14 ago

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PILÕES DE PEDRA

PILÃO NO SÍTIO LAJES DOS FRADE (FOTO: CLERISVALDO B. CHAGAS)

A natureza caprichosa realiza gigantescas obras, mas também faz coisas menores e incríveis que encantam. Nos sertões nordestinos, costuma trabalhar com milhares de anos para esculpir em inúmeros lajeiros, lajedos ou lajeados, locais onde se acumulam as águas pluviais. São os pilões de pedra também chamados pedra d’água e caldeirão formados pelas condições climáticas, com as mais diferentes formas. Surgem esses caldeirões: côncavos, em rachaduras, espiralados, panelas e em outros formatos menos comuns. O líquido acumulado mata a sede dos animais selvagens e é usado pelos habitantes do lugar para beber e lavar roupa, principalmente. Os pilões são lugares pitorescos como pontos turísticos, encontro de moradores e agradabilíssimo para convescotes.

Estão incluídos em nosso projeto os registros de todos os pilões de pedra do nosso município, zona rural. Surgirão graficamente em número e localidades onde se encontram, ficando à inteira disposição dos pesquisadores, inclusive, mapeados. Farão parte também todos os riachos significativos, as fontes naturais, lagoas e os artificiais açudes e barreiros. Além disso, todos os sítios terão suas origens reveladas, com históricos pequenos ou grandes e fotos dos seus principais atrativos. Teremos mapas de alta qualidade confeccionados por ilustres profissionais da terra: mapa de relevo, hidrografia, vegetação, clima, rodoviário/político e temáticos.

Voltando aos pilões de pedras, muitos se tornaram famosos na região de Santana do Ipanema, Alagoas, mas ficaram alheios ao foco pelo modernismo que faz esquecer as tradições. Hoje todas as formas atrativas do campo são procuradas pelos que fazem o turismo rural. Esses magníficos trabalhos rochosos com seus ornamentos particulares, serão valorizados por nós e apresentados carinhosamente ao mundo.

Em torno desses lajeiros, nascem pequenos cactos como a coroa-de-frade, o rabo-de-onça… E outros ainda são multicoloridos pelos minúsculos animais que a eles se agregam.

Setembro vai chegar.

Clerisvaldo B. Chagas, 14 de agosto de 2018

Crônica: 1.963 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

13 ago

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NO CAMPO E NA CIDADE

Escritores Clerisvaldo B. Chagas e Marcello Fausto entregam Projeto à Diretora de Cultura, Gilcélia Gomes (Foto: Cortesia)

No estado ou em uma cidade, sempre costumamos ouvir de habitantes que a região, a cidade ou os bairros A e B, estão abandonados. Baixando para as cidades fica mais fácil entender os reclamos sociais porque o aglomerado urbano facilita as queixas. Mas a zona rural sofre dos mesmos males do abandono e, talvez, com mais razão do que a sede municipal.

Conhecer a totalidade da área a ser administrada nos parece ser um quesito fundamental para qualquer gestor. Isso, porém, não garante a firmeza das ações que depende da boa vontade administrativa e não política. Mas dividir as áreas de administração seguindo determinados critérios torna mais fácil a eficácia a quem se propõe a gerir qualquer município, grande ou pequeno.

Assim uma cidade pode ser dividida pelos pontos cardeais e colaterais, por exemplo: zona Norte, Sul, Leste e Oeste, Nordeste, Sudeste, Sudoeste, Noroeste, com ouvidores distribuídos entre elas. Assim as comunicações e inspeções constantes, trazem resultados rápidos à central, fazendo com que também decisões rápidas solucionem os problemas dos bairros.

Também dividimos os sítios – menores unidades políticas do País. Particularizando a terrinha, Santana do Ipanema, fomos em nosso projeto dividi-la em 10 regiões, cujas cabeças seguem a tradição, a importância estratégica e os trajetos com seus ramais. Sendo mais fácil para o planejamento, será fácil para a administração.

