12 Maio

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A tua mãe está aqui!!!

A razão de nossa existência, literalmente, são elas, as mães. Poetas, cantores, compositores, escritores, atores, toda classe artística, e mesmo a frieza da cientificidade já declamaram em prosa e verso, o que sentem e acham delas. Muito embora, por mais que digamos palavras ternas e a elas dediquemos gestos fraternos, jamais conseguiremos externar realmente seu verdadeiro valor. Ainda que não se encontrem mais nesse plano terreno, representam tudo em nossa vida.

Em espanhol é Madre; em latim é Mater; em inglês é Mother, carinhosamente mommy; em baianês é mãinha! Em francês Mère; em Italiano Mamma

Tudo no mundo parece ter nascido de uma mãe: a unidade da vida a célula, tem mãe: célula máter; nave espacial tem mãe: nave-mãe; mãe-pátria é nossa terra natal; Até posição sexual tem mãe: “Papai-mamãe”. menino pentelho é “filho da mãe!” Deus escolheu Maria Santíssima para sua mãe. Só satanás é “filho de chocadeira”,não tem mãe.

Quando um ambiente está muito cheio, sempre haverá alguém pra dizer que:

“É como coração de mãe, ainda cabe mais um!”

Até então já ouvira falar em “Casa de Mãe Joana” (lugar onde todos mandam), achei aqui na internet, vários termos novos: “cú-de-mãe-joana”: negócio onde todos interferem; mãe Benta é uma iguaria, um bolo; mãe d’água é Iara a sereia dos rios; mãe da lua: ave notívaga (família das Nyctibiidae) que emite um canto semelhante a uma gargalhada. Em 2003 compus esta poesia sobre mães que estará no meu livro inédito, “Poesia Não Enche Barriga…Enche o Coração”

“OS VÁRIOS TIPOS DE MÃES

A Gente só veio ao mundo

Porque teve alguém que ganhe

Te acompanha a vida inteira

Não vive de brincadeira

Estou falando da MÃE

 

Existe a MÃE FUSQUINHA

Sofre pra subir ladeira

É bem usada e velhinha

E apesar de acabadinha

É útil a família inteira

 

MÃE CHEQUE ESPECIAL

Ela é sempre da vez

Se o filho está apertado

Ela está ali do lado

Sempre no final do mês

 

Existe a MÃE CELULAR

Ta na linha e tem cartão

A gente sempre precisa

Mas ela nunca se liga

Mesmo estando sempre a mão

 

Veja só a MÃE MOCHILA

Enche o filho de defeitos

Nele achou hospedagem

Que só leva nas viagens

Porque não tem outro jeito

 

Conheça a MÃE BACALHAU

É dura seca e de Manta

Vinho gosta de beber

E só vai aparecer

Durante a semana Santa

 

A MÃE DOLLY é egoísta

Resolve só as paradas

Diz ao filho que é capaz

E a respeito do seu pai

Não precisa para nada

 

Veja a MÃE PAPAI NOEL

Na família ta no meio

Vem visitar no Natal

Fica até o Carnaval

Te deixa de “saco” cheio

 

A MÃE CHINELO DE DEDO

Anda de fitas na testa

É brega e pensa que arrasa

Só presta dentro de casa

Ninguém leva pra uma festa

 

Tem a MÃE PISTA BR

É um tipo de amargar

Sempre cheia de defeitos

Pra o filho ela tem jeito

Acha que vai melhorar

 

MÃE POLÍCIA FEDERAL

Trabalha toda fardada

Ama os filhos de qualquer jeito

Aceita os seus defeitos

Só não quer ser enganada

 

Veja a MÃE MATEMÁTICA

Sua vida e um dilema

Os filhos sempre aprontando

Ela sempre Calculando

Como resolver os problemas

 

MÃE BANHEIRO DE AVIÃO

É muito requisitada

Bem na hora da verdade

De grande necessidade

Ela está sempre apertada

 

MÃE MORRO DA MANGUEIRA

É pobre e só quer um gozo

Que o filho faça carreira

E quer de qualquer maneira

Ver seu filho bem famoso

 

MÃE MADRE TEREZA DE CALCUTÁ

Seus filhos é a humanidade

Pedido pra é ela é desejo

Se contenta com um beijo

Vive só de Caridade

 

A do tipo MÃE GUARDA-SOL

Do filho cobre as verdades

Sempre cai numa gandaia

Os filhos só leva a praia

Se houver necessidade

 

MÃE TORCIDA DO CORINTHIAS

Os filhos aprontam bordel

Se falam deles não aguenta

Se torna tão violenta

Pra os filhos é da FIEL!

 

É por isso meu amigo

Que todo mundo tem Mãe

Tem MÃE-TERRA o arrebol

A MÃE PÁTRIA a terra sua

E se existe a MÃE DA LUA

Deve ser a MÃE DO SOL

Se tem MÃE de um sofredor

É a do juiz de Futebol

No “Gantuá”

MÃE MENININHA

MÃE DE LEITE

MÃE MUCAMA

MÃE-NENÉN

no parto a beira da cama

Baiano chama MÃINHA !

