13 dez

0 Comments

Luiz Gonzaga em Santana do Ipanema

Foto: Divulgação

Nascido em Exu, Sertão de Pernambuco, filho de Januário e Santana, Luiz Gonzaga, que se consagrou “O Rei do Baião”, saiu de casa aos 17 anos, em 1929, depois de levar uma pisa dos seus pais, após criar um contratempo com um fazendeiro da região, por causa de um namoro com sua filha.

Para mim, Luiz foi o artista que melhor retratou o Nordeste, entre interpretações e composições em parceria com grandes compositores, a exemplo de Humberto Teixeira, que compôs o maior ícone da música nordestina, Asa Branca, além de Assum Preto e Juazeiro.

Outra parceria do Mestre Lua foi com Zé Dantas, onde podemos citar Riacho do Navio, Acauã, A Volta da Asa Branca. E ainda tem João Silva, um dos maiores parceiro de Gonzagão na produção de mais de cem músicas, entre elas sucessos como: Danado de bom, Nem se despediu de mim e Pagode Russo.

Em 2 de agosto de 1989, depois de lutar por seis anos contra um câncer de próstata, Luiz Gonzaga do Nascimento, faleceu em Recife/PE, vítima de uma parada cardíaca. 

Dois momentos em Santana

Em minha memória eu guardei dois momentos em que Luiz Gonzaga passou por Santana do Ipanema, no Sertão de Alagoas; sendo um descontraído e feliz e outro nem tanto. O primeiro eu devia ter uns 10 anos de idade e aconteceu quando o Circo Jota Limeira armou sua lona por aqui, local onde hoje existe o Mercado de Cereais. Esta lembrança está viva na minha memória porque os circos, nesta época, armavam por trás da casa dos meus pais.

Me lembro que foi feito o anúncio da apresentação do sanfoneiro já consagrado no Brasil. No entanto, o show acabou não acontecendo, devido a falta de público. Creio que o que dificultou a realização desta apresentação foi a realização do espetáculo do Circo Garcia no mesmo local, circo este bem mais famoso que o outro, além de trazer à cidade, pela primeira vez, muitos animais, entre eles três elefantes.

A segunda vinda de Gonzaga a Santana, que eu me recordo, aconteceu no ano de 1974. Este sim foi um show prestigiado pelo público e bastante animado. O meu pai, João Soares Campos, era comerciante e tinha uma mercearia na Praça da Bandeira, hoje Praça Dr. Adelson Isaac de Miranda. Era comum eu e meu irmão Fábio ir buscar pão na Padaria Royal, Centro da cidade. Neste dia, um sábado, eu fui o escalado para esta tarefa.

No momento em que ia saindo da padaria ouvi um som de forró, vindo da feira. Perguntei a alguém quem tocava. Quando me contaram quem era, não pensei duas vezes, nem na possibilidade de levar uma surra, fui ver o show na praça. Luiz Gonzaga tocava e cantava em cima de um caminhão, em frente à loja A Imperial. Ali parei e fui escutar o meu grande ídolo da música. Na minha casa era comum eu ouvir os LPs de forró.

Um episódio que me chamou a atenção e contei aos amigos como uma forma engraçada foi a brincadeira que ele tirou com um fã que o assistia e insistia em pedir uma música que era muito tocada na época “Apologia ao Jumento” – O Jumento é Nosso Irmão – ( Luiz Gonzaga e José Clementino). Todos ali sabiam que o Velho Lua iria cantar aquela música: primeiro porque era um dos seus grandes sucessos, e segundo porque a cidade que ele visitava naquele momento tinha sido a primeira no Brasil a homenagear o jumento através de uma estátua em uma das suas entradas. 

Outro dia eu assisti um vídeo em que Dominguinhos dizia que Luiz Gonzaga não se agradava muito quando alguém na plateia insistia que ele cantasse tal música, devido talvez ao repertório já previamente organizado. 

Pois bem, eu acabei presenciando uma dessas cenas. Só que Seu Luiz tirou de letra a insistência do matuto, que gritava lá de trás “Seu Luiz cante a música do Jumento”…

Depois de ouvir por várias vezes, o irreverente Gonzagão soltou esta para plateia, que caiu em gargalhada: “Olha só pessoal, aquele rapaz ali quer a do jumento”. Se o show já estava animado, ficou ainda melhor com o bom humor do Gonzaga. E assim foram as duas vezes em que Luiz Gonzaga visitou Santana do Ipanema. 

