02 dez

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Palestina

Foto: Cidade Brasil

Foto: Cidade Brasil

A região asiática de a Palestina estar formada dentro de um deserto onde a vida não é muito fácil. Sabemos que por mais inóspito que seja o lugar, nunca deixa de haver compensações. Os homens, porém, ainda neste planeta belo e selvagem, encurtam a sabedoria e esticam a intolerância. E as discórdias religiosas dos tempos bíblicos, prolongam-se pelos rumos atuais com o nome Deus na língua e o sangue na espada.

Longe, todavia, do Oriente Médio, outra Palestina enfrenta problemas comuns no Brasil, como a sabedoria política de todos os lados. Mas a cidade Palestina alagoana não é só política. É um núcleo populacional com mais de 5.000 habitantes, localizado em pleno semiárido, recebendo toda influência da Bacia Leiteira das Alagoas. Vive, como os demais vizinhos, do criatório de gado e da agricultura tradicional de milho e feijão. A cidade é simples, mas agradável e antes possuía o nome de Retiro. Servida por via asfáltica, a Palestina marca 174 km até à capital e convive bravamente com as secas periódicas. Tudo começou com uma fazenda de gado desde os tempos de 1880. Ali foi instalada primeiro uma mercearia e um entreposto de compra de cereais. Em seguida foi montada uma fábrica de laticínio que chegava a produzir 10 mil litros de leite por dia. Foi instalado ainda um descaroçador de algodão para absorver o produto local. Assim começou a progredir o conhecido Retiro de Cima. Um povoado logo surgiu formando sua feirinha, ainda em 1949.

Para quem gosta de passear, conhecer e se sentir bem com a simplicidade das cidades sertanejas, poderá fazer uma visita a Palestina, bem iluminada pelo sol, limpa, cheia de comidas regionais e outras atrações na feira semanal. A festa do Padroeiro, Sagrado Coração de Jesus, acontece no dia 29 de junho, sendo motivo de fé, alegria e orgulho para todos os palestinenses.

Estive ali algumas vezes, mas não consegui fazer o que muita gente dali gosta de aprontar: tomar banho no açude do DNOCS, em tempo de calor. Perto do rio São Francisco, o município fica um pouco afastado da rodovia, mas vale pela tranquilidade e acolhimento da sua gente. Nem só de eleições vive a PALESTINA.

Clerisvaldo B. Chagas, 02 de dezembro de 2013

Crônica Nº 1096

29 nov

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Só o IBGE sabe

santanaSantana do Ipanema, cidade polo do Sertão alagoano, vai penosamente cumprindo o seu destino. Funcionando como a capital do semiárido, intitulada há muito como “Rainha do Sertão”, aproveita a excelência da construção civil e expande-se em todas as direções. Os seus pontos extremos dependem apenas de loteamentos que vão derrubando a mentalidade antiquária que predominou por décadas.

A região norte, urbana, estira-se pelo Bairro Lajeiro Grande e aproxima-se do sítio Barroso que em breve estará fazendo parte do bairro. Precisa apenas uma rodovia entre as proximidades do cemitério São José, linha reta até a Rua Prof. Ernande Brandão, saindo nas imediações da Delegacia de Polícia, no Aterro. Mais de três quilômetros de rodeios seriam evitados para quem se deslocasse naquela direção. Uma obra “para quem tem peito”, com cara de necessidade.

A parte sul esbarra na reserva ecológica do serrote Pintado ou nos sopés da serra Aguda. Como a população ocupa todos os lugares, aguarda-se um grande investimento nos terrenos acidentados da serra Aguda, para ajudar na expansão rumo ao sítio Olho d’Água do Amaro e cidade de Senador Rui Palmeira. Entretanto, na direção sul, todo o Bairro Domingos Acácio e Floresta estão praticamente ocupados.

O Oeste funciona como direção contrária à capital, mesmo assim o perímetro urbano chega perto da entrada do sítio Remetedeira, pé de serra. Importantes construções procuram às margens da BR-316.

