30 ago

0 Comments

ESTRANGEIROS EM TONS DE BRANCO

Havia um anjo, que se punha sentado no pináculo da igreja. Sereno, de pernas cruzadas. Sim, eu o via, estava lá. Aonde os frisos e arcos arquitetônicos arrematavam, entre a cruz e a torre da campânula. De onde estávamos não dava pra ver suas asas. Não precisava, era um anjo, eu sabia. Além de mim, ninguém mais o via. Também ele olhava a rua, o movimento daquela tarde. Para nós tudo era novo, nunca tínhamos visto. Estrangeiros éramos ali.

As casas. Sem elas não haveria cidade, não haveria a rua que olhávamos. Estavam lá, ainda que desfalcadas, estavam lá. Carregadas de tragicidade víamos as que sobreviveram. Como se nada, nunca tivesse acontecido, lá estavam. Como se nunca tivessem passado pelo que passaram. Convidados que fomos a seguir adiante, fomos olhar o rio. Os visitantes precisavam conhecer o vilão. O fantástico ser monstruoso, a que, num tempo não tão remoto, destruíra a vida de tantos. Era preciso que soubéssemos dos que haviam padecido, e se foram. Saber dos que padeceram e ficaram. O rio, agora um fantasma, de tudo e de todos. Bastariam as nuvens empardecem, e os trovões roncarem pras bandas da sua cabeceira. Assustava a plena luz do dia. O rio que tragara a felicidade e a cidade, e os destinos que levou pro mar. Íamos ver aquele que detinha o poder de decidir quem devia e não, ser feliz. Não sabiam como, nem porque, mas isso era parte de seu poder. Continuávamos andando na rua, de repente uma ponte e o vimos. E lá estava. E se nos mostrou um rio pacato, manso. Tão relegado a rio, tão submisso feito nosso “Panema”. Diferente daquele que pintaram, de uma época não tão pra trás assim. Enquanto captavam os ouvidos atentos os relatos, daquele dia fatídico, os olhares iam lá longe. Os olhos como se quisessem virar rio. Como se os cílios dos observantes, de um momento para outro, se transformassem em tentáculos, ou em imensos cordões, que talvez tentassem fazer daquela cidade um descomunal presente, embrulhado com o papel do tempo enlaçado com as lágrimas dos que sobreviveram. As serras eram paisagens novas, e diziam novos relevos, e exigiam que nossos sentidos assimilassem aquela realidade. Paisagem renovada, vistosa, resquícios do que um dia fora: mata atlântica.

E tudo era úmido. Nada, ou quase nada, remetia ao nosso sertão como de fato o conhecemos. Acontece que pra onde quer que vamos, vai nosso legado conosco. A encosta escarpada ameaçava vir interditar o passeio. Quem sabe naquele dia, uma barreira interrompeu o trânsito? Árvores frondosas, exibiam ventres volumosos de raízes lenhosas, que não conseguiram entranhar a terra escura. A força da enxurrada havia arrastado a porção de terra que as circundavam. E punham a mostra o esqueleto retorcido de carnes expostas, de celulose e lignina lustrosa, feito músculo de negro açoitado, fugidio pro quilombo, logo ali. Castanhais, pinheiros, caramboleiras, tamarindos, felizes pela tarde de sol tímido, anuviado, tarde chuvosa, revestiam de verde os olhares. Ruas dançantes, num bailado como a um piano que fora estraçalhado, tornado desiguais os paralelos, que subiam e desciam numa sinuosidade desconexa, como nunca quisesse se encontrar. Uma casa, um terreno baldio. Casa, espaço vazio, casa, escombros, casa, ruína de uma casa encostada noutra casa, que de tanta umidade ameaçava desabar. Tudo refletia umidade. O sol refletia as gotículas de chuvas, faziam reluzentes as folhas verdes. As paredes das edificações choravam sangue de barro vermelho. Descendo desde a cumieira, ou traziam uma linha de molhação, dizendo até onde as águas haviam subido. Infelizmente não conseguiram livrar-se do excesso de água. Depois que submergiram nas águas do rio, nem o tempo conseguira dissimular.

Decidimos que era preciso conhecer o lugar onde éramos estrangeiros. Enquanto íamos andando, a professora ia contando, recordando os fatos que lhe ficaram marcados na alma, naquele dia dantesco. Lembrava dos fatos à medida que ia passando nos lugares onde eles ocorreram. Se lá longe, ela apontava mostrando. O rio tomou a cidade em questão de minutos. Os que conseguiram se salvar largaram tudo pra trás, não dava tempo salvar nada. Os que se salvaram, lá de cima, da encosta viam uma haste negra e fina tremulando no meio do mar de água barrenta apontando pro céu. Depois que as águas baixaram descobriu-se o que era: os trilhos do trem, retorcidos. A Biblioteca Municipal, A Estação Rodoviária, A quadra poliesportiva, o Juizado das Pequenas Causas, agora só havia o terreno vazio, foi o que restou. Os ônibus, os carros de passeio desceram na correnteza, feito barquinho de papel que os meninos de nossa infância em dia de chuva, punha na sarjeta pra água levar.

