01 dez

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 GRÊMIO E O MIOLO DE POTE

Foto: Grêmio / Twitter / Reprodução

Como toda cidade do interior às vésperas de um grande jogo, as conversas não giram em torno de outra coisa. Quem gosta ou quem não gosta de futebol, se submete àquelas conversas compridas e muitas vezes enjoadas sobre a partida. E foi assim no bairro da cidade onde durante algumas compras tive que aguentar todo aquele miolo de pote dos interessados.

Até o dono do estabelecimento entra no assunto sem fim que se estica, descamba e rende que só a beleza! Afinal também não é um joguinho qualquer, mas a decisão da Libertadores que agita fortemente o mundo esportivo. E então, o homem me pergunta se “o senhor acredita na vitória do Grêmio?”. E eu respondo que se o Lanú jogar bem em sua casa como jogou em Porto Alegre fica difícil à vitória dos gaúchos.

E quando a gente está em meio aos fanáticos, ou se junta a eles ou sai driblando como Garrincha. E assim vamos dizendo que cada jogo é um jogo, para convencer e escapulir. Mas saio pensando comigo mesmo que o Grêmio só poderá se sair bem se jogar um rigoroso 4-4-2 para não deixar o adversário se articular. Mesmo não indo muito fundo ao campo da bola, sustento a minha teoria até a chegada do jogo e repetindo que a tática dita é a única oportunidade.

E para surpresa deste simples amador, o Grêmio entrou claramente com o sistema 4-4-2, não deixando o Lanús se articular, irritando o time da casa. Mesmo assim eu ainda me perguntava se o Grêmio não cansaria logo e abandonaria o esquema. Mas houve muita raça gremista (coisa que de fato eu não esperava) e o time fez um primeiro tempo digno da Seleção Brasileira com Tite.

A vitória do Grêmio foi a vitória do Brasil: grande, insofismável e inesquecível. Outras coisas nos impressionaram como a boa arbitragem, a derrota do Lanús sem muita violência e o comportamento decente e educado da plateia argentina decepcionada. Acho que depois deste meu palpite acertado quanto ao esquema de jogo, quando sair por aí posso até me juntar a eles naquela baboseira de miolo de pote.

Clerisvaldo B. Chagas, 1 de dezembro de 2017

Crônica 1.793 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

30 nov

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O DRAMA VENEZUELANO

Foto: Valéria Oliveira / G1

Enquanto prossegue os absurdos na Venezuela, população de vários recantos daquele país tenta escapar da fome, da violência e do desemprego. Muitos batem às portas do Brasil e em outras nações vizinhas, numa fuga em massa das suas origens. Na cidade de Pacaraima, em Roraima, 240 índios são abrigados e alimentados pela organização Fraternidade e Agência da ONU para refugiados. Mas enquanto instituições particulares sociais tentam fazer alguma coisa pelos nossos vizinhos irmãos, o governo brasileiro parece ignorar o drama também em território brasileiro.  E lá em Pacaraima, por exemplo, o lugar planejado para 200 índios, é ocupado por 240. 

Fluxos de refugiados vão chegando por vários lugares do Norte e ficam perambulando pelas ruas como mendigos, pois nem todas as cidades e lugarejos estão preparados para recebê-los. Dizem que Roraima recebeu mais de 11.000 pedidos de refúgios o que compreendemos como pedidos provisórios. Ninguém quer ser refugiado eternamente. Mas é preciso, pela irmandade do mundo, uma condição mínima em receber aqueles tangidos pela adversidade. Os que chegam trazem a família com filhos menores, situação que agrava a imigração. A estimativa é que 30.000 mil venezuelanos já entraram em Roraima. Lá mesmo na cidade de Pacaraima, os 240 índios serão enviados para Manaus e o lugar ficará vago para receber outros imigrantes.

