05 abr

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FEIRA DO PEIXE VIVO E DO VIVO LADRÃO DE PEIXE

Feira do Peixe Vivo em Maceió (Foto: Ronaldo Lima)

Muito boa à ideia de vender peixe vivo. O consumidor tem a plena garantia de que o peixe é sadio e abatido na hora. É escolher o que lhe achar conveniente, mandar abater, preparar, pagar e bater em retirada satisfeito da vida. O inconveniente de preparar o produto em casa desaparece e o prazer de saborear um produto fresco aumenta.

Essa prática de vender peixe vivo sempre acontece em época de Semana Santa, em Maceió, mas deveria se estender por todos os lugares. E se a prática é boa para o consumidor, deve ser melhor ainda para o comerciante, geralmente, proprietário da própria piscicultura. É que assim ele divulga o seu criatório e não irão faltar compradores no dia a dia.

No Sertão o negócio é diferente. Para se criar o peixe, o uso pode ser no açude da fazenda ou em lugar adequado para a piscicultura. Quando no açude, a técnica exigida é desprezada. Cria-se o peixe sem nenhum compromisso. Muitas vezes eles estão esqueléticos, somente com o couro por cima da carcaça por falta de alimento. Quando criado dentro da técnica, o peixe se desenvolve como em qualquer outro lugar do Brasil.

Mas o grande inimigo de um modo ou de outro é o ladrão de peixe que não tem hora do dia ou da noite para espreitar e meter a mão no alheio. Pelo dia, o morador da fazenda não pode sair de casa, pois o ladrão já sabe seu dia de ir à feira. Pela noite, somente se livra dos bandidos se dormir na tocaia.

Geralmente os ladrões são tarrafeiros profissionais em busca do produto. São muito bem informados e sabe exatamente as fazendas e sítios onde encontrar o que procuram. Até mesmo o tipo de peixe do criatório de Fulano e Beltrano. Muitas vezes o próprio morador da propriedade escancara às porteiras na base da propina. Sendo assim, fica difícil criar peixe nas fazendas do Sertão. Dizia um amigo: “Ninguém vai matar um peste por causa de um peixe”.

Outra coisa interessante é que quase sempre se sabe quem são os viciados, mas não é fácil pegá-los com a boca na botija.

Fazer o quê?

Clerisvaldo B. Chagas, 5 de abril de 2018

Crônica 1.873 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

04 abr

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O CARRO DE BOI AINDA É REI

Carro do boi em procissão na cidade de Olivença (Foto: Lucas Malta / Alagoas na Net / Arquivo)

A reportagem da Rede Globo sobre a mudança de uma família mineira de uma fazenda para outra, bem exaltou o carro de boi. Transporte antigo do Brasil, o carro de boi ainda se encontra presente em quase todo o território nacional, servindo nas fazendas. Enfrenta os serviços mais pesados com sua rudeza preparada à base de madeira nobre e algumas peças de ferro.

É ele construído em fabriquetas cujos artesãos possuem a experiência e o amor pelo trabalho complexo e admirável. No caso da mudança apresentada na televisão, mais de vinte carros de bois foram precisos, inclusive, em dias chuvosos. Com eles seguiram todos os móveis, utensílios e bichos da fazenda. Uma vizinhança solidária em todos os eventos regionais.

Normalmente o transporte usa duas parelhas, como os bois da frente, chamados bois de cambão e, os de trás denominados bois do coice. Mas, conforme a necessidade, até oito parelhas são vistas puxando um carro, bem como apenas dois bois nas tarefas mais simples. Dentro de uma fazenda, mesmo com todo aparelhagem motorizada, sempre tem o “pau para toda obra”, que enfrenta todos os tipos de terreno, levando peso e trazendo em todos os recantos da propriedade.

É bastante haver estrada que por pior que seja é rompida pelo carro de boi. Não sendo possível passar com o carro, chega à vez do jumento ou do burro com a força bruta levando caçambas, cambitos, caçuás e ancoretas. Todo boi de carro tem seu nome batizado pelo carreiro.