Além das visitas 

A história de Luiz Gonzaga com Santana do Ipanema não fica apenas nestas duas visitas. Em 1979 ele lançou um PL intitulado “Eu e meu pai”, homenageando assim o seu pai que faleceu no ano anterior. Este LP trás em sua 5ª faixa do lado 1 a música “Acordo Às Quatro”, do compositor alagoano Marcondes Costa. Na letra, que retrata o homem sertanejo em seu esforço para educar os seus filhos, ao tempo que cuida da sua prole, Luiz Gonzaga canta: “E os meninos digo sempre a Iracema em Santana do Ipanema todos três vão estudar”.

Dia consagrado a Santa Luzia

Neste dia 13 de dezembro a igreja católica consagra Santa Luzia, conhecida como “Portadora da Luz”. Esta santa italiana sugeriu aos pais de Luiz Gonzaga a escolha do seu nome.

“Meu nome é Luiz Gonzaga, não sei se sou fraco ou forte, só sei que, graças a Deus, té pra nascer tive sorte, apois nasci em Pernambuco, o famoso Leão do Norte.

Nas terra do novo Exu, da fazenda Caiçara, em novecentos e doze, viu o mundo a minha cara. 

No dia de Santa Luzia, por isso que sou Luiz, no mês de Cristo, por isso é que sou feliz.”

Luiz Gonzaga

15 out

0 Comments

Uma profissão Divina

Ser professor é ter uma missão divina (Foto: Reprodução / Pixabay)

Eu não sou professor, mas estou ladeado deles.

Minha mãe foi professora, minha esposa é professora, minha sogra foi professora, tenho dois irmãos que são professores e uma irmã que já foi professora.

Além do mais, tive várias professoras que me ajudaram na minha formação, intelectual e moral.

Sou grato a todos aqueles e aquelas guerreiras que dedicam, ou dedicaram, sua vida ao seu próximo, com tanto amor e carinho, mesmo diante dos muitos percalços e falta de estímulo.

Ser professor é sim uma missão divina, mas seria muito mais digno que os nossos representantes legais (gestores municipais, estaduais e federais) fossem mais justos e reconhecessem o trabalho dos professores.

Que a esperança nunca seja vencida pelo descaso e que as boas energias cheguem em forma de incentivo aos nossos guerreiros e guerreiras.

Parabéns Professor e Professora, pelo seu dia!

10 out

0 Comments

Confesso: recebo benefícios do PT para defender seus governos

Bandeira do PT (Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula)

Já me perguntaram mais de uma vez por que eu defendo tanto o PT. Por mais que eu explique, sempre aparece alguém para dizer que eu devo estar recebendo algum benefício, um troco por fora, já disseram até que recebo sanduíche de mortadela. Poucos entendem que muitos de nós lutam por ideais, pelo bem comum. Mas, pensando bem, é melhor eu confessar que realmente recebo benefícios oriundos do Partido dos Trabalhadores, para defender suas bandeiras.

Quando eu assisto ao meu semelhante recebendo o mesmo benefício que desfruto há muitos anos, décadas antes dos governos petistas, aquilo que me parecia um privilégio de poucos, como, por exemplo, pessoas que viveram sob muita necessidade passarem a fazer três refeições por dia, sinto-me igualmente beneficiado, pois, ao sentirmos grande contentamento pela felicidade alheia, recebemos um grande benefício, visto que tal estado  de satisfação contribui para a nossa saúde física e mental. 

Quando eu entro na casa de alguém que me diz tê-la adquirido devido às possibilidades geradas pelo programa Minha Casa, Minha Vida, com os subsídios que governos anteriores não quiseram oferecer aos mais pobres, governantes que só enxergavam o lucro financeiro, não levando em conta os benefícios sociais, mas que nos governos petistas passaram a ser uma realidade, isso me enche a alma de alegria e ai sou beneficiado mais uma vez.

Sempre que transito pela zona rural e observo pequenas propriedades dispondo de uma cisterna, o que antes dos governos do PT eram raras e só existiam nas propriedades dos mais aquinhoados, isso agora, pra mim, é motivo de felicidade. Felicidade, nesse caso, é sinônimo de benefício; benefício este proporcionado pelos governos petistas.

