05 Maio

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CRUZ CREDO, ASSIM NÃO DÁ!

“Nordestino é agredido por sete Neonazistas em Niterói no Rio de Janeiro A Polícia Civil deteve, na manhã deste sábado, seis homens e uma mulher neonazistas acusados de agredir um homem de origem nordestina na cidade. Armados de facas, soco inglês e bastão, o grupo desferiu golpes contra a vítima, que não ficou ferida com gravidade.

Levados para a 77ªDP (Icaraí), os agressores foram denunciados por lesão corporal e tentativa de homicídio. Segundo a Polícia Civil, eles tinham tatuagens de suásticas e vestiam camisetas com referências ao nazismo.” (Fonte: santanaoxente.com.br).

Ao ler uma reportagem como essa, vem-nos uma angústia, uma imensa sensação de impotência, de descrédito, de decepção com relação a nós mesmos que nos classificamos como seres humanos. A princípio dotados de racionalidade. E o que vemos, tantas notícias de selvageria de pessoas, ditas humanas, agindo contra seus semelhantes.

Agimos em nome do que? Impunidade? Imediatismo? Ideologia dominante? Drogas? Consumismo? Descrédito em tudo? Falta de Deus? Afinal, em que acreditamos? Se você tivesse a oportunidade de ser entrevistado por um alienígena, e ele quizesse saber que símbolo eu posso levar para representar vocês humanos?

Ao longo da história da humanidade tantas e tantas ideologias, ascenderam e caíram. Cada povo, mundo a fora, utilizaria símbolos para se fazerem representar. Um par de folhas de louro o império romano; O sol os Maias e Incas (e os Argentinos!). O crucifixo no cristianismo; a cruz suástica no Nazismo; a cruz de Caravaca; a Rosa Cruz; a Maçonaria e os instrumentos do pedreiro; a foice e o martelo, o comunismo etc.

Governos e governantes também adotariam seus signos para representar seus domínios: A águia dos americanos; o galo Portugal e França; Canadá a folha do plátano; dos povos asiáticos o tigre, da áfrica o elefante; na Oceania o canguru. Aportando aqui no Brasil o que vamos ter como símbolo: Valter Disney achou que fosse o papagaio, criou o personagem Zé Carioca; os militares pegaram os “Tucanos” para nos representar. Refiro-me a aeronaves e não ao partido político.

Símbolos dominantes estão aos montes fazendo parte de nosso cotidiano. O “f” do facebook. O “o” do Orkut, o “g” do Google, o “passarinho” do twiter, aonde vemos apenas a letra identificamos o que representa. O que representa o atual governo do estado é um monte de “neguinho” com os braços levantados. Por que será que estão com os braços levantados? Os clubes de futebol além dos hinos que são expressões de massificação e domínio, também possuem seus escudos (símbolos) e mascotes: Flamengo um urubu; Corinthians uma gavião etc.

Já que chegamos até aqui, vamos encerrar com uma piada sobre essa comoção nacional, que em breve, fará com que seguemos pros nossos problemas, e os olhos do mundo, se voltem para nós.

Dois torcedores um paulistano e um corinthiano, antes de irem pro estádio ver um clássico de seus clubes jogar, resolvem entrar numa igreja, justo na hora que o padre inicia a leitura:

– Corintios 3, felipenses 5.

O paulistano comenta:

-Pôxa, cara! Até aqui teu time tá perdendo!

Fabio Campos 30.04.2013

No Blog fabiosoarescampos.blogspot.com Conto inédito: “Viola Tricolor”

25 abr

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Você toparia ser paneleiro em Portugal?

Procurei, sem lograr êxito, um web sítio, site, blog que me fornecesse as diversas denominações, criadas pela literatura popular, pro termo homossexual masculino. Tudo por conta de mais uma mensagem de E-mail, recebida do meu amigo João do Mato, que me inspirou a escrever este texto. Pois então: vamos à origem de alguns significados.

“A palavra “baitola” surgiu no Ceará, nas primeiras décadas do século 20. Por volta de 1913, chegou ao Nordeste do Brasil a Companhia Ferroviária inglesa “Great Western”. E com ela um inglês chamado Francis Reginald Hull, (pronuncia-se ráu), Mr. Hull que era homossexual assumido, fora designado superintendente daquela rede ferroviária. Para referir-se a bitola, que no meio ferroviário, significa a distância entre dois trilhos, ele pronunciava em inglês: Baitola. Os trabalhadores que não gostavam do modo como o chefe os tratavam, ao vê-lo aproximar-se diziam: “Lá vem o Baitola!” A partir daí passou-se a associar a palavra baitola a homossexual masculino.” (Fonte: Mensagem do amigo João do Mato)

“De onde vem o termo Viado? “Meu caro amigo, é um velho (*termo) pejorativo relacionado aos homossexuais que ainda perdura-se nos dias atuais. Tendo-se em vista que o conhecimento em educação sexual da década de 70, era limitado a um grupo seleto de pessoas, que de certa forma, desconheciam os termos hetero, homo e bi. Mas atenhamo-nos a pergunta: a mesma surge advinda da palavra “transviado”. Estaria relacionada à juventude transviada (época de John Travolta, vespas, roupas de couro, cigarro apagado na boca, embaladas por músicas dos anos 60 – Biquini amarelinho de bolinhas). Daí aqueles que obtinham tendência para gay, ou eram homo foram considerados TRANSVIADO” (*sofrendo posteriormente uma abreviação para: viado) – “Yahoo.com.br “Querubim” *Intervenções do cronista.

Por que chamam os homossexuais de viado ou sapatão? A relação das expressões populares “veado” (ou “viado” como se costuma falar) “Sapatão”. Segundo o etmologista Reinaldo Pimenta no livro “Casa da Mãe Joana”, o termo surgiu na década de 1970. Naquela época, as mulheres com opção sexual alternativa tinham predileção por usar um tipo de calçado mais caracteristicamente masculino. Já o termo “veado” é uma associação ao perfil do animal – magro, esguio e lépido. Conta um “causo” carioca que nos anos vinte, um comissário foi incumbido de prender os homossexuais que circulavam pelas imediações da Praça Tiradentes, no Rio de Janeiro. Ele fracassou, e para explicar a falha, disse que quando seus homens se aproximavam, os delicados alvos fugiam correndo como veados.” (Fonte: monteolimpo.blospot.com)

Zé Lezin (personagem do humorista Nairon Barreto) num de seus trabalhos conta que um matuto foi perguntar ao padre:

-Seu “páde”! Tem “páde” fresco?

-Tem! Tu e teu pai: É um par de fresco!

P.S.: A propósito meu caro! “Paneleiro” em Portugal, é viado.

Fabio Campos 23.04.2013 No fabiosoarescampos.blogspot.com Breve, Conto inédito: “O Pacto MMX d.C.”

18 abr

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Lista de concursados: você pode estar nessa!

