10 jan

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Destinos em casas decimais

Negro Benedito depois de velho, já encabeçando os sessenta, botou na cabeça que era vidente. E se inventou de atender o povo, fazendo consultas sobre passado, presente e futuro. Essa história que vou contar aconteceu já faz certo tempo. Como tudo começou, não sei direito, por isso vou contar de onde, e até onde sei. Foi mais ou menos assim, primeiro conheci Damião, filho do velho Benedito. Damião não passava de um menino como eu. Nós nos tornamos amigo, vez outra ia ele a minha casa, e eis que um dia coloquei os pés dentro da casa dele. Senti um calafrio. Ali descobriria a história da vidência de seu pai.

Seu Benedito, era assim, parecia um preto velho desses que só se encontra originalmente na Bahia, no pelourinho ou na Baixa do Sapateiro. Se ao contrário fossemos nós o adivinho, diria que Seu Benedito teria vindo duma comunidade quilombola, nascido numa família prolífera, e que teria terminado de ser criado por um rico fazendeiro. Muito sofrera depois que a mãe morrera, e para sobreviver teve que ser engraxate, vender picolé, fazer frete de carro de mão, teria cuidado de animais na intendência, no vigor da idade fora estivador, conseguira um aposentadoria e agora estava ali, na minha frente. Devidamente trajado de branco, trazia uma quantidade razoável de colares cheio de contas coloridas, no pescoço, e outra dezena de amuletos e patuás, deles que descia até sobre sua imensa pança negra cujos botões da blusa branca de mangas compridas, punha à mostra. Uma barba branca, combinando com a carapinha, escondida em baixo de um chapéu de massa branco. Na beiçola um charuto, ora aceso, ora apagado, porém sempre fedorento. Os olhos do negro, estes mereciam uma descrição especial, primeiro porque eram enormemente incomuns. Além do que eram incomumente avermelhados. Projetavam-se para fora do globo ocular, como se a qualquer momento fossem pular fora da caixa. E se saltassem por certo me atingiria, em cheio, aumentando ainda mais meu medo.

A casa era simples, misturava paredes de taipa com outras de alvenaria, dando um aspecto surreal à construção. A entrada havia uma pequena sala de estar, que mal acomodaria três pares de pessoas. O teto baixo daria pra ser facilmente alcançado caso, um homem mediano, estirasse o braço. As paredes repletas de diversos quadros de santos da igreja católica, porém havia imagens pagãs. Numa mistura de crenças e misticismo. A gravura azulina de Iemanjá, flutuando sobre as águas do mar, repleto de flores, ladeada da imagem de São Pedro. O santo com a chave do céu, de rosto ríspido, de cara fechada, volvendo seu olhar aos céus, como se reprovasse aquele ecumenismo caboclo.

Olhando com aquele olhar de causar calafrio. Como se olhasse através da gente, o velho Biu teria dito: “-Ô! Esse menino! O que veio fazer na minha casa? Não precisa dizer! Eu sei de tudo. Você é amigo de meu filho, e só. É! Mas tem muitas coisas por trás de tudo isso. Coisas que vocês não sabem. Ele está aqui! O tempo todo está bem aqui. Ele me persegue.” Sobre o que estava falando não entendi patavina. E continuou: “-Venha…Vou lhe mostrar!” E me conduziu a um dos quartos da casa, que deu pra perceber tratar-se da sala das consultas. Havia uma cortina vermelha ao fundo. Uma mesa forrada de branco ao centro, à medida que meus olhos foram se acostumando com a penumbra, pude perceber diversas estatuetas espalhadas pelo chão. Uma delas era de um enorme cachorro da raça Collie, igual a cadela Lessie do filme, em posição de sentado atingia a cintura de um homem. Os olhos pareciam ter vida, pintados com tinta fosforescente. Noutro canto a estatueta do capeta, vermelho com seu tridente sorria maliciosamente. Centenas de ex-votos. E velas de cores variadas, algumas acesas. O cheiro que impregnava o ar era de um incenso nauseabundo. Nunca esquecerei aquele cheiro. Não teria Seu Benedito, feito previsões sobre a vida, do menino que acabava de conhecer. Porém algumas coisas interessantes teriam ocorrido ali, talvez isso, fosse o que interessasse aqui ser contado. Como se tivesse se sentindo perseguido, Seu Benedito ficou visivelmente perturbado. Agitando os braços para todos os lados, e dando voltas sobre si mesmo, sem fixar os olhos em lugar algum, começou a falar alto:

“-Ele está aqui. Eu o invoquei e agora não tenho mais como me livrar dele! Se alguém quiser ficar rico ele ajuda! Mas cobra um preço muito caro! Ele não me deixa em paz! Não queira nem saber de quem estou falando. Só precisa saber que é ruim! Dia e noite sem ter paz. Eu só não morri ainda porque tenho o corpo fechado. Não era nem pra dizer isso. Mas já disse.” Antes de sair da casa, dona Maria, a mulher de Seu Benedito, olhando com olhar enigmático disse: “-Você viu? Ele está doente. Ele invocou os espíritos das trevas, pediu pra lhe dizer, as seis dezenas da loteria. Andou fazendo algumas oferendas pra eles, mas não serviu. Eles sempre querem mais. Agora está perturbado.”

No dia que Seu Benedito morreu fui ao sepultamento. O esquife ficou exposto dentro da capelinha do cemitério, intensamente repleto de luz e calor do sol. A luz quase que cegava. O calor sufocava. Além dos poucos familiares, mais ninguém. Agora velas brancas velavam, flores e o forro do pequeno altar. Em solidariedade ao amigo, estávamos ali, ele não chorava. Apenas tentava consolar sua mãe. Só na hora de fechar o caixão criei coragem pra me aproximar. Um rosto de sobrancelhas serradas, de quem morrera com angústia e muita dor.

Seu Belo também estava ali. Seu Belo era dono da bodega, que ficava perto da Cadeia Pública, que ficava virada pra praia. Seu Belo nunca conheceu Seu Benedito, mas estava ali porque era da opinião de que aquele homem precisava descansar em paz. Nenhum dos que ali estavam via Seu Belo. Ele não fazia questão de ser visto, era melhor assim. Fez sua oração pela alma daquele homem, e se foi. Lembro quando ele um dia me disse: “-Na vida nós fazemos escolhas. É preciso ter serenidade, paz no coração. Um dia você nasceu. Nada acontece à toa. Como não é à toa que você está aqui, conversando comigo.”

A uma ensolarada manhã de segunda-feira. Por volta de sete horas, do dia primeiro de março. Do ano em que morrera a princesa Eleonora de Aragon, filha do rei Fernando I de Espanha, Sandro nasceu. No seio de uma família pobre, de camponeses. A um humilde casebre, ao lado da ponte velha, as margens do rio Arno, na velha Florença Sandro veio ao mundo. O pai Felipe Mariano muito comemorou a vinda de mais um varão, nascido em plena primavera. Sandro jamais sonhara, porém se tornaria um dos maiores pintores da renascença. E tão belamente pintou o nascimento da Vênus de Milo.