Quando eu olho para o comércio da minha cidade, Sertão de Alagoas, e não vejo mais agricultores, em época de longas estiagens, como tem ocorrido nos últimos tempos, mendigando com suas famílias, ou, mais grave, invadindo estabelecimentos comerciais para saquear alguma comida e não deixar sua prole morrer de fome, como ocorria antes dos governos petistas; e, em vez disso, chegam para adquirir mantimentos e até mesmo bens de consumo durável, o que antes apenas a classe media e alta tinham direito, isso me trás uma enorme satisfação, e sinto que estou sendo beneficiado. 

Portanto, meus irmãos nordestinos e brasileiros que conseguem se alegrar com a felicidade dos outros, isso, para mim, será sempre motivo de satisfação e felicidade, grande benefício!

PS: Nunca fui filiado ao PT, nem recebi qualquer benefício indireto, por fora, para militar por seus candidatos, apesar de gostar muito de sanduíche de mortadela… Huuummm!

11 mar

0 Comments

Uma modinha para recordar

Cine Alvorada (Foto: Arquivo IBGE)

Achei interessante a nova modinha do Facebook, “Diz que é de…”. Ela mostra o quanto somos saudosistas, nos fazendo recordar de lugares, momentos marcantes ou mesmo de figuras importantes em nossas vidas.

No embalo do “Diz que é de…”, me recordei de algumas passagens referentes ao Cine Alvorada. Para os mais novos, este valoroso empreendimento foi possível através da sapiência do empresário Tibúrcio Soares.

O empreendimento de Seu Tibúrcio marcou uma geração de crianças e adultos de Santana do Ipanema. É bem verdade que este não foi o primeiro cinema da cidade, mas ele foi um dos maiores pontos de encontro dos santanenses, na área do entretenimento.

Vale salientar que o Cine Alvorada não foi apenas um cinema, mas uma casa de shows artísticos. Grandes nomes da música nacional se apresentaram, tais como: Agnaldo Timóteo, Odair José, Nelson Ned, Altermar Dutra, José Augusto Sergipano, Patrick Dimon. Esses são só alguns exemplos.

Outra grande atração do local eram os programas de auditório, momento em a juventude convergia nas manhãs de domingo. Entre os locutores que passaram ali destaco: Welington Costa, Cícero Lopreu, Adeilson Dantas, José Arlindo, Antônio Silva, o conhecido “Coronel Ludru”.

No entanto, ninguém marcou mais este evento do que o radialista Francisco Soares, o popular “Chico Soares”.

Também vale lembrar os artistas que se tornaram populares em nossa cidade através dos programas de auditório, entre eles: Waldo Santana, à época “Pangaré”, Denis Marques, Dotinha, Agnaldo Santana, sempre embalados pelas bandas Os Tremendões e MC7.

Mas voltando à moda do Facebook, decidi entrar na onda e aqui compartilho com vocês:

“Diz que é de Santana, mas nunca foi barrado por Seu Costinha, por ter menos de 18 anos”. Seu Costinha era um comissário de menor. Tinham outros, mas nenhuma era tão impiedoso como ele. Se não provasse a idade, já sabia, era barrado.

“Diz que é de Santana, mas nunca foi surpreendido por Zé de Tatá com uma lanterna nos seus olhos, durante a exibição de uma película”. O primo Zé de Tatá era funcionário do Alvorada e, uma das suas funções era identificar quem bagunçava durante o filme. Era constrangedor receber a luz de uma lanterna no rosto, pois ali a pessoa já sabia que iria ser colocado para fora do cinema.

“Diz que é de Santana, mas nunca comprou uva passa a Chica Boa”. Dona Francisca, era uma vendedora de guloseimas, que atraia pela diversidade e novidades da época. Ela nunca aceitou o apelido e não gostava nenhum pouco que assim lhe chamassem. Foi ai que valeu a criatividade do nosso vizinho Márcio Santos, “Macinho”. Uma noite, ele e outro amigo se aproximaram do carrinho de Dona Francisca, ele pediu uma xícara de castanha. Quando a vendedora enchia a xícara, Macinho fez uma observação: Dona Francisca, faça uma xícara bem boa… Bem boa, tá? Ela desatenta, não percebeu a ironia do freguês.

