22 mar

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A ONÇA SUÇUARANA

Onça parda ou Suçuarana (Foto: Bas Lammers / Wikipédia)

A imensidão da caatinga era habitada pela onça-pintada e a onça canguçu, também chamada onça-parda. O desmatamento contínuo, as secas e a caça predatória, saíram dizimando tudo fazendo desaparecer desde os animais maiores aos menores passarinhos das matas.

Todos os animais foram alvos de caçadores profissionais e amadores, moradores de fazendas e de qualquer um que vagasse pelas estradas arenosas e poeirentas. Portanto, quando os animais maiores como a onça, raposa, guará, tamanduá, veado, queixada e outros quadrúpedes, começaram a desaparecer, a onda a atingia os menores, aves e pássaros. Por ser mais valente e de pele mais entrando nas lendas regionais como a vilã.

Nem podemos dizer que a proteção à flora chegou tarde demais. O mundo continua rodando e as coisas vão acontecendo. Talvez seja do próprio mundo mesmo a evolução de umas coisas e o desaparecimento de outras, o lamento, o saudosismo, o desespero, a esperança.

Lembro-me dos últimos queixadas e veados que chegavam à Santana do Ipanema, quase escondidos, vindos de São José do Tapera e vendidos em nacos naquela feira. Mas vale salientar que o veado não era procurado somente pelo sabor da carne, mas também para a confecção de alpercatas e chapéus de couro de alta qualidade. No caso da onça-parda, encontrei advertência sobre ela, nas veredas da serra das Porteiras, quando da expedição sobre o “Ipanema um rio macho”.

A onça-parda “é um animal solitário e mais ativo à noite. Alimenta predominantemente de cervídeos, mas pode variar a dieta, sendo considerado um predador oportunista. A presença de outros carnívoros influencia diretamente a escolha das presas e ambientes de caça. As áreas de vida variam de 50 a 1000 km2, com machos sendo territoriais e possuindo grandes áreas se sobrepondo ao de várias fêmeas. As fêmeas possuem vários estros no ano, possuem uma gestação que dura entre 90 e 96 dias e geralmente nascem entre 3 e 4 filhotes, a cada 2 anos, aproximadamente”.

Essa é diferente da onça do cordelista que disse que na praia: “a moça levanta a perna/e a gente vê a caverna/ da onça suçuarana”.

Clerisvaldo B. Chagas, 22 de março de 2018.

Crônica 1.863 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

21 mar

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OUTONO ESCASSO

Foto: Reprodução / Agência Alagoas

De acordo com as várias afirmações dos entendidos, a coisa tá preta no velho sertão de guerra. No dia de São José não choveu no semiárido alagoano. Céu limpo sem as nuvens benfazejas e uma temperatura de lascar o cano. Foi três dias seguidos com 37 graus, em Santana do Ipanema, médio sertão, que quase se iguala à famosa cidade de Pão de Açúcar, às margens do Velho Chico.

As nuvens fizeram um tampão tipo “efeito estufa”, e, segundo um trabalhador rural, “fez o matuto moer troncho”. Ouvimos um profeta da chuva descrever a posição de tal estrela dizendo que não tem jeito e que esse ano será escasso de chuva por aqui. Muita gente não quer sair de casa depois das dez horas e, pelo menos até às quinze.   

Alguns dias o céu vem tão azulado quanto à pedrinha quadrada do anil, outros dias o firmamento traz as enganosas nuvens de carregação. E o sertanejo, que vive da chuva e pela chuva, espia para cima várias vezes por dia, aguardando mágica mudança, milagre, num misto de fé e desafio. Não senhor, não foi por aqui o desfile do Canal do Sertão.

E quem olha para as montanhas circuncidantes, vê o cinza querendo afastar o verde e tomar conta do cenário. Um roceiro das bandas do serrote dos Brás, sítio distante de Santana, fala que o lugar tem muitas cisternas e tal poço Camarão que nunca seca. E que quando vai chegando a esse ponto, Deus sempre providencia o abastecimento de cima.  