Fabio Campos

07 dez

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Natal

Um velho homem se fazia, sentado numa velha cadeira de balanço, no alpendre duma rude casinha desaprumada, lá no sopé do serrote da Camonga. A colossal “Baronesa”, do escritor Clerisvaldo B Chagas compunha o fundo dessa cena. O sol a pino, em todo seu esplendor, de raios, a tudo desnudava, tornando livre de qualquer poesia. O rei dizia que já ia o meio dia. Crudelíssimo sol, a muito estriando o seio do árido solo moreno do sertão. A craibeira semelhante a uma gigantesca mão de uma bruxa, brotada dantescamente do ventre da terra. Crispada, pedia clemência pelos seus pecados. Um carro de boi na estrada, violino rústico compondo a melodia do sertão. O carreiro fez os animais, unidos pela canga, pararem a marcha. Apoiando a vara de ferrão no chão quente, olhou pra lá. Os bois da dianteira, um fio de baba se esticando do espelho da bocarra. Sopravam das ventas hálito de mato rumino. Meneio de cabeça, e um dos bois, olhou pra lá. O cachorro, negro de cor, lá adiante parou. Tentou morder umas pulgas que lhe incomodava nos genitais. Endurecendo as sobrancelhas brancas, olhou pra lá. E Deus que a tudo assistia, olhou pra lá. Olhavam todos para lá. Para o homem sentado na velha cadeira de balanço, no alpendre da casinha no sopé da montanha. E era Deus aquele homem.

O homem solitário. Barba branca, de alguns dias por fazer, olhava o horizonte, na direção donde o azul do céu se ia misturar com o lago do Bode. Onde caprinos pastavam na relva, e galinhas selvagens flutuavam na superfície d’água. Olhando pra lá, Ele apenas piscou os olhos, na própria lentidão da cena. Um milésimo de segundo talvez. Foi o suficiente. Os cílios das pálpebras, mal tocaram os cílios de baixo. Sequer os olhos se fecharam, e dez gerações haviam se passado. Um século adiante era o que o calendário dali por diante dizia. E Deus olhou pra estrada. Carro de bois, carreiro, cachorro pulguento, estrada, craibeira, nada mais havia lá. Nada do que antes existia tinha mais. Porém, O Homem, ainda estava lá. Sentado calmamente a cadeira de balanço, no alpendre da casinha. O solo continuava, castigado de sol causticante, inclemente. O escritor não mais existia, porém a senhora “Baronesa” continuava lá. Em toda sua imponência, de pedra, granito, ervas, envolta de clorofila. Ainda mais rica de lendas, histórias e mistério. E o limiar do primeiro ano que dera início aquele século, talvez parecesse com aquele que culminaria com o início da primeira grande guerra, cujos jornais do mundo noticiaram:

“28 de junho de 1914, o assassinato do arquiduque Francisco Fernando da Áustria, o herdeiro do trono da Áustria-Hungria, pelo nacionalista iugoslavo Gavrilo Princip em Sarajevo, na Bósnia, foi o gatilho imediato da guerra, o que resultou em um ultimato Habsburgo contra o Reino da Sérvia. Diversas alianças formadas ao longo das décadas anteriores foram invocadas, assim, dentro de algumas semanas, as grandes potências estavam em guerra; através de suas colônias, o conflito logo se espalhou ao redor do planeta.”

O Homem agora ia pela estrada que levava a cidade. Era dia, porém o céu que cobria o mundo se fazia plúmbeo. O ar pesado carregado de partículas poluentes era quase palpável, pouco respirável. Densa neblina de gás que anuviava as coisas todas que existiam. Cheiro forte de resíduos queimados, como se o mundo tivesse se transformado num imenso lixão. E a densa neblina cinza, escondia o céu, de um quase azul, azul sujo, encardido. Muitos elementos que no passado era abundante, passaram a ser precioso. Água era um deles. Os alimentos agora eram sintéticos. O combustível dos únicos transportes existente, os ônibus espaciais, era de origem atômico nuclear. Quando chovia, e isso só ocorria algumas vezes por ano, era chuva ácida. Água potável, só havia nos pólos da terra, no que restava das calotas polares.

As grandes nações haviam se apossado dos territórios gelados do planeta, formando a Triple Aliança: Estados Unidos da América e seus aliados se apossaram do pólo Ártico. Alemanha e China, mais outras potências européias e asiáticas, se apossaram da Antártida. Os países emergentes, depois da revolução religiosa agruparam-se em dois blocos. Um deles explorava o Oceano Atlântico, a água do mar, era parcialmente dessalinizada. Do mar se sustentavam. Outro bloco era formado por países africanos, e mulçumanos do oriente médio, formavam a maior organização terrorista do planeta. Exploravam o Pacífico. As notícias chegavam ao sertão com alguns anos de atraso. A rede internacional de computadores não havia mais. Como naqueles inícios de séculos do passado, o mundo passava por mais uma revolução industrial. Os grandes rios haviam secado. As usinas hidrelétricas não funcionavam mais, por falta de água. A energia ainda existente era de origem eólica ou solar.

Senhor Josevel e dona Mirian tiveram seis filhos. Belchior, Baltazar e Gaspar que tinha três irmãs Francisca, Jacinta e Lúcia. O ano de 2113 estava terminando. Havia sido um ano muito difícil. Naquele ano Seu Josevel faleceu. A família ficou amparada com os recursos que tinham. Prédios, que alugavam na cidade. E a exploração de minas de alumínio, cobre e enxofre. Instaladas num lugar inóspito. Perto de uma região que no passado, chamada de agreste. Descobriram mananciais de vários metais, próximo a uma urbanidade chamada de Jaramataia. A divisão dos bens causou grave desunião entre os irmãos. As irmãs queriam reter os prédios alugados somente para as três. Sob sua responsabilidade ficara a guarda da mãe, sofrendo mal de Alzheimer, em idade avançada e viúva. Os irmãos achavam injusta a divisão, pois as minas davam sinal de esgotamento.

O mês de dezembro, do primeiro ano do início daquele século, estava quase no fim. A uma casinha alpendrada, fincada no sopé da montanha da Camonga morava Donana e Seu Joaquim. Eles tinham uma filha única, chamada Maria. Eram devotados cristãos. Nesse tempo os cristãos eram perseguidos pelos Mulçumanos. A prática da religião católica era proibida. Padres, missionários e cristãos eram perseguidos e mortos. Tratados como bandidos. Missas eram celebradas as escondidas, em grutas e cavernas em lugares secretos. Os governantes recompensavam quem denunciasse o que eles chamavam de rituais, que atentavam, segundo os que comandavam, contra a lei, a moral e os bons costumes. Maria fora desposada por um rapaz chamado José. E a quase menina estava grávida. Estava para se completar os dias de dar à luz. José fora embora pra São Paulo. Viajaria dizendo que só voltaria quando tivesse juntado dinheiro, o suficiente para comprar uma casa. Carpinteiro de profissão pensava em montar uma marcenaria. Trabalhava com madeira sintética, produzida a partir de plásticos, prensado com outros materiais recicláveis.