“Diz que é Santana, mas nunca conferiu um cartaz de um filme, na hora da saída”. Na frente do Cine Alvorada tinha uma vitrine em que exibia a propaganda do filme daquele dia. Neste cartaz continha algumas cenas do filme. Era comum, ao final da exibição, juntar uma garotada e ficar verificando se aquelas cenas realmente conferiram com o filme que acabou de assistir.

Uma simples modinha de uma rede social nos mostra o quanto é importante relembramos da nossa história, ainda que seja em tom de brincadeira. Vale como distração, bem como pode servir como terapia, pois, como bem diz um adágio popular: “recordar é viver”.

20 fev

0 Comments

Sobra intolerância e falta criatividade

Rivalidade as vezes sai dos gramados (Foto: André Luiz Oliveira Yanckous / Reprodução / Galeria Nikon)

Vários são os temas que nos levam a discussões. E é em algumas delas que a conversa salta de um simples diálogo tolerável, para insultos e acusações descabidas e sem noção.

Percebo que os debates mais acalorados estão sempre ligados a política, religião e futebol. Isso acaba seguindo o velho dito popular: “política, futebol e religião não se discute”.

Eu logo discordo. Todos os assuntos que nos interessa se discute. Uma discussão sadia, onde cada um deve respeitar a opinião do outro deve ser incentivada.

A minha discordância da sua opinião deverá ser respeitada. É ai onde entra outra frase bem propagada: “Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las”.

Essa foi dedicada por muitos anos ao filósofo Voltaire, mas que, pesquisadores descobriram que a verdadeira autoria foi da escritora britânica Evelyn Beatrice Hall, que escreveu a biografia do francês.

Ou seja, durante anos, muitos acreditaram que a afirmação seria de Voltaire, quando não era. Daí, a importância de uma discussão ampla em qualquer assunto. A discussão nos instiga à pesquisa.

Ao invés de revide com violência, trago um exemplo de que a intolerância pode ser revertida em criatividade. O caso aconteceu na década de 1960, protagonizada pela torcida do Flamengo.

Torcidas rivais cariocas chamavam os rubro-negros de “urubus”, por se tratar de uma torcida formada por maioria afrodescendentes e pessoas de baixa renda.

É claro que os flamenguistas se sentiam ofendidos, no entanto, eles absorveram a provocação com irreverência, a partir de um fato inusitado. Quando a torcida rival levou um urubu ao Maracanã, para zombar do adversário, a ave passou a ser exaltada e transformada em mascote.

A minha própria vida tem uma história sadia em relação a rivalidade no futebol. Eu flamenguista e o meu amigo Mário Pacífico, vascaíno, por várias vezes saímos pelas ruas da cidade com uma charanga, onde cabiam as duas bandeiras, rubro-negra e cruzmaltina.

Independentemente de quem fosse o vencedor, nós sempre nos confraternizamos. E, até hoje, passados oito lustres, continuamos nos respeitando: ele defendendo a suas ideias e eu as minhas.

Já está na hora de pararmos para uma profunda reflexão. E o começo de tudo isto está dentro de nós mesmo.

Por vivermos numa comunidade de maioria cristã trago um trecho do Evangelho de Matheus, 7:3, nele, Jesus nos dá um excelente exemplo de como começar a ser tolerante: “Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio?”.

13 fev

0 Comments

Carnaval tradicional de Santana: eu fiz parte desta história

“Mexicanos” usavam carroça para percorrer as ruas de Santana (Foto: Cortesia / Cristóvão Ferreira)

Durante 10 anos consecutivos, eu e um grupo de amigos saímos pelas ruas de Santana do Ipanema, durante o período carnavalesco, com o bloco “Os Mexicanos”.

O ano era 1978, e o primeiro a encarar a brincadeira comigo foi o advogado Paulo Fernando Oliveira. Depois vieram o empresário Cristóvão Ferreira e o jornalista José Malta, além dos músicos Índio e José Djalma.

A ideia era se fantasiar de tradicionais mexicanos, com sombreiro e poncho. O motivo da homenagem aos irmãos latinos era a vitoria da seleção brasileira na Copa de 1970, no México. Na época os donos da casa se mostraram imensamente simpáticos a equipe brasileira.

Foram 10 anos de pura alegria e muita animação. Durante o dia a gente visitava as residências de pessoa conhecidas (costume da época). Parte da noite a gente se divertia na Maratona (nome dedicado à folia da praça), com animação da Orquestra de Frevo do Maestro Miguel Bulhões, a qual eu tive a grata satisfação de tocar tarol por dois anos.