“-O rio tomou muita água! -Ligeiro! -Depressa minha gente! -Salvem a si mesmo! Não dá tempo levar nada!” O rio foi até a prefeitura, não respeitou o segurança prostrado a entrada. Molhou e sujou de barro a farda Branquinha do contínuo. Subiu pelas pernas do chefe de gabinete, entrou na sala onde o prefeito despachava. Invadiu, sem pedir licença, que atrevimento! O prefeito e a primeira dama tiveram que escalar os móveis, subiram ao teto da prefeitura. Também até a escola, foi o rio, feito menino danado tomou lápis e os cadernos dos pequeninos, se apossou dos livros da professora, apagou a anotação no quadro de giz. A professora não podia por o rio de castigo. Fez o que pode, pela janela escalaram o teto da escola, ali se sentiam a salvo. Rezando para que as águas não subissem mais. O dono do armazém de secos e molhados, agora só tinha molhados. Com seus empregados tentaram por a salvo a mercadoria. Em vão, o rio estava faminto, sedento, e vorazmente foi engolindo, sacas de feijão, arroz, fubá, charque e grades de refrigerante. De repente um monstro de ferro no meio das águas, sendo arrastado pela correnteza, somente parte dele dava pra ver: Era a Descia rápido, tragicamente a gigantesca parafernália de aço acenava, fornalha da usina de açúcar! levada sabe Deus pra onde.

Dona Maria morava sozinha, na beira do rio. Bem ali, ao lado da ponte, construíra sua morada, de dois pavimentos. Dona Maria percebeu a água entrando de casa adentro. Sabia o que estava acontecendo, rapidamente pegou dinheiro e documentos. Já na porta ia saindo, lembrou-se da sua cachorrinha Lili. Não podia deixar Lili. Voltou, tinha que dar tempo! Onde estaria Lili? No primeiro andar, subiu. Achou Lili, estava na cama! Sua danada! Pronto agora era só descer e salvar, a si e a Lili. Cadê a escadaria? Não tinha mais degraus, só água. Tempestuoso, deseducado o rio subiu, e invadiu o quarto. Dona Maria não teve outra alternativa, a não ser alcançar o telhado do sobrado. Mas o rio foi em seu encalço. E o rio abraçou dona Maria e Lili, e arrastou pro turbilhão de água. E nunca mais dona Maria, nem a cachorrinha Lili voltariam ao sobrado.

Pra professora a imagem que ficaria marcada pra sempre, era a de uma menininha, resgatada por um pescador, toda molhada, envolta num cobertor, tremia de frio. Perplexa, olhava fixo pra monstruosa serpente ameaçadora que passava, devorando tudo que interpunha seu caminho. Os olhinhos molhados não tirava-os das águas turbulentas, talvez alimentasse a esperança de ver surgirem dali, seus irmãos, sua mãe. A professora confidenciou que por muitos dias, após o sinistro acontecido, nas muitas noites insones, saía de casa, perambulava pelas ruas desertas, escuras e tristes. As vagações nas madrugadas culminavam com idas até a beira do rio, agora domado. Ali passava horas, fitando as águas calmas e escuras. Chorava, e chorava e perguntava: “-Por que?”

Mais uma vez, volvemos nosso olhar pra fachada da igreja, que o rio lavou. Naquele dia, apenas a cruz ficara emersa. A linha d’água divisava dois tons de branco: branco seco, branco molhado. O anjo continuava lá, encimado no pináculo. Um olhar mais acurado, mais profundo, mais transcendental e conseguiríamos ver, em cima dos telhados, meninas e meninos alados, brincando de “pega”, brincando de soltar pipas azuis celestiais, e se deliciavam com algodão doce, feito de nuvens em dois tons de branco.

Fabio Campos

25 ago

0 Comments

Sinos Dobram? Sinos Falam! E isso não é metáfora

Foto: Ilustração

Foto: Ilustração

Noutro dia numa aula de biologia, tentei convencer meus alunos que a simples deslocação do acento de uma vogal para outra, em determinadas palavras, que nomeiam estruturas de uma célula, comprometem totalmente o entendimento do vocábulo. Por exemplo: mitocôndrias, vacúolos, centríolos. Na boca de quem não adquiriu intimidade com a tonicidade vocabular, podem virar monstrengos como: mitocondrias, vacuólos ou váculos , centriôlos e por aí vai. Pra explicar a gravidade do erro, escandalizei:

-Experimentem deslocar o acento tônico da palavra coco! Coitado! Vai virar cocô! Ou seja, uma coisa que serviria de alimento, por conta de um simples acento ortográfico, fora do lugar, vira dejetos humanos!

Sobre outros vocábulos famosos: Você sabia que a batata inglesa não é inglesa? Isso mesmo a batatinha é do Peru. E a chave inglesa? Na Europa é conhecida como chave Sueca! Aliás, as intromissões dos ingleses, naquilo que é de outros vem de longe: Gandhi os expulsou das índias. Já nossos “hermanos” argentinos, não tiveram a mesma sorte, as Ilhas Malvinas, os britânicos tomaram e batizaram-nas de Falkland islands. Agora deram de reter material de jornalista brasileiro, quanto atrevimento!

Já há algum tempo, as escolas públicas recebem algumas publicações, que servem de suporte para nós professores. Ajudam na formação, na otimização da preparação das aulas. Gosto particularmente de duas delas: Revista da Língua Portuguesa, e Revista Cálculo. Vejam só que pérolas de uma e outra:

“A origem de @: O sinal tipográfico de arroba já existia antes de virar uma espécie de síntese visual da internet. Era sinônimo de peso, equivalente a 15 quilos, e veio do árabe ar-rub (“a quarta parte”). Ociosa nas máquinas de escrever, a tecla de @ foi associada aos endereços de e-mail por obra de Ray Tomlinson, da BBN Technologies, em 1971, como forma de separar o nome do usuário do nome do servidor. Em inglês, o sinal pronuncia-se “at”, que remete ao latim “ad” sinônimo de “em”, “para”. (fonte: revista da Língua Portuguesa, edição 93, ano 8, pág. 19).