A Prefeitura Municipal de Santana do Ipanema realizou no último domingo, 07 de abril, o maior concurso público de sua história. Falou-se em 15 mil inscritos, para menos de dez por cento disso em vagas ofertadas. Isso significa dizer, ou se vai para um concurso desse preparado, ou faz-se apenas para adquirir experiência.

Mas ninguém, claro, vai passar a vida inteira fazendo concursos apenas pra adquirir experiências. Aqueles que se inscrevem almejam ocupar uma das vagas. Já colocamos noutras crônicas alguns procedimentos básicos de um bom candidato em concurso público. Não seremos repetitivos, até porque o concurso já passou. Na véspera do dito concurso, uma vizinha minha perguntou-me:

-Professor, é verdade que o concurso foi anulado?

-Até onde eu sei, não. Na verdade, minha cara! Essa é a primeira etapa!

De fato, o disse-me-disse, a fofoca “rola” solta em véspera de concurso. Alguns dos concorrentes se encarregam de espalhar, nas esquinas, ou nas redes sociais, via internet, que o concurso foi anulado, justo com a intenção de que parte da concorrência desista. Os concursos públicos, de hoje em dia, são vencidos, não apenas durante a aplicação da prova. É que agora, para você pensar em figurar no topo duma lista de concursado, deve levar em consideração alguns pontos básicos: O “Antes” e o “Depois” da prova:

O “Antes”: Estudar, estudar e estudar;

O “Depois”: Prova de títulos: o maior número de cursos, capacitações, certificados e diplomas na área que se pretende ocupar; Experiência comprovada (exercício pleno da função) na área; idade, quantidade filhos, estado civil.

Todos esses, e outros itens, em muitos casos serão levados em consideração, na hora de decidir as vagas e mesmo em caso de empate na classificação por pontos.Sou concorrente de concursos à muito tempo. Sou do tempo dos Testes Psicotécnicos e da Prova de Datilografia. Eram etapas eliminatórias. Hoje o bicho papão dos candidatos, em especial nos concursos vestibulares, é a redação! Ou seja, escrever, dissertar a partir de um tema, para alguns, é algo terrível! Para estes, literalmente, faltam palavras para se expressar. Isso é esvaziamento linguístico.

Com o advento da internet, o aumento das populações e a necessidade de diversificar os relacionamentos sociais, novas modalidades de prova surgiram: Domínio das Tecnologias (computação) e Nível de Q.E. (Quociente Emocional) que avalia a que nível anda nossa capacidade de convívio social. Tem até uma piada sobre isso:

-Agora é Q.E. é? Pois antes o que interessava era o Q.I. “Quem Indica!”

A preparação para um concurso pode ser uma coisa prazerosa ou dolorida. Depende do ponto de vista de quem vê. Nós aprendemos pelo amor ou pela dor. Quer ver se não é?

Um diretor de escola cansado de ver as alunas mancharem o espelho do banheiro feminino com “beijos” de batom, reclamou na sala de aula, nenhum efeito surtiu. Então ele levou a turma até os banheiros e chamou a serviçal encarregada da “limpeza”.

-Por favor! Mostre as essas meninas que dá muito trabalho limpar esses espelhos…

A serviçal meteu o pano dentro do vaso sanitário, e removeu com ele as machas de batom.

Resultado: Deste dia em diante não mais tiveram problemas de manchas de batom no espelho.

Fabio Campos 17.04.2013 No blog fabiosoarescampos.blogspot.com Conto inédito: Paranóia Caleidoscópica”

15 abr

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Seu cuca ou os leleke’s?

“Uma guerra judicial está sendo travada para decidir quem tem o direito de usar a marca Os Leleke’s e a música que se tornou um viral na web, Passinho do Volante. A queda de braço é entre a Furacão 2000 Produções Artísticas e a Lek Produções.

Somente a Lek Produções é quem pode usar o nome do grupo e se apresentar com a música em shows e programas de TV. A decisão em segunda instância, assinada pela juíza Rosa Maria Cirigliano Maneschy, proíbe a empresa de Rômulo Costa de fazer show com o funkeiros e fixa uma multa de 100 mil reais por descumprimento.

Os réus (Furacão 2000) não podem fazer uso do nome MC Federado e Leleke’s nem cantar a música que os lançou no mercado, Passinho do Volante por ser autoria e obra de terceiro”, explica a juíza. A punição pode começar neste final de semana, quando está previsto para ir ao ar na TV Globo apresentações da formação do Furacão 2000 nos programas TV Xuxa e Esquenta.”(Fonte: veja.abril.com.br)

No meu tempo (assim dizia os mais velhos) música tinha letra. Agora onomatopéias viram sucesso e estouram (antes nas hit parades) agora na internet. Quando surgiram no final da década de setenta, início dos anos oitenta, o estilo brega e por conseqüência, as músicas com letras com duplo sentido, foram muito criticadas pelos entendidos no assunto. Confesso que entre uma “Seu cuca é eu” do Trio Parada Dura, e Há! Le Lek, lek, lek, lek! Sinceramente prefiro “Seu cuca é eu”

“Fui convidado pra ir numa festa

Em um salão lá no inteiro

O sanfoneiro era o seu cuca

Pra tocar no baile do trabalhador

A meia noite o salão lotado

E o seu cuca não apareceu

Aquela gente foi me cercando

Todo mundo achando que seu cuca é eu

Chamei o segurança, ninguém atendeu

Todo mundo achando que seu é eu

Onde esta seu cuca, onde se escondeu

Achem esse homem

Que essa gente pensa que eu cuca é eu.”

Por falar em Seu Cuca, meu amigo Jorge Santana “Jorge Cara de Ralo”, contou-nos esta semana, em plena via pública, a mim e a Malta Neto, um fato ocorrido com o saudoso Cuca, vigia do Banco do Brasil e Benga. Essas duas figuras impolutas, frequentavam individualmente, um cabaré existente no início da rua de Zé Quirino, na década de oitenta. Certa ocasião Benga se encontrava sentado a uma das mesas do bordel, na companhia de algumas “mariposas” inclusive uma delas, mantinha um relacionamento estável com Cuca. Nisso chega Cuca que dá boa noite a todos, e fica “num pé e noutro”, pra dentro e pra fora. Foi ao banheiro, e na volta, deu um jeito de enfiar um bilhete no bolso de Benga, que de imediato leu, dizia:

-“Caro amigo Benga. Não fique com essa mulher ela está doente.”

Benga malandro velho riu. E procurando o autor do bilhete, respondeu:

-Ah! Cuca agora não tem jeito! Já fiquei com ela antes de ontem, ontem e hoje!