Lá pras bandas do por do sol. Uma estrela mais brilhante que as outras surgiu no céu. E os filhos de Seu Josevel, amigos de Seu Joaquim e Donana, quiseram ir visitar Maria que estava para ter bebê. Levariam presentes. E pegaram seus cavalos, e rumaram pras bandas do Serrote da Camonga. Um carro de boi na estrada, violino rústico compondo a melodia do sertão, tendo ao fundo magnífico por de sol. O carreiro fez os animais, unidos pela canga, pararem a marcha. Apoiando a vara de ferrão no chão, olhou pra lá. Os bois da dianteira. Fio de baba se esticando do espelho da bocarra. Soprava das ventas hálito de erva ruminada. Meneio de cabeça, e os bois, olharam pra lá. O cachorro, negro de cor, lá adiante parou. Tentou morder umas pulgas que lhe incomodava. Endurecendo as sobrancelhas brancas, olhou pra lá. O homem sentado a cadeira de balanço assistia a tudo. E Deus olhava pra lá.

12 nov

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Áurea e adamantina

Áurea e Adamantina, duas mulheres que conheci e de que vamos contar. É preciso que se diga, ambas jamais se conheceram. Contemporâneas, tendo uma, já vivido mais que a outra. Muito mais, que apenas átomos de carbono possam mudar, e separar elementos. Tornando-as tão distintas. Uma, suave, tenra, macia, candura em flor de idade. A outra já avançada em idade, porém inexorável, pétrea, feito Bruce Lee. Ao menos um fato as unia, foram as duas, estudantes da Escola Municipal Senhora Santana. Tomado fui, de forte comoção ao ver dona Adamantina pela primeira vez. Ao entrar na sala de aula, lá estava. Destacava-se frente à algazarra de trinta e poucas cabecinhas irrequietas dos seus colegas de classe. Deslocada, intrusa Adamantina. Naquela época, com seus setenta e poucos anos. Incólume, misturava-se a uma turma de meninas e meninos, com idade de serem seus netos. Doía-me perceber que em meio à bagunça reinante, pouco se fazia conta de sua presença. Ao entrar percebi-a dedicada a extraordinária tarefa de domar as mãos cascudas. Tentava, a muito custo, a façanha de manter firme o lápis entre os dedos. Apertava tanto que lhes fugia o sangue das falanges. E as letras do seu nome, iam surgindo uma a uma. Garatujadas ora sobre, ora sob, a linha da folha de papel branquinha do caderno.

Quase um decano havia se passado até nos encontramos outra vez. Num velório de uma amiga minha e dela, o reencontro. No silêncio daquele ambiente onde as pessoas velavam e oravam o esquife, tive a oportunidade de observá-la melhor. Ali se mostrou muito mais serena que antes havia concebido. Quase dez anos, e praticamente nada havia mudado em si. Algo que sequer a denotasse mais velha. O tempo tem desses artifícios, de moldar as pessoas, dando-lhes a aparência que lhe aprouvesse. Somos obras originais e sem retoques, de extraordinário artista, senhor tempo. Dona Adamantina, em tudo lembrava uma velha índia, da cordilheira andina, boliviana. Seu surrado e negro chapéu coco, em sinal de respeito ao evento ali ocorrendo, trazia-o à mão. O que indubitavelmente punha a mostra sua luzidia cabeleira negra derramada duramente até a altura dos ombros. Sobre o porquê de ter parado de estudar, tinha uma história pra contar.

Contou coisas de sua infância. De quando completou nove anos de idade, obrigada a trabalhar na roça. Seu pai o senhor Manoel Brasiliano, era homem bruto, de poucas palavras. Sua mãe, dona Rosário da Divina Pastora, no mundo colocou dezenove divinas criaturas, ao mesmo tempo humanas. Pelo menos seis deles não vingaram. Adamantina estava entre os sobreviventes. E todo ano, quando Deus punha no céu seus sinais de que próximas estavam as chuvas, início da invernada. A família toda era obrigada a ir pra roça. E disse categórica: “-Amigo! Enxada é fruto que nunca amadurece!” O sol ainda era só promessa de clarear as veredas, e na casa todos já estavam acordados. A mãe na beira do fogo preparava uma refeição a base de feijão, arroz e carne seca com farinha de mandioca, que era levada pro roçado, num saco, que tinha um cordão franzido na boca. Os pequenos ajudavam levando apetrechos, facão, foice, cabaças d’água, enxadas. Tomavam café de caco, sem coar, com pedaços de rapadura pra adoçar. E duma cuia, iam tirando com a mão, fubá de milho, untado com leite, e ovo frito. Com aquele desjejum puxavam pra meio dia. Aprendera a manejar o arado. Dizia que mesmo com aquela idade, se entregasse a ela uma pareia de bois, num arado, garantia que sozinha daria conta de um lote de vinte tarefas de terra, ao cabo de um dia de serviço. E achava aquele trabalho muito mais maneiro, que a difícil empreitada de escrevinhar seu nome numa linha de papel. E que aquele toquinho de lápis, pra ela, era muito mais complicado de domar do que uma canga de bois emparelhados no arado.

Um dia Adamantina, viu crianças indo pra escola. Achou interessante. E como iam felizes, brincando contentes. Daí concluiu que a escola devia ser um lugar bom, e teve o desejo de ir também. Ao chegar a casa, depois de mais um dia de trabalho, fatigada do serviço duro. Dirigindo-se ao pai pediu: -“Pai! O senhor deixa eu ir pra escola?”. O homem rude rebateu sua proposta, dizendo que o serviço no campo era mais importante. Adamantina já esperava tal reprovação, e contra argumentou garantindo que, o tempo supostamente perdido na escola recuperaria com o trabalho de arado. Mas o homem estava irredutível. E pra colocar ponto final naquela história, disse que moça que queria aprender a ler, o interesse era tão somente pra escrever carta pros namorados. E isso pra ele já era em si uma grande desfeita. Adamantina não dada por satisfeita, tomada de coragem, disse que ele, seu pai, era um homem ignorante. E só porque não tivera tido oportunidade, não devia privar os filhos de estudar. Disse isso de uma só vez. E correu a se trancar no quarto. O pai a seguiu, e fê-la abrir a porta. Se dizendo espantado com o que acabara de presenciar, não admitindo tal afronta, aplicou-lhe uma surra tão severa com o relho de bater nos animais, que no outro dia não teve condições de ir pro campo trabalhar, tal fora o estrago, nas costas, nos braços e nas pernas.

