24 out

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GENTIL com os estranhos, mas CRUEL com a família

Foto: S. Hermann & F. Richter / Pixabay

Nobre leitor, família não se escolhe, nascemos dela e não podemos deixar de pertencer a esse grupo. A família é a primeira e geralmente a instituição social que mais participa e influencia nossa vida.  

Claro que esse modelo cultural de vivência prolongada, não significa que as relações são sempre saudáveis. Infelizmente a maioria dos adoecimentos psicossomáticos e sócio emocionais, são gerados pela falta de habilidades emocionais dos adultos para se conviver em família. Ou seja, uns causam adoecimentos nos outros.

Lidar com pessoas é sempre um desafio, e imaginem que na prática, a dificuldade consiste em estarmos todo o tempo, com alguém que pensa diferente, tem emoções únicas, tem vontades e preferências particulares, e nem sempre nós concordamos ou conseguimos entender o porquê as outras pessoas são assim no seu modo original existirem.

O ser humano não tem poder para mudar o outro, quando geramos cobranças e imposições excessivas, no máximo o que se consegue é tornar o outro mais desconfortável ou doente. Entendam que, cada ser humano pensa e faz escolhas a partir da sua crença e da sua necessidade individual. Não devemos julgar o outro por escolhas diferentes das nossas.

Mas por que é tão difícil conviver com essas diferenças? 

Por que na maioria das vezes conseguimos ser gentis com os estranhos, mas não conseguimos tratar com a mesma gentileza e cuidado os que convivemos dentro de casa?

A resposta é simples: SOMOS TREINADOS PARA ISSO.

Falar alto, humilhar e pressionar familiares traz a falsa ideia de poder e controle, ser violento e tratar o outro com grosserias traz a falsa ideia respeito. 

Os adultos querem ser tratados com educação e gentileza, mas na maioria das vezes são intolerantes e agressivos com esposo(a) seus filhos.

Os filhos escutam que devem respeitar as pessoas, mas os pais expressam no dia a dia que não levam desaforo pra casa.

Os pais querem que seus filhos sejam leitores e estudiosos, mas eles enquanto adultos, mal conseguem da atenção e ajudar os filhos nas tarefas da escola.   

Tudo isso traz a tona quão contraditório é o ser humano, devido ao potencial cognitivo e adaptativo que existe em nós, e de forma lógica, isso evidência o quanto nos tornamos desinteligentes diante de aspectos que envolvem fortes laços emocionais.

Mas a pesar de ser algo pouco inteligente e muito doentio para a vida em grupo, é muito comum identificarmos na maioria das famílias, que seus gestores são educados, respeitosos, generosos e flexíveis com os estranhos (não familiares), mas são extremamente críticos, agressivos, intolerantes, punitivos com seus próximos (familiares). 

Quanto mais se convive intimamente com alguém, mais deveria ser fácil agradá-la, tolerar suas fragilidades, respeitar suas vontades e opiniões, ser gentil e coerente com essas pessoas que nos acompanham diariamente.

O exemplo é seguido, e essas crianças quando se tornarem adultos, terão grandes possibilidades de reproduzir os comportamentos de intolerância e pouca inteligência emocional. E assim o ciclo se repete com as próximas gerações.

Por isso, caro leitor, que vivemos em uma sociedade tão doente e violenta, nossos ancestrais nos treinaram para isso. Já percebeu que raramente agradecemos ou elogiamos a quem vive no nosso lado.

Você não escolheu ser quem é não escolheu sofrer o que sofre, possivelmente também entende por que seus familiares não simpatizam ou não gostam muito da sua forma de agir. 

São ciclos automáticos que vem se repetindo há vários séculos. Então pense que você pode se tornar um ser humano muito melhor e evoluído, se conseguir mais inteligente emocionalmente, e só dessa forma podemos evitar conflitos e adoecimentos em nós mesmos e nos que vivem a nossa volta. 

Quem ama não maltrata nem quer ser maltratado. Quem é gentio recebe gentileza. Quem é educado é tratado com educação. Quem elogia é elogiado. 

Em breve publicarei a continuação do texto, com reflexões sobre como podemos mudar nossa realidade agressiva através da gratidão.

14 set

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Aprenda como ajudar alguém em risco de suicídio

Foto: Marcos Santos / USP Imagens

A Campanha SETEMBRO AMARELO existe no Brasil desde 2015, mas o que deu origem a esse movimento mundial foi à morte de um jovem americano na década de 90.

Em setembro de 1994, nos Estados Unidos, o jovem de 17 anos Mike Emme cometeu suicídio. Ele tinha um Mustang 68 amarelo e, no dia do seu velório, seus pais e amigos decidiram distribuir cartões amarrados em fitas amarelas com frases de apoio para pessoas que pudessem estar enfrentando problemas emocionais como o jovem EMME.

A ideia acabou impulsionou um movimento de prevenção ao suicídio e até hoje o símbolo da campanha é uma fita amarela.

