01 jun

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CRISTO INICIA O MÊS

Foto: Lucas Malta / Alagoas na Net

O Corpo de Cristo é um evento celebrado 60 dias depois da Páscoa, sempre na quinta-feira seguinte ao Domingo da Santíssima Trindade (domingo seguinte ao Domingo de Pentecostes), normalmente com procissões em vias públicas. É considerado uma das festas mais importantes para a Igreja Católica, pois celebra o mistério da eucaristia, ou seja, o sacramento do sangue e corpo de Jesus o Cristo. A partir de 1.269, a Igreja Católica viu a necessidade das pessoas sentirem a presença real de Cristo, tendo iniciada essa tradição.

De acordo com a história, um sacerdote chamado Pedro de Praga vivia angustiado pelas dúvidas sobre a presença de Cristo na Eucaristia. Decidiu então ir em peregrinação ao túmulo dos apóstolos Pedro e Paulo em Roma, para pedir o dom da fé. Ao passar por Bolsena, na Itália, enquanto celebrava a Santa Missa, foi novamente acometido pela dúvida. Na hora da consagração veio-lhe a resposta em forma de milagre. A hóstia branca transformou-se em carne viva.

O Papa Urbano IV pediu para que os objetos fossem levados para Oviedo em uma grande procissão, e foi nesse momento que a festa de Corpus Christifoi decretada.

Assim o Corpo de Cristo abre o mês de junho de tantas tradições, principalmente para a nação nordestina. Além da chave sagrada do mês, junho também começa, pelo menos em Alagoas, com as chuvas benfeitoras e tão aguardadas pelo homem do campo. Portanto, as comemorações religiosas de ontem, prolonga-se na fé sertaneja por um inverno abençoado onde a fartura possa ultrapassar todos os limites da imaginação.

Tanto as ferramentas de trabalho sulcam a terra, quanto às organizações sociais movem-se em torno dos festejos, clamando e louvando Santo Antônio, São João e São Pedro, pela milharada que virá. Quadrilhas, coco de roda e arrasta-pé já estão no gatilho desde o finado mês de maio, aguardando a hora do fazer bonito. Para o nordestino, chegou junho, chegou tudo.

Não vemos a hora de um pratarraz de canjica. Ah, égua!

Clerisvaldo B. Chagas, 1 de junho de 2018

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica 1.913

31 maio

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HELENA BRAGA EM FESTA

Escola Helena Braga (Foto: Clerisvaldo B. Chagas – Livro 230)

Excelente a festa de ontem acontecida na Escola Estadual Professora Helena Braga das Chagas. Dia transferido de homenagem às mães, elas compareceram em massa e assistiram emocionadas a seguinte programação: Abertura do evento com palavras do novo diretor, Ivanildo Ramalho dos Santos. Presente do livro 230 ao padre Jaciel Soares Maciel, pelo autor e o diretor da Escola. Entrega de documento ao pároco, pelos escritores Clerisvaldo B. Chagas e Marcello Fausto. Documento este que narra fatos sobre Ana Tereza, a primeira devota de Senhora Santa Ana no município, inclusive reivindicando um lugar para o seu nome na Paróquia e outras providências. Palestra do vigário sobre o Dia das Mães, realizada com brilhantismo pelo padre Jaciel Soares Maciel.

Em seguida, a professora Vilma de Lima, iniciou a segunda parte, com a crônica humanista, de cunho ecológico,”Beija, Beija, Beijando”, do mesmo autor do livro 230. As mães não arredavam o pé e, uma banda musical acompanhava as homenagens abrilhantando os festejos merecidos. Em seguida, os alunos de várias turmas foram ao palco do evento, realizando apresentações ensaiadas com seus eficientes professores. Era grande o entusiasmo estudantil aguardando a vez de cada uma das apresentações. Jesus participou mandando uma chuvarada boa que fazia coro na terra com as páginas musicais. De fora só se ouviam as salvas de palmas da plateia demonstrando a imensa satisfação matinal.