O rumo leste que puxa para as bandas de Maceió está sendo ricamente ocupado. Se o complexo educacional de Santana, Ensino Médio, cansou na parte baixa do Bairro Camoxinga, surge agora um polo universitário no Bairro Lagoa do Junco, juntamente com o polo de Justiça.

Em todas as direções contemplamos as modificações da paisagem, porém, ficamos sem entender como cresce tanto o comércio e as prestações de serviços, mas as pesquisas nunca deixaram que Santana ultrapassasse os 49.000 habitantes. É certo que o município era o maior do estado, perdendo terras para vários outros lugares que se tornaram municípios também, mas seu progresso atual não combina com a quantidade de habitantes apresentada. Nem eu sei, nem você entende. SÓ O IBGE SABE.

Clerisvaldo B. Chagas, 27 de novembro de 2013.

Crônica Nº 1094

26 nov

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Guerreiro alagoano

GUERREIRONão havia televisão. Rádio, muito pouco. Os divertimentos da época aconteciam com soluções caseiras, assim como o pastoril, reisado, guerreiro e pagode. O guerreiro de Alagoas, grupo de danças mais simples do que o reisado, sendo seu filho, cheio de colorido, fazia sucesso em todos os lugares. Os improvisos dos mestres, a beleza das moças brincantes (figuras), as piadas dos mateus, asseguravam as festas.

O chefe de volante policial, sargento Porfírio, era conhecido acabador de reisado, na zona rural de Santana do Ipanema, devido a sua perversidade. Contudo, nem todas as apresentações eram acabadas pelos desordeiros, como os da própria força policial. Era bom ouvir quadrinhas improvisadas que se tornaram famosas no estado:

O avião

Subiu

Se alevantou

No ar se peneirou

Pegou fogo

E levou fim…

Em Penedo, um mestre de reisado vai dando vexame, colocando em dificuldades as filhas alheias que brincam de boa fé nas fileiras dos componentes. Tudo culpa da malvada cachaça. Convidado para brincar na casa do cidadão da área rural, o grupo se desloca até ali, dança e canta a valer. Os versos do mestre, bonitos e ritmados, vão alegrando a comunidade. Entretanto o mestre vai exagerando na bebida até confundir as coisas. Um ouvinte diz para ele que estava gostando das tiradas, mas já era quase meia- noite e o amigo ainda não tinha feito uma estrofe sequer em louvor ao dono da casa que havia recebido tão bem a turma do guerreiro. O mestre improvisador admite o erro e, já esquecido de tudo, indaga o nome do dono da residência: Seu Artur, responde o interventor. E a dona da casa é Dona Enedina. O lugar é sítio Urucu. Assim o mestre pisa forte no chão, abre um sorriso de felicidade caneira e puxa os versos com a voz pastosa:

Ô Seu Artur

Ô Dona Enedina

Ô peça fina

Na fazenda deram o c…

Foi um deus nos acuda! O dono da casa mandou que os seus empregados moessem o mestre no cacete e que ficou bom na hora, na carreira que deu por dentro do mato. Bebida é coisa lorde, mas às vezes não casa bem com a história do GUERREIRO ALAGOANO.

Clerisvaldo B. Chagas, 26 de novembro de 2013.

Crônica Nº 1093

25 nov

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Minha rua

Vendo na Internet companheiros de infância ausentes há tempos, chegam vez em quando as lembranças dos nossos passos na aurora da vida na Rua Antônio Tavares, a primeira rua de Santana. Essa via onde moravam os meus pais estava sempre em festa pela movimentação das pessoas adultas e da meninada. Lembro muito bem da vizinhança. Ali do outro lado, na parte alta, chegava de Olivença o senhor Manezinho Quiliu com a família cheia de moças, para ornar o trecho. Do povoado Pedrão, município de Olho d’Água das Flores, veio o senhor Antônio Marceneiro, dona Maria Neris e seus filhos. Mulher de garganta boa, costureira e puxadeira do Ofício de Nossa Senhora, onde fosse convidada. Zé Urbano e Dona Florzinha com meio mundo de filhos; o esquisito Alfredo Forte, sapateiro e ermitão com duas filhas que não saiam de casa.