Repetem-se os ciclos de prosperidades limitadas e voltam-se aos ditados marcados, sulcados e sofridos: “o sertanejo está sempre começando”. Eleva o rebanho nos tempos de fartura, tudo perde na inclemência e renasce junto com o novo inverno, cada vez mais raro. E no período mais difícil, até que a água chega montada em caminhão, mas os animais não vivem somente de água.  

E se tudo falta na zona rural, sofre o comércio da região, quase sempre de modo geral, pois o geral é a própria natureza nos caminhos: Sol ou chuva. Estamos iniciando o outono. Da sua metade em diante, esperamos as água do céu e a emenda com o inverno, mas não está nada fácil. Quando havia acauã, inventava-se culpado. E agora? São José passou por longe.

Clerisvaldo B. Chagas, 20 de março de 2018

Crônica 1862 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

20 mar

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MARTELO DA CULTURA

Foto: Turismo culturamix

Compartilho hoje com vocês, parte de uma poesia de minha autoria e que foi lida durante o lançamento do livro “230”, ocorrido no último sábado em Santana do Ipanema.

Meu roçado não é tão diferente

Do barreiro do pote do caneco

Da foice do machado do xadeco

Da maniva do tronco da semente

Do chocalho malvado da serpente

Do boi do vaqueiro do gibão

É o livro a caneta o livião

A comadre que reza e faz a cura

Como posso falar da Agricultura

Se a Cultura é a roça do meu pão

 

No roçado tem casa de farinha

Casebre chamado pau a pique

O engenho colado ao alambique

O feitiço do Sol de tardezinha

Os quitutes cheirando na cozinha

Um cavalo ruim feio e chotão

O cachorro se coça no pilão

A morena ao vaqueiro ainda jura

Como posso falar da Agricultura

Se a Cultura é a roça do meu pão

 

O alarme do galo no paiol

Um caboclo valente e atrevido

Dão romance rural abastecido

Como a luz matutina é um farol

Poetisa mastiga o arrebol

É teatro novela de paixão

Escritores só bebem no Sertão

Da fonte literária bela e pura

Como posso falar da Agricultura                                     

Se Cultura é a roça do meu pão

 

Uma dona fazendo uma intriga

O pescoço comprido do socó

A cadela no rastro do mocó

Uma arenga uma foice e uma briga

O teiú por dentro da urtiga

A memória de Cosme e Damião

As voltas da onça no grotão

O menino pegando tanajura

Como posso falar da Agricultura

Se a Cultura é a roça do meu pão

 

A cultura se faz com marmeleiro

Alecrim quixabeira grão de bico              

Imburana folhagem de angico

Espinheira miolo de facheiro

Sacatinga bom nome cajueiro

Mulungu mororó salsa e pinhão

Goiabeira andu federação

Óleo de mamona e rapadura

Como posso falar da Agricultura

Se a Cultura é roça do meu pão

 

Clerisvaldo B. Chagas, 20 de março de 2018

Crônica/poesia 1861 (Resumo) – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

19 mar

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A NOITE E O BRILHO NA AABB

Publico fez fila para pegar autógrafo no livro (Foto: Lucas Malta / Alagoas na Net)

Já neste final de verão, pertinho do dia de São José, o brilho da Literatura ofuscou a rotina santanense. Numa inolvidável noite sertaneja, foi lançado o livro tão aguardado, “230”, com ênfase especial pela presença dos guardiões da cultura da terra.

Diante desse público seleto, preocupado com os rumos da nossa história, foi apresentado finalmente o livro/enciclopédia “230, um monumento iconográfico aos 230 anos da fundação de Santana do Ipanema”. Os destaques de apresentação da enciclopédia ficaram na responsabilidade dos escritores Fábio Campos e Marcello Fausto, cujos pronunciamentos foram intercalados pelos clássicos de Luiz Gonzaga, na interpretação do Imperador do Forró, Manoel Messias.

E mais uma melodia do “Rei do Baião”, deu cobertura a um Martelo Agalopado do próprio B. Chagas, em oito estrofes com o tema: “Como posso falar da Agricultura/ Se Cultura é a roça do meu pão”.