Fora os trabalhos da fazenda, os carros fazem parte de procissões religiosas em várias regiões brasileiras, assim como encontros de carreiros que alimentam a tradição. No caso da mudança, em Minas Gerais, o proprietário gostava tanto de carro de boi que disse possuir vinte e quatro entre pequenos e grandes.

Até mesmo carros puxados por bodes bem chifrudos foram apresentados em plena ação na mudança. Aqui no Sertão alagoano somos mais acostumados com carros de carneiros, mas de bode, somente lá mesmo nas Minas Gerais. Inclusive, era um carro puxado por búfalos que seguia à frente.

Esse é o meu país, tão belo e ainda desconhecido para muitos brasileiros.

Clerisvaldo B. Chagas, 4 de abril de 2018

Crônica 1.872 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

03 abr

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FAZENDO RIQUEZAS NATURAIS

Foto: Reprodução / YouTube

Como a Natureza produz pedras preciosas:

Diamante. Feito somente de carbono, o diamante é uma das poucas pedras preciosas que não costumam se formar na crosta terrestre, e sim no manto, um oceano subterrâneo de magma. A pressão e a temperatura do manto, capazes de liquefazer rochas, também comprimem e fundem o carbono na forma de diamantes, que são carregados à superfície pelo magma, misturados a rochas ígneas. Em raros casos, a pressão que forma rochas metamórficas na crosta terrestre também forma diamantes.

Esmeralda. Formada pela combinação dos elementos berílio, alumínio, silício e oxigênio em uma solução aquosa, a esmeralda costuma ocorrer em veios de água quente (hidrotermais) derivada do magma nas profundezas da crosta terrestre. Quando essa solução aquosa com esses quatro elementos se resfria, a esmeralda se solidifica.

Rubi e safira. Quando magma contendo alumínio e crômio encontra bolsões de ar na crosta terrestre que contêm oxigênio, esses três elementos se combinam e formam rubis. O crômio, um elemento raro, é o que dá a cor vermelha ao rubi. Se ele não estiver presente na brincadeira, a gema formada é a safira, que costuma ser azul.

Turquesa. Parecida com a esmeralda, a turquesa vem da combinação de elementos (fósforo, cobre e alumínio) em uma solução aquosa. A diferença é que essa solução não deriva do magma do manto, e sim do infiltramento de água da superfície na crosta terrestre. Quando o infiltramento se aprofunda o suficiente para o calor evaporar a água, a turquesa se forma.

Quartzo. É formado pela evaporação de uma solução aquosa contendo átomos de silício, o que ocorre tanto em veios de água de superfície na crosta terrestre quanto em veios hidrotermais. Com a presença de certas impurezas (com o ferro) durante sua formação, o quartzo pode ficar da cor violeta, também conhecido como ametista.

Fonte: (Petrobrás e outras).

Em Santana do Ipanema tem uma mina desativada de ametistas. Detalhes no livro inédito: “O Boi, a Bota e a Batina; história completa de Santana do Ipanema”.

Clerisvaldo B. Chagas, 3 de abril de 2018

Crônica 1.871 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

02 abr

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O CABURÉ DO SERTÃO

Coruja ou Caburé, registrada em Santana do Ipanema (Foto: Lucas Malta / Cortesia)

Povoando praticamente o Brasil inteiro, podemos encontrar o Glaucidium brasilianum, a pequena coruja brasileira, no sertão nordestino. Também chamada caburé, o caburé miudinho, Glaucidium minutissimum, recebe nome pejorativo com vários significados.

Mede 16,5 cm, possui duas colorações de plumagem e sabe confundir a sua presa. O caburé alimenta-se de outras aves como pardais e sanhaçu, insetos, rãs, lagartixas, pequenas cobras e às vezes, beija-flor. Gosta de ficar em lugar mais alto de onde sai o voo para capturar com as garras.

Quando sua presença é notada por outras aves, estas fazem um alarido, denunciando sua presença. Tem a voz numa sequência mais devagar e emite 10 a 60 assobios.