Inspirado no caso Emme, o “Setembro Amarelo” foi adotado em 2015 no Brasil pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a cada 40 segundos, uma pessoa comete suicídio em algum lugar do planeta. Ou seja, em um ano, aproximadamente (um milhão) de pessoas perdem sua vida dessa maneira. Dados levantados pela instituição em 2016 também apontam que suicídio está entre as três principais causas de morte entre jovens com idades entre 15 e 29 anos. 

Diante desse cenário, fica clara a necessidade de dar mais atenção ao tema, com campanhas de conscientização e debates que possibilitem a quebra do tabu sobre o problema. E é essa a proposta do Setembro Amarelo. 

Importância da campanha

Além de trazer esclarecimentos importantes, as campanhas disponibilizam informações e opções de tratamento para o público, visando a reduzir o medo e o preconceito das pessoas acerca desse problema de saúde publica, assim como orientar os que sofrem a buscar ajuda profissional. 

O fato de muitos acharem que o suicídio é algo distante e que afeta poucas pessoas – o que a OMS mostra não ser verdadeiro –, também prejudica discussões mais aprofundadas que seriam benéficas para quem precisa.

Infelizmente ainda é pouca a atenção dadas a esse problema, por isso muitas pessoas ainda se sentem sozinhas diante de universo doentio.

MITOS e VERDADES SOBRE O SUICÍDIO

1. Pessoas que ficam ameaçando suicídio não se matam, só quer chamar atenção. ERRADO

A maioria das pessoas que se matam deram avisos de sua intenção, frases e postagens em redes sociais é uma forma de pedir socorro.

2. Quem comete suicídio, tem falta de Deus. ERRADO

Pensar em suicídio na maioria das vezes é parte de sintomas de doença mental, então tirar a própria vida é um momento de conflito e sofrimento, e algumas pessoas ligadas a religiões também cometem suicídio.

3. Suicídios ocorrem sem avisos. ERRADO

Suicidas frequentemente demonstram sintomas e comportamentos de que não estão gostando de viver. Deixam de fazer o que gostam, desprezam objetos de estimação e etc.

4. Melhora após a crise significa que o risco de suicídio acabou. ERRADO

Muitos suicídios ocorrem num período de melhora, quando a pessoa tem a energia e a vontade de transformar pensamentos desesperados em ação autodestrutiva. A melhor alternativa é ser acompanhado por um profissional da saúde isso irá reduzir a possibilidade de outra tentativa.

5. Nem todos os suicídios podem ser prevenidos. VERDADE

A maioria é possível prevenir, 90% dos casos podem ser evitados quando recebem ajuda.

6. Uma vez suicida sempre suicida. ERRADO

Pensamentos suicidas podem retornar, mas eles não são permanentes e em algumas pessoas eles podem nunca mais retornar.

7. Falar sobre suicídio estimula as pessoas a se matarem. ERRADO

Quanto mais se fala sobre o assunto mais a prevenção é eficiente, desde que a pessoa que converse com o suicida saiba direciona-la com intervenções certas, isso facilita para que os que pensam em cometer suicídio entendam o porquê se sente assim e busquem aceitem ajuda, e para os que nunca pensaram se tornarão mais preparados para ajudar os que precisam.

8. Quem se suicida está em conflito mental e só vê a morte como única alternativa para resolver seus problemas. CERTO

Quando o indivíduo não encontra saída para seu problema, para sua dor, ele quer acabar com esse sofrimento e só enxerga a morte como alternativa. Conversar, acolher, ouvir e cuidar é a principal prevenção.

Não julgue a dor do outro, se você não sabe como ajuda-lo, leve-o a um profissional que saiba, essa ação terá 90% de chance de salvar seu amigo ou parente.

O ministério da Saúde (MS), juntamente com a Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio (AIPS), colaboram com a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Federação Mundial para Saúde Mental (FMSM), em ações articuladas que mobilizam cerca de 40 países e realizam eventos de sensibilização para fortalecer a ocasião. 

Segunda a Organização Mundial de Saúde (OMS), estima-se que no mundo por ano mais de UM MILHÃO de pessoas morram por suicídio, sendo contabilizado o maior número entre pessoas com idades entre 15 e 29 anos, com isso, se torna a quarta causa de mortes entre homens e a oitava causa entre mulheres.

A campanha Setembro Amarelo é projetada para desconstruir o preconceito sobre as causas do suicídio. A falta de conhecimento sobre o assunto é o principal obstáculo que dificulta a prevenção. 

Segundo o Ministério da Saúde (MS) 90% dos casos de suicídio estão relacionados com alguma doença mental, então quanto maior o nível de conhecimento sobre a temática, mais fácil de prevenir o problema.

Quando um indivíduo pensa ou tenta suicídio, mas é acolhido e direcionado pelo profissional capacitado, raramente ele volta a tentar, o índice de desistência é de 90% desde que tratado. Ou seja, quando esse indivíduo não é cuidado ele tem uma grande chance de cometer suicídio a qualquer momento. 

Segue algumas dicas de como agir diante de alguém com ideação suicida:

Mantenha-se calmo e receptivo, disposto a ouvir alguém que precisa desabafar;

Não julgue nem critique o que ele disser, pois você não sabe o quanto ele sofre;

Diga que está com ele e vai ajudá-lo.