A Venezuela, oficialmente República Bolivariana da Venezuela, é um país da América localizado na parte norte da América do Sul, constituída por um continente e um grande número de pequenas ilhas no Mar do Caribe. Sua maior aglomeração urbana é a cidade de Caracas, onde conflitos internos acontecem todos os dias. A sede ditatorial de Maduro não assegura a ordem em seu território e os seus cidadãos se dividem em resistência, fugas ou acomodamento. E quando as forças armadas resolvem apoiar um ditador, o país permanece com futuro incerto.

Esperamos mais compreensão do governo brasileiro em relação aos refugiados, para recebê-los dignamente e encaminhá-los para o trabalho com uma assistência decente e latina. Aliás, a fraternidade entre os povos parece ser um dos objetivos das inúmeras religiões do mundo.

Clerisvaldo B. Chagas, 30 de novembro de 2017

Crônica 1.792 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

29 nov

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A LENDA DE JURATAÍ

Floresta Amazônica (Foto: Sidney Oliveira / Agência Pará / Fotos Públicas)

“Muito tempo atrás, no fundo da floresta Amazônica, havia um pássaro chamado Jurutaí. Uma noite Jurutaí olhou para cima, através do ar quente, e viu a Lua. Ela estava completamente redonda. A luz prateada brilhou sobre a face de Jurutaí com se a Lua estivesse se esticando para tocá-lo. E Jurutaí se apaixonou.

Jurataí se apaixonou pela Lua e quis ir até onde ela estava. Assim voou até o topo da árvore mais alta que podia ver. Mas a Lua ainda estava longe. Ele voou até o cume de uma montanha. Mas a Lua ainda estava longe. Então ele voou até o céu. Jurutaí bateu as asas, subindo, subindo até o ar ficar rarefeito. Mas a lua estava muito longe.

O pássaro continuou voando para cima até as asas doerem, os olhos arderem e parecer que cada respiração só enchia seus pulmões de vazio. Queria prosseguir, mas era muito difícil. A força de suas asas chegou ao fim e de repente ele começou a cair. Rodopiava, através do ar negro, e batia asas céu abaixo.

Ele caiu de volta nas folhas úmidas e perfumadas das árvores. E se empoleirou ali, piscando ofegante para a Lua. Ela estava distante demais para que ele a alcançasse. Assim, tudo o que Jurutaí podia fazer era cantar para ela.  Ele cantou a mais bela canção que pôde. Uma canção cheia de tristeza e amor, que se espalhou pela floresta.

A lua olhou para baixo, mas não respondeu. E lágrimas encheram os olhos de Jurutaí. Suas lágrimas rolaram pelo chão da floresta. Encheram vales e escorreram em direção ao mar. E dizem que foi assim que o rio Amazonas surgiu.

Ainda existe um pássaro que se chama Jurutaí que vive na floresta Amazônica, hoje em dia. Às vezes, na lua cheia, ele olha para o céu e canta. E ouvi falar de povos indígenas que acendem fogueiras quando a lua cheia brilha e cantam e dançam para fazer o Jurutaí cantar. Eles sabem que cantar a mais bela canção que se conhece é a melhor maneira de se livra datristeza. E acreditam que deveríamos acender fogueiras no coração quando o jurutaí dentro de nós se cala”.

  • Recontada por Sean Taylor. Cobra-grande: história da Amazônia. Trad. Maria da Assunção Rodrigues. São Paulo: edições SM. 2008.p. 8-9.

Clerisvaldo B. Chagas, 29 de novembro de 2017

Crônica 1.791 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

28 nov

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PIRANHAS SAI NA FRENTE

“Piranhas antiga” é um dos locais mais procurados (Foto: Lucas Malta / Alagoas na Net)

A história da via férrea de Piranhas, no Sertão do São Francisco, daria um romance em grande estilo. Sua construção teve início em 23.10.1878, cerca de 22 anos antes do término do século XIX. Foi aberta ao tráfego dois anos depois, ainda dentro dos oito anos que faltavam para o fim da escravidão negra no país. Indo até Jatobá de Tacaratu (PE), atual Petrolândia, teve seu trecho final inaugurado em 2.8.1983, isto é, levou cinco anos para ser construído.