Classificamos para o nosso trabalho as denominações regionais: 1 – Camoxinga dos Teodósio; 2 – São Félix; 3 – Areias Brancas; 4 – Jaqueira; 5 – Sementeira; 6 – Queimadas do Rio; 7 – São Bartolomeu; 8 – Olho d’Água do Amaro; 9 – Remetedeira; 10 – Pedra d’Água dos Alexandre. A ordem das nossas ações, não segue a numeração acima.

Iniciaremos pela Região da Pedra d’Água dos Alexandre, onde temos o nosso Ponto Extremo Oeste. Seguiremos pelas que oferecem menores obstáculos e terminaremos com a enorme região serrana de São Félix, grotas e planícies arenosas da Pedra Rica.

“Quer ir mais eu vamo/quer ir mais eu, vambora…”.

Clerisvaldo B. Chagas, 13 de agosto de 2018

Crônica: 1.962 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

10 ago

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O BOI, A BOTA E A BATINA

O Boi, a bota e a batina (Ilustração: Roninho).

“O Boi, a bota e a batina; história completa de Santana do Ipanema” é livro pronto desde 2006. É o maior documentário jamais produzido no interior de Alagoa. Sem mais esperanças pelos interesses das autoridades em publicá-lo, buscamos novos caminhos à semelhança do livro “230 Monumento Iconográfico aos 230 anos de Santana do Ipanema”. Estamos nos organizando para apresentá-lo à sociedade santanense nos próximos dias, com ênfase aos professores de Geo-História. Provavelmente, na próxima semana, estaremos convidando os professores para uma apreciação do livro através de vídeo. Juntos, discutiremos como publicá-lo, tendo como uma das alternativas o sistema de cooperativismo, tal o 230, de forma mais aperfeiçoada. Será que diante de uma população de 50 mil habitantes, somente 100 pessoas terão o privilégio de conhecer a História de Santana?

Antes ou depois, de discutirmos o assunto acima, apresentaremos o nosso Projeto de Resgate da Zona Rural. O projeto está previsto para ser iniciado em setembro com apoio do Departamento Municipal de Cultura e a Escola Estadual Profa.  Helena Braga das Chagas. Estarão envolvidos professores, estudantes, cartógrafo, geógrafos, historiadores, fotógrafos e a população rural. O trabalho visa resgatar a beleza, o potencial, os acidentes geográficos e os topônimos de mais de 130 sítios. Outros dados serão Ilustração: Roninho).à luz como pilões de pedras, pontos extremos e muito mais. A equipe básica será formada por dois pesquisadores, um motorista, um guia e sempre que precisar, um dronista.

Todos os professores de Geo-História poderão participar dos nossos trabalhos que, tudo indica, escorregam muito para a Geografia Física Rural. Esse é um trabalho inédito no Brasil. Quer participar? Discutiremos como na reunião que será anunciada. Poderemos conversar sobre o tema sempre que você quiser na Escola Helena Braga, base do Projeto, durante o turno matutino.

Quatro paredes não foram feitas para Geografia e nem para a História.

Oportunidade única.

Clerisvaldo B. Chagas, 10 de agosto de 2018

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 1.961

09 ago

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ARROGÂNCIA NO CHÃO

Óleo sobre tela, de Jacques-Louis Davi (Foto: Reprodução)

Se você não se lembra mais das aulas do Colégio, vamos relembrar uma saga impressionante que fica como lição à vaidade, à arrogância,  ao imperialismo que muita gente besta carrega dentro das calças. A impressão que é única no mundo e que derrota não existe. Acreditam até esses indivíduos, que são invencíveis e imortais. Você conhece algum dono do mundo na sua vizinhança? Pois o tal Napoleão Bonaparte, talvez pensasse desta maneira. Não estamos aqui falando da piada sobre a posição que Napoleão perdeu a guerra… Enfim, vejamos se dá para aprender alguma coisa com Napu.

 (…) Napoleão respondeu a essa desobediência invadindo a Rússia em 1812, com um poderoso exército formado por 600 mil homens e 180 mil cavalos.