E o entusiasmado evento que teve início às oito da manhã, parou para um lanche às donas da festa, aproximadamente às dez horas. Era a escola do Bairro São José reforçando o liame entre educadores e as famílias pela batalha da vida. O esforço de cada um que faz a Escola Helena Braga, valeu à pena em contemplar o semblante de felicidade de mães, filhos e filhas, nessa manhã inesquecível. Bastante aplaudido o antigo diretor, Marcello Fausto, pelos relevantes serviços prestados por duas gestões sucessivas. Já o novo diretor,  Ivanildo Ramalho, procura estruturar a Unidade e partir para novas conquistas que elevarão o nome do Ensino em Santana.

Como será o próximo Dia das Mães? Imaginemos nós.

Clerisvaldo B. Chagas, 31 de maio de 2018

Crônica 1.912 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

29 maio

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MORDENDO A BATATA

Pitus (Foto: Cozinha Caiçara)

Quando o dia queria morrer, acenderam uma fogueira. Mesmo sendo verão, começou a chegar um vento frio que se foi tornando cada vez mais gelado e, eu que sou friorento, não mais aguentei a situação e fugi. Fui refugiar-me dentro e no fundo da barraca de lona preta, armada pelos pescadores.

Durante o dia havíamos subido com eles de Belo Monte até ali ao sítio Telha. Naquele lugar deslumbrante e terrível, acampamos no leito seco do rio Ipanema, no lado de baixo das temíveis corredeiras. A proposta era passar uma noite pescando pitu, camarão e peixe, coisa que havia sido feita pelo dia. Após a pesca de covos, houve pirão de peixe e bom descanso. Eu, mais dois amigos e cerca de três pescadores do São Francisco, queríamos apenas um aventura farrista.

Um garrafão de cachaça de cabeça levada por nós, ao invés de animar, acabou a brincadeira. Os meninos de Belo Monte entraram abaixadinhos no “caldo de cana” a que não estavam acostumados. Eu não conseguia dominar o frio no fundo da barraca e imaginava uma cheia repentina naquele cânion que nem a alma escaparia. De repente os pescadores se desentenderam motivados pela “marvada”, rolou confusão e pega-pega, sendo preciso corajosa intervenção dos amigos para acalmar os ânimos. Quando a poeira baixou, os caboclos ainda continuaram verificando os covos, catando os pitus nas armadilhas, produzindo na fogueira os petiscos para as demais rodadas.

Infelizmente aquela noite não era eterna e deu tempo suficiente para me arrepender da empreitada. Mas como saberia da brusca amplitude térmica do lugar? Acho que não preguei o olho, ansioso pela barra do dia. E quando finalmente a luz solar mostrou a face, fui ver o campo de batalha. Entre mortos e feridos escaparam todos do frio, da arenga e da cachaça de cabeça. Estavam estirados pelo areal e pelas enormes pedras das corredeiras. Mais tarde juntamos tudo e partimos para Belo Monte.

Nunca mais quis saber de aventura noturna que pudesse me trazer prejuízo. Os camaradas da pesca voltaram todos com a cara de burro depois da fuga. Nem sei dizer se os seus dentes estavam sadios após as dentadas na cana, mas, cachaça de cabeça, “véi”, quem quiser que vá comprá-la na casa das “mile peste!”, tenho dito.

Clerisvaldo B. Chagas, 29 de maio de 2018

Crônica 1.911 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

28 maio

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JUMENTOS, BURROS E GASOLINA

Foto: Manuella Queiroz

Seu Marinho era poderoso comerciante de secos e molhados. Negociava no “prédio do meio da rua”, onde seu armazém tinha de tudo, desde a ximbra colorida ao arame farpado e querosene. Viera do campo, após uma passagem de Lampião pela sua propriedade. Possuía fazendas e terrenos. E eu como rapazinho, ainda, sonhava um dia comprar a ele a casa e aquelas terras vizinhas à olaria de seu Piduca. Namorava sempre a casa modesta à margem do rio Ipanema, vista da residência de meus pais. Mas seu Marinho também possuía outro terreno na colina, hoje perto do posto de saúde do Bairro Floresta. E nas minhas andanças para o curso de Admissão na Ponte Padre Bulhões, sempre admirava aquela casa de alpendre. “Ah, se um dia pudesse comprar uma das duas!”.