“Premonição de Morte: Um brasileiro sonha com a morte de uma amiga. No dia seguinte, num acidente de carro, ela morre. Ele ficará chocado com a experiência, e provavelmente dirá que recebeu um aviso de Deus. Se for estudante de matemática, contudo, não se surpreenderá ao perceber que fez parte de uma coincidência, passível de explicação com fórmulas simples.” (fonte: revista Cálculo, ano 3, nº27,abril 2013, pág. 38).

Por falar em dormir, sonhar e matemática etc. e etc. Contaremos outra de Shyco Farias, o professor de Educação Física da Ufal, irmão de Capiá. Pra nós santanenses, o popular “Tamankinho”. Ainda, lá na Escola Mileno Ferreira, na hora de acertamos os relógios, recordava com muito carinho, do relógio da Matriz de Senhora Santana, que badalava seu sino no alto da torre da igreja para assinalar as horas. Contou-nos que, um certo cidadão boêmio, de nossa cidade. Sempre dado as farras. Certa vez, voltou pra casa altas horas da noite, justo na hora que a campânula tocou apenas uma badalada, que anunciava: uma hora da madrugada. No dia seguinte sua companheira quis saber:

-Que horas tu chegou esta noite, homem?

-Dez da noite.

-Deixe de mentira! Eu ouvi, o sino tocou só uma vez!

-Ôxente! E tu queria que o sino tocasse o zero!

Fabio Campos 23.08.2013

No blog fabiosoarescampos.blogspot.com Conto inédito em breve!

20 ago

0 Comments

VENDEM-SE PRÉDIO (OU) TROCA-SE POR HIDRELÉTRICA!

Vou sugerir a Revista da Língua Portuguesa, o estudo de um tema interessante: A língua Lusófona e o mundo do crime. Pano pra manga tem muito. Vez outra, ficamos sabendo através das reportagens televisavas, de casos interessantes em que bandidos enviam mensagens, através do celular, e as vítimas um pouco mais atentas, descobrem que se trata de ação ilícita, justo porque o meliante “escorrega” na língua, na hora de redigir seu texto:

“VoÇê acaba de sÊ conteNplado com um prêmio de um carro. Basta depoZitÁ R$…”

Tipo assim, basta dominar um pouco nossa língua pra entender que empresas idôneas, não costumam ter no seu quadro de funcionário pessoas semi-analfabetas que saiam por aí enviando mensagens cheias de falhas escabrosas feito essa.

Ainda mais nas causas forenses, erros de português podem libertar como podem condenar. Lembro que quando estudei 8ª série (lá pelo ano 78) no livro da Língua Portuguesa tinha uma piada, em que numa cidadezinha do interior de Minas, o delegado havia prendido uma quadrilha de perigosos assaltantes, composta de um chinês, um peruano e um português. Daí o homem da lei envia um telegrama pra Belo Horizonte contando a façanha:

“Nóis prendeu os hômi. São trêis: um chinêis, um piruano, e u outro portuguêis.”

O chefe da polícia da capital, respondeu:

“Muito bem delegado. Mantenha-os presos. Amanhã iremos buscar, mas corrija o português.”

Resultado: O delgado mandou baixar o cacete no pobre do português.

Jô Soares sempre inicia seu programa da madrugada, com algumas piadas, a maioria sem graça, mas a gente com boa vontade ri, até pra libertar o espírito, pra ir dormir como a alma mais leve. E o próprio Jô falava outro dia que os portugueses entraram com uma ação contra nós brasileiros por essa discriminação em contar piadas, depreciando a inteligência dos nosso irmãos lusitanos. De modo que agora se a piada for de português mude para um argentino. Pois então lá vai uma:

“Um argentino veio de férias pro Brasil, lá ia ele numa autopista quando uma placa de sinalização o avisou: “DEVAGAR! QUEBRA-MOLA.” Nosso incauto condutor não se fez de rogado, acelerou o máximo o carro. A porrada foi tão grande na lombada que quebrou toda suspensão. O argentino, pegou tinta e acrescentou na placa: “CORRENDO TAMBÉM!”

Ainda ontem estivemos na Escola Mileno Ferreira, pra fazer parte da equipe dos fiscais da COPEVE, no concurso pra Pós-graduação da Ufal. Nosso comandante, de novo era ele, refiro-me ao carismático Shyco Farias, o popular “Tamaquinho” irmão de Capiá. De maneira singular, que somente um membro da família “sorriso” sabe, passou-nos as instruções. E pra descontrair entre uma história e outra, contou algunss fatos pitorescos:

“Quando alguém fala: “Ah! Você é da cidade que o povo colocou um jumento na praça! Meu amigo, pelo menos lá nós colocamos na praça, pior é na terra onde colocaram na prefeitura!”

E sugeriu diretamente a nós que colocássemos aqui. O saudoso vulto histórico dos fatos pitorescos de nossa cidade: “Lulu Felix, foi a capital paulista. Estava lá bem no centro de São Paulo começou a olhar pra um dos prédios mais alto. Um malandro aproximando-se lhe abordou:

-E aí “paraíba”! Quer comprar?

-Comprar, comprar não… mas troco na Cachoeira de Paulo Afonso!

Fabio Campos 19.08.2013

No fabiosoarescampos.blogspot.com o Conto: “A Menina Júlia”

 

14 ago

0 Comments

Consertam-se palavras (já era tempo)

Já teria dito um dia, que sou fã de “carteirinha” de seminários. Tem um fabricante de colchões que propaga que “passaremos um terço de nossas vidas sobre eles…” Eu diria que, ao cabo de minha existência terei vivido outro terço justamente em salas de simpósios, seminários, palestras, cursos e outros eventos de tal natureza. Faz parte.