“Partia de Piranhas e ali chegava as terças, quartas e sábados, num comboio até Delmiro e outro até Jatobá (PE), composto de até 8 vagões: 1 de primeira classe, 1 ou 2 de segunda, 1ou 2 de grade para animais e de 1 a 3 para transporte de outras mercadorias”.

O trem saía de Piranhas, parava em Olho d’Água do Casado (AL), Talhado (AL), Sinimbu (AL), Delmiro Gouveia (AL), Volta (PE), Quixaba (PE) e Jatobá (PE). 84 anos depois, em 8.7.1964, o trem parou de circular. Nos seus quase 116 quilômetros de percurso, o trem foi referência para os flagelados das secas e seguro transporte de mercadorias para embarques e desembarques de embarcações do rio.

Na época do cangaço, cooperou em muito com os deslocamentos de forças volantes em perseguição aos bandidos cangaceiros. O trem, mesmo economicamente deficitário, ajudou muito na Economia da região no transporte de peles, couros, algodão, cereais, madeira, ferramentas e muitos outros produtos interessantes da pecuária e da agricultura.

Mesmo com a ausência do trem e o golpe da hidrelétrica de Xingó no pescado da região, Piranhas foi vencendo o marasmo até que uma novela da rede Globo, filmada no local, descobriu a sua beleza agreste para o resto do mundo. Com a beleza arquitetônica, posição geográfica, a história do trem de ferro e as infindáveis narrativas sobre o cangaço, Piranhas saiu na frente para o Turismo.

Preponderantes para sua sobrevivência são as boas estradas asfaltadas que permitem o conforto indispensável aos visitantes. Quem dormiu, perdeu os dólares dos gringos. Em nosso romance ainda inédito: “Fazenda Lajeado”, tem uma parte em que fala dos machadeiros que iriam se dirigir a Piranhas para derrubar madeira de lei e transformá-la em dormentes para a via férrea.

Clerisvaldo B. Chagas, 28 de novembro de 2017

Crônica 1.789 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

27 nov

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AS CAGADAS DE SANTANA DO IPANEMA

 

Foto: Lucas Malta / Alagoas na Net

Na segunda metade do século XX, surgiu em Santana do Ipanema – Médio Sertão alagoano – o modismo de degustar carne de Jabuti, também chamado cágado, nessa região. Com certeza havia por aqui, as duas espécies brasileiras, o jabuti-piranga e o jabuti-tinga. O primeiro é encontrado nas cinco regiões brasileiras, o segundo, no Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Não sabemos quem foram os primeiros trucidadores dos quelônios, mas havia um comércio restrito aos apreciadores da iguaria. Eles eram capturados na caatinga do Alto Sertão e comprados por alguns mercadores santanenses, geralmente transportados em caçuás. Não havia ainda a proibição de hoje. Pessoas compravam para criar nos quintais por prazer ou para vendas aos apreciadores. Geralmente, os que compravam cágados, gostavam de beber.

Poucas pessoas se aventuravam a matar o bicho. Destacavam-se nessa nauseabunda e horrível empreitada, o Cassiano, morador da Rua Prof. Enéas, perto do Poço dos Homens, e Filemon que residia perto do Aterro. Os convidados para a farra denominada “cagada”, eram os filhos de Santana ausentes que visitavam a terra em tempo de Semana Santa ou forasteiros ilustres.

De fato, uma delícia a “cagada” de Santana do Ipanema. Os cágados eram criados comendo a mesma comida de porcos, palma e banana. Com o tempo, a tradição foi se firmando até que as leis começaram a inibir toda a cadeia produtiva até o consumidor. Antes mesmo do término do século XX santanense já não procurava cágados no comércio que se tornara perigoso.

Voltamos ao prato típico comum nos sertões nordestinos: a buchada de bode ou de carneiro. É permitido criar animal selvagem com autorização, mas quem vai criar jabuti que leva 200 anos para crescer? Devido ao rigor da lei, ficou proibida a escandalosa “cagada” de Santana do Ipanema. Nos tempos mais modernos o ato foi parar em setor tão perverso e desgastado que é melhor nem apontá-lo com o dedo.

