20 mar

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O dia que atendi um caso de Covid19


Foto: umisu / Pixabay

Quando comecei a escrever este texto, há uns dias, tinha atendido apenas o primeiro caso suspeito. E desde então, já foram alguns casos suspeitos. No início, ainda se era ofertada testes pela vigilância epidemiológicas para confirmar os casos.

Mas, o foco neste não é discorrer mais sobre a situação que tem se evidenciado no mundo. E sim, avaliar a situação sobre outras perspectivas que notei um elo associando um caso a outro. Sendo a primeira perspectiva, a social: não entrarei em detalhes sobre os casos suspeitos por motivos óbvios. Mas posso relatar algumas coisas. 

Atendi pacientes que apresentavam sinais e sintomas há dias e não tinham buscado atendimento antes por medo de perder o emprego se apresentassem um atestado de 14 dias.

– “Doutora, eu tenho filho pra criar, conta pra pagar!”, falou o paciente entre tosses. 

– “Sim, e você colocou sua própria família em risco!”, a resposta que teve.

Colegas da equipe, médicos e enfermeiras, esbravejam para mim suas indignações com a imprudência desse caso e de outros parecidos. Isso me fez pensar que os pacientes estão errados na atitude, porém, certos no argumento. Porque tudo que é ruim numa sociedade, sempre será pior para o pobre.

Do ponto de vista econômico, os setores estão passando por dificuldades e a previsão é de piora. E isso vai de encontro à perspectiva social. Pois, coloca em jogo o empresário de médio e pequeno porte, que sem vender e sem sua mão obra, corre grave risco de falência. Esses, diferente dos grandes, não receberão subsídios ou medidas de ajuda dos governos. 

A indústria farmacêutica é uma das que se encaixam nesses grandes. Diversos laboratórios estão em regime intenso de serviço e pesquisa em busca da fórmula que pode propor uma cura ou tratamento. A fórmula bilionária.

Fato é que se está evidenciando uma verdadeira pandemia, o prognóstico é de aumento nos números de casos e o mais correto que se pode fazer é seguir as orientações das autoridades como a OMS e Ministério da Saúde.

NOTA EXPLICATIVA: Erickson é natural de Santana do Ipanema, mas atualmente reside e trabalha na cidade de Curitiba, no Paraná.

26 jan

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As definições de vírus foram atualizadas

Foto: Gerd Altmann / Pixabay

A descoberta de microorganismos fez a humanidade alcançar um certo avanço no quesito ciência, principalmente no que se refere a promoção e prevenção a saúde. Apesar de ser descoberta relativamente recente.

Os países desenvolvidos se desenvolvem cada vez mais para evitar mortes por doenças ocasionadas pela falta de saneamento básico, higiene e outros direitos humanos. O que não tem sido visto no restante do mundo, mesmo com os esforços de décadas da OMS e outras organizações.

A educação em saúde se tornou uma necessidade fundamental desde o início da vida, na infância, para se tentar melhorar na cultura os hábitos de higiene.

Em ambiente hospitalar, por exemplo, um dos principais temas de educação continuada e permanente é a higienização das mãos. Com o objetivo de conscientizar os profissionais de saúde que a principal forma de contaminações e infecções cruzadas são as próprias mãos.

O coronavírus é o mais debatido recentemente, cogitou-se até um caso no Brasil, o que foi descartado pelo Ministério da Saúde. Mas é um grande alerta. A humanidade perdeu muitas vidas para doenças causadas por vírus, bactérias e fungos que evoluem muito rapidamente, diferente de da capacidade do avanço científico.

Pode-se usar como exemplo o H1N1, que em 2009 fez muitas mortes no Brasil e só após alguns anos surgiu a vacinação. Tarde, pois relembrando, já surgiram diversos subtipos da Influenza A, como H2N3, H4N5, H7N7.

A discussão durante este ano e, consequentemente, na década deverá ser sobre a humanidade reconhecer a fragilidade diante desses seres microscópicos e a partir disso repensar os investimentos individuais e coletivos para a área de ciência, saúde, educação [em saúde], produção e distribuição de medicamentos entre outros.