O voo do caburé é ruidoso, contrariando a espécie. Põe 2 a 5 ovos brancos, gosta de fazer ninhos em buracos de árvores. Todavia faz morada em buracos de parede e barrancos. Gosta de agir diurnamente e no crepúsculo. Habita as bordas das florestas, várzeas e copas de árvores.

Mas o Caburé também gosta de fazer ninhos em cupinzeiros de 4 a 6 metros do chão e, abandonados por outras aves. Ele é ativo dia e noite e canta pelo dia. Com frequência avista-se o caburé em mourões de cercas e nas fiações elétricas. Atrás da cabeça tem face falsa para enganar pessoas e animais. Quando completamente imóvel, como estratégia, não é fácil de ser notado. Suas sobrancelhas são brancas com destaques.

Nas brincadeiras e piadas do sertão, o sertanejo gozador aponta o caburé como sendo o amante à espreita da mulher casada infiel. Também se faz referência às pessoas feias com a expressão: “Parece um caburé-de-‘urêia’ (orelha)”. Algumas localidades sertanejas possuem essa denominação. Também se aplica o termo à pessoa da roça, ao matuto das brenhas, como brincadeira normal do cotidiano.

E para você, casado, que gosta muito de viver farreando fora de casa, tenha cuidado com o CABURÉ.

Clerisvaldo B. Chagas, 2 de abril de 2018

Crônica 1.870 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

30 mar

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SEXTA-FEIRA SANTA

Ilustração (Foto: Projeto Apolo)

“Pilatos interrogou Jesus e afirmou para a multidão que não via fundamentos para uma pena de morte. Quando ele soube que Jesus era da Galileia, Pilatos delegou o caso para o tetrarca da região, Herodes Antipas, que, como Jesus, estava em Jerusalém para a celebração da Páscoa judaica. Herodes também interrogou Jesus, mas não conseguiu nenhuma resposta e enviou-o de volta a Pilatos, que disse para a multidão que nem ele e nem Herodes viam motivo para condenar Jesus”.

“Ele então se decidiu por chicoteá-lo e soltá-lo, mas os sacerdotes incitaram a multidão a pedir que Barrabás, que havia sido preso por assassinato durante uma revolta, fosse solto no lugar dele. Quando Pilatos perguntou então o que deveria fazer com Jesus, a resposta foi: «Crucifica-o!» (Marcos 15:6-14).

A esposa de Pôncio Pilatos havia sonhado com Jesus naquele mesmo dia e alertou Pilatos para que ele não se envolvesse «na questão deste justo» (Mateus 27:19) e, perplexo, o governador ordenou que ele fosse chicoteado e humilhado.

Os sumo-sacerdotes informaram então Pilatos de uma nova acusação e exigiram que ele fosse condenado à morte por “alegar ser o Filho de Deus”. Esta possibilidade atemorizou Pilatos, que voltou a interrogar Jesus para descobrir de onde ele havia vindo (João 19:1-9).

Voltando à multidão novamente, Pilatos declarou que Jesus era inocente e lavou suas mãos para mostrar que não queria ter parte alguma em sua condenação, mas mesmo assim entregou Jesus para que fosse crucificado para evitar uma rebelião (Mateus 27:24-26).

Jesus carregou sua cruz até o local de sua execução (com a ajuda de Simão Cireneu), um lugar chamado “da Caveira” (Gólgota em hebraico e Calvário em latim). Lá foi crucificado entre dois ladrões (João 19:17-22).

Jesus agonizou na cruz por aproximadamente seis horas. Durante as últimas três, do meio-dia às três da tarde, uma escuridão cobriu “toda a terra”(Mateus 27:45, Marcos 15:13 e Lucas 23:44).

Quando Jesus morreu, houve um terremoto, túmulos se abriram e a cortina do Templo rasgou-se cima até embaixo. José de Arimateia, um membro do Sinédrio e seguidor de Jesus em segredo, foi até Pilatos e pediu o corpo de Jesus para que fosse sepultado (Lucas 23:50-52).