Estimule o indivíduo a falar sobre como tentou? Há quanto tempo se sente assim? Quem sabe das tentativas? são perguntas que o farão explicar o nível de perigo que ele se encontra;

Mesmo que ele se negue no momento, tente leva-lo a um serviço de saúde mental; 

Não o abandone, não o deixe desistir da vida;

Falar sobre suicídio com quem pensa em tirar a própria vida é melhor maneira de amenizar o sofrimento mental que ele sente, tudo que precisa nesse momento é ser ouvido e valorizado.

23 ago

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SEXUALIDADE: Um assunto para todas as idades

Foto: emmaws4s / Pixabay

Quando falamos em sexualidade, esbarramos é um TABU cultural onde a maioria das pessoas tem um conceito errado sobre essa característica instintiva humana. 

Muitas pessoas pensam que falar sobre sexualidade com crianças e adolescentes, irá incentivá-los a entrar na prostituição.

Muitas pessoas pensam que falar sobre drogas com crianças e adolescentes, irá incentivá-los a entrar na marginalidade.

Muitas pessoas pensam que falar sobre suicídio com crianças e adolescentes, irá incentivá-los a tirar a própria vida.

Conversar e prevenir é melhor do que tentar consertar erros cometidos por falta de conhecimento e orientação.

É preciso compreender que existir diferença entre: Sexualidade e Sexo. 

SEXUALIDADE: é uma energia que motiva o individuo a buscar uma satisfação íntima. Nem sempre essa busca é com SEXO. Existem várias formas de sentir prazer nas relações sociais e que configuram a sexualidade, energia essa que nos acompanha desde o nascimento até a morte, em cada momento da vida ela se apresenta de modo diferente. A OMS (Organização Mundial de Saúde) reconhece que a sexualidade é uma energia instintiva de origem biológica do ser humano, ou seja, todo ser tem sua condição particular de viver e saciar suas próprias necessidades.

SEXO: é uma prática comportamental que motiva parte da manutenção da sexualidade, e se contextualiza de acordo com cada cultura. O ato sexual é a ação que configuram relações reprodutivas e vínculos afetivos e sociais. 

O ideal é que os seres humanos só se relacionem sexualmente a partir do momento em que o organismo alcance maturidade hormonal, estando assim em condições de reprodução. Esse prazo nem sempre é igual, cada organismo tem um tempo particular de chegar a essa condição plena de funcionalidade.

Mas como orientar as crianças com o conteúdo compatível para sua idade?

Como direcionar os adolescentes na administração das mudanças corporais e hormonais?

Essas não são as únicas perguntas que atormentam os pais e as mães, eles hoje estão nessa posição, mas já foram filhos também e na época não tiveram oportunidade de vivenciar algo diferente sobre o assunto sexualidade.

Então como não sabem realmente o que é sexualidade, também tem dificuldades de responder perguntas sobre sexualidade dos filhos crianças e dos adolescentes.

Como direcionar os filhos com confiança para que eles se desenvolvam em cada etapa de suas vidas de forma saudável?

Pergunta difícil não é?

Pois bem, é comum ouvirmos adultos sem conhecimento e com preconceituosos expressarem que crianças e idosos não tem sexualidade. Isso é um erro, em todas as idades estão ativas as características e condições inerentes à sexualidade.

As crianças têm seu modo e seu tempo de conhecer seu corpo, e compreender as diferenças físicas entre meninos e meninas, isso é sexualidade. É comum identificarmos pais e mães que se sentem confusos ao ser questionado sobre sexualidade com perguntas simples pelos filhos ainda crianças.

Exemplo: Mamãe como eu sai da sua barriga? Como eu nasci? Como você ficou gravida?

Muitos já passaram essa “saia justa”. Pais e mães, quando isso acontecer com vocês, respondam de modo objetivo e simples, pois se vocês não forem convincentes ou não responderem, essas crianças vão pesquisar na internet, e infelizmente lá eles encontrarão conteúdos impróprios para a idade deles, e possivelmente nunca mais eles te perguntem nada sobre o assunto, e sempre vão buscar essas respostas na internet. Lá o conteúdo confunde até os adultos, imaginem a elas que são crianças.

Só que na maioria dos casos crianças principalmente do sexo feminino são muito punidas e traumatizadas diante desse tema. Esses pais não admitem que elas crescem e na maioria das vezes irão descobrir a verdade de forma vulgarizada ou erotizada.  

Adolescentes buscam experimentar como esse (corpo) aparelho biológico funciona, muitas vezes através da masturbação, que é comum na puberdade entre garotos e garotas. 

Não adianta você pai ou mãe dizer que é pecado, ou dá qualquer outra forma de desculpa ou punição. É nesse período da vida que surgem muitas dúvidas e que os pais na maioria das vezes não sabem orientar seus filhos, e na ausência desse direcionamento eles buscam respostas em pessoas que também não sabem abordar o assunto, assim como na internet, e devido a isso, muitos iniciam uma vida sexual de forma errada, arriscada e irresponsável. 