Fabio Campos 13.04.2013 Conto inédito em breve no fabiosoarescampos.blogspot.com

09 abr

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Alguém tem um cigarro aí?…

Meus amigos reais acabaram tornando-se virtuais. Antes assim, do que nunca terem sido amigos de verdade. Isso porque a internet tem transformado o mundo real, em mundo irreal, ou mundo surreal. Roberval Nóia, João TNA, João do Mato, professor Marcelo Fausto, estes santanenses natos, alguns residindo aqui em Santana mesmo, outros nos mais longínquos rincões, mantém nosso e-mail abastecido de mensagens das mais inusitadas possíveis.

Enquanto vamos embrenhando-nos pelas veredas espinhosas e sinuosas da internet. Encontrando nas esquinas da vida com notícias que vão remodelando a cara do mundo. Estilista masculino chegando ao Brasil com o “namorado”; a cantora Daniela Mercury assumindo um relacionamento lésbico; Uma cantora beijando outra na boca depois do show.

Na contramão desse tema aparece o deputado Feliciano (PSC-SP) vejam matéria do blog do Ismael.com.br: “O deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, divulgou um vídeo, nesta segunda-feira (18), em que faz pesados ataques a ativistas do movimento gay.

O presidente da ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais),Toni Reis, e o deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) são os alvos preferenciais no vídeo de quase nove minutos.

O material “promocional” de Feliciano também utiliza imagens de um quiproquó, ocorrido em 14 de janeiro deste ano, em Curitiba, quando gays e militantes fascistas da TFT (Tradição, Família e Propriedade) se enfretaram nas ruas da capital paranaense (…) Pastor da igreja Assembleia de Deus, o deputado Feliciano causou polêmica em 2011, quando publicou declarações polêmicas em seu Twitter sobre africanos e homossexuais.

Roberval Nóia, obrigado pela a mensagem hilária sobre o “Dirran” vejam o resumo:

“(baseado em fatos verídicos)

Há alguns anos, quando o Clube Atlético Potengi ainda jogava no Machadão contra o Potyguar de Currais Novos, na 2ª divisão do Campeonato do Rio Grande do Norte, um jogador atleticano se destacava fazendo dribles desconcertantes, lançamentos perfeitos e fazendo gol. O narrador da Rádio Poti não cansava de gritar: -Vai Dirran! Vai Dirran!

Vendo aquele sucesso todo do jogador atleticano, um jovem repórter da Rádio Poti foi fazer uma entrevista com o craque na beira do gramado e foi logo perguntando:

“Diran, você tem parentes na França? Esse seu nome é de descendência francesa?”

O jogador, olhando espantado para o repórter, respondeu:

“Não sinhô, meu apelido é Cú de Rã porque eu sou baixim, mas como num pode falar na rádio… então, eles abreveia !”

Sobre o tema boiolístico também temos uma piada:

“Um gay foi viajar de avião com seu bofe e no meio da viagem, revelou pro gajo que tinha um sonho, transar com seu “Love” em pleno vôo.

Foi tentado a desistir pois os demais passageiros descobririam. Ao que ele retrucou:

-Que nada! Tá todo mundo dormindo. Quer ver?

E pediu:

-Alguém tem um cigarro aí?…

Silêncio total. Então acabaram transando.

A aeromoça andando pelo corredor encontrou um velhinho tremendo de frio.

-Meu senhor porque não pediu um lençol!

-Que nada! Um rapaz ali pediu um cigarro e foi “enrrabado”!

03 abr

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Salve primeiro de abril! O dia do homem!

Andam dizendo por aí, em especial num certo site de relacionamento, que anda “bombando” nos meios sociais, que o primeiro de abril devia ser instituído o “Dia do Homem”. Isso pra combinar com o “Dia da Mentira”. Tudo pelas conveniências. Outro comentou, nada disso, se tem um dia que devia ser considerado o “Dia do Homem” este dia seria, primeiro de novembro “Dia de todos os Santos”

Agora, que gostamos de feriados isso é verdade. Afinal isso vem de muito longe, desde a miscigenação, temos sangue indígena correndo nas veias. Índio gosta mesmo é de passear na floresta, caçar é seu esporte, apreciar a natureza, tomar banho e fazer amor. Trabalho é coisa de burguês, trabalho é invenção do cão, ninguém nunca ouviu dizer que alguém tenha ficado rico, apenas trabalhando!

A cultura, e o folclore já consagrou, através de ditos populares, bem interessantes, nos para-lamas de caminhões: “Quem trabalha não tem tempo de ganhar dinheiro”;“Moro na estrada e passeio em casa”; “Se morrer for descanso prefiro viver cansado”. O princípio Marxista advindo do capitalismo procurou incutir na mente do homem civilizado: “Tempo é ouro”; “O trabalho dignifica o homem”. Ora meu caro, na Grécia antiga só quem trabalhava eram os escravos, a peble, a ralé! A nobreza vivia no bem bom, “Sem dar um prego numa barra de sabão!”!

Uma gramática da Língua Portuguesa (2ª Edição 2003- De Emília Amaral, e outros autores) traz na página 593, um texto bastante interessante sobre argumentos que circulam nos meios sociais, que trazem mentiras deslavadas, traduzidas não em verdades, mas em sofismas. Queremos compartilhar com vocês:

“VOCÊ ACHA QUE TRABALHA DEMAIS?

O Ano tem……………………………..365 dias;

Menos 8h de sono por dia………….122 dias;

Sobram……………243 dias;

Menos 8h de descanso diário………122 dias;

Sobram………..121 dias;

Menos: Domingos……………………….52 dias;

Sobram………….69 dias;

Menos 1/2 dia por sábado…………….26 dias;

Sobram………………43 dias;

Menos: Feriados………………………….13 dias;

Sobram…………..30 dias;

Menos: Férias………………………………20 dias;

Sobram………………10 dias;

Menos: Tempo gasto no cafezinho

Lavatório, papinho e……………………..10 dias

Sobram…………..000 dias;

Encontrei “O tempo” de Luís Fernando Veríssimo “ Dizem que todos os dias você deve comer uma maçã por causa do ferro. E uma banana pelo potássio.. E também uma laranja pela vitamina C. Uma xícara de chá verde sem açúcar para prevenir o diabetes. Todos os dias deve-se tomar ao menos dois litros de água. E uriná-los, o que consome o dobro do tempo. Todos os dias deve-se tomar um Yakult pelos lactobacilos (que ninguém sabe bem o que é, mas que aos bilhões, ajudam a digestão). Cada dia uma Aspirina, previne infarto. Uma taça de vinho tinto também. Uma de vinho branco estabiliza o sistema nervoso.Um copo de cerveja, para… não lembro bem para o que, mas faz bem.O benefício adicional é que, se você tomar tudo isso ao mesmo tempo e tiver um derrame, nem vai perceber.(…)(Fonte: BoasPiadas.blogspot.com)”

Até o almanaque SADOL, traz charadas inclusive sobre o tempo, que se nada de engraçado trazem pelo menos distraem:

“ Sabe o que o assassino faz quando está preso? Mata o tempo!”

Fabio Campos 02.04.2013 Visite nosso blog fabiosoarescampos.blogspot.com Conto inédito Breve!

30 mar

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Jesus e a faca peixeira

AQUI NO SERTÃO, JESUS! SÓ VAI NA PEIXEIRA!

Por mais de uma ocasião em minha vida, fiz o papel de Pilatos, algumas vezes encenação, noutras, literalmente. Quando Secretário Municipal de Agricultura, em Senador Rui Palmeira – AL (1998-2004), formamos, junto a comunidade católica, e a juventude, um grupo que encenava a “Paixão de Cristo”. Em plena sexta-feira Santa íamos pelas principais artérias da cidade. Francisco Soares fazia a locução, e o saudoso Adeilson Dantas, filmava e produzia. A peça culminava com o ato da Crucificação, na periferia. E eu lá, no papel daquele que lavara as mãos diante do tribunal, a qual submeteu Jesus Cristo a julgamento.

Está no evangelho de S. Lucas cap. 18,45;19,42:

“Pilatos saiu outra vez e disse-lhes: -Eis que vo-lo trago fora, para que saibais que não acho nele nenhum motivo de acusação.

Apareceu então Jesus, trazendo a coroa de espinho e o manto de púrpura.(…) Quando os pontífices e os guardas o viram, gritaram:

-Crucifica-o! Crucifica-o!

Falou-lhes Pilatos:

-Tomai-o vós e crucificai-o, pois não acho nele culpa alguma.”

Mas, e aí, Pilatos cometeu contra Cristo, crime doloso ou culposo? “No crime doloso a pessoa efetua o ato com intenção de causar algum dano a outro indivíduo(…) dolo significa má fé, ação praticada com a intenção de violar o direito alheio. Já o crime culposo, o agente do ato não teve a intenção de praticar o mal, o crime, mas mesmo assim obteve o resultado. A pena para um crime culposo é bem menor do que a de um crime doloso(…) (Fonte: Guiasdicasgratis.com).

Passamos a contar uma história (verídica) de uma encenação da Paixão de Cristo, ocorrida em plena sexta-feira Santa, num circo, na periferia de Arapiraca.(Fonte: João do Mato via E-mail)

“O elenco foi escolhido dentre os moradores locais. No papel principal, de Jesus Cristo, colocaram o cara mais “gato” do pedaço. Houveram vários ensaios, e às vésperas do evento, o dono do circo descobriu que “Jesus” estava de caso com sua mulher. Furioso, o corno deu-se conta que não podia fazer escândalo, pois corria o risco de perder todo o trabalho de montar a peça. Pensou, pensou…E teve uma ideia.

No dia da encenação anunciou que iria participar, no papel de um dos centuriões que açoitavam Jesus. Mesmo diante dos protestos do elenco, não se intimidou, e argumentou que nem precisara ensaiar, afinal o centurião que ia fazer, não falava nada! E eis que chegou o dia: Jesus carregando a cruz. O centurião começou a dar-lhe chicotadas, só que de verdade! Jesus reclamou, em voz baixa. O centurião contra argumentou:

-É pra dar mais veracidade a cena!

E toma chicotada. Lept! Lept! O chicote comendo solto no lombo do infeliz. Até que “Jesus” que já reclamara bastante, enfureceu-se de vez. Largou a cruz no chão! Puxou uma faca peixeira e partiu pra cima do centurião:

-Vem desgraçado! Vem que eu vou te ensinar a não bater num homem indefeso!

Resultado: O centurião correndo, “Jesus” correndo atrás com uma peixeira, e a platéia em delírio, gritava:

-Fura ele “Jesus” aqui é Alagoas não é Jerusalém!”

Fabio Campos 30.03.2013 No Blog fabiosoarescampos.blogspot.com o Conto: “PÁSCOA!”

28 mar

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Um menino da camoxinga

DESENHOO menino da Camoxinga, ainda mora no meu imaginário. Morar mesmo morava na Camoxinga. A casa ficava além da ponte e do riacho que dividia Santana do Ipanema ao meio. Na ladeira do Cemitério Santa Sofia. Num tempo, tão lá atrás, que nem havia calçamento de paralelepípedo, ladrilhando as ruas, afastadas. E tão pouco era o número de casas, que de cá do Monumento, dava pra ver o alto. E apontando dizia: -A casa que eu moro é aquela, amarela! Tá vendo? Nossos olhos iam pra lá. Um aceno de cabeça pra confirmar. Apenas confirmar, pois era muito provável que nem estivéssemos enxergando a tal casa amarela. E tendo certeza da dúvida, ele fazia questão de descrever como era: -Tem uma área na frente, um portão de ferro, muitas plantas! Com um pouco mais de atenção, talvez desse pra ver, sua mãe, cultivando uma nesga de húmus, que chamava de jardim. E haveria de debulhar um rosário de imprecações, se a bola traquina, dos meninos, fosse esbarrar nas suas plantinhas queridas, velhas amigas com que conversava toda manhã.

Às vezes fico pensando se tenha existido de verdade, o menino da Camoxinga. Se não teria sido apenas fruto da imaginação. Mas era tudo tão real. Porque meninos são seres de mente muito fértil, capazes de inventar histórias, inverossímeis, inimagináveis. E menino, era o que a gente nunca devia deixar de ser. Mesmo que o tempo se encarregasse de naufragar, lá bem dentro do corpo aumentado, a frívola, a mágica energia dos verdes anos.

Luiz André era um menino diferente. Jamais entenderei porque, seria necessário gastar quatro decanos de calendários, separando-nos tempo e espaço, pra chegar a tal constatação. Diferentes uns dos outros todos somos. Mas não seria dessa diferença, a que me refiro. Luiz André era um menino azul. Não que trouxesse o anil na tez. Azul cobalto era sua alma, e isso brotava no oceano dos seus olhos. Transparecia no piano do seu sorriso marinho. E mesmo o azul do céu, a brisa vespertina, vinha intrometer-se em seu cabelo liso em desalinho. E de tanto vê-lo trajado no brim da farda do Grupo Escolar Padre Francisco Correia, ficou assim, um menino Azul Cecília Meireles. E numa daquelas magníficas tardes, depois que a gente saía da escola, esteve a contar-me mais uma de suas inúmeras histórias fantásticas, que tanto me fascinavam.

Sentados a um dos bancos da praça, remexendo no que restara dos nossos lanches do recreio. A sua lancheira azul, em alto relevo trazia o desenho do capitão América. A minha, o Homem de Ferro. Observando outros meninos fazendo estripulias nos brinquedos do parque da praça, calmamente disse: -A minha casa é mal-assombrada. Estávamos no final de outubro daquele ano, e remendou: -Por esses dias fica ainda mais mal-assombrada! –Como assim? Quis saber. Com a proximidade do dia de finados, o Cemitério Santa Sofia ficava muito movimentado, o povo ia limpar e ornamentar as catacumbas. As almas dos defuntos, que não tinham ido pro céu, ou pra lugar algum, surtavam. Incomodadas com a presença de tanta gente barulhenta acabavam por vagar pelas redondezas. Iam perturbar a vizinhança. Derrubavam panelas na cozinha, quebravam pratos na pia. À noite acendiam as luzes dos quartos. Abriam torneiras da pia do tanquinho, do chuveiro. Ligavam ventiladores e o liquidificador. Espalhavam discos pelo chão, punha a vitrola pra tocar. O gato coitado, eles conseguem ver esses espíritos desencarnados, era o primeiro a desaparecer naqueles dias, pois não o deixava em paz. Também o cachorro lá no quintal, latia freneticamente e uivava de modo sombrio. Era como se chorando dissesse: –Socorram-me! Eles estão me perturbando! O próprio André presenciara, numa das vezes que fora acalmar o cão, de lá do breu do quintal, atiraram-lhe uma manga verde, sem que houvesse possibilidade alguma dum ser vivente ter feito aquilo. E os galhos da mangueira balançaram violentamente, ainda que não houvesse o menor resquício de ventania, na noite quente abafada.

Teve uma vez que estava dormindo, e acordou com alguém lhe chamando, pelo nome. Era voz de um menino. Procurou embaixo da cama, não estava. Revistou os cantos, nada. Abriu o guarda-roupas, encontrou. Um menino bem afeiçoado, bonito. De cócoras todo molhado, a roupa colada ao corpo, tremia de frio. Os cabelos castanhos, lisos, molhados, escorridos na testa. Os olhos grandes, de longos cílios, pareciam ainda maiores, arregalados. Disse que tinha medo. Medo de um homem muito mal que queria lhe fazer algo muito ruim. Disposto a ouvi-lo, sentou-se ao seu lado. Ouviu dele que o homem mal era seu tio, que havia perdido os pais, num acidente de carro. Por isso foi morar no sítio, com o irmão de seu pai, mas a esposa não gostava dele, lhe batia chamava-o de afeminado. Um dia o tio, que era alcoólatra, encontrou-o a buscar água no açude, arrastou-o pro mato, e abusou sexualmente dele. Pra ter certeza que não contaria a sua esposa, afogou-o. Também pra parecer que tinha sido ele mesmo que se afogara. André e Augusto ficaram amigos, e combinaram uma vez por ano se encontrarem. Dia de finados, seria o dia.

Muitas outras histórias seriam compartilhadas, bem como, muitos outros momentos bons. Nos banhos do rio Ipanema. Tantas foram as vezes que foram juntos a uma tropa de meninos, na maior algazarra, rumos pra além da Maniçoba. A um lugar chamado “Escondidinho”. Chegavam ao início da manhã. Escalavam rochedos pra se atirar perigosamente no turbilhão das águas bravias. Desafiando todas as leis do universo, o mundo era daqueles meninos. E se o gasto energético ocasionava a fome, saiam à cata dos frutos dos umbuzeiros, tubérculos, frutos e mesmo folhas. Ao aproximar-se a hora de deixar o “velho” amigo ficavam todos nus. Estendiam os calções para enxugar ao sol. E pareciam um bando de índios. E ficavam excitados e masturbavam-se por puro prazer, sem mesmo recorrer à visão de uma vulva feminina. Uma versão da Terra dos Meninos Pelados, nua, crua, sem poesia, longe de Quebrangulo, distante do sonho de Graciliano Ramos.

André convidava-me a fazer determinadas estripulias que sozinho jamais teria coragem de fazer. Roubar uvas no pomar de Doutor Clodolfo, desfrutar os mamões do terreno baldio do Grupo Escolar. Tirar tamarindo, escalando o muro do quintal de Dona Marina Marques. Surrupiar amendoim, um pouco de fubá e farinha de mandioca, dos mangaieiros, no meio da feira. Tomar banho no proibido, açude de Seu João Augustinho, ou na piscina da chácara de Doutor Aderval Tenório. Tentar entrar no circo por baixo da lona, sem pagar. Acompanhar o palhaço no meio da rua, anunciando o espetáculo, pra ganhar um ingresso. Tentar entrar no cine Alvorada, num dia de filme impróprio para menores. Um dia compramos uma garrafa de vinho de jurubeba, meio quilo de salame e alguns pães. E fomos pescar pitu no riacho do bode. Cheguei tarde e levei uma sova de meu pai por isso. Acabei aprendendo a usar o menino da Camoxinga como subterfúgio, atribuindo a ele, as coisas erradas que fazia e eram descobertas. Dizia: -Foi o menino da Camoxinga! Um menino que simplesmente nunca passaria de fruto do meu fértil imaginário.

27 fev

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Lenda Suburbana

O Serrote do Pintado é uma vistosa montanha que se estende a noroeste da cidade de Santana do Ipanema. Desde o sopé até o cume, coberto de exuberante mata nativa, a caatinga. Alheio a voraz sagacidade do progresso e da urbanidade, conserva-se intacto até hoje. Como que a desafiar o tempo e a civilização. Onças-pintadas, raposas, gambás, preás, saguins, jiboias e outras tantas variedades de serpentes e salamandras ali convivem, num verdadeiro santuário ecológico. Contam-se casos da existência de répteis tão grandes naquela floresta que teriam até virado lendas. Passadas de geração a geração pela boca dos contadores de histórias. Cobras gigantes, que já atacara alguns caçadores, matando-os e comendo-os vivos. Permissão nenhuma era dada para entrar, muito menos caçar, naquele bosque. Ato ilícito cometia os que ali adentravam e assim, nunca ninguém sabia direito quem fora, ou de que família era os que levavam sumiço. Indigentes, nunca reclamados, nem ao proprietário da mata, o prefeito, nem a polícia. Só os escutadores de causos, estes sim querem saber.

Quem se punha a andar ao sopé do serrote sempre pensava que nenhuma construção veria num raio de muitos metros. Só que, de repente, lá estava ela. Aparecia como que por encanto, a fazenda do prefeito Agamenon. Por entre árvores frutíferas, propositadamente cultivadas, com a finalidade de arejar, dar sombra em derredor da casa. No entanto muito ajudava a esconder a construção. A entrada era simples. Uma cancela, feita de madeira nobre em duplo xis. Sob um portal elevado em alvenaria. Ladeado por duas pilastras de pedras, dava uma aparência rústica. Não trazia no alto a denominação pelo qual era conhecida: “Castelo das Tucaias”. Concebida no declive, numa área mais recuada. Construção elegante e graciosa. Um casarão em estilo colonial. Feito com esmero. Arquitetada de modo a aproveitar as falhas do terreno, escarpado. As vigas, apoiadas em batentes de mureta propiciou espaço ao esconderijo alpendrado. Por entre a vegetação arbustiva, catingueiras e craibeiras.