Bons ou maus tempos em que o último vendedor de cágados, o Bebé, andava oferecendo o bicho vivo nas esquinas da “Rainha do Sertão”.

Até logo, comadre. É vapt-vupt!

Clerisvaldo B. Chagas, 27 de novembro de 2017

Crônica 1.788 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

24 nov

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PROFISSÕES POUCOS ORIENTADAS

Antigo Coliseu (Foto: Viagem e Turismo)

Vejamos algumas profissões pouco ou não divulgadas nos Cursos Fundamental e Médio:

Antropólogo – É um profissional responsável por estudar o homem e suas interações com a sociedade. Analisa o ser humano como um ser biológico, social e cultural. A sua ciência se chama Antropologia.

Arqueólogo – É um profissional que representa a Arqueologia, disciplina científica que estuda as culturas e os modos de vida do passado a partir da análise de vestígios materiais. Ciência social que estuda as sociedades extintas.

Paleontólogo ou paleontologista – É um cientista que estuda a Paleontologia. Especialidade da Biologia que estuda a vida do passado na terra e o seu desenvolvimento ao longo do tempo geológico. No Brasil, paleontólogo é aquele que apresenta uma graduação (Biologia ou Geologia) e uma pós-graduação com monografia versando sobre uma pesquisa desenvolvida na área da Paleontologia.

Obs. A Arqueologia tem o objetivo de estudar a humanidade, já a Paleontologia estuda as outras espécies (animais, vegetais…).

Geólogo – É um profissional de nível superior diplomado em Geologia ou Engenharia Geológica. Estuda a estrutura e os processos que formaram a Terra, sua evolução ao longo do tempo e os aspectos da aplicação desses conhecimentos para o bem comum.

Geógrafo – É o profissional cuja área de estudo é a interação entre os diversos sistemas espaciais. Sistemas que podem ser sociais, econômicos, políticos, geológicos, biogeográficos etc. O Geógrafo pode ser Bacharel e Licenciado. O Bacharel possui habilitação para trabalhar com estudos ambientais, planejamento regional, mapeamentos e diversas outras atribuições. O Licenciado possui habilitação para lecionar a Geografia. Embora sejam habilitações e atribuições profissionais distintas, a Geografia é uma só. O Bacharel em Geografia possui as atribuições definidas pela lei federal 6664 de 1979 e o órgão que fiscaliza a atuação profissional no Brasil é o CONFEA e suas regionais CREAs.

Clerisvaldo B. Chagas, 24 de novembro de 2017

Crônica 1.787 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

23 nov

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NO PICO DA NEBLINA

Foto: Divulgação

Vamos comigo visitar o Pico da Neblina, o ponto mais alto do Brasil, localizado no município de Santa Isabel do Rio Negro, estado do Amazonas. Ele fica no Parque Nacional do Pico da Neblina, na serra do Imeri. Sua altitude está atualizada com 2.995,30 metros e seu nome se origina por ficar a maior parte do tempo encoberto pela neblina.

O seu acesso é restrito por situar-se em terras de fronteiras e da reserva ianomâmi, dependendo de uma autorização do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). É obrigatório contratar guia credenciado. Tudo começa na cidade de São Gabriel da Cachoeira. Sobe-se o rio Cauaburi em “voadeiras” até o igarapé Tucano. Daí em diante é na força das pernas com aproximadamente quatro dias de caminhada, andando 4 ou 5 horas por dia.

“Embora o maciço do Pico da Neblina esteja situado na fronteira com a Venezuela e a maior parte da área do maciço esteja nesse país, o cume principal está inteiramente dentro do território brasileiro, a meros 687 metros da fronteira venezuelana no Pico 31 de Março”.

Vale, porém, lembrar que o Pico 31 de Março é o segundo ponto mais alto do Brasil, com 2.974,18 metros de altitude na mesma serra do Imeri, fronteira com a Venezuela. Isso quer dizer que o Brasil não possui em seu território, elevações com mais de 3.000 metros de altitude. Por muito tempo reinou como o ponto mais alto do Brasil o Pico da Bandeira, entre os estados de Minas Gerais e do Espírito Santo, com 2.891 metros.