 

O Bicho que não tem MÃE

SÓ pode ser Satanás

Invejando a nós viventes

Vive atentando a gente

Quer botar é nós pra trás

 

A MÃE CHEIA DE GRAÇA

Está com você AGORA

Ela é NOSSA SENHORA

Por Ela o Mal não passa

É sua Mãe e é Minha

Mãe de Deus!Ó Salvadora!

Sede nossa Protetora

Protejei-nos MÃE RAINHA!

Fabio Campos 12.05.2013 Breve no fabiosoarescampos.blogspot.com o Conto: “Mortus tu Mortis”

10 Maio

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Moscas! Bolhas d’água e o apetite?

Elas não são o facebook, mas é a praga do momento, tal qual aquela rede social estão em toda parte, tirando-nos do sério:

“A mosca-doméstica (Musca domestica) é um dos insectos mais comuns e um membro do grupo das moscas (ordem Diptera). A mosca pode pousar em comida, contaminando-a de bactérias, e tem sido durante os tempos, responsável por inúmeras propagações de doenças. (Fonte: Wikipédia.com.br).

“Qual a capacidade reprodutiva da mosca doméstica? A fêmea vive em torno de 30 dias e nesse período chega a pôr em média 700 ovos. Um único casal pode gerar até 125.000 descendentes em 4 semanas. A mosca doméstica em países tropicais pode produzir até 30 gerações. Como controlar a infestação de moscas domésticas?

O correto controle das moscas domésticas deve compreender, um bom manejo do esterco e do lixo, Deve-se adotar um produto com ação larvicida dessa forma conseguirá interromper o ciclo da mosca obtendo um controle adequado.”(Fonte: milkpoint.com.br).

Eu não sei quem foi que inventou que um saco transparente cheio d’água espanta moscas, mas acredite, tem site que explica como isso funciona:

“Por que moscas e sacos de água não se dão bem? Como o método espanta moscas? Alguns insistem em que as moscas percebem o líquido transparente como a superfície de um corpo aquático. Outros alegam que os insetos fogem ao ver seu reflexo ampliado. Mas a explicação mais popular entre entomologistas e empresários que adoram obter patentes é simples: refração da luz.

Moscas contam com um conjunto de olhos imensamente sensíveis que permitem que vejam simultaneamente em múltiplas direções. A cabeça do inseto consiste principalmente de um par de grandes olhos complexos, cada um dos quais composto por entre três mil e seis mil olhos simples. Esses olhos não se mexem e não podem tomar um objeto como foco, ao modo dos olhos humanos, mas oferecem à mosca uma visão mosaica do mundo ao seu redor. Cada olho simples oferece uma pequena peça do quebra-cabeça, da mesma forma que uma tela exibe uma imagem na forma de inúmeros pontos, ou pixels. Alguns entomologistas acreditam que quando esses olhos complexos e sensíveis experimentam luz refratada, o inseto se confunde e foge.”(Fonte: ciência.uol.com.br)

Eu só sei que moscas, além do perigo de causar doenças, tiram o apetite de qualquer um. Zé Lezin (o humorista Nairon Barreto) vem a Santana do Ipanema (26 de maio no Ginásio de Esporte) será que vai contar aquela da velhinha sem-vergonha? Que foi num consultório médico e o doutor solicitou:

-A senhora, por favor, tire a roupa e deite naquela maca.

-Oxente Doutor! E essa cama aguenta nós dois?

-A senhora ainda tem apetite?

-Tá meio “murchinho” mas ainda dá pro gasto né doutor!

Fabio Campos 08.05.2013. No fabiosoarescampos.blogspot.com o Conto: “O Profeta”

05 Maio

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CRUZ CREDO, ASSIM NÃO DÁ!

“Nordestino é agredido por sete Neonazistas em Niterói no Rio de Janeiro A Polícia Civil deteve, na manhã deste sábado, seis homens e uma mulher neonazistas acusados de agredir um homem de origem nordestina na cidade. Armados de facas, soco inglês e bastão, o grupo desferiu golpes contra a vítima, que não ficou ferida com gravidade.

Levados para a 77ªDP (Icaraí), os agressores foram denunciados por lesão corporal e tentativa de homicídio. Segundo a Polícia Civil, eles tinham tatuagens de suásticas e vestiam camisetas com referências ao nazismo.” (Fonte: santanaoxente.com.br).

Ao ler uma reportagem como essa, vem-nos uma angústia, uma imensa sensação de impotência, de descrédito, de decepção com relação a nós mesmos que nos classificamos como seres humanos. A princípio dotados de racionalidade. E o que vemos, tantas notícias de selvageria de pessoas, ditas humanas, agindo contra seus semelhantes.

Agimos em nome do que? Impunidade? Imediatismo? Ideologia dominante? Drogas? Consumismo? Descrédito em tudo? Falta de Deus? Afinal, em que acreditamos? Se você tivesse a oportunidade de ser entrevistado por um alienígena, e ele quizesse saber que símbolo eu posso levar para representar vocês humanos?