Virei adulto e ouvia dos outros que Seu Marinho não vendia nada do que possuía, apenas os produtos do armazém. “Não me desfaço de nada, nem de um jumento; amanhã posso precisar”, dizia ele. Virei fiel desistente de ambas as coisas. E de fato, alguns bens do comerciante somente foram vendidos após a sua partida.

E como seu Marinho estava certo, atualmente precisamos de cavalos, burros, jumentos e carros de boi, para transportar – que ironia! – gasolina, querosene, leite, mulher para a maternidade, menino para a escola… E tudo, enfim. O boi, o jegue, o burro, o carro de boi, nunca obstruíram estradas e nem entraram em greve. Bichinhos! E agora, comadre, o que fazer com o trem, com o carro de luxo, com o iate, o aviãozinho progressista? E o “babau” que andava perambulando pelas rodovias, sem valer “um conto”, virou peso de ouro para transportar o que o “caminhãozão” nesta greve pai d’égua não carrega: são as coisas da fazenda, o estudante, o leite e o pão.

Sem combustível para ir ao trabalho, botei um bom dinheiro num burro movido a óleo, não o óleo diesel, mas óleo de milho mastigado, querido leitor.

É a greve, irmão, que veio para sentir o pensamento tortuoso do brasileiro moderno. Aí vamos retornando aos transportes antigos dos nossos avós; aqueles que nós já os tínhamos aposentado, menos os de Seu Marinho, é claro, kkkkkkk!

Clerisvaldo B. Chagas, 28 de maio de 2018

Crônica 1.910 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

25 maio

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ZÉ CHAGAS E OS CAIXÕES DE DEFUNTO

Cartas (Foto: Domínio Público)

Já abordamos este assunto. Animando as cidades do interior, nunca faltam alguns gaiatos nas comunidades. Em Santana do Ipanema, o individuo Zé Chagas alegrava o ambiente quando chegava trazendo sua verve para brincadeiras. E se tivesse tido antes de falecer, a ideia de andar com um pajem para anotar os seus feitos, por certo teria publicado um livro humorístico de muitas e muitas páginas. Explorava casas de jogatina e, por ter um gogó acentuado, parecia um urubu.

Foi lá no Beco de São Sebastião, na casa da esquina, cujo prédio já tinha sido muitas coisas e naquele momento abrigava o baralho. Nós, os meninos, brincávamos zoadentos sobre uma janela com meia tala, numa noite de festa de Senhora Santa Ana, a padroeira. Fui um dos atingidos por um balde d’água jogado pela janela. Havia sido jogado por Zé Chagas, o comandante da casa.

Já rapaz feito, vi sentado à porta fechada da nossa loja, dois negros altos conversando baixo: Filemon, ex-cangaceiro e Zé Preto, o manganheiro que construiu um oratório na croa da pedra do sapo, no rio Ipanema. Para todos os mortais, nada. Mas para Zé Chagas que vai passando, lembra um pássaro preto do sertão e exclama com toda maledicência: “Espia onde está um casal de anum”, e aponta para ambos.

E quando um amigo indaga a outro se acha Zé Chagas muito feio, o cabra responde: “Eu só não acho porque já me acostumei com ele”.

Assim chegou a cartomante Maria Galega, oferecendo seus préstimos e deitou cartas para Zé Chagas, quando abriu a sessão: “Estou vendo ouro na sua vida”. E o gaiato respondeu na bucha: “Só se for ‘ourina’, Maria”.

Quando o dono da casa de caixões de defuntos quis dá uma saidinha, pediu a Zé Chagas que tomasse conta que “ele chegaria já”. E Chagas, que atuava defronte com a casa de jogo “O Bafo da Onça”, prontificou-se em atender ao amigo. Eis que chegam pai e filho para comprar um caixão. Vão perguntando o preço e Zé Chagas dizendo. De repente o viúvo indaga se ele faz um preço menor no ataúde. Zé Chagas não mede consequência e liberta sua verve gaiata: “Só faço menor preço se o amigo levar dois”.