Áurea a outra menina, continuava menina ainda. Apenas dezena e meia de anos tinha, desde a última vez que a vi. Filha de camponeses, também viera do campo. Cabelos encaracolados, derramado até o colo, traziam a cor da avelã, de adocicado perfumo nos cachos. O que mais atraía em seu rosto fino, eram os olhos amendoados, e íris cor grafite. Perspicaz, nas aulas de ciências queria saber o porquê de certas coisas. Se dizia apaixonada pelas palavras e coisas abstratas. A matéria lhe punha certo receio, pelo caráter transitório, porque tudo lhe parecia tão volúvel talvez. O que tanto a gente desejava num dia, noutro poderia não mais querer. Teria um dia, desejado ser menino, só pra ter mais liberdade. Tomar banho na chuva sem blusa, sem a preocupação de cobrir os seios. Queria não ter o desconforto do fluxo de sangue, a cada mês. Achava chato ter que se depilar. Queria saber tin-tin por tin-tin a história do hímen elástico, e se os meninos conseguiam saber se uma menina não era mais virgem só pelo andar. Queria mesmo era jogar bola no campinho, ficar na rua até tarde como seus irmãos podiam. Só porque eram meninos, achava injusto isso. Por outro lado gostava de ser menina. De sentir-se feminina, vaidosa, de se olhar no espelho, fazer maquiagem, usar brincos, pulseiras, coisas que estavam na moda. Queria ter um bumbum maior, pra não ter vergonha de vestir biquíni, por se achar muito magra. E que às vezes, só às vezes, achava meninos tão bobos. Deles que zombavam, e ralhavam ao folhearem, sem autorização. seu caderno. E se encontravam poesias feitas por ela, recitavam em alta voz só para colocá-la em situação vexatória.

Disse-me um dia: “-Áurea Cândida! Acho meu nome horrível!” Tentei persuadi-la do contrário, dizendo-lhe que nomes possuem significados interessantes. E importava buscar a essência das palavras. Por exemplo, áurea significava algo feito de ouro, grafita era um mineral, aquele da ponta de seu lápis, precioso tanto quanto o diamante, e o que separava um do outro em grau de dureza, era apenas um rearranjo nos átomos de carbono que cada um possuía. Cândida vinha de candura, pureza. E que a palavra candidato vem de cândido. Lá na Grécia antiga, os senadores vestiam-se de branco para representar a pureza, de seus atos, na tomada das decisões em favor do povo. Ouviu atentamente a explicação. Para em seguida começar a escrever, creio que mais uma de suas poesias. Quanto ao seu nome, estava lá no meu diário de classe: Áurea Cândida Grafitas de Matos.

Fabio Campos

09 nov

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Finados

Dia de finados é dia bom pra ler um livro. No dia dos que já partiram, é dia de pensar na vida. Dia quente de verão, dia bom pra refletir. O sol nasce mais cedo. O mormaço, o calor de cedo começado, vem dizer que não é dia muito bom pra ir ao cemitério. Dia de mistério. Dona Maroca morava na Maniçoba. Todo ano na véspera de finados, ia com seu neto Marcelo até o campo santo, lavar a catacumba da família. Lavava, arrancariam as ervas daninha, depositaria um ramalhete de flores, e orações. E dizia a sim mesmo, finados é um dia que está se perdendo no tempo. Onde já se viu um dia santo como esse, a gente passa nas ruas, nas praças, os jovens estão bebendo, se divertindo, o som do carro ligado a toda altura. -Santo Deus! Aonde esse mundo vai parar?

Na casa de Seu Benjamim, ele fazia questão de ir com a família inteira. Dona Isaura acordava bem cedinho fazia café reforçado, na mesa um cuscuzeiro fumegante, uma jarra com leite, num tacho enorme ovos de galinha de capoeira fritos. Pães num saco de pano com renda de filó nas bordas. Manteiga, uma panela de macaxeira fumaçando no fogão. E o cheiro de charque torrado ia lá longe aguçar os olfatos dos viventes, e dos que já morreram que vagavam errantes. Intumescido o focinho dos felinos, e de saliva se enchiam os dentes dos caninos. Dez filhos, todos eles iriam. Lucinha, uma das filhas moça de seu “Bêja”, naquele ano, não pode ir porque estava menstruada. Moça “naqueles dias” devia evitar entrar em cemitério. Os mais velhos diziam que não era bom, apenas diziam, não explicavam porque, ai de quem perguntasse. Alguém arriscava dizer que se a moça tivesse perto de suspender o fluxo, se entrasse lá, a regra, acabava se estendendo por mais dias. E isso era o bastante para quem queria uma explicação. Dona Maria José a parteira morava pra lá do bebedouro, todo ano ia fazer sua penitência. Naquele ano deu de aparecer uma ferida na perna, da sua erisipela recorrente. Foi, mas ficou no portão, não entrou. Tinha medo que a ferida demorasse a sarar. Assistiu a missa, de longe. Fez sua oração pros seus entes queridos, pensou com saudade em Durval, seu falecido marido que era marceneiro, um acidente vascular cerebral o levou, já fazia três anos, rezou. E sua reza fez de tudo pra subir aos céus, sufocada pela algazarra reinante no mundo dos vivos. Os vendedores de vela, e do sorveteiro a toda altura anunciava pros viventes, e os mortos no seu dia ouviam, porém não sentiam os sabores dos picolés que tinha na caixa de isopor a tiracolo.

Adonias e Zé Cutia eram amigos, dois serventes de pedreiro, gostavam de beber cachaça todo dia. A depender da ocasião, o dia todo. Encontravam-se na bodega de Ciço “Pé Cotó”, bem no meio da ladeira da Rua Santa Luzia. Maria do Carmo fazia-lhes companhia. Nos vigores da juventude Do Carmo fora linda meretriz. Os melhores anos de sua vida vivera no baixo meretrício. No Cabaré de Suné, uma daquelas casinhas acanhadas, que margeiam o aterro da Avenida Pancrácio Rocha. A música alta, copos cheios de cerveja. O perfume, a muito custo conseguia disfarçar o cheiro do lamacento lodaçal, em que transformaram o Camoxinga, lá no bairro Artur Morais. Depois de velha, Do Carmo virou macumbeira e ganhou o apelido de Maria Paçoca. Naquelas mentes encharcadas de vapores de álcool, surgiria um plano macabro. Na véspera do dia de finados, resolveriam que os dois homens, iriam invadir o cemitério pra decapitar um defunto. Segundo a rameira, num ritual de magia negra, a cabeça do finado, imploraria para que lhes devolvesse o corpo. E eles prometeriam que só faria o que pedia depois que relatasse os números da loteria, e os três ficariam ricos.

Depois de escalarem o muro, eis que estavam no cemitério. Já sabiam direto aonde ir. Eles mesmos tinham ido pro sepultamento de um ancião, um agricultor, que se chamava Pedro Cândio e morava na Rua de Zé Quirino, falecera naquele dia. Zé Cutia levava um facão e uma enxada, Adonias portava uma lata de querosene vazia pra colocar o sinistro dentro. Tudo era breu, acostumados à escuridão vislumbravam os contornos das tumbas arribadas de cruzes. Delas erguidas em alvenaria, delas gradeadas de ferro, delas nuas, somente um montículo de barro. E as mães piedosas, mais tarde acenderiam velas, e chorariam seus filhos ali sepultados. Se criança ganhavam o nome de anjinhos.