O povo ansioso aguardava o início dos trabalhos, o que aconteceu sob a batuta do mestre de cerimônias Ronaldo Alves. Tomaram assento a mesa o escritor Clerisvaldo B. Chagas e sua esposa Irene Chagas, os apresentadores do livro, escritores Fábio Campos e Marcello Fausto, Vera Malta, como representante do prefeito Isnaldo Bulhões, a diretora de cultura do município, Gilcélia Gomes e o senhor Tácio, novo presidente da Associação Atlética Banco do Brasil – AABB.

A palavra foi facultada aos da mesa e em seguida à plateia, fato que tornou o ciclo dos 100 muito mais participativo. O saudoso poeta, compositor e cantor versátil Ferreirinha, foi homenageado no decorrer da cerimônia.

Presentes no evento, jornalistas, empresários, comerciantes, professores, médicos, artesãos, fazendeiros, bancários e outros profissionais; ampla parceria capaz de despertar e fomentar o documentário da história de Santana do Ipanema, visando o conhecimento de raízes para as futuras gerações.

Sem dúvida alguma foi um evento literário à altura de Santana e que ficará para sempre na memória dos que ali compareceram em 17 de março de 2018. Uma reunião que se prorrogou animada ao som de Levi Malta, Manoel Messias e Fernando Xavier, furando a meia-noite.

Clerisvaldo B. Chagas, 19 de fevereiro de 2018

Crônica 1.860 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

16 mar

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AABB EM NOITE LITERÁRIA SERTANEJA

 

Convite ao ciclo dos 100 (Foto: Divulgação)

Finalmente amanhã, sábado dia 17, teremos um grande encontro literário. Trata-se de um grupo de 100 pessoas (Ciclo Fechado dos 100) que resolveu financiar o próprio livro “230”, cuja publicação será especial e restrita a 100 exemplares. O livro “230” é uma homenagem do autor santanense, Clerisvaldo B. Chagas, aos 230 anos da fundação de Santana do Ipanema.

É a história dos nossos edifícios públicos, situações e lugares através de fotografias antigas e modernas. O livro/enciclopédia, além da história cronológica dos prédios, situações e lugares, traz legenda, resumo histórico e datas, que irão deixar o leitor bem confortável, polêmico e saudoso, quando “230” se grudará a sua vida.  

O lançamento do livro histórico santanense será apresentado pelos escritores da terra, Fábio Campos e Marcello Fausto, numa típica reunião sertaneja que contará com a participação extra do cantor Manoel Messias, o Imperador do Forró e a cantora revelação do interior Wilma Alves, A Dona da Noite, além de declamação de poesia.

O Ciclo de 100 Guardiões da Cultura Santanense está fechado, mas se houver alguma desistência, haverá repasse  dos faltosos para uma pequena fila de espera. Apenas 100 exemplares serão oferecidos à sociedade santanense, cujas escolas maiores da cidade, fazem parte da lista dos guardiões.

Os trabalhos literários terão início às 20 horas no salão nobre da Associação Atlética Banco do Brasil – AABB.

Entre tantas obras publicadas pelo romancista B. Chagas, estão alguns documentários e didáticos como livros importantíssimos para a história do Sertão como “Geografia de Santana”, “Negros em Santana”, “Ipanema um Rio Macho”, “Conhecimentos Gerais de Santana” e “O Boi, a Bota e a Batina, História Completa de Santana do Ipanema” (ainda inédito).

Após o lançamento do livro “230”, o autor promete luta para publicar “O Boi e a Bota…”, os romances do ciclo do cangaço: “Deuses de Mandacaru”, “Fazenda Lajeado” e “Papo-Amarelo” e mais “Colibris do Camoxinga”, “Maria Bonita, a Deusa das Caatingas”, “Barra do Ipanema, Um Povoado Alagoano”, “Repensando a Geografia de Alagoas” e “Padre Cícero, 100 Milagres Inéditos”.

Vamos ao clube.