Inicialmente, os generais franceses foram avançando pela imensidão do território russo no encalço de seus adversários, julgando que os venceriam com facilidade. Os russos, por seu lado evitaram o confronto direto e adotaram a tática da “terra arrasada”: conforme iam se retirando, destruíam as lavouras e tudo aquilo que pudesse ser útil aos invasores. Ao entrarem em Moscou, Napoleão e seus homens tiveram uma surpresa, as casas estavam vazias e a cidade queimava numa imensa fogueira feita pelos próprios russos.

O czar russo, Alexandre I sabia que era uma questão de tempo. Dali a um mês chegaria o inverno, o rigoroso inverno russo, que forçaria os franceses a bater em retirada. E foi o que de fato aconteceu. Os franceses iniciaram o longo caminho de volta. Sob uma temperatura de muitos graus abaixo de zero, os soldados morriam de fome e de frio; os cavalos escorregavam no gelo, quebravam as patas e eram sacrificados. Às vezes, serviam como alimento; as rodas das carroças atolavam na neve, retardando a retirada. Os tesouros que os franceses haviam saqueado também iam ficando pelo caminho. Era o “general inverno” vencendo o general francês. Dos 600 mil soldados que partiram para a Rússia, somente 30 mil retornaram aos seus lares na França. O mito da invencibilidade napoleônica havia sido quebrado.

Extraído de: JÚNIOR, Alfredo Boulos. História, sociedade e & cidadania. FTD, São Paulo, 2015, 3a edição, pag.142.

Clerisvaldo B. Chagas, 9 de agosto de 2018

Crônica: 1960 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

08 ago

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MAIS ASFALTO EM SANTANA

Obras chegaram em Santana do Ipanema (Foto: Lucas Malta / Alagoas na Net)

Desde o primeiro anúncio que Santana do Ipanema ganharia 20 km de asfalto urbano que o tempo pareceu infinitamente esticado para a população. Entretanto, agora os meios de comunicação publicam o início das obras a partir dos Bairros Domingos Acácio/Floresta em direção ao Hospital da Cajarana onde também se encontra o Campus da UFAL. 20 km de asfalto equivalem, aproximadamente, ao trajeto Santana – Olho d’Água das Flores. Levando-se em consideração o tamanho das ruas, inúmeras serão beneficiadas, mas essas que terão esse benefício ainda não tiveram seus nomes divulgados. Mesmo assim isso não é nenhum problema, pois o importante é que os trabalhos sejam realizados.

A Prefeitura Municipal mais o Governo do Estado marcam assim um tento merecido e, para nós, independente de política. Não podíamos, como cidade polo, sair eternamente perdendo para inúmeras cidades menores que vem dando banho de piche, melhorando e ornando seus núcleos. É com muito gosto que o visitante passeia por uma cidade limpa, bem asfaltada, sinalizada e bela. Vivemos em tempos de evolução rápida e não podemos ficar dormindo sobre os louros da história. E se hoje somos a Arapiraca do Sertão, precisamos muito mais estrutura para novos e constantes empreendimentos; viadutos e viadutos, longos e pequenos, pontes sobre o Ipanema, novas avenidas, becos e ruas onde a engenharia possa mostrar um novo perfil futurista e seguro.

Asfalto não é mais privilégio para ninguém, mas sim necessidade fremente do ruge-ruge automobilístico do século XXI. Além do conforto para máquinas e condutores, triplicam os valores de imóveis de negócios e residenciais por onde se mudam paisagens. Não falaremos aqui de outras coisas relativas para não estragar a merecida euforia tanto das autoridades quanto das pessoas das ruas que receberão as ações do governo. Mas nesse primeiro momento, o gestor merece sim, receber os parabéns, sem política e sem puxa-saquismo, assim como da crítica quando necessária. Será que depois as comparações serão melhores em relação à cidade A ou B?

Equilíbrio é a senha, gente!

Clerisvaldo B. Chagas, 8 de agosto de 2018

Crônica: 1.959 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoanao

07 ago

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A REVOLUÇÃO E O PADRE

Execução de Frei Caneca. (Por Murillo La Greca).