Ao longo da história da humanidade tantas e tantas ideologias, ascenderam e caíram. Cada povo, mundo a fora, utilizaria símbolos para se fazerem representar. Um par de folhas de louro o império romano; O sol os Maias e Incas (e os Argentinos!). O crucifixo no cristianismo; a cruz suástica no Nazismo; a cruz de Caravaca; a Rosa Cruz; a Maçonaria e os instrumentos do pedreiro; a foice e o martelo, o comunismo etc.

Governos e governantes também adotariam seus signos para representar seus domínios: A águia dos americanos; o galo Portugal e França; Canadá a folha do plátano; dos povos asiáticos o tigre, da áfrica o elefante; na Oceania o canguru. Aportando aqui no Brasil o que vamos ter como símbolo: Valter Disney achou que fosse o papagaio, criou o personagem Zé Carioca; os militares pegaram os “Tucanos” para nos representar. Refiro-me a aeronaves e não ao partido político.

Símbolos dominantes estão aos montes fazendo parte de nosso cotidiano. O “f” do facebook. O “o” do Orkut, o “g” do Google, o “passarinho” do twiter, aonde vemos apenas a letra identificamos o que representa. O que representa o atual governo do estado é um monte de “neguinho” com os braços levantados. Por que será que estão com os braços levantados? Os clubes de futebol além dos hinos que são expressões de massificação e domínio, também possuem seus escudos (símbolos) e mascotes: Flamengo um urubu; Corinthians uma gavião etc.

Já que chegamos até aqui, vamos encerrar com uma piada sobre essa comoção nacional, que em breve, fará com que seguemos pros nossos problemas, e os olhos do mundo, se voltem para nós.

Dois torcedores um paulistano e um corinthiano, antes de irem pro estádio ver um clássico de seus clubes jogar, resolvem entrar numa igreja, justo na hora que o padre inicia a leitura:

– Corintios 3, felipenses 5.

O paulistano comenta:

-Pôxa, cara! Até aqui teu time tá perdendo!

Fabio Campos 30.04.2013

No Blog fabiosoarescampos.blogspot.com Conto inédito: “Viola Tricolor”

25 abr

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Você toparia ser paneleiro em Portugal?

Procurei, sem lograr êxito, um web sítio, site, blog que me fornecesse as diversas denominações, criadas pela literatura popular, pro termo homossexual masculino. Tudo por conta de mais uma mensagem de E-mail, recebida do meu amigo João do Mato, que me inspirou a escrever este texto. Pois então: vamos à origem de alguns significados.

“A palavra “baitola” surgiu no Ceará, nas primeiras décadas do século 20. Por volta de 1913, chegou ao Nordeste do Brasil a Companhia Ferroviária inglesa “Great Western”. E com ela um inglês chamado Francis Reginald Hull, (pronuncia-se ráu), Mr. Hull que era homossexual assumido, fora designado superintendente daquela rede ferroviária. Para referir-se a bitola, que no meio ferroviário, significa a distância entre dois trilhos, ele pronunciava em inglês: Baitola. Os trabalhadores que não gostavam do modo como o chefe os tratavam, ao vê-lo aproximar-se diziam: “Lá vem o Baitola!” A partir daí passou-se a associar a palavra baitola a homossexual masculino.” (Fonte: Mensagem do amigo João do Mato)

“De onde vem o termo Viado? “Meu caro amigo, é um velho (*termo) pejorativo relacionado aos homossexuais que ainda perdura-se nos dias atuais. Tendo-se em vista que o conhecimento em educação sexual da década de 70, era limitado a um grupo seleto de pessoas, que de certa forma, desconheciam os termos hetero, homo e bi. Mas atenhamo-nos a pergunta: a mesma surge advinda da palavra “transviado”. Estaria relacionada à juventude transviada (época de John Travolta, vespas, roupas de couro, cigarro apagado na boca, embaladas por músicas dos anos 60 – Biquini amarelinho de bolinhas). Daí aqueles que obtinham tendência para gay, ou eram homo foram considerados TRANSVIADO” (*sofrendo posteriormente uma abreviação para: viado) – “Yahoo.com.br “Querubim” *Intervenções do cronista.

Por que chamam os homossexuais de viado ou sapatão? A relação das expressões populares “veado” (ou “viado” como se costuma falar) “Sapatão”. Segundo o etmologista Reinaldo Pimenta no livro “Casa da Mãe Joana”, o termo surgiu na década de 1970. Naquela época, as mulheres com opção sexual alternativa tinham predileção por usar um tipo de calçado mais caracteristicamente masculino. Já o termo “veado” é uma associação ao perfil do animal – magro, esguio e lépido. Conta um “causo” carioca que nos anos vinte, um comissário foi incumbido de prender os homossexuais que circulavam pelas imediações da Praça Tiradentes, no Rio de Janeiro. Ele fracassou, e para explicar a falha, disse que quando seus homens se aproximavam, os delicados alvos fugiam correndo como veados.” (Fonte: monteolimpo.blospot.com)

Zé Lezin (personagem do humorista Nairon Barreto) num de seus trabalhos conta que um matuto foi perguntar ao padre:

-Seu “páde”! Tem “páde” fresco?

-Tem! Tu e teu pai: É um par de fresco!

P.S.: A propósito meu caro! “Paneleiro” em Portugal, é viado.