Clerisvaldo B. Chagas, 16 de março de 2018

Crônica 1.859 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

09 mar

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ROMANCE LITERÁRIO VISTO POR FORA

Os tipos de romances no Brasil podem ser divididos em tipo de abordagem e tipo de escola literária, segundo Débora Silva.

Pelo tipo de abordagem ele pode ser:

 

  • Romance Urbano – Geralmente retrata a vida social das grandes cidades, com suas tramas de traições, amor e situações do dia a dia.

 

  • Romance Regionalista – Mostra questões sociais de determinadas regiões brasileiras, com ênfase nas características e na linguagem do lugar.

 

  • Romance Indianista – Mexe com os costumes indígenas, sendo muito típico e inconfundível.

 

  • Romance Histórico – É que dá ênfase ao modo de vida e os costumes de determinada época e região, na história. Mistura fatos reais e fictícios.

 

Quanto à chamada escola literária, ele pode ser:

 

  • Romance Romântico – Tem destaque o cavalheirismo, os ideais da mulher, numa mistura com o heroísmo.

 

  • Romance Realista – Puxa pelas críticas sociais e análises científicas. Basicamente possui as mesmas características das narrativas realista, tendo sido produzido no mesmo período.

 

  • Romance modernista – Traz um caráter revolucionário com fortes críticas sociais e novas visões do mundo.

 

Diz Aurélio: Romance: “Descrição longa das açõe e sentimentos de personagens fictícios, numa transposição da vida para um plano artístico”.

O romance, além de ser o gênero mais complexo da Literatura goza o prestígio de ser também o mais nobre.

Desse modo, os nossos cinco romances do Ciclo do Cangaço – dois publicados e três inéditos – são considerados Regionais/Históricos. O escritor procura parcerias para levá-los ao Cinema e a Televisão, em longas-metragens:

São eles: “Ribeira do Panema”, “Defunto Perfumado”, “Deuses de Mandacaru”, “Fazenda Lajeado” e “Papo-Amarelo”. Você se interessa pelo assunto? Vamos à luta.

Clerisvaldo B. Chagas, 9 de março de 2018

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica 1.858

08 mar

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LAMPIÃO E LUIZ GONZAGA

Capa de disco do Rei do Baião (Foto: Divulgação)

Lá nas paragens de Exu, Pernambuco, quando Gonzaga ainda era menino, queria porque queria conhecer o Virgolino Ferreira que atingia o Ápice da fama. Acompanhando o velho Januário, tocador de fole, pelos bailes da região, o futuro sanfoneiro ia treinando com o instrumento e a música que se traz no sangue.

Todos já sabiam que Lampião também tocava sanfona de oito baixos. Esse era um dos ferrenhos motivos pelos quais Luiz queria conhecê-lo, embora tenha dito mais tarde que Virgolino tocava desafinado e que havia gente no bando que tocava direito.

A família de Luiz não queria contato com o bando de Lampião, alegando as atrocidades cometidas pelo bandido. Pelas pistas escorregadias da entrevista do cantador, vamos nos situar em 1926.

Quando correu o boato de que Lampião iria a Juazeiro do Norte, Luiz Gonzaga animou-se uma vez que Exu era ponto de passagem do cangaceiro. E no segundo boato, quando se falou na aproximação do marginal, muitas famílias de Exu abandonaram suas casas e foram se esconder no mato.

Gonzaga protestava em ficar, mas a mãe não consentiu. Passaram a noite em um esconderijo da caatinga. No outro dia, na dúvida, a mãe de Gonzaga indagou se ele tinha coragem de ir até à rua, saber se Lampião já havia passado. Gonzaga foi. E quando retornou ao esconderijo, veio brincando aos gritos que todos corressem que Lampião estava chegando. O resultado é que levou uma boa pisa de todos.

O povo que havia corrido para passar a noite no mato se arrependeu e voltou. Somente sua família permaneceu isolada na caatinga. O futuro artista diz que perdeu a única oportunidade de conhecer Lampião, além de levar a surra.