E o primo “véi” só não levou uma surra das maiores por causa da turma do deixa disso.

Deve estar brincando por aí, na outra dimensão.

Clerisvaldo B. Chagas, 25 de maio de 2018

Crônica 1.909 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

24 maio

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BULHÕES, O REVERENDO

INTERIOR DA MATRIZ DE SENHORA SANTA ANA. (FOTO: B. CHAGAS)

Ontem conversamos com um grupo de amigos sobre o padre Bulhões. E para que essa conversa fosse prorrogada e sólida, resolvemos abrir este espaço para os irmãos Araújo, do livro “Santana do Ipanema conta sua história”, cujo texto é mostrado na íntegra:

“O Cônego José Bulhões dedicou-se de corpo e alma à salvação do seu rebanho bem numeroso, espalhado por regiões bem distantes da sua Paróquia. Costumava viajar para elas semanalmente, montado numa burra que o compreendia tão bem, que, ambos, no rnodo de dizer popular ‘se falavam’… Frei Damião fazia pregações tão vibrantes e convincentes no combate aos preguiçosos e, sobretudo, aos unidos sem as bênçãos de Deus, que aos sábados, acorriam à Catedral de Nossa Senhora Santa Ana para se casarem pelas mãos do padre Bulhões bom e generoso. O povo sertanejo é por índole católico e temente aos castigos de Deus, e não quer assim, morrer, penar nas profundas do Inferno…

É voz corrente que o reverendo viera dirigir os destinos de nossa Paróquia pelos idos de 1921, e nunca mais se separara dela; aqui viveu e aqui morreu na mesma santidade por todos reconhecida e respeitada. Era um homem enérgico e de grande coração, e sua maior alegria era ter sua casa cheia de pessoas às refeições, viessem de onde viessem; nunca perguntava de onde vinham e para onde iam. Era comum não haver acomodações para abrigar caixeiros viajantes e pessoas que se destinavam a outras regiões e, por isso, ele os convidava para sua casa, que era um casarão onde não faltava nada. Gostava de fazer amigos e os tinha às centenas; daí, o grande prestígio no seio do povo e nos meios políticos. Fora até convidado para dirigir os destinos da cidade e não aceitou. Pedia pelos pobres de alma que, vez por outra, estavam às voltas com a polícia, e era sempre atendido. Ao morrer, cidade e povo lhe tributaram imorredoura homenagem e, para perpetuar sua memória, foi erigido um busto defronte da Igreja (hoje Catedral), onde ele trabalhou durante toda sua vida”.

MELO, Darci de Araújo & MELO, Floro de Araújo. Santana do Ipanema conta a sua história. Rio de Janeiro, Borsoi, 1976. Págs. 54-55.

Clerisvaldo B. Chagas, 24 de maio de 2018

Crônica 1.908 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

23 maio

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BEIJA, BEIJA, BEIJANDO

 

Foto: Reprodução / Pixabay

Para a sensibilidade da professora Vilma Lima e do escritor Avelar

Ele veio devagar, tudo observou e de repente: vupt! Para trás. O tempo adiantou, ele veio novamente e anotou na sapiência de que não mais havia intrusos na vigilância. Fomos carinhosamente observá-lo na pequenez, no balanço compassado do seu ninho.

Pé ante pé, com medo de um voo súbito, alcançamos êxito. Ele estava ali concentrado na sua missão, o Cuitelinho, a bizunga, o colibri… O beija-flor, porque seu feminino não existe. Deitadinho, chocava os dois minúsculos ovos que havíamos visto antes. Que maravilha! Exclamava o vigia da escola e eu.

Sim, foi mesmo na Escola Helena Braga das Chagas que a folhagem abrigou a ave da inocência e da formosura. Naquela rotina abençoada do trabalho, logo viramos cúmplices, eu e o vigia, da perpetuação do belo.

A sensação de que estávamos protegendo aquela criaturinha de Deus, nos fez um bem danado! Contudo, a nossa iniciação como protetores da Natura, nos rendeu também um casal de rolinhas brancas namoradeiras que, sentindo a mão amiga da escola, chega todas as manhãs no passeio apaixonado por sobre o muro amarelo-ouro.