Um tipo de treinamento, surgido, no novo milênio foram as Oficinas. Não poderíamos de deixar de achar interessante a ponto de dar imaginação as nossas asas, e pensar de que mente brilhante surgem essas ideias! Ora oficina é um vocábulo que remontam em nossa mente algo que necessita de reparos: Oficina mecânica.

Já imaginou um professor da Língua Portuguesa, que desse aulas de reforço e resolvesse inovar colocando um cartaz na porta de casa anunciando: “CONSERTAM-SE PALAVRAS”

“O oficina da Palavra foi criada em 2004, como atividade do estágio curricular em “Atenção Pssicossocial na Saúde Coletiva” do curso de Psicologia da UNESP/Assis com o objetivo geral de estimular a circulação da palavra, através da discussão de contos, histórias, “causos”, piadas, poesias e produções jornalísticas.(fonte: www2.assis.unesp.br)

“(…) Os poetas classificam as palavras pela alma porque gostam de brincar com elas e para brincar com elas é preciso intimidade primeiro. É a alma da palavra que define, explica, ofende ou elogia, se coloca entre o significante e o significado para dizer o que quer, dar sentimentos às coisas, fazer sentido,[…] A palavra nuvem chove. A palavra triste chora. A palavra sono dorme. A palavra tempo passa. A palavra fogo queima. A palavra faca corta. A palavra carro corre. A palavra palavra diz. O que quer. E nunca desdiz depois. As palavras têm corpo e alma mas são diferentes das pessoas em vários pontos. As palavras dizem o que querem, está dito e pronto. As palavras são sinceras, as segundas intenções são sempre das pessoas […] As palavras também têm raízes mas não se parecem com plantas, a não ser algumas delas, verde, caule, folha, gota. As células das palavras são as letras. Algumas são mais importantes do que as outras. As consoantes são um tanto insolentes. Roubam as vogais para construírem sílabas e obrigam a língua a dançar dentro da boca. A boca abre e fecha quando a vogal manda. As palavras fechadas nem sempre são as mais tímidas. A palavra sem-vergonha está aí de prova. Prova é uma palavra difícil. Porta é uma palavra que fecha. Janela é uma palavra que abre. Entreaberto é uma palavra que vaza. Vigésimo é uma palavra bem alta. Carinho é uma palavra que falta. Miséria é uma palavra que sobra. A palavra óculos é séria. Cambalhota é uma palavra engraçada. A palavra lágrima é triste. A palavra catástrofe é trágica. A palavra súbito é rápida. Demoradamente uma palavra lenta. Espelho é uma palavra prata. Ótimo é uma palavra ótima. Queijo é uma palavra rato. Rato é uma palavra rua. Existem palavras frias como mármore. Existem palavras quentes como sangue. Existem palavras mangue, caranguejo. Existe, palavras lusas , Alentejo. Existem palavras itálicas, “Ciao”. (…) Existem palavras que são um palavrão. Existem palavras pesadas chumbo, elefante, tonelada. Existem palavras doces, goiabada, “marshmallow”, quindim, bombom. Existem palavras que andam, automóvel. Existem palavras imóveis, montanha. Existem palavras cariocas, Corcovado. Existem palavras completas, elas todas. Toda palavra tem a cara do seu significado. A palavra pela palavra perde o seu significado fica estranha. Palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, palavra, não diz nada, é só letra e som. (fonte: Adriana Falcão “Peq. Dicion. De Palavras ao Vento” tirado do livro “Tecendo Linguagem”, Ibep-2012- pág. 15/16).

Pra descontrair vamos finalizar com duas piadas. Uma de mentira a outra real, porém sem graça as duas:

Lá vinha um bêbado atravessando a rua. O fusquinha que quase o atropela, dispara:

-Bibiiiiii!!!

E o bebum:

-Eu também.

Nunca mais tinha visto Abílio Marques. Cumprimentei efusivamente:

-Fala Abílio! Onde tem andado?

-Labutando!

Fabio Campos 13.08.13

Fabio Campos no fabiosoarescampos.blogspot.com o Conto “O Visionário”

12 ago

0 Comments

Vagabunda aqui abunda!

Hoje quero fazer crônica sem compromisso com nada. Crônica, assim feito borboleta vagabunda, esvoaçante da crônica do saudoso Ruben Braga. Aliás “vagabunda” é palavra bem interessante. Notadamente este termo linguístico deva vir de dois radicais: “vaga”; espaço, delimitado ou infinito. Mas… E de onde será que vem “bunda”? (se preferir) Pra onde vai a bunda?

“Na época da escravatura(…) foram trazidos de Angola escravos de origem Ambundos. Naquela época a palavra bunda não existia. Os portugueses quando queriam falar a respeito das nádegas de uma cachopa, diziam exatamente isso, nádegas ou região glútea. Escravos eram chamados de quimbundo (ou Kimbundu). O quimbundo é uma língua com grande relevância, língua tradicional da capital e do reino dos N’gola. (…)Os ambundos, mais conhecidos por bundos, em especial as mulheres, bundas, possuíam a tal região glútea muito mais sólida, avantajada e globosa. Os portugueses, que ao contrário do que se acredita, não são bobos, logo encompridaram os olhares para as nádegas das mulheres bundas. Quando as escravas bundas passavam diante de uma turma de portugueses, eles comentavam: “-Que bunda!” Em pouco tempo a palavra bunda, antes designação de uma língua e de um povo, passou a ser sinônimo de nádegas! Assim nasceu a bunda moderna. Bunda também é cu-ltura!” (Fonte: facebook.com.br).