Seguiam, e o que reinava era o silêncio. O álcool anestesiava-lhes os pensamentos, o que ajudava a disfarçar o medo. Ignorando o efeito do anidro, os sentidos lhes davam nos nervos. E qualquer ruído, além dos produzidos por eles mesmos, respiração ofegante, chiado dos chinelos e deglutição de cachaça, era motivo de calafrio. Pra chegar até a sepultura de Seu Pedro Cândio eles passariam em baixo de um pé de castanhola. Era um pé amêndoa razoavelmente pequeno, seu tronco fino e copa reduzida, lembrava a silhueta duma avestruz gigante, no meio duma cidade fantasma. De repente entre uma catacumba e outra, os dois homens se depararam com um enorme lobo negro, de pelo viscoso e eriçado. O grotesco animal nem parecia estar em posição ameaçadora. Sequer dava pra ouvir o rosnar de sua ira, ou o ranger dos seus dentes, nem a baba viscosa a correr-lhe pela boca. Porém o que fez os dois viventes, no campo dos mortos, se encherem de horror, era que no lugar dos olhos, o cão tinha duas bolas de fogo. E havia algo preso a sua boca. Isso mesmo era uma cabeça humana! O maldito trazia a cabeça de Seu Pedro Cândio presa aos dentes pelos cabelos.

Os infelizes lacaios, largando o que traziam, saíram em desabalada carreira. Tanto era o medo que os cegava, e já não sabiam pra que lado ir. Saltavam as catacumbas, feito trôpegas gazelas desengonçadas. Pro lado pra onde estavam indo havia um velho poço, desativado, coberto com velhas tábuas. Um e outro pisaram em cima, com o excesso de peso as tábuas cederam e os dois foram tragados pela boca do poço. Engolidos por mais de vinte metros de abismo, em trevas e água podre despencaram. No fundo pontiaguda vara de vergalhão os aguardava para o abraço da morte, e os espetou dum lado a outro. Com o impacto abriu-se enorme fenda donde jorrou sangue aos borbotões. Nem se deram conta que transpassados pelo ferro pareciam nacos de carne num espeto pronto pra assar no fogo. Tinham pressa de fugir dali, se desvencilharam do ferro, porém perceberam que seus corpos permaneciam lá, inertes. Não importava que ficassem então, precisavam sair dali. E escalaram a fétida parede de pedras do poço. Ainda deu pra ver ratazanas enormes chegando sobre eles mesmos, atraídas pelo cheiro de sangue.

Ainda era madrugada quando chegaram a casa de Maria Paçoca. Ela já havia iniciado os preparativos para o ritual de bruxaria. Várias velas acesas no chão formavam um cinco Salomão, no centro vários objetos grotescos, cabeça de caveira, dentes de animais entre outros. Eles entraram, já não precisavam que ninguém lhes abrisse a porta. Aproximaram da mulher, que não dava conta de suas presenças. Em vão tentaram falar-lhe sobre o ocorrido, simplesmente ela não os via. Com raiva começaram a derrubar o que havia na mesa, cartas de tarô, uma estatueta do preto velho voou sobre a cabeça da mundana. A do capeta vermelho sorrindo caiu e partiu o pescoço. A garrafa de cachaça tombou e um incêndio se alastrou rápido. As labaredas num segundo consumiu o forro da mesa e se espalhou como agilidade. Maria Paçoca sob o feito de maconha, em vão tentava salvar seus malditos relicários de praticar magias. Nem se deu conta que o fogo lhe lambia as vestes, e seu cabelo em chamas dava-lhe o horripilante aspecto de uma medusa flamejante. Pra finalmente tombar e ir aos poucos vislumbrando entre as chamas seus dois amigos. Sem se darem conta que agora eram finados.

Fabio Campos

21 out

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E você, em que é viciado?

Diante de tanta notícia triste, de violência urbana e rural: crimes de roubo, furto, estupro, estelionato, atentados a integridade física e moral de pessoas, atentado violento ao pudor. Violência chegando aos mais diversos ambientes, onde antes, se não fossem totalmente imunes, pelo menos ocorriam como muito menos freqüência: Violência nas escolas, nas residências, passeatas pacíficas com infiltrações de vândalos, destruição de patrimônio público, e até nas igrejas um ambiente tido como de paz, a violência chega com mais ênfase. De modo que para nós que optamos por uma crônica com viés humorístico, está se tornando cada vez mais difícil fazer rir num momento tão preocupante. De repente podemos até ser mal interpretado porque desdenhamos da brutal realidade, não é, nossa intenção última. Um vídeo disponível no portal G1 (globo.com.br) chamou-nos atenção:

“Você é viciado em tecnologia? Saiba quais são os Sintomas”

Daí concluímos que o mal da humanidade talvez sejam justamente os vícios. Nos viciamos nas coisas mais banais, e nem atentamos pra isso. Pais e filhos viciados em “facebook”, e outros sítios de relacionamento via internet, viciados em telefone celular, em telenovelas, em filmes etc. Olha só esse caso :

“Por Bom dia Online – Imagine uma pessoa que pede perdão de seus pecados ao mesmo tempo em que comete um furto. O caso aconteceu na Catedral Metropolitana de São Sebastião, no centro de Ribeirão Preto. O iPhone 5 do padre Carlos Eduardo Tibério, 39, foi furtado por uma mulher, após seu momento de confissão. O crime aconteceu na última terça-feira, 01, por volta das 17h30. Há um ano no sacerdócio, o religioso diz que não vai prestar queixa policial contra a suposta ladra. “Eu já havia perdoado seus pecados desde o momento da confissão”, disse. O telefone, que estava sobre o aparador do confessionário, sumiu no momento em que o padre saiu da sala por um instante.” (fonte: minutosertao.com.br)

Essa senhora, com certeza tem um vício, detectado no divã do psicanalista, a cleptomania. Vício em furtar objetos. E esse outro caso:

Por ChicoSabeTudo

Zezinho Lima da Silva, 37 anos, morador da cidade de Palmeiras dos Índios- AL, morreu no fim da tarde do último sábado (12/10), por volta das 17h30min, depois de engasgar-se com um pedaço de doce de banana no Povoado Barrinha, zona rural de Paulo Afonso. A vítima estava com a mulher na casa de amigos quando aconteceu o fato trágico.

Segundo informações, ele ainda foi socorrido para o Hospital Nair Alves de Souza, mas faleceu antes de dar entrada na unidade.(fonte:minutosertao.com.br)”

Quiçá o cidadão, fosse tabagista, daí resolve parar de fumar e para diminuir a ansiedade provocada pelo abstinência do tabaco passar a consumir doce na esperança de se ver livre dum vício. Aí torna-se chocólatra, viciado em chocolate. Uma mulher, ou moça que perde um ente querido e tenta compensar a perdas com um vício o de comer, por exemplo.