O ideal é que os pais construam uma relação de confiança com seus filhos, e assim esse quando adolescente será mais bem direcionado, pois quando tiver dúvidas ele vai buscar resposta nessa pessoa de confiança.

Adultos que apresentam alguma disfunção sexual seja ele hétero ou homossexual, possivelmente foi uma criança mal orientada e um adolescente em conflito com seu próprio corpo. Ou talvez vítima de algum tipo de abuso sexual. 

Lamentavelmente o índice de violência sexual contra crianças e adolescentes é alto na nossa cultura, o fato da criança não ser orientada adequadamente sobre sexualidade, é um fator faz essas crianças serem mais vulneráveis aos abusadores.

Senhores pais e mães compreendam que vocês nunca conseguirão impedir a evolução dos seus filhos, o contexto da sexualidade é apenas um dos elementos que compõe a multiplicidade funcional dele enquanto ser humano. Então é melhor adaptar-se e orientar com carinho e respeito do que perder o controle vê-los mal sucedidos na vida sexual e social.

Falar sobre o assunto com os filhos não irá incentiva-lo a entrar na prostituição, pelo contrário esses ensinamentos devem ser a porta de entrada para melhor visão sobre os perigos a serem enfrentados na vida de adultos.

24 jul

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Perdas que geram desequilíbrio emocional

Foto: Ulrike Mai / Pixabay

Quando falamos em perdas, naturalmente nós seres humanos rejeitamos o termo e nos assustamos com a possibilidade de perder algo ou alguém.

A cada prejuízo, o ser humano recebe um impacto emocional. A intensidade com isso acontece, depende diretamente do quanto esse individuo está organizado emocionalmente naquela ocasião, e de como ele se posiciona diante de cada dificuldade.

É comum identificarmos pessoas, que quando perdem algo ou alguém muito importante, ficam confusas quanto ao sentido da vida, e se desorganizam psicologicamente. 

Esses acontecimentos são consequência da fragilidade emocional, e do modo como cada indivíduo lida com seus percas. Esse posicionamento está diretamente ligado com a resiliência desenvolvida por essa pessoa ao longo das frustrações da vida.

Mas a final. Por que algumas pessoas não se acostumam com ordem natural do universo, que envolvem diariamente decisões, escolha, vitórias e derrotas?

Por que somos resistentes a aprender que muitas das coisas que perdemos não dependem da nossa vontade?

A evolução natural do mundo nos permite sempre conquistar algo ao mesmo tempo em que precisamos abrir mão de outras.

A exemplo desse atual momento delicado, que o planeta passa no contexto da saúde humana.

Quando um alguém escolher ficar em casa, ele abre mão da sua liberdade para ter saúde.

Quando outro alguém decide não cumprir as regras do distanciamento social, ele ganha a liberdade, mas correr o risco de perder a saúde e/ou a vida. 

Então caro leitor. A cada perda vivenciada nosso corpo experimenta doses de desconforto e sofrimento emocional. Cabe então a cada um de nós, agir com inteligência emocional diante de cada escolha, uma vez que, se faz necessário desenvolver habilidade de sobrevivência, sabendo que ganhamos e perdemos o tempo todo. 

É importante ter consciência de que, nem toda perda está relacionada com a morte. Muito embora esse contexto da finitude da vida seja a perda mais dolorosa, e é em torno dela que gira os maiores desconfortos, e os mais intensos sofrimentos emocionais. 

Desde que o COVID-19 começou se alastrar no planeta, o elemento morte ficou muito mais evidente e sempre vem ganhando destaque por todos os lugares. É comum que esses eventos tornem as pessoas mais impactadas emocionalmente.

É bem verdade que durante a quarentena ganhamos companhias de alguns que eram ausentes, assim como perdemos as companhias de alguns que eram presentes.  

Em outras épocas muitas vidas iniciavam e findavam todos os dias nos mais variados lugares ao redor do mundo, só que esses acontecimentos não eram noticiados de modo detalhado como estão agora. 

Todas essas perdas geram desequilíbrio emocional, pensamentos disfuncionais, e adoecimento psicológico, não tem como naturalizar esses acontecimentos, nós não conseguimos vivenciar isso tudo e não nos sensibilizarmos, a somatização é automática, principalmente para aqueles que acompanham diariamente a evolução desse fenômeno. 

É importante sempre ficar atento ao seu próprio nível de preocupação e sofrimento, caso você esteja tendo prejuízos com seus compromissos e atividades, é recomendável procurar ajuda de profissional de Psicologia, para reestabelecer essa condição emocional. Caso exista esse tipo de incomodo e não seja reorganizado, você tem uma grande possibilidade de desenvolver uma doença emocional. 

Atualmente muitas pessoas estão desencadeando crises de ansiedade, devido ao grande nível de somatização das perdas no período de isolamento social.

Na verdade o que faz você adoecer é a maneira com que você pensa e encara os fatos e as perdas. Quando o indivíduo vivencia uma psicoterapia ele desenvolver habilidade emocionais através do autoconhecimento, aprendendo estratégias de administrar seus pensamentos e emoções.