“Vagabunda, deriva da palavra vagal, que é correlacionada com desocupada. Sem profissão, ou não tem dono. Possui uma estreita relação com a palavra vadia, PIS tem significado igual, ou complementar. A história relata sua primeira aparição a + ou – 2500 anos atrás, quando Júlio Cesar, imperador pediu a cabeça de Fabíola, uma cortesã que na época era conhecida como a mais popular “vagal” de todo império romano.” (Fonte: Yahoo.com/respostas?Simone Casanova)

“O dicionário Aurélio da língua portuguesa traz Bunda como nádegas e até como ânus. Já o dicionário de Kimbundu-Português traz mbunda como traseiro, nádegas e saracoteio. O acréscimo de “M” e “N” antecedendo a palavra tem função de nasalidade da palavra. A palavra Bunda também existe em Portugal, porém é menos usada que no Brasil. Em Portugal usa-se mais “traseiro” e “cu”. Existe até a famosa expressão “tomar uma pica no cu” para dizer que vai tomar uma injeção na bunda. Para se ter uma ideia o dicionário PT-BR do Mozilla Firefox não traz a palavra Bunda, você é que tem que adicioná-la” (Fonte: linguaportuguesabyrogerio marques.blogspot.com.br).

Ontem precisei entrar na “Casa O Ferrageiro”. Aliás ambiente do qual não deixo de elogiar, diretamente aos funcionários (quando ali estou) pela presteza, a cordialidade, a polidez com a qual tratam os fregueses indistintamente. Isso faz com que criemos um vínculo de amizade e um clima de descontração com os atendentes, na hora de efetuar compras ali. Ao dirigir-me para receber o que havia comprado, presenciei uma conversa calorosa, entre um cliente e o rapaz da sessão de embalagens que entre risos geral reclamava:

-Me diga professor! Pode uma coisa dessa? O dia inteiro tenho que aguentar os caras me pedindo pra dar a “rosca”, a “ruela”, esse aqui, agora mesmo está me pedindo o “anel”!

Fabio Campos 09.08.2013

No fabiosoarescampos.blogspot.com o Conto: “Ruínas na Avenida Coronel Lucena”

04 ago

0 Comments

É O CÚMULO!

Cúmulo quer dizer o máximo

O máximo é estar por cima

No mais alto patamar

Com as palavras vou brincar

Vou rimar rima com rima

O CÚMULO DA INTELIGÊNCIA

Não é uma frase poética

Tomar sopa de Letrinhas

E depois dar bem certinha

Uma Cagada em Ordem Alfabética

O CÚMULO DO ENGANO

Esse não é imoral

Uma minhoca enganada

Entra numa Macarronada

Pensando que é um Bacanal!

O CÚMULO DA INGRATIDÃO

Não quer dizer coisa alguma

O filho gozar num pote

E dizer: Pai ói meu dote

Não devo mais pôrra nenhuma!

Tem o CÚMULO DO BARULHO

Feche a porta e passe o trinco

Duas Caveiras transando

Osso com osso se amando

Encima duma folha de Zinco!

O CÚMULO DO DESPERDÍCIO

Vão dizer eu já sabia

Uma Kombi cair num abismo

Dentro dela dois Políticos

Quando Doze nela cabia!

Existe o CÚMULO DA DOR

O Masoquista é tiéte

Num tanque de Álcool mergulhar

Só depois de deslizar

Num Tobogã de Gilete

O CÚMULO DA MAGREZA

Veja só se adivinha

Se deitar num alfinete

Se esticar pra cacete

E se cobrir com a Linha

O CÚMULO DA LERDEZA

Não dá nem pra acreditar

Botar fé em Joguinho

Você apostar sozinho

E ficar em segundo lugar

O CÚMULO DA ESPERANÇA

Esse não está com nada

Um Travesti já meio velha

Tomar suco de groselha

Só pra ficar Menstruada

O CÚMULO DA MALDADE

É coisa meio patética

Na hora de executar

O Carrasco colocar

Tachinhas na Cadeira Elétrica

O CÚMULO DA RAPIDEZ

Não desejo ao inimigo

Ir ao enterro de um Parente

Sair assim tão urgente

E ainda encontrá-lo Vivo!

O CÚMULO DA REBELDIA

Esse eu não suporto

Mesmo morando sozinho

Sair e deixar um recadinho:

“Vou e não sei se volto!”

Veja o CÚMULO DA SORTE

É de suma importância

É você meio “Ramado”

Ser na rua atropelado

Logo por uma Ambulância!

Tem o CÚMULO DO AZAR

Num dia só ser roubado

Ver a mulher com o Patrão

E o filho com um Negão

Todos dois sendo enrrabados!

O CÚMULO DA IGNORÂNCIA

Esse está fora de linha

É um Cara Picareta

Desmontar uma caneta

Pra procurar as Letrinhas!

O CÚMULO DA VAIDADE

Vai bem fundo do seu Âmago

A mulher sair do Tom

E engolir um Baton

Pra pintar a Boca do Estômago!

O CÚMULO DA NULIDADE

É levar uma vida Nula

No Campo de Futebol

A posição é uma só

Ser “reserva” de Gandula

O CÚMULO DA TRAIÇÃO

Eu vou citar essa bosta?

É alguém se suicidar

Tentar você mesmo se matar

com uma facada nas Costas

O CÚMULO DA BOA VISÃO

Chega a ser grande conquista

Um Judoka ir lutar

Dez Faixas-Pretas derrubar

Só com um Golpe de Vista!