Meu amigo Tonho Neguinho o matuto mais arretado de Senador Rui Palmeira se assume viciado no consumo da cana de Vitória de Santo Antão: Pitú. É um pitúlotra assumido. A bebida tenta amenizar no slogan: “Mania de brasileiro” Mania? É vício mesmo! Então Tonho estava doido pra tomar uma, porém estava liso, foi dormir e sonhou que chegava no bar de Ciço de Quincas pede “uma”. E pede uma banda de limão. Quando vai tomando, Creuza sua digníssima esposa lhe acorda! Lamenta:

-Pôxa! Eu devia ter tomado sem limão mesmo.

E tem aquele homossexual que na hora de fazer amor, descobriu um vício no parceiro, que ficava pigarreando o tempo todo. Comenta:

-Que vício mais feio!

O ativo devolve:

-Repara quem fala!

Fabio Campos 17.10.13

No fabiosoarescampos.blog.spot.com o conto que já é recorde de acesso: “Sete Casas, Sete Pecados”

11 out

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CRONICA ACREDITE SE QUISER Crônica acredite se quiser

NOVIDADE? NENHUMA… ACREDITE, SE QUISER!

Pra quem não sabe, dentre tantas histórias sobre a criação do refrigerante Coca-cola, tem uma que diz que foi criado inicialmente como um xarope, um tônico para cura de todos os males, enfim uma panacéia. Pois bem já se vão 127 desde então. Recentemente o refrigerante sofreu poderoso “ataque” do famigerado jogo de marketing. Alguém apareceu no facebook acusado-o, de uma sequela grave motivada pela ingestão da bebida. Vejam só! Pra recuperar as vendas o fabricante saiu com essa:

“Cientistas chineses se dispuseram a descobrir como lidar com uma ressaca desde o início. A resposta é mais banal do que se imagina: Sprite. Sabe-se que os piores sintomas da ressaca não são causados pelo álcool em si, mas pela reação do organismo para tentar decompor o álcool ingerido. Por isso, muitos recomendam tomar uma dose de bebida alcoólica para “rebater” a ressaca. O organismo desencadeia duas reações químicas para decompor o álcool.

Primeiro, o fígado transforma o álcool em acetilaldeído e depois transforma esse segundo produto em acetato. O acetato não faz mal ao organismo, mas o acetilaldeído é prejudicial ao fígado e responsável pelos principais sintomas da bebedeira: náusea, vômito e dor de cabeça.

Cientistas de uma universidade em Guangzhou estudaram como as bebidas afetam a maneira como o corpo metaboliza o álcool ao pesquisar 57 tipos de bebidas: chás, bebidas gaseificadas e outras foram analisadas, segundo reportagem do jornal inglês Independent.

Enquanto alguns chás frearam o metabolismo do álcool, uma bebida conhecida como Xue bi acelerou a decomposição do álcool, encurtando a ressaca por causa da menor exposição ao acetilaldeído. No resto do mundo, a bebida atende por Sprite. Os resultados da pesquisa foram publicados na revista Food and Function da Royal Society of Chemistry.” (Fonte: Yahoo.com.br/notícias)

Entenderam? Caiu a venda de Coca-cola anuncia o “Sprite” como curador de ressaca! Acredite se quiser! Mais interessante é o nome do refrigerante “Sprite” na China Xuebi. Um anagrama de Xibiu. Ou seja pra curar ressaca chupe Xibiu! Que aqui no Brasil é uma bala doce…

Essa outra é ainda mais engraçada. Coisa de americano:

“Um grupo de alunos da Universidade do Tennessee foi suspenso após ser pego numa prática duvidosa. Um dos alunos, um rapaz de 20 anos, foi parar no hospital por ter ingerido álcool através do reto. A brincadeira é chamada de “butt chugging”.

Quando ingerido por meio da via retal, o álcool é absorvido de forma muito mais rápida pelo organismo: isso porque a região tem mais vasos capilares e veias. Como resultado, os efeitos da bebedeira acontecem mais rápido. No dormitório, foram encontrados outros jovens embriagados e diversas caixas de vinho.

Segundo o jornal Konoxville News Sentinel, o rapaz chegou ao hospital com um nível muito alto de álcool no sangue: cerca de 0,4% e também apresentava sinais de violência física e sexual. Os alunos foram suspensos pela Universidade. (vi no Washington Post).(Fonte: Yahoo.com.br/notícias).

Juro que eu não sabia que os americanos gostam de tomar no c… Literalmente!

Procurei uma piada engraçada com o tema ressaca e não encontrei. Aí me lembrei de meu amigo Tonho Neguinho, o cabra mais arretado de Senador Rui Palmeira! De quem nunca mais contei nada. Pois bem, Tonho foi passar uns dias em Aracaju na casa de um de seus filhos, que tinha uma garagem pra alugar. Sentado na porta, numa baita duma ressaca. Aí chega uma mulher interessada em alugar o ponto, e pergunta:

-Seu Zé! Passa ônibus aqui na porta?

-Minha senhora! Na porta passa um guarda-roupa, uma mesa! Ônibus não…

-Essa rua vai dá no shoping?

-Ela pode até ir. Mas eu prefiro que ela fique aí mesmo…

Nisso parou um ônibus próximo. E a dona continuou o interrogatório:

-Esse ônibus vai pra praia de Atalaia?

-Se a senhora tiver um biquíni que dê pra ele…

07 out

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A Coca-Cola dessa vez foi longe! e os “ratos” também…

“O relojoeiro de Goiás, Wilson Batista de Rezende, de 46 anos de idade, estaria processando a fabricante da bebida Coca-Cola aqui no Brasil por dano moral, por ter ficado doente após ingerir um refrigerante contaminado. Em contato com a fabricante do refrigerante por telefone, as informações que nos foram passadas são: A empresa tem ciência do processo e está aguardando a determinação da justiça; Sobre o corante caramelo IV: Em maio de 2012, o Center for Science in the Public Interest (CSPI – Centro para a Ciência a Favor do Interesse Público) realizou testes de análises químicas nos refrigerantes consumidos nos Estados Unidos e detectou a presença de 4- metilmidazol (4-MEI) em níveis bastante altos em duas marcas da bebida: A Pepsi e a Coca-Cola.” (Fonte: www.e-farsas.com/R7).

No tempo da “guerra fria” capitalismo, representado pelos EUA, versus socialismo, encabeçado pela extinta URSS (União Soviética da Rússia), quem vivia viu, venceu o capitalismo. Caiu o muro de Berlim e tudo mais. Isso abriria um precedente para as empresas capitalistas se instalarem nos países, antes fechados para o mundo. A Coca-cola viu nisso, um interessante jogo de marketing. Propagandeava a chegada desse produto em lugares, os mais inóspitos. Só não esperávamos que ela fosse tão longe!