Tempos na frente, já no Rio de Janeiro, Gonzaga iniciava a vida com a sanfona e tocando coisas alheias, em trajes elegantes. Quando começou a tocar em indumentária de cangaceiro e compondo suas músicas nordestinas, as portas começaram a se abrir. Assim o Brasil ganhou um dos maiores artistas da história e se fechou para um possível cangaceiro medíocre do grupo de Lampião.

A música de Gonzaga fez o Brasil feliz.

Clerisvaldo B. Chagas, 8 de março de 2018

Crônica 1.857 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

07 mar

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BOLSAS PLÁSTICAS, PASSADO OU FUTURO?

Foto: Elo7.com / Divulgação

Há alguns meses fui a uma padaria e tive a surpresa de receber os pães comprados, em um saco de papel com a parte externa cheia de propagandas. Muito bonita, a embalagem. A novidade me deixou feliz e crente de que todas as casas comerciais iriam fazer iguais. Mas a excelente novidade para todo o planeta ficou somente naqueles dias.

A bolsa plástica voltou com seu império absoluto e seus 400 anos para se decompor na Natureza. Foi aí que me lembrei da Padaria Royal, da minha terra, a casa de pães mais antiga da minha lembrança. Os mais velhos, entretanto, já falavam da Padaria de Seu Tavares que talvez tenha funcionado no mesmo lugar da Padaria Royal do senhor Raimundo Melo, centro da cidade.

Não havia agressão ao meio ambiente. Pães, bolachas e biscoitos eram despachados em papel de embrulho e cordão simples. A padaria também fazia entrega de pães através de sacolas de pano, algumas com desenhos bordados e nomes dos seus respectivos donos. As sacolas com os pães eram deixadas penduradas nas portas e janelas dos compradores e ninguém que passava nas ruas mexia com elas.

Nunca ouvi falar de padaria mais antiga do que a do Seu Tavares, pai do deputado santanense, Siloé Tavares. Ao lado da Padaria Royal, havia um espaço para depósito de lenha, para alimentar o forno. Essa prática, ainda hoje existe e muitas padarias ajudam a desmatar o que resta da caatinga, burlando a lei. 

Mas por que as padarias não seguem a boa ideia de fornecer os pães com as sacolas de papel? Quantas toneladas de plástico por mês seriam evitadas no lixo da cidade! E se os canudinhos de plásticos já estão sendo abolidos no mundo inteiro por organizações mais conscientes, por que não poderíamos fazer o mesmo, pelo menos nas padarias com as sacolas de plástico? Eu acho que isso é coisa para a Associação Comercial. Semana passada deu trabalho para comprar papel de embrulho no comércio. Fui encontrá-lo somente em um lugar, assim mesmo, de péssima qualidade.

Pois o papel de embrulho do passado, passa a ser a solução do futuro. E as bolsas plásticas que empestam as ruas de todo o país, passam a ser vilãs da saúde pública do mundo.

Clerisvaldo B. Chagas, 7 de março de 2018

Crônica 1.856 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

06 mar

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MACHADO NAS TRADIÇÕES

Centro de Santana do Ipanema (Foto: Clerisvaldo B. Chagas)

Todo o nosso país tem suas histórias e tradições que – verdade seja dita – nem sempre consegue preservá-las. A ansiedade pelo futuro é uma boca enorme que vai engolindo os vestígios por onde passa. O nosso Sertão de Alagoas não foge às regras da dinâmica.

Especificamente em nossa cidade, Santana do Ipanema, conservam-se as denominações Maracanã, Camoxinga, Alto dos Negros, Cachimbo Eterno, Lajeiro Grande, Barragem, Floresta, Maniçoba, Bebedouro e outras mais, explicadas com detalhes cada uma delas no livro inédito “O Boi, a Bota e a Batina; História Completa de Santana do Ipanema”.

Veja na crônica de ontem como demos detalhes da fundação do Colégio Estadual, hoje ponto de referência daquele complexo educacional e das cercanias. A foto apresentada do Colégio foi transformada em “Esponja de Aquarela”, efeito artístico por computador.