Veja o CÚMULO DA SEDE

Do Deserto você vem

Mas vem com tanta sede

Já ficando quase verde

Que chega a tomar um Trem

Tem o CÚMULO DA FEIÚRA

Pior que esse não há

É você se olhar no espelho

E ele quebrar no meio

Te dando Sete anos de Azar

Tem o CÚMULO DA POBREZA

Dessa vez um Mudo fala

É Vender a própria Camisa

Porque o dono precisa

Comprar sabão pra Lavá-la

O CÚMULO DA PACIÊNCIA

Tem que ter “Saco” não négo

É chupar um parafuso

Sugar tanto que o uso

Vai fazer virar prego

O CÚMULO DO EXAGERO

É coisa meio maluca

No Rio de Janeiro passear

E resolver ir passar

Manteiga no Pão de Açúcar!

O CÚMULO NO FUTEBOL

Nem sei se é cúmulo essa joça!

É você chutar no “Gol”

Mas o que você acertou

Foi a droga de um “Corsa”!

Tem também CÚMULO DO VÔLEI

Deixa a gente meio Bobo

Dar na bola um Sóquete

Rebater com uma “Manchete”

E acertar na “Rede Globo”

O CÚMULO DA AVAREZA

Sovina não leve a mal

Atravessar um rio à nado

Levando na mão trancado

Sem nem molhar um Sonrisal

Veja o CÚMULO DA SENSURA

De besteira já estou farto

A parturiente Renega

Proibida de abrir as Pernas

Mesmo na hora do parto

O CÚMULO DA CONFIANÇA

Maluco também tem Nome

Confia tanto no amiguinho

Que até jogam palitinho

Todos dois por Telefone

O CÚMULO DA DESCONFIANÇA

Quando o cabra é trambiqueiro

No Supermercado ir comprar

Mas ninguém vai confiar

Nem ele pagando a Dinheiro!

O CÚMULO DA EDUCAÇÃO

Os Viados desse gosta

Quando o dito cujo é enrabado

Se desculpa encabulado

Por ter que ficar de Costas!

O CÚMULO DA EJACULAÇÃO PRECOCE

A mulher já dando Pôpa!

O cara já se vestindo

Pergunta: – “Foi bom?” Sorrindo

E ela nem tirou a roupa!

O CÚMULO DA FRIGIDEZ

Não é difícil Entender

Depois de fazer Amor

Ele pergunta: Gostou?

E ela pergunta: De quê?

O CÚMULO DA DISTRAÇÃO

O Cara em Lua-de-Mel

No Motel curte demais

De manhã toma um chuveiro

E ao lado do travesseiro

Sai e deixa vinte Reais!

O CÚMULO DO EGOISMO

Esse vai muito mais além

Sua curiosidade aguçar

Só que pode se Aquetá

Eu não conto pra ninguém!

26 jul

0 Comments

Isso é uma grande mentira!

Foto: Ilustração

Foto: Ilustração

Dom Dulcênio Fontes de Matos, bispo da Diocese de Palmeira dos Índios, a qual pertence a paróquia de Senhora Santana, na última quinta-feira (18.07) presidiu a celebração da segunda missa do novenário em louvor a nosso padroeira. Seguindo o tema “Vinde a mim todos que estais aflitos sob o fardo e Eu vos aliviarei” – Mt 11-28,30, o pastor do rebanho de Cristo, fez uma bela homilia, em que falava das fraquezas humanas, da dificuldade que temos de perdoar nosso irmãos. E falava dos enganos que o mundo nos dá. E a mais sedutora delas, a mentira. Sobre isso dizia: “Sabem porque o povo perdeu a confiança no governo? Por conta da mentira: Governos mentem, juízes mentem, pastores mentem, maridos mentem, esposas mentem, filhos mentem…”

O saudoso humorista Millor Fernandes, dizia que: “Os homens mentiram bem menos se as esposas não perguntassem tanto.”

De onde será que vem a palavra mentira? De “mente” mais “ira”? Assim sendo, seria a revolta da mente! Até onde sabemos o “pai” da mentira é Lúcifer. O anjo de luz expulso da corte celestial, por espalhar uma grande mentira, dizia: “Onde é que Deus jamais iria enviar seu filho ao mundo dos mortais, ainda mais nascer do ventre de uma mulher, isso era inconcebível! um absurdo!” Satanás jamais aceitou isso.

Sobre a expressão: “ISTO É UMA GRANDE MENTIRA”? A meu ver, ocorre redundância, um pleonasmo. Afinal não existe mentira pequena, mentira magra, mentira boba, inocente mentira! A gente fala que até que elas têm pernas! “Mentira tem perna curta!” Pelo contrário suas pernas são gigantes, capazes de enlaçar sedutoramente as pessoas.

Existem outros jeitos de falar a palavra mentira:

“Fofoca: consta que ela é de origem africana, talvez Banta(…); calúnia que veio do Latim callumnia, “falsa acusação”, do verbo “calvi” enganar. Em Direito, calúnia é atribuir de má-fé a outra pessoa um ato criminoso. Há pessoas que se metem na vida alheia para “Fuxicar”, que deriva do francês “foutriquet” indivíduo desprezível (daqui nasceu o ditado: “Quem fuxica o rabo espicha”). Xeretar que antes se escrevia “cheiretar”, vem de cheiro (meter o nariz onde não é chamado). Bisbilhotar vem do italiano: “bisbigliare” fazer sons com os lábios. Fabulari “falar muito” do Latim surgiu a palavra fábula. Boato vem de “boatus” mugido de “bos”, boi em Latim. Mentira vem de “mentiri” do Latim, “enganar dizer falsidade” (Fonte: origemdapalavra.com.br)

Como podemos ver quem escreve ficção: contos, romances, fábulas, novelas, e mesmo quem interpreta, seja uma música, uma peça teatral, atores, atrizes e coisas do gênero, não passam de grandes mentirosos.