Outro seguidor de Jesus em segredo e também membro do Sinédrio, Nicodemos, foi com José de Arimateia para ajudar a retirar o corpo da cruz (João 19:39-40). Porém, Pilatos pediu que o centurião que estava de guarda confirmasse que Jesus estava morto (Marcos 15:44) e um soldado furou o flanco de Jesus com uma lança, o que provocou um fluxo de sangue e água do ferimento (João 19:34).

José de Arimateia então levou o corpo de Jesus, envolveu-o numa mortalha de linho e o colocou em um túmulo novo que havia sido escavado num rochedo (Mateus 27:59-60) que ficava num jardim perto do local da crucificação. Nicodemos trouxe mirra e aloé e ungiu o corpo de Jesus, como era o costume dos judeus (João 19:39-40).

Para selar o túmulo, uma grande rocha foi rolada em frente à entrada (Mateus 27:60) e todos voltaram para casa para iniciar o repouso obrigatório do sabá, que começou ao pôr-do-sol (Lucas 23:54-56)”. (Wikipédia, a enciclopédia livre).

Clerisvaldo B. Chagas, 30 de março de 2018

Crônica 1.869 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

29 mar

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DIOCESE DE PALMEIRA DOS ÍNDIOS

Igreja em Palmeira dos Índios (Foto: Assessoria / Diocese)

Espaço para Álvaro Queiroz, Gazeta de Alagoas, edição de 4.2.2012. Diocese de Palmeira dos Índios: 50 anos de história.

“Faz precisamente 50 anos, em 2012, que foi fundada a Sé palmeirense. A 10 de fevereiro de 1962, pela bula Quam supremam, o Papa João XXIII criou a Diocese de Palmeira dos Índios. Sufragânea da Arquidiocese de Maceió, a diocese xucuru abrange boa parte de Agreste e do Sertão das Alagoas. Para a composição territorial da nova diocese, foram desmembradas áreas anteriormente pertencentes à Arquidiocese e à Diocese do Penedo.

Pelo decreto do Sr. Núncio Apostólico da época, D. Armando Lombardi, desmembraram-se da Arquidiocese de Maceió os Municípios de Paulo Jacinto e Quebrangulo. Já da diocese penedense foram separados – além de Palmeira dos Índios – os Seguintes municípios: Água Branca, Batalha, Belo Monte, Cacimbinhas, Delmiro Gouveia, Dois Riachos, Igaci, Jacaré dos Homens, Major Izidoro, Mata Grande, Monteirópolis, Olho d’Água das Flores, Olivença, Pão de Açúcar, Piranhas, Poço das Trincheiras, Santana do Ipanema e São José da Tapera.

A instituição oficial da Sé palmeirense ocorreu a 19 de agosto de 1962 com a posse do primeiro bispo, D. Otávio Barbosa Aguiar. A missa solene na Catedral de N. Sra. Do Amparo, foi presidida pelo Exmo. Sr. Núncio Apostólico do Brasil, D. Armando Lombardi, Arcebispo titular de Cesaréia de Felipe. No Arquivo da Cúria de Palmeira dos Índios, encontram-se a Ata da instalação canônica da diocese e o Termo de posse do 10 Bispo. Desde a sua criação, até hoje, quatro bispos tomaram assento na cátedra episcopal xucuru”.

Dizem que houve dois pedidos do último Papa (já falecido) ao bispo de Palmeira dos Índios (também falecido) que gostaria que fosse criada a diocese do sertão com sede em Santana do Ipanema. O pedido teria entrado por um ouvido e saído por outro. Não seria o momento do povo católico do sertão, reivindicar vigorosamente sua Diocese?

Tudo tem a sua hora. Queremos o nosso bispo.

Clerisvaldo B. Chagas, 29 de março de 2018

Crônica 1.868 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

28 mar

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PROCISSÃO DO ENCONTRO

Ilustração (Freepik)

Espaço para a palavra do professor Felipe Aquino:

“Uma celebração litúrgica de muita piedade, e que o povo católico muito aprecia durante a Semana Santa, é a Procissão do Encontro, que marca o encontro da Virgem Maria com Seu Filho divino, carregando a cruz no caminho do Calvário, pelas ruas de Jerusalém, depois de ser flagelado, coroado de espinhos e condenado a morte por Pilatos. É um momento em que meditamos o doloroso encontro da Virgem Maria com Jesus; é um momento de profunda reflexão sobre as dores da Mãe de Jesus, desde o Seu nascimento até a Sua morte na cruz. Jesus sofreu a paixão e a Virgem sofreu a compaixão, por nós.