Fabio Campos 23.04.2013 No fabiosoarescampos.blogspot.com Breve, Conto inédito: “O Pacto MMX d.C.”

18 abr

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Lista de concursados: você pode estar nessa!

A Prefeitura Municipal de Santana do Ipanema realizou no último domingo, 07 de abril, o maior concurso público de sua história. Falou-se em 15 mil inscritos, para menos de dez por cento disso em vagas ofertadas. Isso significa dizer, ou se vai para um concurso desse preparado, ou faz-se apenas para adquirir experiência.

Mas ninguém, claro, vai passar a vida inteira fazendo concursos apenas pra adquirir experiências. Aqueles que se inscrevem almejam ocupar uma das vagas. Já colocamos noutras crônicas alguns procedimentos básicos de um bom candidato em concurso público. Não seremos repetitivos, até porque o concurso já passou. Na véspera do dito concurso, uma vizinha minha perguntou-me:

-Professor, é verdade que o concurso foi anulado?

-Até onde eu sei, não. Na verdade, minha cara! Essa é a primeira etapa!

De fato, o disse-me-disse, a fofoca “rola” solta em véspera de concurso. Alguns dos concorrentes se encarregam de espalhar, nas esquinas, ou nas redes sociais, via internet, que o concurso foi anulado, justo com a intenção de que parte da concorrência desista. Os concursos públicos, de hoje em dia, são vencidos, não apenas durante a aplicação da prova. É que agora, para você pensar em figurar no topo duma lista de concursado, deve levar em consideração alguns pontos básicos: O “Antes” e o “Depois” da prova:

O “Antes”: Estudar, estudar e estudar;

O “Depois”: Prova de títulos: o maior número de cursos, capacitações, certificados e diplomas na área que se pretende ocupar; Experiência comprovada (exercício pleno da função) na área; idade, quantidade filhos, estado civil.

Todos esses, e outros itens, em muitos casos serão levados em consideração, na hora de decidir as vagas e mesmo em caso de empate na classificação por pontos.Sou concorrente de concursos à muito tempo. Sou do tempo dos Testes Psicotécnicos e da Prova de Datilografia. Eram etapas eliminatórias. Hoje o bicho papão dos candidatos, em especial nos concursos vestibulares, é a redação! Ou seja, escrever, dissertar a partir de um tema, para alguns, é algo terrível! Para estes, literalmente, faltam palavras para se expressar. Isso é esvaziamento linguístico.

Com o advento da internet, o aumento das populações e a necessidade de diversificar os relacionamentos sociais, novas modalidades de prova surgiram: Domínio das Tecnologias (computação) e Nível de Q.E. (Quociente Emocional) que avalia a que nível anda nossa capacidade de convívio social. Tem até uma piada sobre isso:

-Agora é Q.E. é? Pois antes o que interessava era o Q.I. “Quem Indica!”

A preparação para um concurso pode ser uma coisa prazerosa ou dolorida. Depende do ponto de vista de quem vê. Nós aprendemos pelo amor ou pela dor. Quer ver se não é?

Um diretor de escola cansado de ver as alunas mancharem o espelho do banheiro feminino com “beijos” de batom, reclamou na sala de aula, nenhum efeito surtiu. Então ele levou a turma até os banheiros e chamou a serviçal encarregada da “limpeza”.

-Por favor! Mostre as essas meninas que dá muito trabalho limpar esses espelhos…

A serviçal meteu o pano dentro do vaso sanitário, e removeu com ele as machas de batom.

Resultado: Deste dia em diante não mais tiveram problemas de manchas de batom no espelho.

Fabio Campos 17.04.2013 No blog fabiosoarescampos.blogspot.com Conto inédito: Paranóia Caleidoscópica”

15 abr

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Seu cuca ou os leleke’s?

“Uma guerra judicial está sendo travada para decidir quem tem o direito de usar a marca Os Leleke’s e a música que se tornou um viral na web, Passinho do Volante. A queda de braço é entre a Furacão 2000 Produções Artísticas e a Lek Produções.

Somente a Lek Produções é quem pode usar o nome do grupo e se apresentar com a música em shows e programas de TV. A decisão em segunda instância, assinada pela juíza Rosa Maria Cirigliano Maneschy, proíbe a empresa de Rômulo Costa de fazer show com o funkeiros e fixa uma multa de 100 mil reais por descumprimento.

Os réus (Furacão 2000) não podem fazer uso do nome MC Federado e Leleke’s nem cantar a música que os lançou no mercado, Passinho do Volante por ser autoria e obra de terceiro”, explica a juíza. A punição pode começar neste final de semana, quando está previsto para ir ao ar na TV Globo apresentações da formação do Furacão 2000 nos programas TV Xuxa e Esquenta.”(Fonte: veja.abril.com.br)

No meu tempo (assim dizia os mais velhos) música tinha letra. Agora onomatopéias viram sucesso e estouram (antes nas hit parades) agora na internet. Quando surgiram no final da década de setenta, início dos anos oitenta, o estilo brega e por conseqüência, as músicas com letras com duplo sentido, foram muito criticadas pelos entendidos no assunto. Confesso que entre uma “Seu cuca é eu” do Trio Parada Dura, e Há! Le Lek, lek, lek, lek! Sinceramente prefiro “Seu cuca é eu”

“Fui convidado pra ir numa festa

Em um salão lá no inteiro

O sanfoneiro era o seu cuca

Pra tocar no baile do trabalhador

A meia noite o salão lotado

E o seu cuca não apareceu

Aquela gente foi me cercando

Todo mundo achando que seu cuca é eu

Chamei o segurança, ninguém atendeu

Todo mundo achando que seu é eu

Onde esta seu cuca, onde se escondeu

Achem esse homem

Que essa gente pensa que eu cuca é eu.”