Zé Lezin (o humorista Nairon Barreto) conta em um de seus trabalhos, que saiu com a família lá do interior de Picos no Piauí foram pra feira em Terezina. Entraram na bodega de seu Lunga e estava lá uma propaganda enorme: “Coca-cola é isso aí!” embaixo tinha uma peça de xita. Ele não contou conversa pediu: _Ô Lunga! Corta aí 10 metros de Coca-cola! Embrulha que eu vou mandar fazer um vestido pra mãe, de Coca-cola! Uma camisa pra mim, de Coca-cola…”

Na hora da descontração, da mesa do bar, da festinha entre amigos, o que não falta é criatividade, com relação a essa marca de refrigerante:

“-Você aceita dois dedinhos de coca?” (coca: corruptela de cócoras, claro!)

“Na falta de Fanta um “litraço” de coca vai bem?” ( Lhe traço de cócoras!)

Ratos e Coca-cola, duas coisas que não combinam. Agora ficou claro porque o fabricante desse refrigerante preferiu instalar uma grande fábrica desse produto em Sergipe, ao invés de Alagoas. É que aqui está cheio de “ratos” (taturanas, gabirus,etc.). A Assembléia Legislativa que o diga.

E lá estava eu dando minha aula, de repente parei e comecei a rir. Ninguém entendeu nada. É que lá no fundo, haviam vários cartazes colados, um trabalho sobre charges. Num deles aparecia um político, num discurso inflamado dizia:

-Esses bolsos aqui nunca viram dinheiro público!

Um gaiato na platéia emenda:

-De calça nova em deputado!

Fabio Campos 02.10.2013

No fabiosoarescampos.blogspot.com Breve o Conto inédito: “Lembranças por trás de Um Grito”

26 set

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Salve Setembro e São Jerônimo “Luz para meu caminho”

Setembro, com o passar do tempo, vai se tornando cada vez mais eclético, se nos mostrando um mês cada vez mais multifacetado. Se a gente for olhar a história vamos encontrar coisas tenebrosas por aqui ocorrendo. O “setembro negro” de 1972 nas olimpíadas de Munique, embora só doze anos tínhamos naquele ano, a lembrança vem com veemência. Sete de setembro de 1822, o “Grito do Ipiranga” o grito do engodo, transmutando-se no “Grito dos Protestos”, amplamente vivido pelas avenidas do país. A América e o mundo relembrou o 11 de setembro, a ferida que jamais cicatriza, completou 12 anos .

Setembro é mesmo um mês especial, particularmente para quem assim o considera. Se bem que para considerá-lo especial é preciso que algo de diferente dos outros meses, aconteça somente nele. Motivos, temos de sobra para nos alegramos, aqui começa a primavera. Nele nasceram minha amada Mara Rúbia, e há um ano apenas, minha netinha Aika, filha de Monaly.

Setembro do “velho” Bruce Espringsteen, se destacando no meio de tantas, novas celebridades no “Rock’in Rio – 2013”. Muitas delas nem eram nascidas quando Bruce e outras estrelas de quinta grandeza, se reuniram pra gravar “We are The World” “We Are The World foi uma canção composta por Michael Jackson e Lionel Richie, gravada em janeiro de 1985 por 45 dos maiores nomes da música norte-americana, no projeto conhecido como USA for Africa. O single, o LP e o clipe renderam cerca de 55 milhões de dólares. We Are the World apresentava 44 vocalistas diferentes, incluindo Michael Jackson, Lionel Richie, Harry Belafonte, Tina Turner, Bruce Springsteen, Billy Joel, Kenny Rogers, Bob Dylan, Cyndi Lauper, Diana Ross, Ray Charles e Stevie Wonder. (fonte: wikipédia.com.br).

Para a igreja de Cristo, setembro é considerado o mês da Bíblia. “Tua palavra é lâmpada para os meus pés e Luz para o meu caminho” Salmo 119,105. Este mês foi escolhido pela igreja, porque o dia 30 de setembro é dia de São Jerônimo (ele nasceu no de 340 e faleceu em 420 d.C.). São Jerônimo traduziu a Bíblia dos originais (hebraico e Grego) para o latim. A Bíblia é hoje o único livro traduzido em praticamente todas as línguas do mundo. Serve de “alimento espiritual” para a igreja e para as pessoas, e ajuda o povo de Deus na sua caminhada, em busca de construir um mundo melhor.” (fonte: católicos.vialumina.com.br).

Ser um padre, à frente de uma paróquia no interior do sertão, sem desmerecer os demais que se encontram em grandes centros, é dar o ombro com muito mais fervor na condução da cruz de Cristo. O povo humilde e desprovido de tudo, vê na figura daquele homem de batina, a oportunidade de renovar sua fé e sua esperança. Um colega nos contou que um desses servos de Cristo, chegando à igreja de sua paróquia, encontrou uma ruma de matuto participando de uma aula de catequese para o matrimônio. Escolheu um daqueles futuros nubentes, e tacou-lhe uma pergunta:

-Você sabe quem são as três pessoas da Santíssima Trindade?

-Sei sim seu “páde”! É tudinho da minha família: Ói! Esse aqui é Pedro Trindade. Aquela, Maria Trindade, e tem Chiquinha Trindade que num tá aqui porque está viajando.

Fabio Campos 24.09.2013

Breve no Blog fabioscampos.com.br o Conto inédito; “Labirinto”

18 set

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O MEU CORAÇÃO É DE JESUS

Uma vez que estou tendo quinzenalmente aulas de Libras (Língua Brasileira de Sinais) resolvi praticar justo com meus alunos. E propus fazermos um ditado diferente, não pronunciaria uma só palavra, só com gestos. E não é que deu certo! Aproveitamento de quase cem por cento! Estariam comprovando uma outra teoria que preocupa pedagogos de plantão: Cada vez mais, no dia a dia, estamos substituindo a oralidade pela linguagem verbal, ou de sinais. Uma reportagem na TV dos Marinhos, dizia que cada vez mais pessoas estão preferindo enviar mensagens pelo celular ao invés de simplesmente tentar completar uma ligação onde comodamente poderiam usar a oralidade, a fala.

Os sites de relacionamento é uma prova cabal de que o crescimento desse tipo de comunicação já é mais preferido que aquele, em que se utiliza o aparelho fonador, ou simplesmente a oralidade. O facebook que traduzido “ao pé da letra” Livro na cara! É uma prova concreta disso. Os internautas estão preferindo estar com as palavras na ponta dos dedos, em detrimento de tê-las na ponta da língua! Que seja. Daí, daremos de ver, se multiplicar por estas plagas, e pelo mundo todo, mais poetas, mais escritores, mais cronistas, mais filósofos. Com a palavra (literalmente) a criatividade! Santana tem angariado para si o pomposo título de “Terra de escritores” em detrimento da crescente onda em voga. Torcemos para que na mesma proporção seja também terra de leitores. Afinal quem escreve, lê, mas também quer ser lido.