Caso contrário, haverá cada vez mais mutações e subtipos, pestes negras, ebola, gripe espanhola, do frango, do porco. E não bomba atômica ou qualquer ou qualquer outro poderio bélico que salvará algum país.

12 out

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Condições básicas na saúde infantil

Foto: Myriam Zilles / Pixabay

Há muito tempo, entidades de diversos setores como saúde, educação e economia comprovam através de dados, fatos e pesquisas a importância do acesso às condições básicas para uma vida digna. Em saúde pública, usamos o termo Determinantes e Condicionantes de Saúde para definir a estrutura de saúde de um indivíduo.

De modo geral, essa estrutura abrange desde as condições particulares de saúde e doença de cada um até o meio social e ambiental em que está inserido. Alguns dos fatores analisados são a idade e os serviços públicos, esses que iremos focar neste texto.

Em trabalhos antigos e recentes, entidades como a Organização Mundial da Saúde – OMS, o Fundo das Nações Unidas para a Infância – Unicef e outros pesquisadores independentes apontam a relação entre o acesso que uma população possui aos bens e serviços e seu desenvolvimento social.

A pesquisa recente do IBGE evidencia uma melhora histórica no cenário social do Brasil, ou seja, analisando a longo prazo, melhoramos muito e ampliamos o acesso à esses serviços. Mas, infelizmente, ainda estamos distantes de qualidade que iguale as condições de oportunidade. Situações de moradias sem rede de esgoto, sem abastecimento de água ou sem coleta de lixo são a realidade de cerca de 42% das crianças brasileiras na primeira e segunda infância (crianças de zero a seis anos).

O ambiente que a criança vive nessas fases da infância influencia diretamente em sua saúde e desenvolvimento cerebral. Por exemplo, na primeira infância, é construída a base das habilidades cognitivas e de capacidade de aprendizagem que irão subsidiar a atuação da criança, no curto prazo, na escola e no resto da vida.

A infância precisa ser um período de aprendizado, de conhecimento e principalmente de oportunidades, porém acaba sendo um período de vulnerabilidade e influências negativas. Outro fator importante para a redução do desenvolvimento infantil [e social] é a discrepante desigualdade evidenciada nos lares de quase 10 milhões de crianças e adolescentes em situação de pobreza extrema, onde a renda per capita mensal é cerca de R$ 250.

Fica difícil para uma criança que cresce nessas situações buscar por oportunidades ou tentar competir em qualquer aspecto da vida. Sabemos então, a grande influência da saúde infantil no desenvolvimento de uma sociedade. Para começarmos a vislumbrar uma coletividade mais justa, evoluída e menos desigual é urgente a necessidade investimentos e esforços para a melhoria das condições básicas das crianças.

16 set

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Uma Venezuela pra chamar de minha

Foto: Ilustração

O país vizinho sofre há um certo tempo por problemas econômico, social e político a um nível que se pode declarar calamidade pública e humanitária. O Fundo Monetário Internacional – FMI, por exemplo, estima que ainda neste ano a inflação da Venezuela atinja surreais 10.000.000% (10 milhões por cento!).

Podemos considerar que a situação caótica do país tenha explodido com o Caracaço, que foi um movimento de manifestações na capital Caracas cujo o objetivo era repudiar as medidas econômicas declaradas pelo então presidente Carlos Andrés Pérez. O Caracaço ocorreu em fevereiro de 1989.

Em resposta ao Caracaço, o governo colocou tropas nas ruas contra os manifestantes, o que resultou em mais de 70 mortos e mais fúria da população. Uma das lideranças da manifestação era um tenente-coronel do exército venezuelano, chamado Hugo Chávez.

Hugo Chávez, após alguns anos, prisão e tentativas de golpes de estado, tentou chegar ao poder de forma mais convencional: formando alianças com a oposição, eleito em 1999. Começava então o chavismo.

Mas, quando a Venezuela se tornou a tão famosa “comunista”? Após uma série de medidas autoritárias, como a Lei Habilitante, o Hugo Chávez começou a governar tomando decisões por decretos e assim, distribuiu terras, estatizou reservas de petróleo e nacionalizou setores como cimento e aço. A partir daí, a oposição começou a chamá-lo de ditador.