Depois da meia noite chegava hora de se divertir no baile do Tênis Clube Santanense, sempre embalado por uma excelente orquestra de frevo, que também tocava músicas de sucessos do momento.

A aquisição dos trajes para o bloco se dava a partir do nosso salário, passando por uma rápida arrecadação no comércio local, que nunca se furtou a colaborar.

Nós fomos o primeiro bloco carnavalesco de Santana do Ipanema a confeccionar uma camiseta com a marca do bloco. A ideia não era se vestir com a camiseta, mas vender para arrecadar fundos para pagar as nossas despesas.

Camisas eram confeccionadas para ajudar no bloco (Foto: Cortesia / Sergio Campos)

No ano seguinte às vendas das camisetas (diga-se de passagem, um sucesso), mandamos confeccionar o primeiro adesivo de um bloco carnavalesco, em nossa cidade. Tanto a camisa, quanto o adesivo foram feitos por Adeilson Dantas, pioneiro no serviço de serigrafia no Sertão.

Trinta anos se passaram desde a última vez que “Os Mexicanos” saíram pelas ruas de Santana do Ipanema para animar o Carnaval. Fica em nossa memória os bons tempos em que colaborávamos para que esta festa fosse realmente um movimento popular em nossa cidade.

No entanto, não éramos os únicos a fazer esta festa ficar animada e sustentar a tradição mais popular do Brasil. Contávamos com muitos blocos tradicionais, que há algum tempo não vimos mais pelas ruas de nossa cidade.

Recordamos de alguns deles: Os Cangaceiros, Bumba-Meu-Boi, Bloco do Urso Preto, Bloco do Urso Branco, Intimidade Com a Sogra, Bloco do Sapo, As Pastorinhas, Os Magnatas, SWAT, Os T Arados, As Damas de Ouro, BrasilGas, Bloco do Passarinho, Pau d’Arco, Bloco Taxi, Os Piratas, As Pecinhas, Pitú Kom Limão,  Os Cãos, Bloco O Firminão.

Essa história a gente conta para que a nova geração saiba que Santana do Ipanema já teve um bom e animado Carnaval de rua, onde prevalecia a manifestação popular.

04 abr

2 Comments

Santana do Ipanema: 142 anos: uma imagem de uma economia pujante

Foto extraída do no livro Brazilian Cotton, editora Bibliolife (Foto: Reprodução)

Foto extraída do no livro Brazilian Cotton, editora Bibliolife (Foto: Reprodução)

Os tempos áureos da feira livre de Santana do Ipanema estão expressos nesta foto (ao lado), publicada em 1921, no livro Brazilian Cotton. Quando o comércio do algodão era forte em nossa economia.

Inclusive fui testemunha, quando no início da década de 1970 estive na propriedade dos meus avós maternos, localizada na zona rural de Olho d’Água das Flores, observando a colheita de algodão juntamente com meu avô Tomás Doroteu, no sítio Gavião.

Na Santana que me recordo tivemos duas fábricas de beneficiamento de algodão: uma no cruzamento da Rua Delmiro com a Siqueira Campos, e a outra na Rua Sinhá Rodrigues.

No mesmo ano do registro desta imagem, através da lei nº 893, de 31 de Maio de 1921, Santana do Ipanema recebeu a categoria de Cidade, pois, já era conhecida pelo seu progresso.

No entanto, em 24 de abril de 1875 o local já tinha sido elevado a Vila, quando desmembrou-se de Traipu. Daí a divergência de alguns pesquisadores em relação a comemoração da emancipação política de Santana do Ipanema.

“No Brasil durante muito tempo, a data correta da fundação de municípios antes da proclamação da república era o dia da criação da vila. Com a vila o arraial ou a freguesia adquiria a sua autonomia político-administrativa, passando a constituir uma câmara de vereadores, com direito de cobrar impostos, e baixar ‘posturas’ que eram espécies de leis municipais, recebia ainda um ‘juiz de fora’, pelourinho e cadeia pública”, informa a Wikipédia.

Os tempos mudaram. A nossa economia já não depende da agricultura. O nosso comércio cresceu, em relação a esta época. No entanto ainda vivemos tempos de dúvidas. Santana do Ipanema, que já foi Ribeira do Panema, completa 142 anos de Emancipação Política, no próximo dia 24 de abril de 2017.

