Ipanema, um rio macho

Sexta-feira próxima, estaremos lançando ao público o livro “Ipanema, um rio macho”, evento que acontecerá na Câmara de Vereadores Tácio Chagas Duarte, às 20 horas e 30 minutos. O nosso primeiro livro foi o romance do ciclo do cangaço “Ribeira do Panema”, até hoje o mais conhecido de todos. Depois vieram outras obras como a didática “Geografia Geral de Santana do Ipanema”, o conto “Carnaval do Lobisomem” e depois um novo romance do mesmo ciclo do cangaço “Defunto Perfumado”. Em seguida lançamos o livro humorístico de cunha maçônico “O Coice do Bode”, que ainda hoje circula nacionalmente e faz parte do Clube do Livro. “Floro Novais, herói ou bandido”, veio depois, contando a história do famoso matador, na versão apresentada pela sua família, em estilo romanceado. Com a sétima obra, “A Igrejinha das Tocaias”, o autor resgata um episódio oral, acontecido no tempo de um dos netos do fundador de Santana. A obra é escrita em versos e é a única que fala sobre o assunto, até hoje. Em seguida o autor publica o CD, “Dez poemas engraçados”, ele mesmo recitando todos eles. Este ano foi publicado no Tênis Clube Santanense, o trabalho “Santana do Ipanema; conhecimentos gerais do município”. Portanto, na próxima sexta-feira, estaremos oferecendo ao povo santanense e brasileiro, o livro “Ipanema, um rio macho”, tratando-se da décima obra do autor. (mais…)

Versos selvagens

Por cima dos tocos, na base de outeiros,

Os versos matutos trajando gibões,

Rompem o mato, a urtiga, os pés de pinhões,

Facheiros, favelas, belos marmeleiros;

Guindastes de troncos, folhas de pereiros,

Pedaços de serras, clarões de luar, (mais…)

Abelhas

Não sei se elas são de fato assassinas. Simpáticos insetos listrados dos himenópteros, apóideos, nos fornecem o delicioso e nutritivo mel. Vários tipos de abelhas, porém, possui ferrão e não enjeitam uma briga de verdade, principalmente se o adversário for um bípede como nós. O meu vizinho, cujo apelido é “Dem”, é um dos apicultores do município, produzindo mel de boa qualidade e fornecendo para a merenda escolar. Ali perto do sítio Jaqueira, às margens do rio Ipanema, Dem se mistura com elas, as abelhas, e vai dando às ordens aos poderosos insetos em revoadas pelos arredores. Logo no final da tarde de ontem, todavia, abelhas no papel de batedoras entraram pela porta da minha cozinha. Retiraram-me da hora de elaborar a crônica de hoje. Mas elas não queriam atrapalhar a crônica e sim fazer parte dessas magras linhas. Fiz ver às batedoras que elas estavam erradas, eu não era criador de abelhas e sim o meu vizinho. Elas não acreditaram. Mandei chamar o Dem. Ele veio, mas estava sem roupa apropriada para enfrentar ferrão. Avisou que àquelas vieram à frente, mas logo o grosso chegaria. Não deu outra. A tropa inteira chegou, invadiu a cozinha e nos pôs para fora de casa. Não aceitaram o Dem como tutor. (mais…)

Açúcar

Quando os descobridores da América chegaram por aqui, encontraram os indígenas fumando. Tendo escravizado, maltratado e eliminado os nativos aos milhares, portugueses, espanhóis e outros povos levaram para a Europa o vício do tabaco. Os indígenas iniciaram aí uma vingança silenciosa que perdura até hoje, quando aconteceu a expansão do fumo pelo mundo. É impossível alguém dizer com certeza quantas pessoas já morreram vítimas de cigarros, charutos, cachimbos e similares. Agora que a medicina fala contra o vício de fumar, são os fabricantes de cigarros que insistem em matar gente através do infame vício importado das Américas. Eles não pensam na saúde de ninguém. Suas cabeças estão voltadas apenas para o lucro exorbitante produzido pela porcaria que produz o câncer e a morte prematura. Para tentar anular a reação mundial contra o vício, o fabricante acuado, inventa fórmulas para driblar a sociedade, colocando armadilhas para os jovens e os incautos. O peste do fumo é tão ruim que é preciso meter açúcar. Pois bem, o fabricante agora inclui mentol e cravo para que o rolinho da morte se torne mais atraente. Uma isca para conduzir o jovem ao vício definitivo dos venenos. (mais…)

Acorrentados

Estamos acorrentados
Às coisas de SantanaNas avenidasNos finais de semana

Nas broas

Nas buchadas

Nas pingas boas

Acorrentados

Às morenas do Ipanema (mais…)

Período seco

Quando as águas fortes iam embora, restavam os poços, as cacimbas, a areia, as ilhas, as moitas, as pedras… O rio era um paizão! Entretanto, nós nos voltávamos mais para os poços. No meu caso, o poço dos Homens. Ali tomavam banho adultos misturados com adolescentes. Muitos adultos nadavam nus sob os olhares desconfiados dos meninos. As pedras do “estreitinho” ficavam repletas. Outros preferiam o “largo” para as apostas de tirar terra no fundo do poço, trocar “sapatadas”, fazer exibimento. (mais…)