Situação que foi cada vez mais se confirmando pelas atitudes e medidas tomadas por ele. Se tornou de fato uma ditadura chavista na Venezuela. Uma atitude marcante foi o aumento do número de juízes na suprema côrte, para que, mesmo indiretamente, ele controlasse também o poder judiciário.

Chaves se aproveitou de um momento de inflamação e revolta popular contra os governantes para se enraizar no poder. Essas revoltas sempre precisam de uma figura para guiá-las e orientá-las, ocorre em várias debandadas sociais na história da humanidade. E consequentemente, essas lideranças se apropriam do poder.

É a estratégia do “nós contra eles”, que usa de mentiras, enganação e torna o ambiente político polarizado com os nervos à flor da pele. Os líderes políticos se aproveitam da massa de manobra e estendem seus mandatos por anos e anos, mesmo que isso custe a dignidade de muitos cidadãos.

Essa polarização está sendo evidenciada em nosso País também, onde algumas lideranças surgiram se aproveitando da revolta da população. Porém, o perigo aqui é isso estar associado ao discurso de ódio, intolerâncias e o desmerecimento de pastas como educação, meio ambiente e cultura. Pastas tais que já sofriam com uma lenta evolução.

O fato que diminui um pouco a preocupação com esse cenário é que uma onda de arrependimento tem tomado vários cidadãos que, infelizmente foram enganados com a perspectiva de uma mudança revolucionária. Mas não tem problema se arrepender e reconhecer o erro. Só não pode repeti-lo, tá ok?

09 ago

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A benção da ignorância

Foto: Christine Sponchia / Pixabay

Simplesmente, é fácil não se incomodar com algo quando ele não existe. Se algo não existe para o ignorante logo esse algo não existe e ponto. Essa é uma visão de ignorância. Ignorar. Não existir. 

A ignorância protege o ignorante do sofrimento que o ato de questionar e pensar, às vezes, causa. O ignorante é levado como um barco a vela. 

Não importa de onde venham os ventos que impulsionam o barco, não importa ao ignorante. Não importa a direção a qual está indo. 

Mantém-se alienado. Fechado em um pobre e discreto mundo. Sem fome de mundo. Não se preocupa em fingir que está tudo bem. Porquê para o ignorante está tudo bem. Mesmo não estando. Mas ele não sabe. 

O ignorante não precisa se preocupar com o que acontece em seu meio, tão pouco, ao seu redor. Simplesmente, coisas acontecerão, outros irão decidir, agir e está bem. 

O ignorante é alienado e atrevido. Pensa que sabe e domina. O ignorante na civilização não se preocupa em ser civilizado. 

A ignorância é aliada da maldade. E os resultados disso são um sequência constante de ignorantes sendo aproveitados por aqueles que alienam.

25 abr

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O Fracasso subiu à cabeça

Foto: Tumisu / Pixabay

Em meados de Novembro e dezembro de 2018, percebemos que os planejamentos – ou ausência deles, já demonstravam que a base, a estrutura não possuía uma organização primária. Principalmente, ao que se refere ao primeiro escalão.

Até então, eram esperadas renovações, nomes significativos especializados, afinal foram as promessas. Porém, não foi bem assim. As indicações para as pastas principais foram extremamente radicais. Focados exclusivamente, em beneficiar uma restrita parcela da população.

Fato é que, logo no início, a atuação parecia uma fatura de cartão de crédito quando pagamos apenas o mínimo: uma bola de neve de despreparo, uma enxurrada medíocre de decisões, falas, posturas e resultados. Não é intriga, é fato. Evidenciado inclusive por pesquisas e opiniões públicas de quem apoia[va].

A promessa de renovação falhou completamente, e ainda estamos no 4° mês, ou 9% do cumprimento do mandato. As falhas estão entre decisões erradas em diplomacia a relação pessoal com criminosos. Falhas que até agora resultaram em nenhuma consequência de punição, só vergonha alheia e sentimento de total impunidade, nada novo.

Repare que estamos no quinto parágrafo e não citei nomes, tão pouco cargos. Mas você já sabe muito bem do que, e de quem estamos falando. O fracasso chegou tão rápido, a sensação que se têm é que os próprios não acreditavam na vitória, meio que “vamos prometer umas coisas aí, depois a gente vê como funciona isso de governar”.