Aquele jogo de bola na rua poeirenta irritava minha mãe, Helena Braga das Chagas. Lá ia o Antônio Januário Neris jogando na defesa e frustrando todos os nossos ataques com suas paetadas. O senhor Júlio Pisunha fabricava colchões de junco para vender na feira. Demolido o imenso casarão, feita a reforma, Carrito passa a negociar numa bodega de esquina e aconselhar o povo. Seu Né Lecor mostrava mansidão grande nos cabelos brancos e no puxado dos cigarros. Cubava terras e diziam que na juventude fora cabra macho. Dona Ester de José Camilo lia histórias de cordel para nós. Quando as boiadas passavam até davam medo aos moradores. Seu Antônio, pai de Severino, vendia doces da distribuidora NEUSA. Ali pertinho morava Dona Zora, cujo nome me chamava atenção. Antonio Porqueiro e sua filharada moravam na casa onde fora de dona Zifina, avó do escritor Oscar Silva. Otávio Marchante fora ocupar a casa do senhor José Camilo e já era o torcedor número 1 do Ipanema, time de futebol da cidade. A ximbra, o pinhão, a bola, corriam soltos na antiga Rua do Sebo de tantas tradições. Os primeiros namoricos começavam a povoar nossas cabeças ocupadas com recreios. Na Rua Antônio Tavares (finado dono de padaria) tinha de tudo, inclusive de juventude, era MINHA RUA.

Clerisvaldo B Chagas, 25 de novembro de 2013

Crônica Nº 2092

22 nov

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Lampião e Dumouriez

LAMPIÃOVila Sertãozinho (atual cidade de Major Isidoro). Lampião exigiu do fazendeiro major Amaral, certa quantia. O fazendeiro alegou que não tinha no momento, mas Lampião, abusado, ordenou que um portador fosse buscar onde tivesse: “Vá e diga lá que se não vier o dinheiro, toco fogo nesta peste, mato o gado todo e o major também vai no ‘pacote’. O portador foi à vila apelar para a família do major. nessas alturas, muita gente apavorada abandonou à rua. A mulher do fazendeiro iniciou a reza num rosário implorando pela vida do esposo pela vila. Os filhos reunidos tentavam resolver a situação. O jovem Dumouriez Amaral era seminarista, estudava em Roma e estava com a família naquela apertada hora. Juntaram o que puderam e o seminarista fez questão de levar. Lampião ficou impressionado com a coragem do rapaz e a força sobrenatural que ele trazia. Abrandou suas exigências e ouviu o seminarista dizer:

─ Capitão, nós só temos esse dinheiro espero ficar satisfeito e soltar meu para agora mesmo!

Lampião, já dominado, fez ar de riso e obedeceu ao rapaz. Em seguida Dumouriez o demoveu de invadir a vila. Não houve problema.

Lampião foi embora rumo a Lagoa do Jirau, fazenda entre Palmeira dos Índios e Cacimbinhas e dali seguiu para Pernambuco.

A vila de Sertãozinho é hoje a progressista cidade de major Isidoro, localizada no centro da Bacia Leiteira de Alagoas. Estava situada em zona perigosa, passagem de cangaceiros, uma vez que Lampião gostava de entrar no estado pela região de Mata Grande/Água Branca e sair entre Cacimbinhas e Palmeira dos Índios para alcançar as terras pernambucanas. Em quase todas as suas incursões a Alagoas, o bandido usava esse trajeto.

Ao sair naquele momento da fazenda do major Amaral, Virgolino, no município de Cacimbinhas, bateu e estuprou uma moça, recebendo uma praga raivosa do cantador repentista famoso na época, Manoel Nenem. Quanto ao caso da fazenda Brás, poderia ter terminado em tragédia ,não fosse o entendimento entre LAMPIÃO E DEMOURIEZ.

Clerisvaldo B. Chagas, 22 de novembro de 2013.