Nem sempre, porém, as provas de origem permanecem através do tempo. O lugar denominado “As Cajaranas” – nas imediações dos fundos do IFAL, possuía pelo menos três cajaranas altas e que foram cortadas, ficando apenas os tocos, há alguns anos atrás. O local com o nome de “Cipó” tinha uma santa cruz de beira de estrada. Fica a poucos metros do Posto Lemos, boca de caminho para o sítio Sementeira. Hoje o lugar da cruz acha-se ocupado por uma fileira de casebres.

As Olarias foram tragadas pelo casario do Conjunto Eduardo Rita, região do Ipanema chamada Minuíno. Assim desapareceram as referências: Minuíno, Olarias, Cajaranas e Cipó. O serrote do Gonçalinho passou a ser chamado do Cristo e depois, de Micro Ondas; O morro da Goiabeira virou serrote do Cruzeiro; o serrote do Pelado transformou-se em Alto da Fé.

E, lá perto do Alto dos Negros, o Conjunto Cajarana tem esse nome porque existe ali uma grande e frondosa cajarana que recebeu o ensaio de fogo no tronco. O símbolo do lugar não vai resistir por muito tempo, desaparecendo a prova do seu batismo.

Após o lançamento do livro “230”, vamos formar novo mutirão para que a história de Santana venha a lume. Se Santana ficar aguardando às autoridades, jamais terá sua verdadeira história contada.

Vem comigo!

Clerisvaldo B. Chagas, 6 de março de 2018

Crônica 1.855 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

05 mar

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CINQUENTA ANOS DE COLÉGIO ESTADUAL

Escola Estadual Mileno Ferreira (Foto: Clerisvaldo B. Chagas)

Vamos caminhando para os 54 anos de fundação do antigo Colégio Estadual Deraldo Campos, em Santana do Ipanema, Alagoas. Esta unidade de ensino foi a primeira escola pública de Santana do Ipanema e, talvez, de todo o Sertão alagoano, a funcionar com o Segundo Grau, atualmente chamado de Ensino Médio.

Muitos filhos do semiárido, após terminarem o Curso Ginasial (8a Série) na Escola Cenecista Ginásio Santana, tinham três opções: continuar estudando ali mesmo com o Curso de Contabilidade, migrar para Maceió ou Recife ou parar de estudar. Foi quando o Exército Brasileiro comprou a fazenda do ex-interventor Frederico Rocha e implantou uma unidade militar em Santana.

Com a desistência, o Exército foi embora, ficando o enorme prédio do quartel, ocioso. Foi, então, implantado o colégio de Segundo Grau, que recebeu o nome do secretário de Educação da época, Deraldo Campos, em 26.03.1964. (O Boi, a Bota e a Batina; História Completa de Santana do Ipanema).

O primeiro diretor do Deraldo foi o professor Mileno Ferreira da Silva, ligado ao militarismo da ditadura no País. Passou cerca de 20 anos na direção da Escola. Nós também demos a nossa contribuição como professor de Biologia, Sociologia, Filosofia, História e Geografia, durante a escassez de mestres.

Também contribuímos como Diretor, o primeiro eleito pelo voto direto. Com o falecimento de Mileno Ferreira, um bruxo da floresta riscou o nome da homenagem ao benfeitor Deraldo Campos, mudando-o para o diretor falecido. O mesmo erro da Praça Emílio de Maia. Os homenageados de Santana são cassados de acordo com a conveniência de brutos, maliciosos e desqualificados. 

Apesar das suas crises cíclicas, o antigo Colégio Estadual Deraldo Campos, continua sua missão inicial de conduzir a juventude estudiosa para projeções futuras. Hoje a direção da unidade encontra-se na mão da ex-diretora da Escola Estadual Professora Helena Braga das Chagas, Maria Aparecida Silva, doce e educada criatura dedicada à sua nobre missão. A priori, Cida é filha de Dona Maria e do soldado Manoel Joaquim, vizinhos e personagens da rua da nossa infância, Antônio Tavares. Excelentes criaturas.

Colégio Estadual, estabelecimento altamente histórico e REI.

Clerisvaldo B. Chagas, 5 de março de 2018

Crônica 1854 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano