalmente brasileiro

semanacaatinga

Após os belos versos de um pernambucano, no terceiro dia de homenagem à Caatinga, o site Alagoas na Net traz outros versos, desta vez de autoria um sertanejo da cidade de Santana do Ipanema, o poeta e cantador Ferreirinha.

Compositor e repentista, o artista já tem em sua longa jornada um belo trabalho falando de sua região, o Sertão, como num poema publicado também neste site, no ano passado. Atualmente o morador faz parte da Associação Guardiões do Rio Ipanema (Agripa) e tem lutado pela causa do rio que dá nome a sua terra.

Cantor e poeta Ferreirinha (Foto: Alagoas na Net/Arquivo)

Confira abaixo a poesia composta por Ferreirinha, em homenagem à Caatinga.

Dia da Caatinga

Autor: Cícero Ferreira (Ferreirinha)

Segunda-feira, 28 de abril

Na floresta a chuva pinga

Deixando um cheiro gostoso

No fundo verão que míngua

Alegrando o sertanejo

Na Semana da Caatinga

Homenagem a Caatinga

Na roça se faz lembrar

O voar do tico-tico

E canção do sabiá

Que aprendeu ser seresteiro

Sem ninguém pra lhe ensinar

Por isso vamos lembrar

Preservar com mais cuidado

Sem queimar sem desmatar

O que por Deus nos foi dado

Nossa flora e nossa fauna

E nosso reino encantado

Na caatinga ainda se ver

A coruja buraqueira

Que chora como criança

Quando perde a mamadeira

E passa o dia dormindo

Pra caçar a noite inteira

Fauna e flora brasileira

Não deve ser destruída

Aonde você andar

Na mata há sopro e vida

Quem preserva a natureza

Tem uma paz garantida

Entre as demandas da vida

Do homem que a mão engrossa

Que se criou trabalhando

Pra manter sua palhoça

Duvido que na cidade

Tenha a paz que tem na roça

A Caatinga é o cenário

Do vaqueiro do sertão

Onde ele exibe contente

Perneira, chapéu, gibão

Se faltar essa floresta

É o final da profissão

Da Redação

23 abr

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Medo: um grande negócio

Foto: Ambermb / Pixabay

Quantas vezes paramos para imaginar o quanto o medo produzido pela mídia gera um ganho econômico incalculável?

Quase nunca. Às vezes sequer imaginamos que isso seja possível, mas é. E muito rentável.

A história de amedrontar os outros em detrimento de alguns, a fim de tirar proveito, especialmente em relação ao rendimento financeiro, se perde na história da humanidade.

Apenas para citar um ponto referencial, no início da era cristã o filósofo romano Lúcio Sêneca já havia alertado: “As coisas que mais nos assustam são em maior número do que as que efetivamente fazem mal, e afligimo-nos mais pelas aparências do que pelos fatos reais”.

Portanto, ao longo do tempo, principalmente com o advento do rádio da televisão e posteriormente com a abrangência da internet, o “produto” medo foi se aprimorando e ganhando espaço junto à população, onde mais e mais pessoas passaram a consumi-lo de forma desenfreada e psicótica.

Confira o artigo completo no Blog do Sérgio Campos

A importância do Dia do Rio Ipanema

RIO IPANEMA E A ETERNA FESTA DOS URUBUS (Foto: Sergio Campos / Alagoas na Net / Arquivo)

Para alguns pode soar estranho comemorar o dia de “algo” que se apresenta de forma tão sujo e degradante. Até poderíamos considerar normal esse pensamento, levando em consideração o que nós santanenses permitimos que o nosso maior e mais belo acidente geográfico chegasse a situação na qual se encontra; pelo menos num pequeno trecho de cerca de três quilômetros, exatamente na área urbana da única cidade em que leva garbosamente o seu nome, Santana do Ipanema.

No entanto, para nós que vivemos bons e marcantes momentos das nossas vidas aproveitando tudo de benéfico que esse “algo” nos deu, como banho, pesca, lazer e reflexão: comemorar esta data é o mínimo que poderemos oferecer nesse momento ao nosso querido rio Ipanema.

O Dia do Rio Ipanema é apenas o começo de um alerta à população santanense, não apenas para lembrar o que ele nos proporcionou, mas o que ainda temos para compartilhar.

Enquanto o rio Ipanema oferece benevolamente aos seres vivos bens indispensáveis à vida, tais como a água, a flora, a fauna e o minério, recebe em troca dejetos, lixo de todas as espécies e o pior: o desprezo.

Paulão

Lixo em um dos acessos ao rio Ipanema (Foto: Sérgio Campos)

Em 10 de agosto de 2013 um grupo de pessoas preocupadas com a situação de um dos importantes afluentes do rio São Francisco se reuniu em Santana do Ipanema com a finalidade de discutir formas que viessem alertar a população a buscar soluções para a grave situação em que se encontra o que pode vir a ser o mais belo cartão postal da cidade. A partir daí nasceu a Associação Guardiões do Rio Ipanema – Agripa, que logo em seguida recebeu o apoio incondicional das mais diversas camadas da comunidade.

Um dos lemas da Agripa, totalmente voltada ao meio ambiente, é: “conscientizar para salvar”. Desde então, a associação, formada por ambientalistas de vários matizes, não para de trabalhar e receber adesões e incentivos, num só objetivo: VAMOS SALVAR O RIO IPANEMA.

Rio

Ponte de acesso a cidade de Olho d’Água das Flores (Foto: Alagoas na net/Arquivo)

A água salobra que em tempos idos matou a sede de muitos sertanejos, hoje, mesmo poluída, ainda serve para saciar a sede dos animais, bem como para a irrigação e a pesca, ainda que em pequena escala. Imaginemos então o rio Ipanema despoluído e sem cercas, onde crianças e adultos possam tomar banho sem medo de contrair alguma doença; ou os pescadores possam ter a certeza de que sairão de seus lares em busca de alimento e voltarão com as sacolas cheias de banbá, lambari, traíra, cará-zebu, caribola e no futuro o pitu, alimentos que já foram tão comuns nas mesas dos nossos ribeirinhos.

Delmiro

Crianças se divertindo às margens do rio Ipanema (Foto: Sérgio Campos)

Seria demais imaginar os animais nativos voltando a beber água nas cacimbas ao longo do rio Ipanema? Tatus e pebas; teiús e camaleões; guaxinins, gatos-do-mato e raposas; jaçanãs, siricoras e tantas outras espécies que a ação devastadora do ser humano fez sumir desta região.

Quantos de nós já não precisamos usar alguma planta medicinal (meizinha) advinda deste rio? Pois bem, às margens do nosso rio Ipanema, mesmo com um descontrolado desmatamento, ainda podemos encontrar: jenipapos, mulungus, mussambês, velames, quinas-quinas, catingueiras, juremas pretas, angicos-de-caroços, melões-de-são-caetano, alenta-cavalos, aroeiras, imburanas-de-caboclo entre tantas outras plantas sustentadas pelas águas escassas deste surpreendente rio.

Planta

Vegetação nativa (Foto: Sérgio Campos)

O rio Ipanema é um patrimônio da humanidade, mas que ainda precisa ser mais conhecido por aqueles que o vê chorando lágrimas de lama. Pois está com uma de suas partes ferida, sangrando e, portanto precisa ser tratada. Nos seus 220 km, de Pesqueira/PE a Belo Monte/AL, a parte mais degrada está localizada na zona urbana de Santana do Ipanema, do Poço Grande às Cachoeiras, cabendo a nós, legítimos guardiões do meio ambiente, assim outorgado pela Mãe Natureza, a responsabilidade moral e humana de tratá-la para que as futuras gerações não se envergonhem das nossas atitudes, ou da falta delas.

Ponte dos Canos

Imponente e desafiando os percalços, o Ipanema segue rumo ao São Francisco (Foto: Sérgio Campos)

Desta forma, desejo do fundo do meu coração, neste dia 21 de abril, se não pelo estado em que te deixamos chegar, mas por terem se lembrado de ti “ó Velho Panema”, PARABÉNS RIO IPANEMA PELO SEU DIA.

Blog do Sérgio Campos 

XOTE DOS GUARDIÕES

Letra e música: Cícero Ferreira (Ferreirinha)

Velho Panema

Pelos índios batizado

Limpinho, cristalizado

Sertão abaixo corria

A sua água não oferecia risco

De Pesqueira ao São Francisco

A todo povo servia

Por isso agora

O guardião lhe convida

Para devolver à vida

Ao nosso velho Panema

E ver de novo

Aquelas velhas imagens

Bebendo nas suas margens

Lagartos, tatus e emas – Refrão

O bom carreiro

De diversas regiões

Da Marcela ou dos Torrões

Água potável trazia

Matando a sede

E outras necessidades

Que muitas celebridades

Tomavam banho e bebia

Por isso agora

O guardião lhes convida…

(Refrão)

Não se ver mais

Aquela paisagem bela

Flor vermelha e amarela

Simbolizando alegria

E nas ramagens

Dos velhos pés de ariús

Debaixo dos mulungus

Acabou-se a água fria

Por isso agora

O guardião lhes convida…

(Refrão)

Os mulungus

As grandes caraibeiras

Cortadas nas ribanceiras

Quem ver não sente alegria

Os juazeiros, jenipapo e catingueiras

Viraram tudo fogueira

A margem ficou vazia

Por isso agora

O guardião lhes convida…

(Refrão)

Queremos ver

Nossa cidade crescendo

E nossos rios correndo

Com paz e com harmonia

E os nossos filhos

Jogando bola, brincando

Gritando e tomando banho

Na transparência sadia.

Por isso agora

O Guardião lhes convida…

(Refrão)

A insegurança, o discurso improdutivo e a falta de criatividade

Frase

Frase: Anônimo

Eu buscava uma frase do poeta, romancista e dramaturgo Ariano Suassuna, a fim de complementar um artigo que estava escrevendo no qual falava de esperança, quando me deparei com a frase acima, do escritor e jornalista italiano Antonio Amurri (1925-1992).

A frase me chamou atenção devido ao fato de ter ouvido na última sexta-feira (28) o discurso de um legítimo representante do povo durante a sessão ordinária da Câmara de Vereadores de Santana do Ipanema. O tema era a falta de segurança na cidade.

Como um repórter ávido por noticia, o vereador anunciava na tribuna da Casa “em primeira mão” que uma casa lotérica da cidade tinha acabado de ser assaltada.

O parlamentar, que responde pela alcunha de Papa Tudo, falou de vários casos de violência que ultimamente tem acontecido no município, inclusive um ocorrido contra a sua família.

Confira o artigo completo no Blog do Sérgio Campos

Dia do Rio Ipanema: um projeto sem partido, mas com amor

Rio

Rio Ipanema (Foto: Alagoas na Net/Arquivo)

A Associação Guardiões do Rio Ipanema, – Agripa, a qual faço parte, tem se empenhado o máximo para chamar a atenção dos santanenses para um problema que, ao longo dos anos, foi se avolumando até se tornar, para muitos, sem solução.

A poluição que hoje observamos num trecho de aproximadamente três quilômetros, na zona urbana de Santana do Ipanema, começou, infelizmente, há mais de 40 anos quando o poder público municipal construiu o Matadouro Público Municipal em seu leito, onde, até hoje, restos de amimais abatidos são despejados, no que se tornou o maior esgoto a céu aberto do Sertão.

Pode-se até dar um desconto ao então prefeito Adeildo Nepomuceno Marques, responsável pela obra, pois nessa época não se falava tanto em preservação do meio ambiente como agora. No entanto, não se pode esquecer que essa atitude acabou incentivando outros moradores e administradores a não alimentar a consciência de prevenção ambiental.

Depois do matadouro, construído logo abaixo da ponte apelidada de “Barragem”, vieram as fossas domésticas, seguidas de outro enorme poluidor do rio, a fossa do antigo Hospital Arsênio Moreira. Descendo com destino ao São Francisco, o grande esgotão continua com o lixo comercial, além de pocilgas.

Nessas alturas do campeonato não adianta buscarmos culpados pelo estado deplorável em que se encontra o nosso rio Ipanema. Pensando nisso a Agripa entra em cena e sugere um pacto ambiental com a sociedade santanense: “Vamos salvar o rio enquanto há tempo?”.

A proposta da associação é apartidária; interessa a todos nós: brancos, pretos, índios, pardos, ricos, pobres, mulheres e homens. Quem ama não polui: eis a questão.

Quero parabenizar aos vereadores de Santana do Ipanema que neste dia 28 de março de 2014 participaram de um momento histórico: a aprovação do Projeto de Lei que cria o Dia do Rio Ipanema.

Essa atitude, com total apoio do vereador-presidente da Câmara José Vaz e seguida pelos vereadores: Mário do Laboratório, Heleno do Temperão, Dôra de Ubiratan e Zé Lucas, torcemos para que todos os santanenses, nascidos ou adotados pela terra de Senhora Santana, voltem a ter amor pelo rio que dá nome a cidade de maior representatividade no sertão alagoano.

Essa homenagem é o mínimo que podemos oferecer aquele que tanto nos deu, desde a instalação dos índios Fulni-ô e Carnijós à chegada dos colonizadores portugueses, no final do século XVIII.

Água para beber; material para construção de casas e praças; peixe para o alimento e lazer, isso faz parte da longa e bela história do rio Ipanema, parte importante do desenvolvimento de nossa cidade.

Em julho saldamos a excelsa padroeira Senhora Santana, e a partir de agora, em abril, saudemos o Rio Ipanema.

Salve Santana do Ipanema!

O maior do Brasil: o meu Mengão decide mais uma

Foto: Divulgação

Entre tantas coisas que posso citar por ser uma pessoa feliz, como por exemplo, minha família meus amigos, minha cidade, posso dizer que a escolha que fiz durante a adolescência de torcer pelo Flamengo faz parte desta lista.

De uma coisa eu não posso reclamar, esse time me proporcionou muitos momentos felizes. Apesar de não acreditar nesta palavra, vou citá-la apenas como referência e dizer que tive muita “sorte” na hora de escolher o time do meu coração.

O esporte é algo bastante interessante, é totalmente saudável: une pessoas, cidades e até países, mas ninguém pode negar que para sentir felicidade em qualquer tipo de esporte precisa torcer para que os outros acabem “infelizes”.

Vejam o exemplo da Copa do Brasil, a qual o meu Mengão já se sagrou campeão por duas vezes e vai para mais uma decisão. Este ano foram 86 clubes participantes, onde no final apenas uma torcida sairá feliz, o que espero seja a nossa. Enquanto isso 85 estarão tristes.

As maiores conquistas do Clube de Regatas do Flamengo, que completou este ano completa 118 anos, eu tive o prazer de testemunhar.

Do primeiro título Brasileiro em 1980, comemorado pelas ruas cidade com amigos, ao último em 2009, assistindo e vibrando em casa com a família, ao título de Campeão Mundial, no Japão, em 1981, quando durante a madrugada estava eu lá no Tênis Clube Santanense, lotado, torcendo e batucando, onde ao final pudemos sair em carreata pelas ruas de Santana do Ipanema, seguindo o carro de som de Francisco Soares, comemorando a grande conquista.

Posso me considerar pé quente como torcedor, pois as quatro vezes que tive oportunidade de ir a um estádio de futebol assistir o Flamengo jogar ele saiu vitorioso.

Minha primeira vez: Tive a grata satisfação de assistir o meu time de coração jogar e ganhar no maior e mais encantador estádio do mundo, o Maracanã, em julho de 1980. Numa tarde ensolarada de sábado vi o Flamengo vencer o América pelo placar de 2 a 0, pelo Campeonato Carioca, com direito a gol do maior ídolo de todos tempos, Zico.

Fazer o que, agora é ir para mais uma decisão e se juntar aos milhões de brasileiros que formam a Nação Rubro-Negra e torcer para colecionar mais um título.

Flamengo até morrer!