Falar sobre o padre Francisco José Correia de Albuquerque é coisa prazerosa e melhor ainda seria uma palestra viva sobre ele. Mas, entre tantos atributos do “Santo Padre Francisco”, queremos registrar um vaticínio entre os inúmeros citados pela sua pessoa. O padre Francisco, natural de Penedo, possuía grande força espiritual, semelhante ao padre Cícero do Juazeiro, mas, talvez devido aos escassos meios de comunicação da época, ficou esquecido para as nossas últimas gerações. Quem lê a sua biografia fica extasiado e quase nem acredita na leitura. Fez muito por Santana do Ipanema, sendo o fundador da capela que deu origem à Matriz, introduziu Senhora Santana na região, foi o primeiro pároco, contribuiu para que Santana passasse a povoado freguesia. O padre Francisco ainda foi deputado e conselheiro da província de Alagoas.

Mas voltemos ao vaticínio escolhido. No dia, provável, de 6 de março de 1817, estava o Santo Padre Francisco, diante de multidão em Poço das Trincheiras. No meio do sermão, parou a palavra por alguns instantes, deixando a multidão em suspense. Depois, erguendo a cabeça e retornando à palavra, disse: “Começou uma revolução no Recife”. E de fato, naquele exato momento, tinha início na capital de Pernambuco à chamada Revolução Pernambucana.

A Revolução Pernambucana envolveu religiosos (mais de 60 padres), militares, intelectuais e populares. Durou 75 dias, quando parte do Nordeste ficou independente do Brasil, durante esse período. No fim, o governo central ganhou a guerra, muitos líderes foram condenados à morte, outros anistiados, mas houve ainda muitas desordens e assassinatos. A história exalta, entre outros, a figura de Frei Caneca como herói, tanto da Revolução Pernambucana quanto da Confederação do Equador.

Quanto ao missionário penedense, morreu em 1848, no sítio Casinha, a meia légua de Bezerros, Pernambuco. “Aberta tempos depois sua sepultura, de seus despojos trescalava um cheiro tão suave que excedia ao dos aromas e flores mais fragrantes”.

Clerisvaldo B. Chagas, 7 de agosto de 2018

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 1.958

06 ago

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VOLTANDO À CALÇADA ALTA DA PONTE CRIANDO TEORIAS, DEFENDENDO TESES

COLÉGIO CONSTRUÍDO NO ENTULHAMENTO. (FOTO: B. CHAGAS).

Há muito tempo tive curiosidade sobre a região onde está assentado o Colégio Estadual professor Mileno Ferreira, em Santana do Ipanema. Para os profissionais da Geografia coisas diferentes no espaço chamam atenção. Criei para mim mesmo a tese de que o riacho Camoxinga, antigamente, foi bastante represado pelo rio Ipanema e, seus sedimentos trazidos formou a região do Colégio. Antes ali era a fazenda do senhor Frederico Rocha, cujo terreno sempre pareceu formado das areias do riacho Camoxinga. Com o tempo, após haver formado a pequena planície de aluvião, o riacho teve seu curso desviado e formou outro percurso até o rio Ipanema que é o percurso atual. Não havendo ninguém na cidade que discuta essas coisas, a tese ficou adormecida.

Sábado, ao retornar à missa na Matriz de Senhora Santana, encontrei-me com o senhor Manoel Fontes (85 anos) e ele, sem ser geógrafo, apenas um observador das coisas como eu, confirmou a minha segunda tese. Disse-me ele que toda aquela parte da calçada alta da ponte, foi construída pela natureza pelo represamento das águas do riacho Camoxinga. Formou-se ali uma região de detritos trazidos pelo riacho, represados pelo remanso do rio Ipanema que envolve a Rua da Calçada Alta da Ponte que precisou de muito alicerce para sua formação naquela altura, em cima da areia do riacho Camoxinga. A altura foi para não ser surpreendido pelas cheias do rio e do riacho que eram mais altos e não havia barragem no leito de toda a região. Disse-me ainda seu Manoel que demolir as casas da rua para nivelar por baixo, volta-se ao nível do riacho Camoxinga antes da formação da pequena planície de areia e que representaria o mesmo perigo das construções que fizeram no leito do Ipanema e do riacho. Esse foi o segundo entulhamento do riacho Camoxinga, envolvendo toda a região da chamada Ponte do Urubu, após entulhar a região do Colégio Estadual. Sendo que aí o riacho não se desviou e sim, criou uma ravina como saída.