Crônica Nº 1090

21 nov

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Oxente, malandro!

http://www.dreamstime.com/-image2042268A dança dos olhos prossegue por toda a viagem. Quem respira a Geo vinte e quatro horas por dia, cola a vista na paisagem voadora. A flora nativa parece com os últimos soldados da batalha machadeira. Os mangues são divididos na área litorânea; canaviais recobrem a ex-mata atlântica; plantas anãs enraízam em terras vermelhas agrestinas; campos artificiais surgem nos lugares das caatingas e os animais silvestres não mais convivem com o homem. A Geografia corre trechos com o fush-fush continuado dos pneus. Somente as silhuetas dos montes mostram-se eternizadas. Nas costas do asfalto cinza, desenhos amarelos empurram os veículos para à direita. Para-choques carregam nas tintas a filosofia da estrada, os avisos educados, as advertências sutis, desabafos, gritos de guerra… Propagandas. As serras longínquas estão azuladas como indivíduos que nos enganam. A carreta tombada põe marco na curva perigosa, rangem as molas, gritam as borrachas.

“Vai com Deus”. “Olá companheiro”. “Mantenha distância”. “Só Jesus salva”… Vão ensinando os guerreiros das pistas nos seus escritos formais, tortos, capengas ou borrados. Uma brincadeira, uma piada, um riso dentuço, cobrem por vezes a fumaça do motor vencido. Atenção na curva, atenção na luta, atenção na vida. E na universidade móvel dos perigos, chama atenção à frase triunfal do espertinho, do gozador que se apega a existência montado no humor diário do que nada é sério. O motorista traseiro abre os dentes na frase daquelas tábuas móveis diante de si e leva o caso para os passageiros. Os dentes de todos acompanham a arcada do motorista na rigidez do indicador. Só uma senhora muito séria parece não gostar do fraseado que lembra atitudes filiais. Rendo-me à brincadeira do asfalto, pois nem só do trabalho vive o homem, mas também das frases de muitos vagabundos. Estava escrito com letras brancas na carroceria suja: “Mãe me mandou criar juízo… Mas eu não sei o que ele come”. OXENTE, MALANDRO!

Clerisvaldo B. Chagas, 21 de novembro de 2013.

Crônica Nº 1090

19 nov

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Amanhã tem festa

pdre cíceroO nome do padre Cícero Romão Batista, continua no imaginário e na alma do povo nordestino, muito mais forte do que na época da sua presença na terra. Devoto fervoroso do sacerdote a quem chamo “meu amiguinho”, propus a mim mesmo escrever apenas cem milagres inéditos a ele atribuídos, documentados com pessoas idôneas que alcançaram graças. Suas inúmeras intervenções na minha vida levaram-me, espontaneamente, à cata desses milagres, aqui mesmo em Santana do Ipanema. Com cinco livros na fila de publicações, resolvi também sentir o prazer das pessoas em narrar seus acontecimentos perante o homem do Cariri.

Saio procurando as casas indicadas por outros devotos, realizo entrevistas emocionantes com todos os que se prestam à narração de fatos pessoais atribulados com desfechos deslumbrantes no evocar do filho de Joaquim Romão Batista e de Joaquina Vicência Romana, dona Quinô.

Não tenho data certa para terminar o meu gratificante trabalho, nem para lançar ao público o livro “100 Milagres do Padre Cícero”, inéditos. Vou colhendo devagar através de vibratórias informações, os depoimentos de sinceridade e fé. Impressionante como as pessoas ficam felizes com a minha presença ao narrarem os grandes momentos de sofrimentos e dores. Alguns choram emocionados quando as lembranças medram forte na memória boa. Mas, impressionante também é a felicidade que toma conta do meu interior, ao deixar cada residência com os meus escritos devidamente documentados. O livro que está sendo elaborado, narra cada milagre em uma página, recebendo a devida numeração identificativa. Como essa crônica foi sugerida pelo próprio, assim será definido o lançamento da obra.

Enquanto isso vai continuando o meu trabalho, possuindo quase um quarto da meta dos cem. Tenho algumas pessoas indicadas para visitas e que elas sempre indicam outras, num trabalho contínuo que apenas exige tempo de quem pesquisa. Portanto, se o leitor tiver alguma graça alcançada através do padre Cícero do Juazeiro e quiser participar desse documentário, é só nos procurar à noite em nosso lugar de trabalho e marcarmos um lugar para colher as informações ou acertar com a nossa residência próxima ao Posto de Saúde São José, perto da Escola Professora Helena Braga das Chagas, Bairro Camoxinga.