As mudanças acontecem quando paragens antes desconhecidas são estudadas. Os aparelhos de precisão, cada vez mais aperfeiçoados, permitem fazer a troca para dados atualizados nessa rapidez em que se encontram as tecnologias. Em Alagoas, temos como o mais novo ponto culminante, a serra da Onça, no município de Mata Grande, descoberto pelo pessoal da UFAL/Delmiro Gouveia. Inclusive, já está em nosso livro ainda inédito: “Repensando a Geografia de Alagoas”.

E para quem não pode ir até o Pico da Neblina, a serra da Onça, nos arredores do município de Mata Grande é muita visitada em época de Semana Santa. Uma opção simples e que conta com a cidade perto para suporte.

Agora vamos sair das alturas e cair na realidade da Depressão Sertaneja e do São Francisco. Zapt!

Clerisvaldo B. Chagas, 23 de novembro de 2017

Crônica 1.787 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

22 nov

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XAMEGUINHO, SANTANA E FORRÓ

FORROZEIRO XAMEGUINHO (Foto: Clerisvaldo B. Chagas)

Engavetada algumas composições de forró pé de serra com letras caprichadas, resolvi tirar algumas dúvidas e procurei o famoso cantor alagoano em Maceió. Recomendado pelo colega da música Valdo Santana, fui bater à porta de Xameguinho, ocasião em que fui bem recebido e passamos a trocar ideias.

O conhecido forrozeiro confessou-me ser filho da zona rural de Atalaia, onde começou a mexer com música valendo-se ainda de sanfona rudimentar. Com persistência e talento conseguiu galgar os degraus da carreira até chegar à posição onde se encontra, sem ameaças de concorrência.

Falou-me um pouco sobre o mundo musical, elogiou a voz de Valdo Santana e, saiu raspando bem das qualidades de Zé de Almeida, Benício Guimarães, Manoel Messias, inclusive das brincadeiras na chácara do Lira, em Santana do Ipanema.

Foi aí, meu amigo, que saí mostrando para o homem as minhas letras de Coco, rojão, baião, vaquejada… E enquanto lia passava a solfejar as musicas que vieram antes à minha cabeça. Todas as letras foram aprovadas, inclusive, os solfejos das melodias.

Conversa vai, conversa vem, fui tentando compreender o mundo musical comparando-o à Literatura. Voltei satisfeito com a avaliação de Xameguinho. Entendi perfeitamente outro viés. Caso eu queira gravar um disco de forró pé de serra, estão prontas as letras e as pistas das melodias.

Xameguinho pode me entregar o disco completamente finalizado, com todo o trabalho de sua equipe, inclusive com sua própria voz. Uma vez de posse do meu próprio disco, posso oferecê-lo prontinho, prontinho ao cantor que eu quiser ou jogá-lo no mercado mesmo assim.

Ah, compadre, ia esquecendo. É preciso dispor de certa quantia para encomendar o troço. Ninguém faz nada de graça e, na área musical, há muito venho percebendo muito sede pelos “peixes”. Ainda estou pensando, amiga, se vale à pena.

Voltando ao Xameguinho, está escrito na sanfona dele mesmo o Xameguinho com “X”. E por enquanto, vamos escutando o forró alheio, esse que a gente pode ligar e desligar no momento que quiser.

Clerisvaldo B. Chagas, 22 de novembro de 2017

Crônica 1.786 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

21 nov

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PELAS RUAS DE MACEIÓ

Nas ruas de Maceió (Foto: Clerisvaldo B. chagas)

Final de semana em Maceió, dia primaveril agradável e nublado, nos anima a uma incursão pelo Comércio. Vamos aproveitando a obrigação para cair na devoção e dá uma espiada geral no “Paraíso das Águas”. Apesar da beleza da manhã, as nuvens fechadas vão tampando o calor no chamado Efeito Estufa.