Seu Jasão e o filho Josuel, estavam juntos a cocheira. Uma puxada, anexa ao curral. Cuidavam da lida diária da fazenda, iniciada com a ordenha matutina. De onde estavam, avistavam a patroa Dona Sofia. Uma bela senhora. Mulher de uma beleza sábia. Beleza que se descobre, a cada vez que se deita o olhar sobre suas feições de singela imagem. Nem a maternidade, muito menos a vida matrimonial tiraram dela, a graça, o viço juvenil, que aflorava na fugaz essência de seu ser. O cabelo preso. A um intruso observador, cabe o ilícito dever de imaginá-la desprendendo aquela linda cascata de fios sedosos e lisos a se derramar por sua espádua. Liberando no ar, a sua volta, o perfume suave e inebriante do seu colo. Nos lábios, suave tom purpúreo. Contrastando com a pele alva, e realçando ainda mais seu rosto e os olhos claros. Gracioso chapéu à mão, põe-no à cabeça. Uma bela dama. É a primeira dama do município.

Josuel nasceu naquela fazenda. Seu Jasão ali viu nascer, a ele, e aos seus onze irmãos. Também o prefeito Doutor Agamenon. Seu Jasão é capataz desde quando a fazenda ainda era do velho patriarca, o falecido Ulisses. De geração em geração, as vidas seguem seus dramáticos destinos: Daqueles que só vivem para serem servidos, e daqueles que acham que só servem para servir. Josuel rapaz de feições morenas. Dedicado no trato com as coisas rurícolas, aprendera a arte e o ofício com seu pai. É alto e forte, como o pai. A labuta no campo acrescentara ao rapaz, musculatura potente, rija, viril. Um mancebo de feições atraentes. Um rosto interessante, boca de lábios finos, olhos astuto, de águia, cabelo serrado, rente a cabeça. Braços e mãos de Titã. Pernas firmes.

Sofia, o observa com naturalidade. Muito embora no âmago, no mais intrínseco de sua alma, ela vai encontrar-se traída pelos instintos de mulher à admirar o belo rapaz. Volta o rosto para o Cavalo. Acreditando que o meneio de cabeça vai acabar por afastar o pensamento impróprio. O Cavalo é realmente uma bela espécie. Aqueles belos animais estavam ali disponíveis, servis, à suas ordens. O cavalo ela poderia montá-lo. E galopar pelos arredores da fazenda. Sob aquela montaria, verdadeira deusa grega, tendo um reinado inteiro a seus pés. Um dos vassalos ali, pronto pra obedecer às ordens de sua bela rainha. E ela Ordenou:

-Josuel! Traga-me o cavalo até o alpendre da casa.

E foi vistoriar os afazeres na cozinha. O cavalo que Josuel foi pegar pra sua patroa ir ao passeio, é um animal puro de origem. Cavalos possuem uma elaborada linguagem corporal para comunicar-se com seus pares. Dotados de ilhargas suaves que lembram a sensualidade das ancas femininas. Firmes e bem apoiadas em suas patas traseiras bem delineadas. O rabo é um acessório importante, se excluído propositadamente ou não, tira parte da beleza do animal. Sua cabeça conelínea, estreita próxima a boca e levemente alargada nos flancos e orelhas. Quando pressente sinal de perigo aresta as orelhas. Aguça visão e olfato dilatando pupilas e narinas. O pescoço é firme e largo, adornado pela crina, que quanto mais cuidada imprime mais beleza e sutil sensualidade ao animal. Cavalos selvagens são ainda mais fascinantes. Cavalos permeiam a história da humanidade. -Meu reino por um cavalo! Diria Calígula. O grande orador Cícero nomearia seu belo equíno, senador da republica romana. Josuel não ficando muito atrás, denominou o seu de Príncipe.

Sofia pediu que providenciasse outra montaria e a acompanhasse, não gostava de cavalgar sozinha. Nem suas filhas, nem Agamenon estavam na fazenda. O filho do capataz, estava radiante, gostava de acompanhar a patroa, nos passeios. Achava-a engraçada, pela sua falta de habilidade pra conduzir o animal. O equídeo, acabava levando-a pra onde bem queria. Josuel a socorria, servindo-lhes sempre de bate-esteira, função do segundo cavaleiro na vaquejada. Andaram pelos pastos, verdejantes. Um gado preguiçoso pastava, com paciência. Nem levantavam a cabeça com a aproximação do cavaleiro e da amazona. Tanto andaram que se aproximaram do início da mata. O misterioso emaranhado verde, contemplava-os em silêncio. Um descuido, e de repente o rapaz ouviu Sofia gritando:

-Socorro Josuel!

Ao ver a cena, ele ficou totalmente sem ação. Era um problema, surpreendente, inesperado. Nunca pensou que sua patroa, uma pessoa tão segura das suas atitudes, tão séria. Fosse cometer um ato tão infantil. Digno de criança travessa. Ao passar por baixo de um pé de cajueiro, agarrara-se a um galho e lá se encontrava suspensa pelos braços. Mas não era hora pra pensar, no ato traquino da senhora do patrão. O fato era real, e ela estava lá, dependurada a lhe pedir socorro. Por milésimos de segundos ainda contemplou aquele corpo tão lindo. Que ele tanto admirava, mas era a mulher do seu dono, totalmente proibido olhar se quer, com outra intenção que não fosse pra dar-lhe a atenção necessária quando falava. Quantas vezes, desviara os olhos, cheios de pudor, pra não ver seus lindos seios, às vezes com, outras vezes sem sutiã, quando curvava-se pra ver-lhe fazendo a ordenha. E agora ali, totalmente dependente dele. O lindo corpo a balouçar. Os braços esticados pra cima, delineava muito mais sua cintura, a blusa folgou atrás e exibia uma nesga de suas costas alva. Pele sedosa, que liberava no ar, um cheiro estonteante, pra aquele menino-homem, cheio de virilidade. Não precisou ela fazer um segundo pedido de ajuda. A mente do habilidoso vaqueiro trabalhou rapidamente e agiu. Colocou seu cavalo abaixo do local onde Sofia estava pendurada. Seus pés, balançavam, um pouco acima da linha do lombo do animal, sua cintura ficou praticamente a altura da cintura de Josuel que colocara-se de pé ao animal. Ele a enlaçou com seus braços fortes. Segurou-a firme pela cintura. E a colocou suavemente, a sua frente na montaria. Ao tempo que se pôs à garupa. Tudo isso durou apenas milésimos de segundo. Uma eternidade que ele não queria nunca que acabasse. Ter sua patroa, ali nas mãos era a realização de um sonho nunca antes sonhado. Sentia-se seu herói naquele instante, evitara que ela levasse talvez um tombo. Os cabelos de Sofia esvoaçavam no rosto do vaqueiro, que ao sentir o perfume liberado daquele corpo, seus desejos mais instintivos se acenderam. Se mais segundos perdurasse aquele instante, não mais responderia pelos seus atos. E o servil filho do capataz poderia cometer a mais louca das loucuras. O que poderia custar a sua vida. Mas a vida era nada, comparada ao prazer de ter nas mãos o objeto de um desejo proibido. Uma, uma grande insensatez. Prazerosa insensatez que acabaria por dominar o rapaz. Estaria ele, liberando o instinto mais humano e mais selvagem que existe em cada ser, em cada animal, em cada indivíduo macho ou fêmea. Há um dito que diz: o homem é o momento.