O fracasso está a um nível que não precisamos mais citar nomes. Os próprios estão encarregados de causar danos à si. Não precisam mais de imprensa oposicionista. Basta que a imprensa continue noticiando o que está sendo feito.

Concluo lembrando que independente de estar ruim, não apoio nenhuma forma de retirada à força da cadeira. Foi escolhido pelo povo, por mais que tenham sido enganados, mas não devemos mais ferir a tão jovem e enfraquecida democracia. Se está ruim e piorando, deve-se tomar medidas para reverter. Não golpear

30 set

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Entenda, de uma vez por todas, a Lei Rouanet

Foto: Divulgação

A Lei 8.313/91, popularmente conhecida como Lei Roaunet, tem tomado espaço cada vez mais nos ambientes de debates insipientes. Fortalecidos pela imprudência no momento de receber, repassar e acreditar em notícias falsas.

O nome popular da Lei se deu em homenagem ao principal idealizador, o diplomata, filósofo e professor Sérgio Paulo Rouanet. Ao contrário do que se vulgariza, a Lei Rouanet se trata de um mecanismo de incentivos fiscais, como forma de estimular a iniciativa privada ao setor cultural.

Em resumo, o governo abre mão de parte dos impostos para que esses valores sejam investidos em projetos culturais de exibição, utilização e circulação públicas. Não foi criada por um determinado partido, como toda e qualquer lei. Através da lei Rouanet cidadãos e empresas (pessoas físicas e jurídicas), podem destinar parte do seu Imposto de Renda devido.

Foto: Divulgação

O incentivador é fornecedor dos recursos para o evento, consequentemente, através da Lei Rouanet, tem dedução parcial ou total no Imposto de Renda. Existem duas formas de fornecimento: patrocínio ou doação. no caso de patrocínio, o incentivador pode ser publicado como tal. Já em doação, o incentivador não pode ser citado ou promovido pelo evento.

Em verdade vos digo, precisamos com urgência, verificar as notícias e informações que nos chegam, antes de simplesmente repassar a corrente de burrice e analfabetismo funcional.

10 set

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QUEM SABE FAZ A HORA

Foto: Divulgação

Não é novidade que os partidos políticos no Brasil estão cada vez mais enfrentando crises, principalmente, no que se refere a legitimidade e carisma com a população.

Isso é um dos combustíveis que tem fortalecido o aparecimento de grupos com propostas de políticas públicas, principalmente, formados por jovens da sociedade civil. De longe, esses grupos têm dois pontos em comum. O primeiro ponto é o interesse em manter um debate com a população sobre pontos que realmente interessem a própria população.

O segundo ponto é a crítica a “atual” forma de política e politicagem que prevalecem no Brasil. Atual entre aspas, visto que a política no Brasil possui tais características há um bom tempo. A proposta central é a renovação na política, com a participação cada vez mais de jovens.

O Movimento Acredito é um desses grupos e tem se destacado principalmente por ser idealizado e encabeçado por jovens e colocar por água à baixo a polarização direita-esquerda. Propõem-se como uma alternativa de renovação nacional e superação à polarização radical de direita e esquerda.

Os jovens que estão à frente do Movimento Acredito são o professor Felipe Oriá, o consultor José Frederico Lyra e a pesquisadora Tábata Amaral. E na próxima eleição, o grupo está lançando candidatos em vários estados do Brasil.

Precisamos sim valorizar os jovens que há algumas décadas estiveram engajados na conquista da democracia. Porém, os tempos são outros e com novos desafios a serem superados. Com novas lideranças, novas propostas, esperança renovada e um extenso caminho. Para a conclusão, fica então o convite para conhecer o Movimento Acredito suas ideias e propostas. Clicando aqui (https://www.movimentoacredito.org/), você acessa o site.

03 set

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O Mito brasileiro

Foto: Ilustração

A definição de mito no Dicionário Aurélio é “coisa só possível por hipótese”. Ou seja, algo que existe somente em forma de suposição. A margem da verdade. Podemos encontrar ainda no mesmo dicionário, a definição de mitologia como “conjunto de fábulas”. Definição essa que fala por si só.

Considerar algo ou alguém como mito é literalmente como colocar à prova a sua veracidade, a sua existência de fato. Ou no mínimo, considerar que o indivíduo se encaixa em um conto fabuloso.