O casal observa como se indagasse se pode andar por sobre os tijolos rejuntados. E como se tivesse absorvido um “Sim”, ambos mergulham no verdume que cobriu Adão e Eva no começo do mundo. As rolinhas brancas, simbolizando a paz, arrulham entre si e, o beija-flor, depois, sobrevoa os apaixonados da árvore vizinha, voando para frente, para trás, parando no ar e aprovando o remexido selvagem no abrigo.

Os ovinhos irão eclodir e, as mamães daquelas aves, irão se preciso ofertar à vida para alimentá-las, criá-las e entregá-las aos perigos do mundo. E como disse o repentista: “coração de mãe é cofre de se guardar amargura”, o da minha mãe, da sua e da humanidade. Sigo o caminho da paz das rolinhas brancas; e sobre o colibri, ave troquilídia, melhor lembrar o compositor Zeca Baleiro:

“Não se admire se um dia
Um beija-flor invadir
A porta da tua casa
Te der um beijo e partir
Fui eu que mandei o beijo
Que é pra matar meu desejo
Faz tempo que eu não te vejo
Ai que saudade d’ocê”.

Clerisvaldo B. Chagas, 23 de maio de 2018

Crônica 1.907 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

22 maio

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LIVROS, FEIJÃO E FARINHA

Cantadores (Ilustração: DILA)

Foi durante uma peleja entre os dois grandes cantadores, João Cabeleira e Manoel Pedro Clemente, conhecido como “o cego Manoel Pedro Clemente”. Em determinada altura da cantoria, o poeta João falou mal de mulher, dizendo mais ou menos que ela era ruim e fuxiqueira. O repentista Pedro Clemente aproveitou a deixa para ganhar a plateia:

Amigo João Cabeleira

Não diga palavra à toa

Não existe mulher ruim

Só existe mulher boa

Se não prestar pra o marido

Mas serve prou’tra pessoa.

O brasileiro, em geral, não gosta de ler (tirando os que não sabem). Sempre observamos isso, mas agora com a tal Internet, cabra velho, no modo de dizer: ninguém parte para a leitura de mais de cinco linhas.  Toda a leitura nos dias de hoje se resume no: clique na foto. Kkkkkkkkk, é a nova linguagem do riso. E se a coisa já estava preocupante, chegamos à geração figura. Mesmo assim os “doidos” continuam produzindo livros, quase sempre vendendo geladeira a Antártida. E diante dos novos caminhos, livros vão resistindo pelo modo impresso, diante da ameaça virtual.

O mundo livresco tem de tudo: livro de santos, de safadeza, documentário, bruxaria, jogos, novelas… E assim por diante. Têm livros excelentes, bons, médios, tronchos e os livros abóboras de lixo. Mas assim como afirma o povo: “não falta chinelo velho para pé doente”, procura-se o que se almeja. Seguindo, então, a filosofia do segundo cantador, não existe livro ruim, porque “o que não presta para o marido, mas serve para outra pessoa”.

Vivendo nesse mundo onde todo sujeito é sábio, melhor é não achar de maneira alguma, mulher feia e ruim. O corujão dela precisa. E se o corujão precisa, indica que se deve também comer o livro com feijão e farinha.

Clerisvaldo B. Chagas, 22 de maio de 2018

Crônica 1.906 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

21 maio

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TRÊS POVOADOS SANTANENSES

Povoado São Felix (Foto: Divulgação)

Os povoados são a ponte entre o campo e a sede municipal. São eles que suprem as primeiras necessidades ruralistas. Muitos evoluem, principalmente por acontecimentos extraordinários, reivindicam e, às vezes conseguem a emancipação política. Tornam-se municípios, progridem ou caem no marasmo.

Outros crescem, mas as leis não permitem a separação política. Ainda tem os que surgem, crescem e morrem. Viram povoados fantasmas, motivados, por exemplos, por catástrofes naturais, esgotamento da riqueza do lugar, construção de hidroelétrica e assim sucessivamente, como dizia o saudoso professor Aloísio Ernande Brandão.