Viva o povo santanense: índios, negros e brancos.

*Texto originalmente publicado no Facebook em 04 de abril de 2017

17 ago

8 Comments

Vicente e Nanete: do Litoral ao Sertão, uma história recíproca de amor

Foto: Arquivo Familiar

Foto: Arquivo Familiar

Recém convocado para compor as fileiras da Polícia Militar de Alagoas, o soldado Vicente Alves da Silva, recebe determinação do seu comando para fortalecer as tropas que prestavam serviços no Sertão do estado.

O ano era 1951 quando desembarcou em terras sertanejas o jovem Vicente Alves da Silva, oriundo da capital alagoana. O Estado era governado por Arnon Afonso de Farias Melo, enquanto isso Santana do Ipanema, a Rainha do Sertão, a qual se destacava como região promissora na economia agrícola, recebendo posteriormente o título de “Terra do Feijão”, se encontrava sob o comando político do prefeito Adeildo Nepomuceno Marques.

Com o coração cheio de esperança e obediente à sua corporação, o militar logo se enturmou com populares e, mesmo tímido, a cada momento construía novas amizades por todo o município, assim como fez ao longo de sua vida.

Na década de 1950 a juventude santanense se reunia nas imediações do Cine Glória, no bairro do Monumento. A casa de entretenimento vivia o auge da diversão, com exibições de grandes clássicos do cinema nacional e internacional, sempre aos sábados e domingos.

Naquele clima de trabalho e distração, o jovem militar enxergou pela primeira vez o olhar da sua amada. Ali o destino lhe reservou o que de melhor poderia ter acontecido em sua vida. Não demorou para que o moço se aproximasse daquela donzela que já arrematara o seu coração, fazendo com que nunca mais pensasse em voltar para a capital.

Filho de seu Antônio Plácido Silva e dona Valdomira Alves da Silva, Vicente Alves, que jamais tinha visitado o sertão, era natural da cidade de Viçosa, tendo ido morar ainda criança em Maceió, enquanto sua namorada, a jovem Maria Nanete Oliveira, havia nascido no Povoado Pedra d’Água dos Alexandres. No momento em que os seus olhares se cruzaram pela vez primeira, a jovem, que lecionava na zona rural de Santana do Ipanema, visitava a residência de sua tia Nina, na Avenida Coronel Lucena, como era de costume, sempre que tinha oportunidade.

Até que os dois estivessem enamorados e concretizassem as núpcias, tudo correu de acordo o protocolo tradicional da época e da localidade. Vicente cortejava a jovem Nanete, mas para que o seu sonho se tornasse algo concreto seria necessária a autorização dos pais da moça, Miguel Fernandes Oliveira e Francisca Fernandes Oliveira, residentes no Povoado Pedra d’Água dos Alexandres.

A data que marcou uma nova história na vida do casal foi outubro de 1953. Numa manhã ensolarada de terça-feira, a matriz de Senhora Santana testemunhou a cerimônia matrimonial do casal Vicente Alves e Nanete Oliveira: o único e eterno amor do “praça” oriundo da capital, que antes daquele momento distinto já agradecia ao comando da Polícia Militar o fato de tê-lo convocado para uma missão especial na região sertaneja.

Para o casal de sertanejos, que criou seus dez filhos a fim de que um dia pudesse vê-los formar suas famílias nos padrões educacionais da religião católica, a qual praticava, a simpatia foi recíproca com aquele que se tornaria um membro da família. Seu Miguel e Dona Francisca, carinhosamente chamada de “Dona Francisquinha”, não tiveram dificuldades para aceitar o galanteio do militar, que a essa altura já era bastante popular e muito querido na cidade.

Sob as bênçãos do padre Jeferson, pároco auxiliar do cônego Luis Cirilo da Silva, o casal Vicente Alves e Nanete Oliveira passa a viver os seus novos desafios. Inicialmente o casal morou na Rua Barão do Rio Branco, até realizar o sonho da casa própria, onde mora até hoje Dona Nanete, na Avenida Martins Vieira.

Sempre firme nas suas atividades laborais, com exemplo e retidão, Vicente Alves galgou o posto de 3º Sargento da Polícia Militar. Na década de 1970, com intuito de encaminhar os seus filhos para a vida profissional Seu Vicente dá suporte para o funcionamento de uma banca de revistas, o que lhe daria posteriormente o epíteto de “Seu Vicente da Banca de Revistas”.