E lá vamos nós misturados ao trânsito intenso, à multidão tal formigueiro imparável de loja em loja. Ruas cheias de gente e casas comerciais lotadas, não encontramos a crise que o povo fala. E se o povo fala, mas o dinheiro não. Lojas decoradas para o Natal, a figura do Papai Noel em evidência, caixas danados recebendo células novas e passando troco. Ladainhas de todos os tipos de ambulantes e propagandistas de dinheiro fácil.

A criatividade vestida de palhaço aguardava clientes numa esquina. O deficiente toma conta da rua na mendicância com um ganzá estranho. Um barulho das seiscentas pestes, sem regras, sem ética, sem decibéis. Mulheres discutem os atrasos dos ônibus. A dandoca de sombrinha conta as últimas aventuras do pastor da sua igreja. Um camarada mente que só a bexiga para vender balas doces. O negrão amassa a negrona no fundo da barraca e, nós vamos procurando o melhor ângulo da fotografia.

“Valha-me Deus, mulezinha, perdi uma nota de cinquenta, a senhora não viu?”. Aproveitamos para procurar pequeno objeto, mas dizem que só se encontra essas coisas na casa do chinês. E agora não é somente uma casa de chinês, eles tomam conta do comércio de bugigangas na capital. Não senhor. Não adiante pedir desconto em nada. Chinês tem palavra de inglês, não negocia, impõe.

Bem, de qualquer maneira, já consegui resolver duas coisas importantes da missão Maceió. Agora é deixar tanta balbúrdia recolher a atividade de rua e bater em retirada. Amanhã estaremos em audiência com famoso cantor e compositor. Uma atividade paralela dos escritos, desconhecida para nós, mas quem sabe! A vida sempre nos indica novos caminhos… Fui.

Clerisvaldo B. Chagas, 21 de novembro de 2017

Crônica 1.785 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

20 nov

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CONSCIÊNCIA NEGRA

Foto: Pintura por Antônio Parreiras / Reprodução

Hoje é o Dia da Consciência Negra. Ele foi instituído no dia 9 de janeiro de 2003 pelo projeto Lei n.0 10.639, mas somente em 2011 a lei foi sancionada (Lei 12.519/2011) pela presidente Dilma Rousseff. O dia é comemorado em todo o território nacional e foi escolhido por ter sido o dia da morte do líder negro Zumbi que lutou contra a escravidão no Brasil.

Esta celebração relembra a importância de refletir sobre a posição dos negros na sociedade. Os inúmeros eventos sobre o tema espalhados pelo País, são importantes para a reflexão dos dias atuais nessa marcha inexorável para o porvir. Esse é um período de diversas atividades e projetos realizados nas escolas para comemorar a luta dos afrodescendentes.

Desde 1532 começou a entrar negros escravos no Brasil, até que aconteceu a lei Eusébio de Queiroz, em 1850, que proibia o tráfico negreiro. Mesmo com a abolição formal da escravidão, em 13 de maio de 1888, essa busca pela verdadeira independência e igualdade, jamais cessou.

A Consciência Negra reflete sobre a discriminação e as conquistas na sociedade, no mercado de trabalho. Sendo feriado em alguns estados e ponto facultativo em outros, o que importa é a discussão em diversas entidades, em praça pública, em lugares especiais que levem a humanidade inteira a refletir sobre a igualdade, direito de todos no Planeta.

Em Alagoas a grande concentração dos festejos, acontece no município de União dos Palmares, a 72 km da capital, Maceió. O cimo da serra da Barriga que outrora abrigou o Quilombo dos Palmares e seus combates contra os brancos recebe pessoas do País inteiro e representantes de diversas partes do mundo. Nessa ocasião, muitas escolas levam os seus alunos para passeio e pesquisa sobre os episódios que aconteceram na serra e suas imediações. A data enche de orgulho o peito do alagoano e a vaidade de ter tido um líder no naipe de Zumbi.

Clerisvaldo B. Chagas, 15 de novembro de 2017
Crônica 1.784 – Escritor Símbolo de Sertão Alagoano