O Mito brasileiro em questão está longe de um conto fabuloso feliz ou utópico, na verdade se encaixa perfeitamente em um conto de terror angustiante. Fazendo uma analogia a mitologia grega, podemos comparar o Mito brasileiro com Érebo, o deus da escuridão. Ele é a personificação das trevas e é considerado um dos maiores inimigos de Zeus.

Ainda continuando essa divertida analogia com a mitologia grega, podemos citar outra narrativa, o mito de Sísifo, um camponês simples – como a maior parte do povo brasileiro – que certo dia tentou ser mais esperto que os deuses.

Por isso então, Sísifo, recebeu a punição de rolar uma pedra gigante até o topo de uma montanha. E quando chegava ao topo, a pedra rolava novamente até o chão, devido seu peso e o cansaço dele. E no dia seguinte, Sísifo teria que repetir toda a atividade até o fim de sua vida.

Albert Camus, em seu livro O Mito de Sísifo, usa o conto para explicar que a condição humana é basicamente seguir uma rotina diária, sem sentido próprio, determinada por algumas instâncias. Onde os “camponeses simples” continuarão sempre repetindo atividades.

Porém, podemos sim continuar numa condição humana simples sem imitar a esperteza de Sísifo. Basta tentar pensar um pouco sobre o que nos reserva o futuro se o Mito brasileiro tornar-se o senhor dos camponeses. É melhor não abrir essa Caixa de Pandora!

27 ago

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Da Moral e o Moralismo

Foto: Alexas_Fotos / Reprodução / Pixabay

Antes de tudo, gostaria de dizer que após um longo tempo sem publicar neste site, retorno com um tanto de disposição e empolgação. Espero permanecer assim. O tema, confesso, é um tanto intencional ao momento em que nossa sociedade está vivendo. Não apenas intencional por questão social e política, mas também por reflexão do significado das palavras moral e moralismo.

Há uma diferença gritante do que cada uma dessas palavras e seus significados possuem, tanto no contexto acadêmico, como no pragmatismo do dia a dia de um cidadão comum. A importância de esclarecer que há essa diferença se dá pelo fato de que justamente esse pragmatismo das rotinas em sociedade acabam somatizando os significados dessas palavras.

Sabe-se que durante a evolução em sociedade, os povos adotam hábitos e comportamentos necessários para a manutenção do convívio harmonioso desses. E nisso podemos entender o Ethos, ou seja, o caráter moral e social que caracterizam as ideias, costumes, crenças e cultura de um povo.

Em suma, a Moral pode-se referir a uma teoria ampla associada a ética, que rege a conduta, valores e princípios dos seres humanos em uma sociedade.

Uma rápida análise do Ethos brasileiro, ou seja, da sociedade brasileira, pode-se tirar três eixos principais, são eles: 1) formação de caráter colonial; 2) influência de diversas culturas; 3) analfabetismo e analfabetismo funcional. Uma sociedade estruturada nesses eixos, é uma sociedade fadada a cometer erros repetitivos. Erros que, basicamente, podem resultar em longos períodos de atrasos sociais, retrocessos científicos, insegurança econômica e principalmente, ameaça a democracia.

O anafalbetismo funcional é caracterizada principalemnte, pela dificuldade de compreensão textual e trata-se de uma pesarosa realidade brasileira. Este fato associado ao pragmatismo ignorante da população é o viés responsável pela produção de uma massa facilmente manipulada. Além disso, é responsável pela criação do moralismo, baseado numa cultura de desinformação, alteração de significados e desvio de valores.

O Moralismo é inversamente proporcional ao conceito da moral, está associado a um comportamento doutrinário de uma parcela populacional em detrimento a outras parcelas populacionais em uma mesma sociedade. Ou seja, a imposição tradicional filosófica ou religiosa de um grupo sobre outro grupo.

Trata-se de uma inversão ignorante da moral, principalmente por desconsiderar a gigantesca complexidade humana e julgar os que estiverem fora do que se considera por valor universal. Sem levar em conta a pluralidade e s reais direitos e deveres que um convívio em sociedade necessita, sobretudo, para continuar a evoluir ou, pelo menos, não retroceder.