O rio Ipanema e o riacho Camoxinga eram altos e foram escavados pelas águas até o nível atual. Divido com o senhor Manoel Fontes as duas teses sobre o riacho Camoxinga, entregando a Santana esse documento virtual que indica a falta de planejamento para expandir a cidade há muito. Este é o único documento em que se fala deste assunto. Deveria ser guardado como relíquia histórica e geográfica do riacho Camoxinga, pelos registros do patrimônio de Santana do Ipanema.

E sobre o ato de demolir ruas e alicerces, não é problema nosso.

Crônica: 1.957 – Clerisvaldo B. Chagas, 6 de agosto de 2018

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

03 ago

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SEU FRANCELINO

Vassourinha (Foto: Reprodução / Flor de Liz

No Sertão, todo mato serve para alguma coisa. Para comer, para medicamento, para males físicos via espiritual. Podemos afirmar com toda ênfase que a vegetação sertaneja é uma grande farmácia ao ar livre. Desde a raiz da perigosa urtiga até árvores frondosas como a quixabeira. Desde quando os indígenas sertanejos da colonização passaram para os nossos antepassados brancos seus conhecimentos medicinais que a flora vem sendo utilizada. Mesmo nos tempos atuais, as pessoas sertanejas continuam recorrendo aos conhecimentos dos nossos avós. Aliás, os próprios remédios de farmácia vieram das plantas, primeiros socorros naturais da humanidade. O que se exige hoje é um maior cuidado ao usar a fitoterapia.

Como criança, o mais antigo rezador que cheguei a conhecer e precisar dos seus serviços foi o senhor Francelino. Já em torno dos sessenta anos, morava o homem no lado de baixo da Rua São Pedro. Franzino, educado, paciente e solícito, bastava mandar chamá-lo para o seu comparecimento. Identificado o incômodo, seu Francelino ia até o outro lado da rua sem calçamento e apanhava três pés de “vassourinha”, entre as pequenas plantas da via. Mandava o paciente sentar perto da porta aberta e passava o ramo murmurando as suas orações. Ao final da reza – que nem demorava muito – as plantinhas murchavam e eram jogadas por ele no meio da rua. Em pouco tempo o doente ficava curado e até saía pulando igual a cabrito.

Não queremos fazer propaganda da vassourinha-de-botão (família das Rubiaceae) dizendo que ela é utilizada em chás contra asma, diabete, hemorroidas, varizes, ameba, dermatoses, erisipela, febre, vômitos e tosse. Estamos apenas dando um balanço na vida com tantos males chegando da alma, do interior, da consciência e da boca do Homem. E nas circunstâncias buliçosas da vida moderna, às vezes nos encolhemos e nos acovardamos diante de forças que não sabemos combater. Colocando fogo no cachimbo – igualmente aos pajés das tabas selvagens – deixamos subir a fumaça do espiritualismo alentador…

Ah! Quanta falta faz SEU FRANCELINO.

Clerisvaldo B. Chagas, 3 de agosto de 2018

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 1.956

02 ago

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TEMPO BRABO

Foto: Lucas Malta / Alagoas na Net

Madrugada caiu gelo no Sertão alagoano, meu compadre. Essa era a expressão usada por minha sogra e com razão. Céu limpinho, limpinho, mas foi preciso um casaco e dois cobertores para aguentar o tranco. Julho recebeu agosto pocando, como também diz a juventude. Mas as chuvas principais que são aguardadas em julho vieram este ano apenas como amostra grátis. E como o nosso chamado inverno geralmente tinha como limite o dia 15 de agosto, foi um fracasso. O mês em que nós estamos costuma ser o mais frio do sertão, notadamente, na primeira quinzena. Entretanto, a frieza muitas vezes destruiu os feijoais, seguida de pragas de lagartas. Novamente o homem do campo bota as mãos na cabeça e desengana.