O “Sargento Vicente”, como era mais conhecido por seus colegas de farda, entre outros hobbies, gostava de futebol.

Com todos os percalços, mas também aproveitando as bênçãos que a vida lhes reservou, o casal conseguiu educar e entregar para a o mundo seus oito filhos: Carlos Alberto, Miguel Antonio, Carlos Jorge, Ana Lúcia, Paulo Fernando, Adenilson, Roberto Cezar e Maria Élcia.

No dia 25 de julho deste ano, véspera do dia em que a cidade que o adotou homenageia sua padroeira Senhora Santana, Dona Nanete, filhos, netos, genros, noras e amigos receberam, com pesar e tristeza, a notícia do falecimento de Seu Vicente. Naquele momento ele acabara de cumprir sua missão aqui na terra. Este viveu 84 anos, sendo 63 deles dedicados a Santana do Ipanema e sua família.

01 Maio

0 Comments

Semana em homenagem à Caatinga: Artistas nordestinos que cantaram esse bioma

semanacaatinga

Não foram poucos os artistas nordestinos que cantaram e decantaram a Caatinga: que verdeja e clareia a paisagem do semiárido brasileiro, inspirando repentistas, cordelistas, poetas, artesões, forrozeiros e tantos outros artistas amantes da natureza.

Muitos Ambientalistas e defensores dos sertões nordestinos, iniciaram a defesa em favor do Bioma Caatinga, a partir desses artistas.

Agricultor com alma de poeta

Foto: onordeste.com

Patativa do Assaré
(Foto: onordeste.com)

Poucos devem ter ouvido falar em Antônio Gonçalves da Silva, mas se nos referirmos a essa mesma pessoa por seu pseudônimo: “Patativa do Assaré”, um dos maiores poetas nordestinos, nascido em 1909, no sertão cearense, é provável que quase todos os amantes da poesia já tenham lido e se encantado com algo deste extraordinário talento.

Em um verso de um dos maiores dos poemas, “A Triste Partida”, que virou música famosa na voz de Luiz Gonzaga, Patativa, retrata a seca da “mata branca” nordestina, como poucos, diz ele: “Sem chuva na terra descamba janêro, depois, feverêro, e o mêrmo verão. Entonce o rocêro, pensando consigo. Diz: isso é castigo! Não chove mais não”!

No entanto, Patativa do Assaré não cantou apenas a o flagelo da seca. No poema, “A Festa da Natureza”, ele fala das belezas do sertão:

“Chegando o tempo do inverno/Tudo é amoroso e terno/Sentindo o Pai Eterno/Sua bondade sem fim/O nosso sertão amado/Estrumicado e pelado/Fica logo transformado/No mais bonito jardim/Neste quadro de beleza/A gente vê com certeza/Que a musga da natureza/Tem riqueza de incantá/Do campo até na floresta/As ave se manifesta/Compondo a sagrada orquestra/Desta festa naturá/Tudo é paz, tudo é carinho/Na construção de seus ninho/Canta alegre os passarinho/As mais sonora canção/E o camponês prazentero/Vai prantá fejão ligero/Pois é o que vinga premero/Nas terras do meu sertão.”

Outros poemas de Patativa, que se transformaram em músicas consagradas, como: Vaca Estrela e Boi Fubá; ABC do Nordeste Flagelado; O Poeta da Roça; O Sabiá e o Gavião e O Vaqueiro, ainda hoje são lembrados pelos amantes da cultura sertaneja.

Mesmo fazendo poesia de primeira linha, Patativa do Assaré nunca se considerou um profissional da área, morreu em 2002 no mesmo lugar em que nasceu afirmando ser agricultor.

O maior divulgador das belezas da Caatinga

Se Patativa do Assaré recebeu o dom divino de criar poesias belíssimas, coube a Luiz Gonzaga o papel de divulgá-las.

Mesmo compondo, como fez com seus maiores parceiros Humberto Teixeira e Zé Dantas, Gonzaga se consagrou ao divulgar e defender as belezas do Nordeste através da sua voz, especialmente a fauna e a flora, sempre acompanhado da parceira inseparável, a sanfona.

Em o “Xote das Meninas” Gonzaga relata como o sertanejo tem a ideia de que aquele ano o inverno será proveitoso: “Mandacaru quando fulora na seca, é o sinal que a chuva chega no sertão…”.