Repasso o convite a todos para a grande festa no município de Dois Riachos, na Pedra do Padre Cícero, às margens da BR-316, amanhã, dia 20. Para que esquecer? AMANHÃ TEM FESTA

Clerisvaldo B. Chagas, 19 de novembro de 2013.

Crônica Nº 1089

18 nov

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Conferência Helenística

DamiãoVivendo na mesma cidade, espiando o mesmo Panema, circundando os mesmos serrotes, fomos pródigos em marcar encontros não realizados. Finalmente na última sexta a Escola Estadual Helena Braga das Chagas, cedeu espaço para três. Marcello Fausto cuida de cangaceiros, Fábio Campos traz reminiscências sob o braço e Clerisvaldo sorri maroto para a excelente reunião. Do novo chapéu mágico de Fábio Campos, brota da carneira seu primeiro livro. Reluz a bela embalagem saída do mundo psicológico do autor e cai nas mãos de Clerisvaldo com mormaço aumentado de autógrafo. Toca-me a homenagem magnífica da capa traseira e da página 74 quando o meu nome ganha o cimo DAS RUAS QUE VÃO, RIO QUE VEM. Vamos reapresentando o passado, focando o presente, bafejando o vidro fosco do futuro. E, novamente a Escola Helena Braga salta à vanguarda no movimento cultural.

Colocamos a conversa em dia sob os ruídos da cachoeira literária que nos proporcionou felicidade momentânea e planos futurísticos. Fábio Campos, irmão do meu companheiro de infância Fernando Campos, estreava como poeta em nosso programa Forró da Academia na Rádio Cidade, localizada à Rua Sinhá Rodrigues. Ali estreitamos a amizade, quando comecei a acompanhar depois a trajetória do artista ao revelar seu talento para a escrita nos sites da cidade. Logo após, externou seus dotes para o desenho, inspirado nas cavernas guardiãs dos nossos ancestrais. Inclusive, o estilo rupestre adotado por Fábio, marca com realeza a capa do livro da sua estreia no mundo literário.

Ainda é cedo para que eu possa falar informalmente sobre o conteúdo de SANTANA DO IPANEMA, EM CADA CANTO UM CONTO, porém, em breve assim o farei. Diz à prudência que “Sapateiro, não vá além dos sapatos”. A nossa cidade acaba de ser presenteada com essa obra focada em personagens do dia a dia, sobre um passado vitorioso do novo escritor Fábio Campos e mais os toques coloridos da imaginação pródiga que delineia sua alma.

Os muros da Escola Helena Braga, demarcaram a urdidura da trinca para uma ação efetiva pela cultura com os jovens santanenses interessados nas letras. Os três escritores juntos poderão iniciar na próxima sexta, visitas de cortesia ao mundo encantado da Educação. Parabéns, escritor Fábio Campos, pela oferta ao povo alagoano das primeiras águas da cacimba. Você iniciou muito bem a sua carreira literária. Espero ter sido de grande valia para as suas futuras inspirações a simples mais afetuosa CONFERÊNCIA HELENÍSTICA.

Clerisvaldo B. Chagas, 18 de novembro de 2013.

Crônica Nº 1088

15 nov

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Lampião seu tempo e seu reinado

Foto: Pe. Frederico Barbosa Maciel

Foto: Pe. Frederico Barbosa Maciel

Faço minha as palavras extraídas do “Anuário Cultural Humanus VII – edição Lampião”. O padre Maciel escreveu o livro “Lampião Seu Tempo e Seu Reinado”, em seis volumes, obra de fato impressionante. Frederico Bezerra Maciel nasceu em Pernambuco em 1912. Grande estudioso, principalmente de temas regionais. Sacerdote, com estudos especializados na Europa: Itália, França, Suíça; sociologia, parapsicologia, psicoterapia, arte, estudos bíblicos e, por último Técnico Agrícola em Pernambuco. Além disso, poeta, compositor musical, desenhista arquitetônico e homem de ação e atuação social.