A “espada de Simeão”, que não saíra de mente nos 30 anos da vida de Jesus, apresentava-se cada vez mais diante dela ameaçadora.

Não é difícil imaginar o quanto Nossa Senhora sofreu ao ver seu Filho ser perseguido, odiado, jurado de morte pelos anciãos e doutores da Lei que o invejavam. Quantas ciladas lhe armavam! Quantas disputas Ele teve de travar com os mestres da Lei.

E eis que a Paixão do Senhor se torna presente. Todo ano ela ia a Jerusalém para a festa da Páscoa judaica, e também naquele ano da morte do seu amado, ela ali estava.

Podemos imaginar a dor do coração de Maria ao saber da traição de Judas, do abandono de seus discípulos no Horto das Oliveiras, a negação de Pedro, e depois a Sua prisão e maus tratos nas mãos dos soldados do sumo sacerdote. Certamente naquela noite santa e terrível, em que Ele ‘tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim’, (Jo 13, 1), Maria foi informada pelos discípulos que abandonaram o Mestre e fugiram na noite”. (…).

No Sertão de Alagoas, em Santana do Ipanema, a Procissão do Encontro sempre foi realizada na região do centro e do grande Bairro Camoxinga, dividida entre homens e mulheres. O encontro acontece defronte a Matriz de Senhora Santana, sempre com muita emoção e respeito profundo. ´

É um momento ímpar para reflexão, principalmente, pelos tempos difíceis em que o nosso País estar vivenciando.

Clerisvaldo B. Chagas, 28 de março de 2018

Crônica 1.867 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

27 mar

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CANGALHA: USOS E COSTUMES DO SERTÃO

CANGALHA EM JEGUE. (FOTO: AFONSO LOUREIRO)

Neste início de Semana Santa, permanece o uso e costume do sertão nordestino no que se refere às bestas ou éguas. Uso de séculos da chamada cangalha usada nas cavalgaduras. Trata-se de uma armação de madeira com dois cabeçotes, acoplada num acolchoado de capim especial, revestido de pano.

Além de uma cilha, tira de couro que prende a cangalha à barriga do animal, para o equilíbrio, ainda existe a rabichola. Esta é uma peça de couro ou de sola que saindo da cangalha, apoia-se sob o rabo da cavalgadura para evitar que a carga deslize pelo pescoço do animal. A égua, a burra, a jumenta e mesmo cavalos, burros e jegues, também fazem uso da cangalha. 

As mercadorias são transportadas em objetos artesanais sobre a cangalha. Os caçuás, feitos de cipós, são pendurados por alças nos cabeçotes. Ancoretas e caçambas de madeira, também são penduradas nos cabeçotes. A cana-de-açúcar e o capim são transportados através de cambitos que são armações de pau para levar o produto horizontalmente. Daí o tangedor ser chamado de cambiteiro.

Os transportadores de rapadura e queijo, por exemplo, costumam usar a caçamba, peça de madeira segura nos cabeçotes por alças de corda de caroá. Esse tipo de mercadoria atraia cangaceiros que não gostavam de perambular sem rapadura nos embornais. Mesmo tendo sido reduzido o costume, ainda se vê bastante esse vai e vem.

Há um ditado no Sertão que diz: “Quem nasce para a cangalha não serve para a sela”. Esse provérbio era muito utilizado principalmente sobre pessoas que não davam para o estudo e sim para o trabalho braçal. Os transportes de mercadorias pesadas ficavam a cargo do carro de boi que também transportavam famílias completas para feiras, sítios e municípios contíguos.