Mentiroso eis um vocábulo que exige um estudo mais acurado. Como sabemos quando alguém “faz alguma coisa” os sufixos usados são bem característicos, explico: Quem cozinha é cozinheiro, quem viaja é viajante, quem dirige é diretor. No entanto quem mente não é mentideiro, mentirante, nem mentidor. Tinha que ser um nome que lembrasse algo gostoso, saboroso, prazeroso daí mentiroso! Portanto não se enganem o troço apesar de atraente, causa um mal danado, a si, e aos outros!

“Isso é uma tremenda bravata!” Ouvi isso pela primeira vez do presidente Lula, por isso, só lembro-me de bravata como mentira, associando a gravata, e crimes do colarinho branco.

Lorota: lembro-me na hora, da música de Luiz Gonzaga: “Que mentira que lorota boa!”

Sobre mentir pra criança sabemos que isso dá no maior mico: Joãozinho queria saber do papai o que era masturbação, o pai enrola, enrola, não convencendo o garoto. Finalmente resolve dizer, só que de forma bem técnica:

– Tá bom meu filho! É a manipulação dos órgãos sexuais com a intenção de obter prazer.

-Ora! Mas isso é punheta pai!

Fabio Campos 25.07. 2013

No fabiosoarescampos.blogspot.com o Conto: “O Colecionador”

18 jul

0 Comments

QUAL É O PÓ CIBALENA OU CIBAZOL?

Nos velhos tempos, depositados no passado de nossa infância, vivida, na praça do Monumento (atual praça Dr. Adelson Isaac de Miranda), a gente soltava o verbo. Palavrões corriam soltos na boca dos maloqueiros. Pra dominar a língua a palmatória “comia no centro”, fosse das educadoras, ou de pais e genitoras.

Recordo-me que um de nós, era “mestre” com relação aos cacoetes da nossa língua “mãe”. Era Juarez Carvalho. Foi dele que admirados ouvimos pela primeira vez, a pronúncia do nome completo de um dos maiores vultos históricos de nossa história: “o nome completo de Dom Pedro I, era Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon”. Confesso que recorri ao Yahoo.com.br/perguntas, pois não decorei.

Mas estripulias com as palavras, por parte de nosso amigo, não parava por aí, ele descobriu, por exemplo, uma das maiores palavras da nossa língua, encontrou na bula do envelope do comprimido “Cibalena”: acho que era assim: Dimetildilaminofenildimetilpirazolona. E desse analgésico surgiu uma interjeição criada pelos maloqueiros lá da praça:

“QUAL É O PÓ CIBALENA OU CIBAZOL?

E tinha as velhas cacofonias em que se perguntava, por exemplo:

“-Você conhece Seu Cuca? A qual se imediatamente, o próprio interlocutor respondia:

-“Seu Cuca é eu!

Pra isso Juarez teve uma saída de mestre, dizia:

“-Também Seu Cu(ca) é todo mundo!”

“A maior palavra da língua portuguesa, registada num dicionário, é pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico, com 46 letras, A palavra ganhou registro oficial pela primeira vez em 2001, no Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa e aparece descrita como uma doença pulmonar causada pela inspiração de cinzas vulcânicas, é de referir que esta palavra foi inventada por Everett M. Smith, presidente da National Puzzlers’ League, para ser a mais longa palavra de língua inglesa e que apesar de ter sido transposta para a nossa língua o nome cientifico da doença a que a mesma se refere é a silicose, o que implica que na nossa língua esta palavra seja considerada uma palavra fictícia. A palavra de 29 letras anticonstitucionalissimamente é considerada a maior palavra portuguesa não técnica, e descreve algo que é efectuado de maneira muito anticonstitucional, ou seja, que é oposto à constituição.” (Fonte: Wikipédia.com.br)

Durante o programa católico Bem-vindo Romeiro, da TV Aparecida, o clima era de paz & harmonia quando o padre apresentador chamou a simpática “moça do merchan” para entrar no ar. Ela até que estava indo bem ao descrever todas as qualidades de um produto que parece fazer milagres. Mas acabou errando o texto e, indignada, soltou um palavrão (A moça teria dito “-Mas que Bosta!”) não muito adequado ao programa, ao horário, à família brasileira, enfim. A reação do padre é o melhor momento do vídeo.16.07.13(Fonte revista veja.sp.com.br).

No passado de nossa cidade, passou pela paróquia de Senhora Santana um pároco chamado padre Bulhões. Certa ocasião fora minha saudosa avó Amância (mãe da minha mãe) confessar-se com o dito cujo. Ao perguntar àquela velha senhora:

“-Conte seus pecados!”

“-O senhor pergunte…”

Aí o padre perdeu a compostura. O palavrão comeu soltou, começando por:

–Essas pestes!…

Fabio Campos 17. 07.2013

No fabiosoarescampos.blogspot.com o Conto: “Davi: “O Rei do DVDs”

03 jun

0 Comments

Conversa fiada, afiada (ou jogando conversa fora)

As vezes a gente só quer mesmo é jogar conversa fora (conversa pra boi dormir, o famigerado miolo de pote). Amanheci com a palavra “Parte” embolada dentro da boca. Em vão tentei mastigá-la, degluti-la, digeri-la. Mas, às vezes, palavras não são comestíveis. Algumas intragáveis, indigestas, insolúveis. E delas que são insalubres, inodoras, insípidas Outras tantas causam dissabores. Filosoficamente falando, às vezes é melhor calar do que falar!