Por falar em Seu Cuca, meu amigo Jorge Santana “Jorge Cara de Ralo”, contou-nos esta semana, em plena via pública, a mim e a Malta Neto, um fato ocorrido com o saudoso Cuca, vigia do Banco do Brasil e Benga. Essas duas figuras impolutas, frequentavam individualmente, um cabaré existente no início da rua de Zé Quirino, na década de oitenta. Certa ocasião Benga se encontrava sentado a uma das mesas do bordel, na companhia de algumas “mariposas” inclusive uma delas, mantinha um relacionamento estável com Cuca. Nisso chega Cuca que dá boa noite a todos, e fica “num pé e noutro”, pra dentro e pra fora. Foi ao banheiro, e na volta, deu um jeito de enfiar um bilhete no bolso de Benga, que de imediato leu, dizia:

-“Caro amigo Benga. Não fique com essa mulher ela está doente.”

Benga malandro velho riu. E procurando o autor do bilhete, respondeu:

-Ah! Cuca agora não tem jeito! Já fiquei com ela antes de ontem, ontem e hoje!

Fabio Campos 13.04.2013 Conto inédito em breve no fabiosoarescampos.blogspot.com

09 abr

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Alguém tem um cigarro aí?…

Meus amigos reais acabaram tornando-se virtuais. Antes assim, do que nunca terem sido amigos de verdade. Isso porque a internet tem transformado o mundo real, em mundo irreal, ou mundo surreal. Roberval Nóia, João TNA, João do Mato, professor Marcelo Fausto, estes santanenses natos, alguns residindo aqui em Santana mesmo, outros nos mais longínquos rincões, mantém nosso e-mail abastecido de mensagens das mais inusitadas possíveis.

Enquanto vamos embrenhando-nos pelas veredas espinhosas e sinuosas da internet. Encontrando nas esquinas da vida com notícias que vão remodelando a cara do mundo. Estilista masculino chegando ao Brasil com o “namorado”; a cantora Daniela Mercury assumindo um relacionamento lésbico; Uma cantora beijando outra na boca depois do show.

Na contramão desse tema aparece o deputado Feliciano (PSC-SP) vejam matéria do blog do Ismael.com.br: “O deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, divulgou um vídeo, nesta segunda-feira (18), em que faz pesados ataques a ativistas do movimento gay.

O presidente da ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais),Toni Reis, e o deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) são os alvos preferenciais no vídeo de quase nove minutos.

O material “promocional” de Feliciano também utiliza imagens de um quiproquó, ocorrido em 14 de janeiro deste ano, em Curitiba, quando gays e militantes fascistas da TFT (Tradição, Família e Propriedade) se enfretaram nas ruas da capital paranaense (…) Pastor da igreja Assembleia de Deus, o deputado Feliciano causou polêmica em 2011, quando publicou declarações polêmicas em seu Twitter sobre africanos e homossexuais.

Roberval Nóia, obrigado pela a mensagem hilária sobre o “Dirran” vejam o resumo:

“(baseado em fatos verídicos)

Há alguns anos, quando o Clube Atlético Potengi ainda jogava no Machadão contra o Potyguar de Currais Novos, na 2ª divisão do Campeonato do Rio Grande do Norte, um jogador atleticano se destacava fazendo dribles desconcertantes, lançamentos perfeitos e fazendo gol. O narrador da Rádio Poti não cansava de gritar: -Vai Dirran! Vai Dirran!

Vendo aquele sucesso todo do jogador atleticano, um jovem repórter da Rádio Poti foi fazer uma entrevista com o craque na beira do gramado e foi logo perguntando:

“Diran, você tem parentes na França? Esse seu nome é de descendência francesa?”

O jogador, olhando espantado para o repórter, respondeu:

“Não sinhô, meu apelido é Cú de Rã porque eu sou baixim, mas como num pode falar na rádio… então, eles abreveia !”

Sobre o tema boiolístico também temos uma piada:

“Um gay foi viajar de avião com seu bofe e no meio da viagem, revelou pro gajo que tinha um sonho, transar com seu “Love” em pleno vôo.

Foi tentado a desistir pois os demais passageiros descobririam. Ao que ele retrucou:

-Que nada! Tá todo mundo dormindo. Quer ver?

E pediu:

-Alguém tem um cigarro aí?…

Silêncio total. Então acabaram transando.

A aeromoça andando pelo corredor encontrou um velhinho tremendo de frio.

-Meu senhor porque não pediu um lençol!