Sobre Lampião compulsou mais de 30.000 exemplares de jornais da época, publicados desde o Ceará até São Paulo; esquadrinhou 78 cartas geográficas e 44 plantas de localidades, a fim de traçar mapas-roteiros dos assucedidos lampeônicos. Buscou novos depoimentos em entrevistas, volveu por várias vezes, aos sertões do Reinado de Lampião.

Não há em sua obra, propósito contra ninguém, inteiramente baseada, com imparcialidade, em depoimentos. Nada de imaginação, pressa ou caprichos. Escrito com absoluto critério de honestidade perante a verdade e com infinita paciência: pesquisa de 30 anos, 4.000 horas de redação, mais de 3.000 nomes de pessoas, mais de 2.000 nomes de localidades.

O trabalho do Padre Maciel: Lampião, Seu Tempo e Seu Reinado é grandioso e desafiante, polêmico, exaustivo. Mas de uma grandeza que abala o leitor.

Maciel dedicou a maior parte de sua vida a fim de legar à História um dos trabalhos mais bem feitos realizados até hoje. Torna-se impossível alguém repetir ou superar o trabalho realizado por esse corajoso e competente historiador, uma vez que não seria possível, hoje, ter contato direto com a maioria dos personagens que compõem esta fascinante história, conviver com eles, entrevistá-los, sentir e recolher as informações diretamente da fonte de forma tão fiel e poética como ele fez.

Ficou comprovado pelo nosso departamento de memória histórica que nenhum autor consultado entre mais de 40 obras, teve a responsabilidade biográfica do padre Maciel.

O padre Maciel foi autor da tese do envenenamento na morte de Lampião, coisas que hoje outros autores, os adoradores de cangaceiros rejeitam. Mesmo além-túmulo, o padre Maciel afirma categoricamente o envenenamento, testemunhado pelas próprias palavras de Virgolino Ferreira da Silva, o Lampião.

Clerisvaldo B. Chagas, 15 de novembro de 2013.

Crônica Nº 1087

14 nov

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Lampião e Rifle de Ouro

silvinoDizia o poeta popular:

“Portanto se o leitor gosta

De história de cangaceiro

Que bebia o sangue humano

No Nordeste brasileiro

É essa do assassino

Bandido Antônio Silvino

Desastrado bandoleiro.”

“No dia 2 de novembro de 1875, nascia em Afogados da Ingazeira, sertão pernambucano, Manoel Batista de Morais, mais conhecido como Antônio Silvino. Foi o cangaceiro mais notório antes de Lampião. Entrou no cangaço ainda jovem, junto com o irmão, para vingar a morte do pai, Batistão do Pajeú, bandoleiro. Fez parte do bando de seu tio Silvino Aires, de quem herdou o comando do grupo. O bando – formado por cangaceiros como Cavalo do Cão, Relâmpago, Nevoeiro, Bacurau, Cobra Verde, Azulão, Cocada, Gato Brabo, Rio Preto, Pilão Deitado e Cossaco – espalhou o terror pelo sertão de Pernambuco e da Paraíba.”

“Antônio Silvino foi

O mestre de Lampião

Mas um guerrilhou primeiro

Outro noutra ocasião

No tempo de Antônio Silvino

Lampião era menino

Prestando toda atenção.”

“Depois de assumir a chefia, passou a vestir farda de coronel e a exigir ser chamado de capitão Antônio Silvino.

Entre as muitas ações lideradas por ele está o ataque às obras da empresa Great Westem, responsável pela implantação do sistema ferroviário na Paraíba. O bando arrancava trilhos, prendia funcionários e até sequestrava os engenheiros. Antônio Silvino foi preso em 24 de novembro de 1914 e solto em 1937 por bom comportamento, por meio de um indulto concedido pelo presidente Getúlio Vargas. Pai de oito filhos, ele morreu aos 69 anos. Também chamado de ‘Rifle de Ouro’, suas aventuras foram eternizadas na literatura de cordel”

.* Texto, Revista História da Biblioteca Nacional, novembro de 2012, pag.88.

Estrofes de Cordel (?).

Clerisvaldo B. Chagas, 14 de novembro de 2013.

Crônica Nº 1086