O mandacaru é uma planta comum no sertão nordestino e não raro, atingir até mais de 5 metros de altura, servindo de alimento para diversas aves típicas da caatinga.

Em sua longa carreira no rádio na TV, nas feiras, nos circos e muitos palcos, Gonzaga divulgou tanto o sofrimento quanto a alegria do sertanejo que convide o dia a dia com na caatinga, cantando animais e plantas, como Juazeiro, Assum Preto, Sabiá, Fogo Pagou, Aroeira e sobre tudo Asa Branca: “Inté mesmo a asa branca bateu assas do sertão”.

Mas Luiz Gonzaga não se contentou apenas em cantar a fauna e flora, ele decantou, sobretudo, o povo do sertão. O folclore, o vaqueiro e o agricultor.

Na música “Acordo as Quatro”, do compositor alagoano Marcondes Costa, Luiz Gonzaga canta a forma simples de uma família sertaneja, a qual, mesmo diante dos percalços enfrentados, não mede distância para encaminhar seus filhos à escola.

Acordo as quatro

Letra e música: Marcondes Costa

Acordo às quatro

Tomo meu café

Dou um beijo na muié

E nas crianças também

Vou pro trabáio

Com céu ainda escuro

Respirando esse ar puro

Que só minha terra tem

Levo comigo

Minha foice e a enxada

Vou seguindo pela estrada

Vou pro campo trabaiá

Vou ouvindo

O cantar dos passarinhos

Vou andando, vou sozinho

Tenho Deus pra me ajudar

Tenho as miúças

Carneiro, porco e galinha

Tenho inté uma vaquinha

Que a muié véve a cuidar

E os meninos

Digo sempre a Iracema

Em Santana de Ipanema

Todos os três vai estudar

Pois eu não quero

 Fío meu anafabeto

Quero no caminho certo

Da cartilha do abc

Eu mesmo

Nunca tive essa sorte

Mas eu luto inté a morte} bis

Móde eles aprender

30 abr

1 Comment

Semana em Homenagem à Caatinga: poeta descreve bioma excepcionalmente brasileiro

semanacaatinga

Após os belos versos de um pernambucano, no terceiro dia de homenagem à Caatinga, o site Alagoas na Net traz outros versos, desta vez de autoria um sertanejo da cidade de Santana do Ipanema, o poeta e cantador Ferreirinha.

Compositor e repentista, o artista já tem em sua longa jornada um belo trabalho falando de sua região, o Sertão, como num poema publicado também neste site, no ano passado. Atualmente o morador faz parte da Associação Guardiões do Rio Ipanema (Agripa) e tem lutado pela causa do rio que dá nome a sua terra.

Cantor e poeta Ferreirinha (Foto: Alagoas na Net/Arquivo)

Confira abaixo a poesia composta por Ferreirinha, em homenagem à Caatinga.

Dia da Caatinga

Autor: Cícero Ferreira (Ferreirinha)

Segunda-feira, 28 de abril

Na floresta a chuva pinga

Deixando um cheiro gostoso

No fundo verão que míngua

Alegrando o sertanejo

Na Semana da Caatinga

Homenagem a Caatinga

Na roça se faz lembrar

O voar do tico-tico

E canção do sabiá

Que aprendeu ser seresteiro

Sem ninguém pra lhe ensinar

Por isso vamos lembrar

Preservar com mais cuidado

Sem queimar sem desmatar

O que por Deus nos foi dado

Nossa flora e nossa fauna

E nosso reino encantado

Na caatinga ainda se ver

A coruja buraqueira

Que chora como criança

Quando perde a mamadeira

E passa o dia dormindo

Pra caçar a noite inteira

Fauna e flora brasileira

Não deve ser destruída

Aonde você andar

Na mata há sopro e vida

Quem preserva a natureza

Tem uma paz garantida

Entre as demandas da vida

Do homem que a mão engrossa

Que se criou trabalhando

Pra manter sua palhoça

Duvido que na cidade

Tenha a paz que tem na roça

A Caatinga é o cenário

Do vaqueiro do sertão

Onde ele exibe contente

Perneira, chapéu, gibão

Se faltar essa floresta

É o final da profissão

Da Redação


Importante! Este site utiliza cookies que podem conter informações de rastreamento sobre os visitantes. Ao continuar a navegar neste site, você concorda com o uso de cookies.