Pela manhã só aparece a neblina ou nevoeiro, isto é, uma formação de nuvens pouco espessas próximas da superfície, provocadas pelo resfriamento e condensação do ar úmido, também próximo da superfície. Isso ocorre, geralmente em noites claras, de céu límpido, sobretudo no inverno e no outono. O solo perdendo rapidamente calor provoca o resfriamento do ar das camadas contíguas à superfície, e a umidade condensada aparece sob a forma de nevoeiro, que tende a acumular-se nos vales e nas planícies. Isso porque o ar frio, sendo mais pesado, geralmente se concentra nas partes mais baixas do relevo. Nem sei se o compadre estar entendendo alguma coisa, mas é assim que a Geografia diz.

Chamamos também de orvalho outro fenômeno parecido.  Este aparece quando o ar durante a noite resfria-se abaixo do ponto de saturação. Esta forma de condensação ocorre muito próxima da superfície e pode ser observada nas plantas e nos objetos ao amanhecer. Quando, porém, a condensação ocorre com temperaturas inferiores a 60 C, surge a geada, representada pela formação de uma camada fina de gelo sobre a vegetação e outros objetos.

A propósito, também chamamos no sertão a condensação do orvalho no início da noite, de sereno. As crianças são sempre advertidas pelos pais: “Saia do sereno, Mané!”

Ô Sertão velho de guerra!

Clerisvaldo B. Chagas, 2 de agosto de 2018

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 1.955

01 ago

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PONTOS DE REFERÊNCIA


Centro Bíblico em Santana. (Foto: B. Chagas).

Muitas coisas na vida, devido à simplicidade tornam-se imperceptíveis. Exemplo é o ponto de referência. Ao usuário, ao passante, ao povo, “exato, nunca tinha pensado nisso”.

Para se deslocar no espaço geográfico, as pessoas procuram utilizar pontos de referência que facilitem sua orientação.

“Na Antiguidade, por exemplo, se a distância a ser percorrida não fosse muito longa, as referências podiam ser um rio, um lago, um monte. Ainda hoje, referências desse tipo são utilizadas para a orientação em algumas comunidades, e os povos indígenas utilizam referenciais da paisagem natural e conhecimentos que foram passados de geração a geração para se orientar. Os moradores das cidades podem utilizar também elementos da paisagem cultural, prédios, estabelecimentos comerciais, entre outras, para indicar uma localização. Para distâncias maiores, os povos antigos aprenderam a observar as estrelas, inclusive o Sol e a Lua, guiando-se pela posição desses astros no céu. Com avanço da tecnologia, surgiram muitos recursos tecnológicos, como a bússola e o GPS”.

Em nosso livro, ainda inédito, “O Boi, a bota e a batina, história completa de Santana do Ipanema”, falamos de todos os pontos de referência da cidade e suas origens. Entre eles está o Centro Bíblico católico. Inaugurado na Paróquia de São Cristóvão, Bairro Camoxinga, em 20.08.1981 (aniversariando no próximo dia 20 aos 37 anos), tornou-se referência da região de entorno do Estádio Arnon de Mello. Diz-se: “abaixo do Centro Bíblico; acima, ao lado, perto…” E assim sucessivamente.

Muitos pontos físicos de referência acabam-se, mas o povo continua a utilizar as denominações como se eles ainda existissem, exemplos: Maracanã e DNER. Outros mudam logo que surge algo novo, exemplos: morro da Goiabeira para serrote do Cruzeiro; serrote do Gonçalinho para serra do Cristo depois serra das Micro-ondas; serrote do Pelado para Alto da Fé e assim em diante.

Entre o velho e o novo, os pontos mudam como mudam as gerações. E o velho Centro Bíblico, espaço muito agradável, vai enfrentando o tempo.

 A referência continuará

Clerisvaldo B. Chagas, 10 de agosto de 2018

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 1.954