24 Maio

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COVID-19, Adoecimento Mental e Suicídio

Mês dedicado aos cuidados da saúde mental (Foto: Marcos Santos / USP Imagens)

O coronavírus está nos holofotes de todas as páginas jornalísticas, e também nas redes sociais, e naturalmente em todas as conversas anônimas esse assunto também é o mais comentado. Há poucas semanas a contaminação chegou a todas as cidades brasileiras, e o mais se temia aconteceu, os números agora são também nomes. Nossos familiares e pessoas conhecidas.

As consequências são evidentes em vários aspectos sociais, principalmente na organização psicológica das pessoas. O ADOECIMENTO MENTAL cresceu muito, e junto à desordem emocional, veio também ganhando destaque o aumento nos casos de suicídio. Muitas das doenças mentais graves têm como parte dos sintomas os pensamentos suicidas. 

As causas do aumento no número de suicídio estão diretamente ligadas a crescente do adoecimento mental. Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), 90% dos casos de tentativas e suicídio têm por trás uma pessoa com doença mental grave. Já escrevi um artigo anteriormente falando sobre as estatísticas do suicídio em tempos sem pandemia. RELEMBRE.

O distanciamento social potencializa várias emoções que causam desequilíbrio psicológico: as angústias, as incertezas, os medos, a insegurança, a ansiedade, o medo e etc. Essas sensações emocionais em altas doses e sentidas diariamente causam grande sofrimento no indivíduo. 

Todas essas emoções estão evidentes nas pessoas e principalmente nos idosos, que além de serem do grupo de risco, tiveram suas obrigações sociais e atividades de lazer bloqueadas. Geralmente o idoso tem poucas ocupações: ir à igreja, ir à feira, grupo de convivência, caminhar na praça, jogar dominó com os amigos entre outras. Pra quem já tinha poucas atividades, ficou ainda mais difícil viver confortável, já que o modo de funcionamento das famílias na atualidade as pessoas não conversam pessoalmente com tanta frequência como a década passada. Essa pessoa idosa está presa socialmente e sozinha emocionalmente

Diante dessa situação doentia, é comum identificar pessoas com sintomas psicossomáticos, que são a junção dos conteúdos absorvidos no desgaste físico e psicológico.  A maioria das pessoas está há muitos dias sem liberdade de ir onde quer, e ainda tem que conviver com risco de morte caso contraia o vírus, mesmo para quem não é dos grupos de risco. 

Nas últimas semanas aumentou muito a busca por Serviços de Psicologia. Mesmo durante a pandemia muitas clínicas e profissionais continuam atendendo seus clientes, tanto no modo presencial quanto virtual, cumprindo os requisitos de segurança e atendendo as normas do CFP (Conselho Federal de Psicologia) que regulamenta o atendimento psicológico através de meios de tecnologia em sua resolução de N° 11/2018.

10 Maio

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SIMPLESMENTE, MÃE!

Foto: Pixabay

Só são três letras escritas,

Seu conceito infinito.

Mãe, majestosa e rainha! 

Tão vasto seu gabarito.

Reflexo da divindade,

Em toda humanidade,

O papel mais bonito.

 

 

Se Mãe diz eu acredito

Do destino eu abstraio,

Dona do sexto sentido

Sem precisar de ensaio. 

O ser mais belo do mundo,

Musa fiel do segundo, 

Domingo do mês de maio.

 

 

Supera dor e desmaio

O maternal se sustenta,

Sem diploma ou estudo

Gera seu filho acalenta. 

Mãe: é ternura, bondade,

Doar é a especialidade,

Tudo pelo filho aguenta.

 

 

Mãe: é passiva é briguenta,

É pela vida treinada,

Cuida do filho de dia,

E em claro na madrugada.

Fonte amor que não seca,

A mãe mata, morre e peca,

Seu filho não faltar nada.

 

 

Dos filhos mãe ama cada 

Quer embaixo de sua asa,

Independente de quantos

Tem espaço em sua casa.

Mãe protege do perigo,

Mãe é refúgio, é abrigo,

E no tempero ela arrasa.

 

 

Mãe: a fronteira da casa 

A juíza das leis do lar.

Mãe é escrava, é maestra,

Mãe um anjo particular,

A Mãe nunca abandona

Na barriga da carona

A Mãe quem ensina falar.

 

 

Mãe: sinônimo de amar,

De cuidado e proteção. 

Mãe é carinho, alimento,

Mãe é conselho, é perdão!

Mãe é incondicionalmente, 

Tem no filho uma semente,

Que não sai do coração!

 

 

Mãe: é nossa procriação, 

É dela que brota a vida.

Mãe: é amor verdadeiro.

Mãe: é valor sem medida.

É joia mesmo sem brilho,

Se precisar pelo filho, 

A mãe dá a própria vida.

 

 

Mãe: é sempre precavida,

Quer o bem em todo lugar.

Tão estupendo é ser mãe,

Que arte tão exemplar.

Mãe, Mainha ou Mamãe, 

E com certeza ser mãe,

É algo espetacular.