-Que nada! Um rapaz ali pediu um cigarro e foi “enrrabado”!

03 abr

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Salve primeiro de abril! O dia do homem!

Andam dizendo por aí, em especial num certo site de relacionamento, que anda “bombando” nos meios sociais, que o primeiro de abril devia ser instituído o “Dia do Homem”. Isso pra combinar com o “Dia da Mentira”. Tudo pelas conveniências. Outro comentou, nada disso, se tem um dia que devia ser considerado o “Dia do Homem” este dia seria, primeiro de novembro “Dia de todos os Santos”

Agora, que gostamos de feriados isso é verdade. Afinal isso vem de muito longe, desde a miscigenação, temos sangue indígena correndo nas veias. Índio gosta mesmo é de passear na floresta, caçar é seu esporte, apreciar a natureza, tomar banho e fazer amor. Trabalho é coisa de burguês, trabalho é invenção do cão, ninguém nunca ouviu dizer que alguém tenha ficado rico, apenas trabalhando!

A cultura, e o folclore já consagrou, através de ditos populares, bem interessantes, nos para-lamas de caminhões: “Quem trabalha não tem tempo de ganhar dinheiro”;“Moro na estrada e passeio em casa”; “Se morrer for descanso prefiro viver cansado”. O princípio Marxista advindo do capitalismo procurou incutir na mente do homem civilizado: “Tempo é ouro”; “O trabalho dignifica o homem”. Ora meu caro, na Grécia antiga só quem trabalhava eram os escravos, a peble, a ralé! A nobreza vivia no bem bom, “Sem dar um prego numa barra de sabão!”!

Uma gramática da Língua Portuguesa (2ª Edição 2003- De Emília Amaral, e outros autores) traz na página 593, um texto bastante interessante sobre argumentos que circulam nos meios sociais, que trazem mentiras deslavadas, traduzidas não em verdades, mas em sofismas. Queremos compartilhar com vocês:

“VOCÊ ACHA QUE TRABALHA DEMAIS?

O Ano tem……………………………..365 dias;

Menos 8h de sono por dia………….122 dias;

Sobram……………243 dias;

Menos 8h de descanso diário………122 dias;

Sobram………..121 dias;

Menos: Domingos……………………….52 dias;

Sobram………….69 dias;

Menos 1/2 dia por sábado…………….26 dias;

Sobram………………43 dias;

Menos: Feriados………………………….13 dias;

Sobram…………..30 dias;

Menos: Férias………………………………20 dias;

Sobram………………10 dias;

Menos: Tempo gasto no cafezinho

Lavatório, papinho e……………………..10 dias

Sobram…………..000 dias;

Encontrei “O tempo” de Luís Fernando Veríssimo “ Dizem que todos os dias você deve comer uma maçã por causa do ferro. E uma banana pelo potássio.. E também uma laranja pela vitamina C. Uma xícara de chá verde sem açúcar para prevenir o diabetes. Todos os dias deve-se tomar ao menos dois litros de água. E uriná-los, o que consome o dobro do tempo. Todos os dias deve-se tomar um Yakult pelos lactobacilos (que ninguém sabe bem o que é, mas que aos bilhões, ajudam a digestão). Cada dia uma Aspirina, previne infarto. Uma taça de vinho tinto também. Uma de vinho branco estabiliza o sistema nervoso.Um copo de cerveja, para… não lembro bem para o que, mas faz bem.O benefício adicional é que, se você tomar tudo isso ao mesmo tempo e tiver um derrame, nem vai perceber.(…)(Fonte: BoasPiadas.blogspot.com)”

Até o almanaque SADOL, traz charadas inclusive sobre o tempo, que se nada de engraçado trazem pelo menos distraem:

“ Sabe o que o assassino faz quando está preso? Mata o tempo!”

Fabio Campos 02.04.2013 Visite nosso blog fabiosoarescampos.blogspot.com Conto inédito Breve!

30 mar

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Jesus e a faca peixeira

AQUI NO SERTÃO, JESUS! SÓ VAI NA PEIXEIRA!

Por mais de uma ocasião em minha vida, fiz o papel de Pilatos, algumas vezes encenação, noutras, literalmente. Quando Secretário Municipal de Agricultura, em Senador Rui Palmeira – AL (1998-2004), formamos, junto a comunidade católica, e a juventude, um grupo que encenava a “Paixão de Cristo”. Em plena sexta-feira Santa íamos pelas principais artérias da cidade. Francisco Soares fazia a locução, e o saudoso Adeilson Dantas, filmava e produzia. A peça culminava com o ato da Crucificação, na periferia. E eu lá, no papel daquele que lavara as mãos diante do tribunal, a qual submeteu Jesus Cristo a julgamento.

Está no evangelho de S. Lucas cap. 18,45;19,42:

“Pilatos saiu outra vez e disse-lhes: -Eis que vo-lo trago fora, para que saibais que não acho nele nenhum motivo de acusação.

Apareceu então Jesus, trazendo a coroa de espinho e o manto de púrpura.(…) Quando os pontífices e os guardas o viram, gritaram:

-Crucifica-o! Crucifica-o!