Sei não senhor

Muito embora não tenha vivido a época, mas vi registrado em vários lugares, sobre uma limpeza em Alagoas. O jornalista Pedro da Costa Rego, ou simplesmente Costa Rego, assumira o governo alagoano para a gestão, junho de 1924 a junho de 1928. Nessa época, mandava os coronéis, geralmente com o título vindo da Guarda Nacional ou apenas como apelido dado pelo povo por causa da boa situação financeira reconhecida. Na maioria, os coronéis sertanejos eram senhores proprietários de terras, fazendeiros que gostavam do criatório e adoravam matar gente. Suas fazendas abrigavam, às vezes, até mais de vinte homens armados sempre às ordens para qualquer empreitada sinistra do latifundiário. O coronel tinha prestígio de sobra com os sucessivos governos. No dizer do povo, mandava em tudo na sua região. Casava, batizava, prendia, soltava, dava conselhos, pisas, mandava torturar e matar de acordo com as circunstâncias. Sua cabroeira, capangada, ou jagunçada, garantia o seu sucesso. O coronel, às vezes, media forças com outro, acoitava criminosos e demais tipos de bandidos na fazenda. (mais…)

Laranja azeda

Tive satisfação de visitar parte das obras que estão sendo trabalhadas em Maceió. As avenidas que estão sendo construídas para desafogar o trânsito na capital chamam a atenção pela pujança e beleza que se vão delineando. Falam os operários que as obras estão em fase de conclusão e que serão abertas ao tráfego ainda este mês. São elas as Avenidas Márcio Canuto e Pierre Chalita. A Avenida Jornalista Márcio Canuto interligará o bairro do Farol, através da Avenida Rotary ao Barro Duro. Dá gosto contemplar a obra que tem três quilômetros de extensão e mais de dez metros de largura com passeios, jardins laterais e uma ciclovia com três metros de largura. Já as obras da Avenida Pierre Chalita, também não ficam atrás. A Avenida será a ligação entre o Conjunto José Tenório, na Serraria, às imediações da loja Hiper Comercial com outra ligação pelo Sítio Jorge, aliviando assim o trânsito pela Via Expressa. Em breve o maceioense estará aplaudindo as inaugurações importantes e dignas de louvor que transformará em beleza aqueles trechos. Não somente o tráfego ganhará com isso, mas a possibilidade de novas habitações em lugares que atualmente ainda são extensos matagais, principalmente na segunda avenida. (mais…)

O amargo do açúcar

O tempo continua sua marcha inexorável para frente, Alagoas insiste em notícias para trás. É cada coisa que aparece na mídia que o alagoano baixa a cabeça envergonhado. Quando sai alguma coisa boa na imprensa parece até um favor que alguém quer fazer para agradar, para amenizar um pouco as situações vexatórias que não nos abandonam. Recentemente foi divulgado como chacota para o Brasil inteiro que um preso acusado de crimes graves, usando tornozeleira, iria assumir uma delegacia como delegado. O ridículo da Justiça estadual foi alvo de gozação dentro e fora do território, com piadas as mais grosseiras possíveis. Essa, entretanto, não foi notícia isolada, pois continuamos a fabricar o absurdo do cotidiano em todas as esferas sociais. Agora é a vez da incoerência em forma diferente. Um grande monumento orgulho de Alagoas e da nossa medicina, o Hospital dos Usineiros, conhecido também como o Hospital do Açúcar, vive uma situação de pobreza e miséria que faz baixar a crista até do galo da madrugada. (mais…)

Fale fiado

Vou pagar o objeto comprado, quando o comerciante se anima e puxa conversa. Conversar às vezes atrasa, às vezes adianta e nem sempre traz proveito. Mas de uma maneira geral, ensina e descobre. Mesmo um papo ligeiro com um cabra embriagado pode render para o pensamento alguma coisa boa, uma inspiração para um poema, uma piada para o humor adiante, uma reflexão profunda e mesmo até um palpite para o jogo do bicho. Quer dizer, então, que falar em “jogar conversa fora”, pode ser de muito proveito se a conversa vem de fora para dentro. Diz o comerciante, “entrando por uma perna de pato saindo por uma de pinto” que o homem deve estar preparado para todas as ocasiões. Quer dizer que você não sofrerá impactos significativos numa brusca situação difícil como um assalto, um acidente, um insulto ou uma notícia de que arrebatou sozinho o prêmio da loteria. Será mesmo que isso funciona? E se funciona, marca certo em qualquer ocasião ou somente em algumas? Isso faz lembrar o professor universitário que deu aula a um jumento. Embora as pessoas contem as coisas já embaralhadas e o original perca-se de boca em boca, disseram mais ou menos assim, em compra terceirizada: (mais…)