 

 

Mãe tem em todo lugar,

Desde o tempo da caverna.

Mãe no passado e presente,

No futuro Mãe moderna.

As três letras com melhor som,

E como seria tão bom 

Que a mãe fosse eterna.

26 abr

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O machismo ainda está longe de acabar 

Mulheres protestam, em 2016, contra violência doméstica (Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil)

O debate sobre as consequências do machismo é necessário, e tem se tornado cada dia mais intensa discussão, muito embora diante dos traços culturais, filosóficos e sociais, ainda é uma batalha sem prazo para encerar. 

O Machismo é caracterizado pela opinião ou conduta de favorecimento e vantagens de direitos e deveres ao macho em maior proporção do que à fêmea. Significa o enaltecimento do sexo masculino, o destaque, o orgulho do gênero, que em contra partida é demonstrado na maioria das vezes, de forma intolerante, exagerada, violenta e preconceituosa.

As reinvindicações feministas, em busca da igualdade de direitos e deveres iniciaram no século XVIII nos países europeus. Mesmo percebendo que muito evoluiu ao longo das gerações, é possível notar que ainda está um pouco distante do que é ideal, aja vista a violência (física, psicológica, sexual e social) imposta contra a mulher, é mais antiga da história.

Diante de um valor filosófico, até o dicionário é machista. Ao pesquisar a palavra FÊMEA, encontramos apenas a frase: animal do sexo feminino, substantivo feminino. Ao pesquisar a palavra MACHO, encontramos a frase: que é do sexo ou gênero masculino, qualquer animal do sexo masculino, acrescido de alguns adjetivos: forte, vigoroso, valente, corajoso, másculo. Como se a mulher não tivesse a possibilidade de desenvolver essas habilidades e atributos.

É necessário lembrar que, a violência e o preconceito contra a figura da fêmea é tradição. Por isso acredita-se que essa luta por igualdade ainda se prolongará para outras gerações, pois essa vasta conduta que desvaloriza a mulher está em todos os cenários. Entenda-se: religião, política, formações científicas, empreendedorismo, formação familiar e outros que adotam modelo patriarcal. 

Desde a pré-história dos humanos na maioria das culturas, era o macho que tinha obrigação de prover o alimento, de liderar e proteger a família, e por essa necessidade sua projeção evolutiva corporal foi se adequando para essas atividades. Por isso o macho geralmente tem um porte físico maior, e se posiciona de maneira mais agressiva e dominante, muito embora em algumas culturas remotas a exemplo de tribos da Estônia onde as mulheres são as lideranças da comunidade. 

Para o filósofo Cortella o machismo é uma prática desinteligente, pois desenvolve suas condutas argumentando sua opinião em uma hipótese de superioridade, já o feminismo é um movimento que defende a igualdade de direitos e deveres.

Eu acredito que, um dos aspectos que fazem essa luta evoluir lentamente é maneira com que algumas lideranças e simpatizantes feministas se posicionam nos debates e protestos. Em meio às pautas igualitárias de direito que são cobrados, são inseridas ações de intolerância religiosa, em alguns casos ganha roupagem de destruição de patrimônios públicos, as manifestações perdem o foco no objetivo questionado, invalidando parcialmente a razão e a moral pela forma que é reivindicada, as mulheres e homens que lutam pela igualdade de direitos devem defender isso de modo inteligente e responsável, a final essa é uma luta da humanidade e não de um grupo isolado. 

Assim como a masculinidade é tóxica ao reproduzir para próximas gerações as condutas machistas que negam o respeito e o direito da mulher trabalhar em cargos iguais, em ser remunerada no mesmo nível, naturalizando a violência e o feminicídio. O feminismo também pode se tornar tóxico e autodestrutivo, quando reivindicam direitos, usando muitas vezes condutas reprovadas pelas próprias mulheres. 

Sabemos que cada ser humano tem seu papel na manutenção e na reprodução da espécie, ao menos em contextos fisiológicos diante da formatação da funcionalidade do organismo do macho e da fêmea, existem comportamentos pré-estabelecidos que são esperados do homem e da mulher.

Então de modo singular e necessário ao cuidar e ensinar filhos e pessoas para conviver em sociedade, treine-os para que as relações sejam pautadas no respeito e na valorização do ser humano, independente de ser macho ou fêmea. Se houver respeito, a vida será mais harmoniosa, sem existir descriminação de gênero, raça, profissão, classe social, religião, e etc.

 Para concluir deixo aqui uma breve reflexão. 

Que o feminismo seja inteligente e imponha respeitoso para conquistar com elegância seu espaço merecido, pois na força será mais difícil vencer quem usa a violência e a cultura de forma desleal. Não se trata de rebaixar o homem, a luta deve ser pautada em valorizar a mulher.

29 mar

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Pandemia e Tranquilidade: sim é possível!

Foto: Orna Wachman / Pixabay

Como manter a tranquilidade diante da pandemia? Como não entrar em desespero, quando de modo contínuo somos bombardeados de notícias pelas redes sociais? Como saber se as notícias são realmente verdadeiras? Como não se sensibilizar com a dor do outro?