Falou-lhes Pilatos:

-Tomai-o vós e crucificai-o, pois não acho nele culpa alguma.”

Mas, e aí, Pilatos cometeu contra Cristo, crime doloso ou culposo? “No crime doloso a pessoa efetua o ato com intenção de causar algum dano a outro indivíduo(…) dolo significa má fé, ação praticada com a intenção de violar o direito alheio. Já o crime culposo, o agente do ato não teve a intenção de praticar o mal, o crime, mas mesmo assim obteve o resultado. A pena para um crime culposo é bem menor do que a de um crime doloso(…) (Fonte: Guiasdicasgratis.com).

Passamos a contar uma história (verídica) de uma encenação da Paixão de Cristo, ocorrida em plena sexta-feira Santa, num circo, na periferia de Arapiraca.(Fonte: João do Mato via E-mail)

“O elenco foi escolhido dentre os moradores locais. No papel principal, de Jesus Cristo, colocaram o cara mais “gato” do pedaço. Houveram vários ensaios, e às vésperas do evento, o dono do circo descobriu que “Jesus” estava de caso com sua mulher. Furioso, o corno deu-se conta que não podia fazer escândalo, pois corria o risco de perder todo o trabalho de montar a peça. Pensou, pensou…E teve uma ideia.

No dia da encenação anunciou que iria participar, no papel de um dos centuriões que açoitavam Jesus. Mesmo diante dos protestos do elenco, não se intimidou, e argumentou que nem precisara ensaiar, afinal o centurião que ia fazer, não falava nada! E eis que chegou o dia: Jesus carregando a cruz. O centurião começou a dar-lhe chicotadas, só que de verdade! Jesus reclamou, em voz baixa. O centurião contra argumentou:

-É pra dar mais veracidade a cena!

E toma chicotada. Lept! Lept! O chicote comendo solto no lombo do infeliz. Até que “Jesus” que já reclamara bastante, enfureceu-se de vez. Largou a cruz no chão! Puxou uma faca peixeira e partiu pra cima do centurião:

-Vem desgraçado! Vem que eu vou te ensinar a não bater num homem indefeso!

Resultado: O centurião correndo, “Jesus” correndo atrás com uma peixeira, e a platéia em delírio, gritava:

-Fura ele “Jesus” aqui é Alagoas não é Jerusalém!”

Fabio Campos 30.03.2013 No Blog fabiosoarescampos.blogspot.com o Conto: “PÁSCOA!”

28 mar

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Um menino da camoxinga

DESENHOO menino da Camoxinga, ainda mora no meu imaginário. Morar mesmo morava na Camoxinga. A casa ficava além da ponte e do riacho que dividia Santana do Ipanema ao meio. Na ladeira do Cemitério Santa Sofia. Num tempo, tão lá atrás, que nem havia calçamento de paralelepípedo, ladrilhando as ruas, afastadas. E tão pouco era o número de casas, que de cá do Monumento, dava pra ver o alto. E apontando dizia: -A casa que eu moro é aquela, amarela! Tá vendo? Nossos olhos iam pra lá. Um aceno de cabeça pra confirmar. Apenas confirmar, pois era muito provável que nem estivéssemos enxergando a tal casa amarela. E tendo certeza da dúvida, ele fazia questão de descrever como era: -Tem uma área na frente, um portão de ferro, muitas plantas! Com um pouco mais de atenção, talvez desse pra ver, sua mãe, cultivando uma nesga de húmus, que chamava de jardim. E haveria de debulhar um rosário de imprecações, se a bola traquina, dos meninos, fosse esbarrar nas suas plantinhas queridas, velhas amigas com que conversava toda manhã.

Às vezes fico pensando se tenha existido de verdade, o menino da Camoxinga. Se não teria sido apenas fruto da imaginação. Mas era tudo tão real. Porque meninos são seres de mente muito fértil, capazes de inventar histórias, inverossímeis, inimagináveis. E menino, era o que a gente nunca devia deixar de ser. Mesmo que o tempo se encarregasse de naufragar, lá bem dentro do corpo aumentado, a frívola, a mágica energia dos verdes anos.

Luiz André era um menino diferente. Jamais entenderei porque, seria necessário gastar quatro decanos de calendários, separando-nos tempo e espaço, pra chegar a tal constatação. Diferentes uns dos outros todos somos. Mas não seria dessa diferença, a que me refiro. Luiz André era um menino azul. Não que trouxesse o anil na tez. Azul cobalto era sua alma, e isso brotava no oceano dos seus olhos. Transparecia no piano do seu sorriso marinho. E mesmo o azul do céu, a brisa vespertina, vinha intrometer-se em seu cabelo liso em desalinho. E de tanto vê-lo trajado no brim da farda do Grupo Escolar Padre Francisco Correia, ficou assim, um menino Azul Cecília Meireles. E numa daquelas magníficas tardes, depois que a gente saía da escola, esteve a contar-me mais uma de suas inúmeras histórias fantásticas, que tanto me fascinavam.