Sofia estava agradecida, talvez por isso deixou-se ficar mais aquelas resumidas frações de segundos envolvidas nos braços daquele que a tirou do perigo. Pra ele tanto significado tinha. Um ato bobo cometera, pensou ela. Precisava recompor-se urgentemente. Aquelas mãos, aqueles braços potentes a enlaçá-la, tirava-lhes do sério. Por frações de segundos esqueceu-se quem era. A mulher poderosa, não por ser esposa de quem era. Poderosa pela capacidade de neutralizar as forças de um gigante. De anular a fúria de um titã. Força de Eva, de mulher que seduz, que arrebata e doma, seja ele o mais bravo, o mais forte dos homens. E o coloca submisso à seus pés. Tudo vinha como vulcão do mais íntimo de seu ser. Tudo isso sempre esteve lá dentro dela. Só que estava adormecido. Tantos anos de dedicação somente a família. E agora sentindo-se mais mulher, mais senhora, muito mais poderosa. Não apenas por ser patroa. Aquela Sofia estava ali de volta, antes quieta, escondida num cantinho muito recolhido de sua alma. E aquele menino a resgatara. Era seu herói, não por tirá-la daquela situação boba. Pois o máximo que podia acontecer de grave, caso ele não tivesse feito coisa alguma, era ter conseguido uma torção no pé, isso curaria em alguns dias. O ato heróico, pra ela, estava em ele ter acordado, a Sofia mulher à muito adormecida nela. Que ela própria tinha posto pra dormir no seio de sua tão aconchegante e morna alma.

De repente um estampido ecoou pela montanha. Josuel foi atingido na perna à altura da coxa. Era o prefeito Agamenon que chegara naquele instante, e presenciando a cena de sua esposa entrelaçada com o mancebo no lombo da montaria, atirou no rapaz. Ferido, Josuel desceu Sofia do animal e cavalgou em direção a floresta. Dois tiros mais foram disparados, sem atingirem o alvo. A primeira dama novamente montou seu cavalo. Sem nada falarem os dois retomaram as veredas rumo à fazenda. Nuvens cinzas se fizeram pros lados de Santana prenunciando chuva. Enquanto se iam, a mata fechada mais e mais engolia o filho do capataz. Outro que tornar-se-ia mais uma lenda do serrote do pintado.

Fábio Campos 03/11/2010 É Professor em S. do Ipanema-AL.

27 fev

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Aloe Vera

Já havia três dias que o céu se fazia nubiloso. Três dias que o astro-rei, não dava o ar da sua graça. Ora chovia uma chuva fina e intermitente, ora torrencial e abundante, castigando Santana do Ipanema. Era manhã de inverno de um ano da década de trinta. Terceiro dia de precipitação consecutiva, Orimídio Bastos, à sua farmácia, na ladeira da Barão do Rio Branco, confabulava:

-Seu Antonio de Campos, costuma dizer, que os meses mais quente do ano são março e novembro, nesse sertão de meu Deus. E eu estou a dizer, que o mais chuvoso, sem medo nenhum de errar, é maio. Quando conheço alguém, nascido nessa região, nesse mês, penso logo: -Esse escapou! Não é brincadeira vir ao mundo num mês de maio, por aqui. Chove tanto! E tem que pedir a Deus pra não adoecer! As estradas com essas chuvas ficam intransitáveis.

Zeca Passaré, o jovem ajudante do farmacêutico, braços apoiados no balcão, apenas ouvia calado. Dedicava-se ao melancólico prazer de admirar a chuva. Não apenas olhava, via através dela. Seu Bastinho continuava:

-No livro de Gênesis, depois do dilúvio, Deus prometeu, que nunca mais ia acabar o mundo com chuva. Das duas uma: ou Deus se esqueceu da promessa, ou Santana está fora do mapa do criador, pois já faz três dias que chove! E não é chuvinha pouca não! É chuva dessas que molham com vontade. Dessas que se a gente for daqui pra ali, sem agasalho, molha até os ossos. Se brincar molha até o pensamento do camarada! As vezes dá a impressão que vai parar, mas apenas diminui. E torna a engrossar. O panema está em toda largura!

A cidade tinha cheiro de água barrenta. Do rio, um aroma forte de água nova, cheiro de piaba. As telhas das casas, sobejava gotejante, saturadas de água. As paredes soavam, sem conseguir dispersar em suas entranhas, tanto líquido. Os passarinhos de Seu Bastinho, bufos por conta de umidade, careciam de calor solar. Os borbotões de água da chuva nas sarjetas desciam dançantes alegremente pro rio, graças ao declive das ruas aladeiradas. Iam se ajuntar ao braço d’água que os índios batizaram de ypa nema, água ruim de beber. O riacho Camoxinga feito uma veia inchada ia dar sua contribuição e tornar ainda mais ameaçadora a cheia do rio.

-Bom dia! Seu Bastinho. Tião mandou avisar pra o senhor ir até a casa dele. Ainda agora mesmo!

O recado chegou na farmácia por Dona Maroquita. A casa de Sebastião Ganga ficava na rua Nova. Já sabia de que se tratava, Sofia a filha asmática de Tião com certeza tivera mais uma crise. Nesse tempo, não tem jeito, piora.

As cores das coisas esmorecem no inverno. Em tempo de chuva os recipientes de vidro embaçam de umidade. As vasilhas de estanho deslizam ao toque dos dedos. Bastinho tem no fundo da farmácia um pequeno consultório. Há ali um pequeno birô abarrotado de objetos: Estetoscópio, medidor de pressão arterial, martelinho medidor de reflexos, lanterninha, bisturi, luvas cirúrgica de borracha e bombinha de inalação. Talões, bulas e receitas médicas. Atrás do birô, uma espécie de bancada com uma imensa variedade de provetas e tubos de ensaio. Potes de porcelana com bastões de socar pra misturar ou obter o sumo de ervas. Numa prateleira acima da bancada diversos depósitos de vidro com tampas todos etiquetados, contendo plantas medicinais. A etiqueta informa o nome popular da erva, o nome científico e data que foi armazenada. Há uma tirada na prateleira só de livros, muito antigos,de folhas encardidas, todos de capa duras com letrinhas doiradas indicando na lombada o título e autor. A maioria de temas científico: Anatomia Humana; Plantas medicinais e Puericultura. Na parede um quadro com a efígie do presidente Getúlio Vargas.