Interessante é o destino de cada povoado, mesmo vizinhos, trilham rumos diferentes, como acontece com as pessoas na individualidade..

No município de Santana do Ipanema, o povoado Areias Brancas (E Não Areia Branca) foi amplamente favorecido pela antiga estrada de rodagem. Posteriormente a BR-316 foi asfaltada, fazendo com que o povoado desenvolvesse e ficasse cortado ao meio por essa rodovia federal. Não poderia ser de outra maneira e, hoje, Areias Brancas não para de angariar mais casas comerciais e prestação de serviços, chegando a eleger vereadores. Tem, sem dúvida alguma, um futuro promissor.

São Félix, antes povoado Quixabeira Amargosa, é núcleo rural da área serrana do município. Cresceu, mas não como deveria, pois fica fora do principal eixo viário da região. Poderia surpreender dentro de pouco tempo se recebesse asfalto Santana – Águas Belas, São Félix – Areias Brancas (por dentro).

Pedra d’Água dos Alexandres (terceiro povoado) continua isolado, principalmente nos tempos de inverno, cujas estradas só as enfrentam quem tem negócio. O acesso asfáltico à BR-316 poderia dar um novo alento ao povoado de menor estrutura onde também seriam favorecidos inúmeros sítios como Mocambo, Morcego, Laje dos Frade e outros, indiretamente.

Vamos à luta, gente, “a união faz a força”.

Clerisvaldo B. Chagas, 21 de maio de 2018

Crônica 1.905 – Escritor Símbolo de Santana do Ipanema

18 maio

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ALERTAS PROFESSORES DE GEOGRAFIA

A ZONA RURAL SERÁ ESQUADRINHADA (FOTO: B. CHAGAS)

Com os livros “230”, “Ipanema um rio macho”, “Negros em Santana”, Geografia de Santana”, O boi, a bota e a batina, história completa de Santana do Ipanema”, “Conhecimentos gerais de Santana do Ipanema”, resgatamos quase tudo o que a nossa terra tinha direito. E mesmo com nove livros prontos para publicações, estamos mexendo ainda na inquietação. Iniciamos até como lazer, um trabalho de Geografia que resgatará também a zona rural do nosso município.

Trata-se de uma tarefa inédita para e com os professores de Geografia direcionada às escolas, população em geral, autoconhecimento/estágio em que todos os mais de cem sítios serão visitados, mostrados e valorizados. Um documentário que terá assinatura de todos os professores de Geografia participantes. Não temos conhecimento do que o que planejamos tenha sido realizado em nenhum município do Brasil.

Já estamos trabalhando nas pesquisas de gabinete e estaremos no campo, após as chuvas invernais. É um pequeno grupo disposto a passar vários domingos percorrendo as 11 regiões rurais, classificadas por nós e que serão estudadas: Um geógrafo, um historiador, um guia, um motorista e talvez um fotógrafo. Após essa segunda fase, entrariam todos os professores de Geografia de Santana, que quisessem nos acompanhar. Não vamos apresentar ainda o pulo do gato. Mas é preciso transporte, gasolina, alimentação, GPS, máquina fotográficas, filmadoras e mais. Dificilmente se arranja essas coisas com as autoridades. Nesse caso, os professores reunidos dirão como fazer.

Enquanto caem as chuvas, vamos trabalhando, preenchendo o corpo do projeto até onde for possível. Deveremos ganhar o apoio da Escola Professora Helena Braga das Chagas, onde a maioria trabalha e, fora de expediente comanda as ações. Brevemente estaremos convidando os professores de Geografia para conhecer as nossas ideias. Mesmo assim, estamos todos os dias na referida escola no turno matutino onde poderemos ouvir e fornecer sugestões.

Ontem mesmo durante uma entrevista, recebemos importantes informações de um dos mais de cem lugares rurais: Lagoa do João Gomes e do próprio riacho João Gomes. VEM CONOSCO!

 

Clerisvaldo B. Chagas, 18 de maio de 2018

Crônica 1.903- Escritor Símbolo do Sertão Alagoano