Existem palavras camaleônicas. Delas que perfeitamente se camuflam! Travestem-se, de modo a nos confundir. Por exemplo, a palavra “desnudo” em qualquer dicionário significa “indivíduo sem roupa, nu, despido”. Neste caso o sufixo “des” não teria sentido lógico! Uma vez que estamos acostumados a encontrar o sufixo “des” no sentido de negação: “desprezado” aquilo ou aquele que não se preza; “desligado” aquilo ou aquele que não está ligado. “Desnudo” a priori deveria significar vestido! Aquele que não está nu!

Não sei se já um dia aconteceu com você aí, que ora lê-nos. Ouvimos determinada música toda vida, na voz de determinado intérprete. De repente na voz dum outro cantor, aquela mesma canção, determinadas palavras, pronunciadas com mais ênfase faz-nos “despertar” pra uma outra realidade.

A palavra “parte” no pai dos sábios (dicionário) tem vários significados: “(s.f.) Parte, porção de um todo; lote; fração; banda; lado; lugar; litigante; comunicação verbal ou escrita que numa peça de música ou teatro compete a cada voz, instrumento ou ator; pl. qualidades; prendas; insinuações, manhas; astúcias; melindres.”

“O carro parte em alta velocidade.” no sentido de sair (verbo partir); “O aniversariante parte o bolo.” no sentido de fender (idem); “O todo às vezes é parte, bem como a parte pode ser o todo” (substantivo). “É da parte de quem?” no sentido de origem, procedência.

Já ouviu falar na colocação “católico praticante”? Muitos padres são contra tal expressão, alegando que é imprópria, redundante, ambígua. Além de traduzir-se numa “falsidade ideológica”. A palavra católico, já possui o caráter universal, de sua abrangência.

Encontramos nosso amigo José Malta Neto, esta semana que confidenciava-nos entre um misto de surpreso e atônito, que ao ministrar uma palestra para estudantes, no momento de uma oração, surpreendeu-se com um jovem que pediu para se ausentar, pois declarava ser ateu. No dicionário “Ateu: (s.m.) Diz-se de, ou aquele que declara que não crer em Deus.”

O pragmático padre Timóteo, que esteve na paróquia de Senhora Santana, trazido pelas irmãs holandesas, lá pelos idos dos anos setenta, era também professor. Um estudante curioso quis saber:

– Padre, qual é o feminino de ateu?

Em cima da bucha:

-À toa!

Fabio Campos 01 de junho de 2013

No blog: fabiosoarescampos.blogspot.com Conto inédito Breve: “O Gato no Espelho”

29 Maio

0 Comments

SOU POLIGLOTA E NÃO TROGLODITA!

Não tem jeito, a gente roda, roda, mas o assunto que se vê em todo lugar, (ainda mais nos webespaços) é a Copa do Mundo de Futebol do ano que vem. Inventaram inclusive que uma senadora havia proposto no Senado Federal uma tal de “Bolsa B…” (o nome da genitália feminina). Onde cada garota de programa ganharia o equivalente a R$ 2.000,00 a título de cuidar-se, para estarem bem apresentáveis para o certame mundial em 2014. Foi só boato.

Do jeito que vai, com tanta gente doida pra aparecer, e faturar em cima, em breve teremos ex-bbb’s, ex-chacretes, cantores em decadência, e muitos outros artistas que vão acabar procurando emprego nos canteiros das obras dos estádios, na esperança de aparecer na rede Globo de televisão, No “Esporte Espetacular” em que os operários tentam fazer “gol” numa betoneira. O programa global “Fantástico” tem mostrado o quanto estamos despreparados para recebermos os turistas. Somos considerados um povo muito hospitaleiro, por quem? Por nós mesmos! Hospitalidade não pode ser confundida com espalhafato. Muitos de nós, “matamos” as aulas, ou não temos ideia, do que sejam regras de boa maneira, e que isso varia de povo pra povo.

Para os padrões de frieza nos relacionamentos sociais ianques e europeus, consideram-nos muito “pegajosos”. Portanto se tivermos que ter contato com estrangeiros com o qual não tenhamos nenhuma intimidade, devemos evitar:

1- Abraços calorosos;

2- Apertos de mão inoportunos e demorados (aliás tem pessoas que pensa que a consideração ao outro se mede pela intensidade do aperto na mão. Daí aqueles apertos de mão que cai bem o apelido de “Alicate” do qual você jamais esquece, e espera que nunca mais ocorra)

3- Cutucar (até no facebook estão fazendo isso!), tocar no outro para chamar-lhe a atenção. Isso é terrível inclusive para as pessoas que sentem cócegas;

Gafes as pessoas cometem o tempo inteiro. A exatamente um mês atrás, o fundador da Microsoft Bill Gates cometeu uma, ao cumprimentar a presidenta da Coréia do Sul com a mão no bolso do paletó. Isso para os costumes orientais é falta de respeito.

Pra quem pretende trabalhar na Copa do Mundo, aconselhamos aprender uma nova língua. Considero-me um poliglota, por motivos óbvios: Falo fluentemente uma língua estrangeira, o Português! “Arranho” o Portunhol; Somos Phd em pornofonês.

Meu amigo Tonho Neguinho, o matuto mais “desenrolado” Desse sertão, outro dia foi parar em Tangará da Serra – Mato Grosso. Entrou numa fila pra arranjar um emprego na construção civil, o engenheiro era Alemão. Naqueles meios o mestre de obras entrevistando o peão perguntou:

-O senhor sabe falar alguma língua estrangeira?

-Sei…

-Qual?

-Francês, Crioulo e Doce.

Fabio Campos 27.05.2013 No blog fabiosoarescampos.blogspot.com o Conto: “Lenda Suburbana”


Importante! Este site utiliza cookies que podem conter informações de rastreamento sobre os visitantes. Ao continuar a navegar neste site, você concorda com o uso de cookies.