Como não lamentar milhares de mortes? Como não sofrer pelas contas atrasadas?  Como não se estressar sem sair de casa? Como não se preocupar, pois enquanto estamos em casa milhares de pessoas correm para que não falte alimento, remédios, segurança e saúde?

Como manter-se de quarentena e lembrar-se da pandemia, diante de uma enchente que deixa sua família desabrigada? Pergunto isso porque em minha cidade Santana do Ipanema-AL, na última quarta-feira (25) houve uma forte chuva onde um riacho transbordou deixando mais de 200 famílias desabrigadas. 

O planeta está passando por um momento difícil, o COVID 19 vem impactando todos os cenários científicos, sociais econômicos. Em alguns países são milhares de pessoas infectadas e mortas. Esse fenômeno nunca visto antes está assustando todas as classes sociais e todas as nacionalidades. 

São tantos questionamentos feitos, e a maioria deles não tem resposta pronta. São tantos desencontros que nos confundem. São tantos desequilíbrios que nos afligem. São tantas coisas que não se encaixam. São tantas vidas encerradas. São tantas perdas irreparáveis. São tantas explorações e oportunismos. São também oportunidades de prevenção. São todas coisas humanas. E por que não aceitamos? E por que não compreendemos? E por que não sabemos lidar com tudo isso? São tantos porquês.

De modo natural nós seres humanos não somos treinados para perder. Ao longo da nossa vida somos sempre impulsionados para ganhar. Assim como também não somos preparados para lidar com nossas emoções e pensamentos disfuncionais, e a ausência dessas habilidades faz de nós seres humanos criaturas frágeis e vulneráveis ao adoecimento psicológico. 

Você já se deu conta do quanto pensa rápido? Do quanto é potente as suas emoções? E o quanto você já agiu errado por nunca ter pensado sobre como você funciona emocionalmente? 

É comum perceber nesse momento, que a maioria das vezes agimos no automático. Tomando por base a tríade Cognitiva Comportamental: pensamento, emoção e comportamento. Quanto maior a intensidade do pensamento, maior é o incômodo da emoção e mais desinteligente é o resultado do comportamento.

De modo prático na quarentena, como você passa o dia inteiro menos ocupado, quanto mais você ficar absorvendo a quantidade de mensagens e alarmes falsos que chega às redes sociais, mais tenso, ansioso e preocupado você se torna. Assista apenas uma vez por dia o noticiário para manter-se atualizado. Não dê audiência às coisas repetidas.

Outra estratégia para evitar o pânico e a ansiedade extrema são técnicas de respiração e meditação, isso te ajuda a manter o equilíbrio emocional.

Se ocupe lendo, fazendo curso on-line gratuitamente, jogue algo com seus familiares, mantenha um ritmo de horários, afinal é extraordinária a oportunidade de prevenção que nós estamos tendo, pense que muitas pessoas morreram por não terem se prevenidos, não precisa ser extrema a preocupação, cumpra os requisitos de prevenção.

Independente da sua opinião sobre isolamento total ou sair pra trabalhar, sejam disciplinados para evitar a transmissão do vírus para as pessoas dos grupos de riscos: “idosos e pessoas com doenças crônicas e debilitantes”.

Caso você ainda tenha dificuldade psicológica após realizar essas atividades, técnicas e ferramentas de estabilidade emocional foi criada uma força tarefa onde um grupo de psicólogos está fazendo escuta psicológica on-line (atendimento virtual gratuito durante a pandemia). Basta entrar em contato pelo número 82 99625-2663 e você será direcionado para um profissional de acordo com seu horário disponível, os atendimentos estão sendo feitos manhã, tarde e noite.

O problema é difícil, mas se for encarado de maneira inteligente será resolvido, no desespero não se resolve nada, pelo contrário só piora a situação. Vamos superar a pandemia de forma consciente.

08 mar

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Ser Mulher é…

Foto: Free-Photos / Pixabay

Ser mulher é ser coragem, é resistir o dia a dia, o compromisso, o estresse, os prazos, os obstáculos. Sabemos que não são poucos, os degraus que a mulher sobe na sua missão permanente, de profissional, mãe, filha, esposa ou seja lá qual for sua posição atual. Ser mulher é ser força é também inspiração, superação, evolução, mansidão, sei que também há transformação, e aí no fundo do seu coração tem partículas de mistério da genuína procriação, é que na verdade não teria sentido a existência da mulher se não tivesse complexidade. 

Ser mulher é ter carisma para vencer constantemente, porque em seu aparato biológico habilidades incríveis, pra ser mulher é preciso ter doçura e serenidade para que suas vitórias sejam comemoradas de forma leve e gratificante. Ser mulher é ter paciência, é ser explosiva quando incompreendida, ser mulher é ouvir piadas de mau gosto, e sentir-se assediada é viver o machismo velado que há por aí. Ser mulher é ser feminina, elegante, é saber falar com um olhar, é saber se impor com uma frase, é ter inteligência emocional, é ser sensível, poderosa, incrível e ter personalidade. Mulher é sabedoria, é também autonomia e o tal sexto sentido diariamente te guia.   

Ser mulher é ser incrível nas coisas mais simples, é ser autêntica nos detalhes, é ser espetacular na resolução, é ser exemplo no trabalho, é encantar com meiguice, é ser sensual com atitude, é querer ser protegida, é ser firme nas decisões. Mas como assim? Sim nas decisões, muitas acham que só o homem pode decidir, enganam-se. Seja mulher de palavra, seja mulher de responsabilidade, seja mulher de fibra, seja mulher de confiança, seja mulher de ação, seja mulher de garra, seja mulher que decide que provê o alimento da casa, que protege a família, que gerencia que planeja, e que sobre tudo nunca desiste dos seus ideais. 

Ser mulher é ser gente, é ser fera, é ser máquina, é ser anjo, é ser sensível, é ser guerreira, é ser chefe, é ser chorona, é ser líder, é ser autoridade, isso é ser mulher.

Afinal, ser mulher é conseguir usar todas essas ferramentas com irreverência e potencialidade, e ainda assim ser mulher. É também ter habilidades para conduzir o trabalho, a casa, o marido, e os filhos quando estes fizerem parte da sua trajetória. Quando não, pouco importa isso não te faz menos mulher, pelo contrário quando tu mulher sabes usar o jogo de cintura, quando sabes se amar tu jamais serás diminuídas por nada. 

Mulher é liberdade, vaidade, é também prosperidade é maternidade e com certeza é a mais bela criação e uma dádiva da natureza.

10 fev

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Certeza de mais SAÚDE e menos SOFRIMENTO na escola e na Sociedade

Foto: Marcos Santos / Imagens USP

Você sabia que foi criada uma lei que obriga todas as instituições públicas de educação básica, ter em suas equipes multiprofissionais, Psicólogos e Assistentes Sociais?

Pois bem caro leitor, se você não sabia, foi sancionada em dezembro de 2019 a lei 13.935/19. O que representa grande vitória para o âmbito educacional, uma vez que, a presença desses dois profissionais na educação pública, é algo muito necessário e desejado há bastante tempo.

É de conhecimento de todos os crescentes números de adoecimento emocional na população de modo geral. As estatísticas da OMS – Organização Mundial de Saúde demonstram que cada vez mais, crianças são diagnosticadas com disfunções sociais e alterações psicológicas.

Diante desse cenário, será importantíssima para a população a atuação desses dois profissionais no contexto escolar, pois além de diagnosticar problemas/doenças nas crianças, que anteriormente nunca passavam por esse olhar clínico e humanizado, serão encaminhados para o tratamento adequado.

Porque naturalmente os professores além de terem grandes demandas pedagógicas, também não possuem domínio técnico para identificar com precisão e intervir nessas disfunções.

Assim como também, os profissionais que atuam nesse ambiente escolar serão assistidos nas suas fragilidades emocionais, a categoria da educação está no topo do ranking dos afastamentos do trabalho por doenças psicossomáticas.

A lei prevê um ano para adequação de todos os gestores e instituições, sabemos que inicialmente o trabalho será para conter as urgências, já que antes não existia essa integração do cuidado social, da saúde mental e da educação. Muito embora com o trabalho continuado que será desenvolvido pelas equipes, ao longo do tempo os problemas serão ajustados, e com isso sairemos do contexto de “apagar incêndio” para contexto preventivo.

Acredito que com esse formato de intervenções, serão amenizados sofrimentos, ajustados comportamentos e evitados adoecimentos futuros. A execução dessa lei também quebra alguns paradigmas e preconceitos sociais construídos pela rejeição cultural da figura do Psicólogo(a).

Agora vou relatar um pouco da minha experiência enquanto Psicólogo atuante junto à equipe multiprofissional da SEMED – Secretaria Municipal de Educação.

Ao iniciar nesse universo escolar, muitos alunos e profissionais ficavam meio desconfiados e olhando torto para mim, após desenvolver algumas intervenções coletivas e individuais, fui sendo recepcionado de forma diferente, se sentiram confiantes em estar comigo. Com cerca de dois meses de convívio, vários alunos começaram a me procurar para tirar dúvidas, para pedir ajudam sobre alguma dificuldade de relacionamento e etc. Vários profissionais da secretaria também me solicitavam e aos poucos as intervenções foram ganhando força, e os resultados sendo vistos.

Assim como a lei descreve, minha participação é como um mediador na relação, “aluno X aluno”, “aluno X escola” e “escola X comunidade”. Nesse trabalho conseguimos identificar doenças tais como: Déficit Aprendizagem, de Atenção, TEA –Transtorno Espectro Autista, violências psicológicas, física e sexual. Os respectivos casos direcionados de acordo a necessidade e órgãos competentes.

E a partir de intervenções com psicoterapia, consegui reinserir alguns alunos à escola, que estavam afastados da sala de aula por sofrerem Transtornos de Ansiedade e Depressão.

Criança saudável emocionalmente se torna um adulto resistente.

Criança que vive em conflito se torna um adulto em sofrimento formando uma sociedade doente.