Dicas do meu ditado; Polegar para cima = Legal!; Polegar para baixo = vai mal!; polegar esfregando no indicador = dinheiro!; polegar em riste, apontando em direção as costas = pedido de carona; indicador e médio em “v” = vitória! Ou paz e amor!; as duas mãos formando um coração sobre o peito esquerdo = amo você!; polegar e indicador formando um círculo = ok! Este sinal é americano, criado na 2ª grande guerra, significava zero killer (zero número de mortes ou baixas no front); juntando os dedos como que piscando = está cheio!; dedo indicador passado rapidamente no pescoço de um lado ao outro = está ferrado! Mas é preciso que se diga que isso nada tem haver com Libras.

Outro caso clássico no que refere-se sinais verbais e tentar entender a mensagem nas portas de banheiros, de lugares públicos. Eles oferecem uma gama de possibilidades de interpretações, dependendo da leitura que fazemos dos símbolos que são utilizados para distinguir. O w.c. masculino, por exemplo: Um bonequinho com a cabeça solta. Bem que poderia ser considerado “bullying” se alguém resolvesse interpretar que aquele signo estaria dizendo: banheiro pra negro, ainda mais drogado, vive com a cabeça voando! Já o feminino: A bonequinha estaria dizendo: Levanta a saia e mija aí no chão mesmo!

Neste domingo, andei “navegando“ pelos canais de tevê, e encontrei Rolando Boldrin, aquele do saudoso, “Som Brasil” antigamente no canal dos Marinhos, acontece que agora ele apresenta o “Senhor Brasil” corruptela daquele, noutro canal. E contava um causo de procissão, no interior de Minas, que contaremos aqui. Lá iam as beatas rezando e cantando, na procissão ladeira a cima. Os fiéis concentrados na cantiga da reza. Nada tirava sua atenção, cabeça baixa, iam cantando:

-Os anjos! Todos os anjos… Cantava a fila dos homens.

-Os anjos! Todos os anjos… Repetia a fila das mulheres.

E o padre lá na frente com a vela na mão também repetia:

-Os anjos! Todos os anjos…

Nisso o padre dá fé de um ônibus (naquele interior ônibus era chamado de jardineira) vem descendo a ladeira, desembestado, sem freio!

O padre se vira pro cortejo e grita:

-Gente! A jardineira! E todos numa só voz:

-Ô jardineira porque tais tão triste!

Por falar em cantiga de igreja, por estes dias estávamos ensaiando, uns cânticos pra um encontro que teremos. Entre, mais de dez pessoas, só um é fumante. Como sempre tem um gaiato no meio. A cantiga começou:

-O meu coração é de Jesus…

-E o teu pulmão é da Souza Cruz!

Fabio Campos 18.09.13 No fabiocampos.blogspot.com Breve Conto inédito: “O Jardim dos Desencantos”

12 set

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PASSE O CARTÃO!

São muitos os cronistas de plantão, colaboradores em inumeráveis tablóides, sensacionalistas no web espaço. Bem como, incontáveis são os deslumbrados internautas, a debulharem quilométricas listas de ditos populares, provérbios e frases de efeito nos sites de relacionamento social. E saber que centenas de milhares pessoas tão envolvidas com o mundo virtual a ponto de dedicarem mais de um terço de suas vidas, em detrimento de um mundo real. Ocorreu-me agora criar um dito popular baseado nesse tipo de filosofia intergalática: “Internauta é como baiano, passa a maior parte da vida dentro da rede.”

Aliás neste instante, reportar-me a uma curiosa notícia divulgada através da Rádio Milenium FM(Santana do Ipanema-AL). O competente radialista, Flávio Henrique, âncora do programa matutino “Liberdade de Expressão” noticiava que um baiano iria entrar com Ação Judicial, por danos morais, contra um cantor de pagode, por ter dito, creio que num show, que “os baianos eram preguiçosos”. E o radialista remendava: “ninguém gosta, nenhum povo gosta de ser tachado disso ou daquilo (além do que isso é bullying). Porém ir ao extremo de acionar o ministério público é exagero! E nós alagoanos? Sabemos que no sul do país somos tachados pela classe política que temos.”

Visualizando esse mundo cibernético, vamos nos deparar com a humanidade vivendo vida dúbia, uma virtual que se funde e se confunde com a real. Lembro nitidamente quando à doze anos atrás, o mundo perplexo, chocado, extasiado, assistiu, ao vivo e a cores, pela TV, uma cena de filme hollywoodiano que virou realidade. O ataque terrorista as torres gêmeas do World Trade Center.

O mundo viu, nascer um novo século, e um novo milênio. Nesse ínterim descobriu-se a mais terrificante de todas as criações humanas: o PVC (policloreto de vinil) o plástico. Aliás, a palavra “nylon” (se pronuncia náilon) vem de dois termos: Nova Yorque e Londres. Dele claro, nasceria o “dinheiro de plástico” o cartão de crédito (que pode ser também de débito).

Cartões vão acompanhar a gente a vida toda: Desde o cartão de vacina quando nascemos, até o cartãozinho de lembrança no dia do sepultamento. Passando pelo cartão de apresentação, cartão de aniversário, casamento, bodas nupcial. Cartão de loteria, cartão de natal! Cartão da previdência social, Tem o cartão do Bolsa Família. O cartão poupança e o conta corrente. Cartão de registro do ponto no trabalho. Cartão do crediário, o “Green Card” é o cartão verde pra entrar na América. cartão do cadastro de pessoa física o CPF. Ultimamente o governo já cogita a possibilidade de criar o CU: Cartão Único! Que substituiria todos os citados. O problema é que as pessoas iriam ter que andar por aí com o CU na mão o tempo inteiro! Ou sair mostrando o CU a toda hora, pra todo mundo!

Meu amigo Alberto Laranjeiras, o popular “Benga” outro dia contava-me que nosso vizinho Marcos Davi, ex-prefeito de nossa cidade. Certa ocasião, recebeu um telefonema duma dessas operadoras de telemarketing oferecendo um determinado cartão. A moça passou meia hora explicando as vantagens. O amigo se fez de desentendido:

-E serve mesmo pra quê?

Mais uma hora de explicação. E o cliente quis saber:

-Tem haver com cartão de natal?

-E mais hora e meia de lenga-lenga. Pra tentar convencer o cliente, a telefonista apelou:

-Pra ter todas as vantagens basta que o senhor me passe o número do CPF e do RG!

Afinal o cliente se decidiu:

-Ô mulher me dá aí aquele CPF e RG de enganar os bestas que ficam ligando pra gente…

E ouviu o som do telefone sendo desligado no outro lado da linha.

P.S. Comunicamos aos nossos leitores e amigos, que nosso primeiro livro, previsto para ser lançado no próximo dia 13 de setembro (sexta-feira) na Câmara de Vereadores Tácio Chagas (S.I.), não mais irá ocorrer. Oportunamente divulgaremos a data deste evento.

Fabio Campos 12.09.2013

Breve no fabiosoarescampos blogspot.com o Conto inédito: “Quando morre uma Canção”


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