Bastinho colocou diversos objetos dentro de sua malinha preta, pegou seu guarda-chuva. O aguaceiro dadivoso de Deus continuava sem dar trégua. Saiu dizendo a má sorte de ser boticário num fim de mundo daquele. Resmungava ladeira à fora. Criticava lá com seus botões, a administração municipal ao atolar o sapato na lama; a Sebastião por exigir tão empreendimento até sua casa naquela ocasião; e de São Pedro reclamava por mandar tanta chuva pra um só lugar por tanto tempo seguido. Podia suspender aquela amostra grátis de dilúvio, guardar uma parte pra quando viesse um ano seco. Pensando assim chegou ao destino. A porta da casa foi aberta pra dar entrada ao famoso homem das curas de Santana. O homem que abaixo de Deus, salvava dos males que atormentava o corpo. Porque os tormentos da alma isso era lá com o padre Bulhões.

-Bom Dia! Seu Bastinho. Seja Bem vindo! Vamos entrar a menina está no quarto, pode entrar…

-Bom Dia Seu Tião. Está vendo? Parece que São Pedro abriu as portas do céu e jogou a chave fora. Nunca vi tanta chuva por aqui, desde que cheguei de Pernambuco. E olhe que faz tempo.

Bastinho fez um exame médico na menina e receitou um xarope que ele próprio trouxe da farmácia e recomendou que se fizesse uma infusão com umas folhas de plantas.

-Faça pra ela um chá com essas folhas de Eucaliptus globulus Labill.

-Isso aqui é eucalipto!

-Eu sei apenas falei o nome científico. Assim que ferver apague o fogo e bote o vapor da vasilha pra ela cheirar isso vai aliviar muito o incômodo. Essa planta possui uma propriedade medicinal muito boa, o eucaliptol que não pode ser usado com muita freqüência pois pode irritar a mucosa nasal.

Bastinho ainda bem nem tinha encerrado o atendimento a Sofia e chegou um recado pra ir urgente a casa de Dona Genuína, esposa de Seu Sidronio machante, esta entrara em trabalho de parto. Não foi sem antes tomar uma xícara de café com as broas de Dona Isaura, a mãe de Sofia pois esta fez questão que ele não saísse dali sem provar.

Quando o farmacêutico saiu ainda caía uma garoa fina, tinha que ir a rua Tertuliano Nepomuceno, mais um santanense estava pra vir ao mundo por lá. Quando chegou ficou sabendo que Dona Flora parteira havia chegado primeiro. Não achou ruim. Recomendou pra que se providenciasse um fortificante pra parturiente e chá de Melissa officinalis. Isso segundo ele iria ajudar na produção de leite pra criança além de ser um ótimo calmante.

-E onde eu vou encontrar essa tal de Melissa, Melissa o que mesmo?…

-É erva Sidreira Seu Sidônio! Eu sei que vocês tem guardado folhas dessa planta em casa. Todo mundo tem.

Já ia perto do meio-dia quando retornou a farmácia. Havia uma ruma de gente querendo se consultar com o boticário. Um vaqueiro com uma luxação na perna, uma senhora e seu filho com catapora e um rapazote com um dente pra extrair. Esse atendimento levou a tarde inteira. Todos saíram com suas receitas à mão. Numa recomendava um pó anticéptico, um bálsamo e chá de Sambucus nigra “chá se sabugueiro”; noutra indicava um anti-térmico e chá de Jatropha gossypiifolia “chá de Pinhão-rôxo”; na terceira receita um analgésico em comprimidos e chá de Psidium guajava “chá de goiabeira”

Zeca Passaré se inventou de dizer que achava que ia gripar. Seu Bastinho recomendou em cima da bucha:

-Pois cuide de tomar um chá de Menta piperita a nossa tão popular hortelã-da-folha-miúda, Zeca!

Se ele próprio reclamava de dores nos rins. Prescrevia pra si mesmo:

-Preciso de um chá de Phyllathus niruri!

-E o que é isso Seu Bastinho?

-É o famoso chá de quebra-pedra, meu filho!

Já era noite quando Bastinho se dirigiu a sua residência. Ao descer a ladeira em direção a rua Professor Enéas, um tropel de cavalos ouviu às costas, ignorou pensando que fosse vaqueiros indo tardiamente lá pra o bebedouro. Não era, tratava-se de dois cangaceiros, que o arrebataram e levaram na garupa de um deles. Já era noite e a chuva continuava. Próximo ao Cachimbo eterno periferia de Santana indo pra Olho D’agua das Flores eles pararam os cavalos e vendaram seus olhos. Não sabe quanto tempo andou nem pra onde ia. Chegaram ao destino. Era uma grota escura. Quando tiraram-lhe as vendas, viu que estava bem no meio da corja do capitão Virgulino. Todos em silêncio o fitavam. Esperavam recompor-se. O capitão encarando-o severamente lhe disse:

-Seu Bastinho eu tenho um serviço pro senhor.

E mostrando uma tenda improvisada para amparo da chuva indicou-lhe:

-Ali tem um cabra ferido de morte. Eu quero que salve a vida dele.

Bastinho tentando enxergar no breu, adiantou-se até a tolda. Um homem ali jazia agonizante.Verificou o ferimento, era um corte profundo, feito a faca, a altura do peito esquerdo de onde jorrava muito sangue. Um candeeiro de querosene iluminava e enchia a lona de fumaça preta. As sombras tremiam. A chuva permanecia sem parar.

Bastinho olhou envolta, e viu muita catingueira e facheiro. Praguejou alto.

-Tanacetum vulgaris e Nerium oleander vocês não me servem!

Taterando no escuro feriu a mão mas sentiu uma imensa alegria por isso. E exclamou:

-Achei você! Aloe vera!

Um pé de Babosa ele quebrou uma hastes da planta tirou o gel gosmento e de forte cheiro untou toda a ferida do homem. E esperou o milagre acontecer. Pensava consigo: Aloe vera sarou as feridas de Jesus depois que o desceram da cruz, aloé verdadeiro vai sarar também esse desgraçado. O dia amanheceu. O cabra estava escape. Lampião deu ordem a dois homens pra levar Bastinho recomendando que o matasse num lugar distante dali. Por um tempo andaram a cavalo, finalmente jogado num banco de areia e depois o silêncio. Ficou horas amarrado com as mãos para trás, os olhos vendados, formigas selvagens a lhe roer as carnes. Esperava a hora fatal. Ouviu uma voz familiar, alguém se aproximou:

-Oxente Seu Bastinho! Quem peste fez isso com o senhor!

Foi desamarrado e a luz do sol veio bater-lhe no olhos, doeu mas sentiu prazer nisso, que saudade tinha do sol. Viu um rosto ainda mais conhecido que a voz. Era Passaré que tinha ido na beira do panema urinar e encontrou o farmacêutico seu patrão naquela situação. E voltaram pra farmácia. Orimídio Bastos sorria, achando aquele sol o sol mais bonito do mundo que lhe devolvia o sorriso.


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