Sentados a um dos bancos da praça, remexendo no que restara dos nossos lanches do recreio. A sua lancheira azul, em alto relevo trazia o desenho do capitão América. A minha, o Homem de Ferro. Observando outros meninos fazendo estripulias nos brinquedos do parque da praça, calmamente disse: -A minha casa é mal-assombrada. Estávamos no final de outubro daquele ano, e remendou: -Por esses dias fica ainda mais mal-assombrada! –Como assim? Quis saber. Com a proximidade do dia de finados, o Cemitério Santa Sofia ficava muito movimentado, o povo ia limpar e ornamentar as catacumbas. As almas dos defuntos, que não tinham ido pro céu, ou pra lugar algum, surtavam. Incomodadas com a presença de tanta gente barulhenta acabavam por vagar pelas redondezas. Iam perturbar a vizinhança. Derrubavam panelas na cozinha, quebravam pratos na pia. À noite acendiam as luzes dos quartos. Abriam torneiras da pia do tanquinho, do chuveiro. Ligavam ventiladores e o liquidificador. Espalhavam discos pelo chão, punha a vitrola pra tocar. O gato coitado, eles conseguem ver esses espíritos desencarnados, era o primeiro a desaparecer naqueles dias, pois não o deixava em paz. Também o cachorro lá no quintal, latia freneticamente e uivava de modo sombrio. Era como se chorando dissesse: –Socorram-me! Eles estão me perturbando! O próprio André presenciara, numa das vezes que fora acalmar o cão, de lá do breu do quintal, atiraram-lhe uma manga verde, sem que houvesse possibilidade alguma dum ser vivente ter feito aquilo. E os galhos da mangueira balançaram violentamente, ainda que não houvesse o menor resquício de ventania, na noite quente abafada.

Teve uma vez que estava dormindo, e acordou com alguém lhe chamando, pelo nome. Era voz de um menino. Procurou embaixo da cama, não estava. Revistou os cantos, nada. Abriu o guarda-roupas, encontrou. Um menino bem afeiçoado, bonito. De cócoras todo molhado, a roupa colada ao corpo, tremia de frio. Os cabelos castanhos, lisos, molhados, escorridos na testa. Os olhos grandes, de longos cílios, pareciam ainda maiores, arregalados. Disse que tinha medo. Medo de um homem muito mal que queria lhe fazer algo muito ruim. Disposto a ouvi-lo, sentou-se ao seu lado. Ouviu dele que o homem mal era seu tio, que havia perdido os pais, num acidente de carro. Por isso foi morar no sítio, com o irmão de seu pai, mas a esposa não gostava dele, lhe batia chamava-o de afeminado. Um dia o tio, que era alcoólatra, encontrou-o a buscar água no açude, arrastou-o pro mato, e abusou sexualmente dele. Pra ter certeza que não contaria a sua esposa, afogou-o. Também pra parecer que tinha sido ele mesmo que se afogara. André e Augusto ficaram amigos, e combinaram uma vez por ano se encontrarem. Dia de finados, seria o dia.

Muitas outras histórias seriam compartilhadas, bem como, muitos outros momentos bons. Nos banhos do rio Ipanema. Tantas foram as vezes que foram juntos a uma tropa de meninos, na maior algazarra, rumos pra além da Maniçoba. A um lugar chamado “Escondidinho”. Chegavam ao início da manhã. Escalavam rochedos pra se atirar perigosamente no turbilhão das águas bravias. Desafiando todas as leis do universo, o mundo era daqueles meninos. E se o gasto energético ocasionava a fome, saiam à cata dos frutos dos umbuzeiros, tubérculos, frutos e mesmo folhas. Ao aproximar-se a hora de deixar o “velho” amigo ficavam todos nus. Estendiam os calções para enxugar ao sol. E pareciam um bando de índios. E ficavam excitados e masturbavam-se por puro prazer, sem mesmo recorrer à visão de uma vulva feminina. Uma versão da Terra dos Meninos Pelados, nua, crua, sem poesia, longe de Quebrangulo, distante do sonho de Graciliano Ramos.

André convidava-me a fazer determinadas estripulias que sozinho jamais teria coragem de fazer. Roubar uvas no pomar de Doutor Clodolfo, desfrutar os mamões do terreno baldio do Grupo Escolar. Tirar tamarindo, escalando o muro do quintal de Dona Marina Marques. Surrupiar amendoim, um pouco de fubá e farinha de mandioca, dos mangaieiros, no meio da feira. Tomar banho no proibido, açude de Seu João Augustinho, ou na piscina da chácara de Doutor Aderval Tenório. Tentar entrar no circo por baixo da lona, sem pagar. Acompanhar o palhaço no meio da rua, anunciando o espetáculo, pra ganhar um ingresso. Tentar entrar no cine Alvorada, num dia de filme impróprio para menores. Um dia compramos uma garrafa de vinho de jurubeba, meio quilo de salame e alguns pães. E fomos pescar pitu no riacho do bode. Cheguei tarde e levei uma sova de meu pai por isso. Acabei aprendendo a usar o menino da Camoxinga como subterfúgio, atribuindo a ele, as coisas erradas que fazia e eram descobertas. Dizia: -Foi o menino da Camoxinga! Um menino que simplesmente nunca passaria de fruto do meu fértil imaginário.


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