Entretanto, continua o uso secular da cangalha. E, diga-se de prontidão, apesar da rudeza desse equipamento, a cangalha é uma obra feita por artesão especializado, cujo esmero é motivo de rasgados elogios. Entre as suas qualidades, além de não maltratar o animal, estão à beleza do artefato e a qualidade de longa vida.

Clerisvaldo B. Chagas, 27 de março de 2018

Crônica 1.866 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

26 mar

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MAIS ASFALTO PARA SANTANA

 

Asfalto deve chegar em Santana (Foto: Marcio Ferreira / Agência Alagoas)

Corre o boato na cidade que algumas ruas de Santana do Ipanema serão asfaltadas. Falam em cerca de 20 km do “pretinho” sobre o calçamento doido, esculhambado, troncho e revoltante deixado por tal empresa de saneamento. O saneamento leva nada a lugar nenhum e até agora ninguém foi preso nem o dinheiro foi devolvido. Como ficará, então, este trabalho após a cobertura asfáltica?

Mas, voltando ao novo benefício, 20 km são muito pouco para uma cidade do porte de Santana, todavia, sabemos que é melhor um metro colocado de que um metro retirado. E se a rua que leva ao hospital vai ser prioridade, é muito bom que seja, muito embora não tenha sido alargada. Junto ao Hospital Dr. Clodolfo Rodrigues de Melo, a UFAL também será beneficiada com o empreendimento.

Quais seriam as outras ruas, largos e avenidas por onde escorrerá o piche? Achamos que ainda não houve uma definição, mas com certeza a ação benfeitora será bem recebida em qualquer lugar da urbe. E se a cada 12 meses fossem implantados mais 20 km por certo, ao final de uma gestão, teríamos uma proporção altamente favorável em nossa malha viária.

Não vamos citar outras ruas como especulação, mas o aspecto de cidade civilizada começa pelo asfalto, intensa sinalização e limpeza. Mas outros gargalos como um anel viário para o Entroncamento Maracanã e semáforos para lugares estratégicos clamam por soluções todos os dias. Coisas simples como a jardinagem e passagem de pedestres na posteação da BR-316, Maracanã – DENIT ajudará no embelezamento urbano e na própria segurança geral.

Quando Santana do Ipanema foi elevada à cidade, na década de 1920, já iniciou a nova fase com o calçamento. Era um calçamento de pedras brutas, moderno para a época, revelando progresso. Esse tipo de pavimentação, somente foi substituído na gestão Ulisses Silva, quando virou moda à pedra pequena e o rejunto de cimento, chamado paralelepípedo.

Atualmente a cidade se divide entre o último tipo de pedra e o asfalto há muito representado como o novo. E depois do que a empresa de saneamento fez, o nosso calçamento não presta nem para cavalo. Portanto, é com certa expectativa que o santanense aguarda mais asfalto nas ruas, largos e avenidas. Em breve veremos o “negrinho” cobrindo trechos.

Clerisvaldo B. Chagas, 26 de março de 2018

Crônica 1.865 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

23 mar

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SÓ NÃO ESTUDA QUEM NÃO QUER

Estudantes da rede pública (Foto: Valdir Rocha / Agência Alagoas)

Sempre estudei morando na cidade. Sei, entretanto das grandes batalhas pelo Saber, de alguns companheiros do meu tempo e de antes de mim. Pessoas que se tornaram importantes para à sociedade e todos os dias vinham de sítios pertos ou distantes, a pé ou a cavalo.

Alunos que, solitariamente, desciam e subiam a serra do Poço, com 500 metros de altitude. Os que vinham de sítios como Queimadas do Rio, Batatal, Olho d’Água do Amaro, Barriguda, João Gomes, Lagoa da Pedra e tantos outros do nosso município. Tudo como adolescentes para enfrentarem o antigo primário, o Admissão ao Ginásio, às primeiras séries do Curso Ginasial. Sol de rachar ou muita chuva com lama nas estradas e córregos cheios.

Muitas são as aventuras contadas atualmente, como os mal assombros encontrados pelos caminhos, como por exemplo, o que se ouvia ao passar pela igrejinha das Tocaias e uma ou outra santa cruz de beira de estrada. Não havia transporte, merenda, financiamento de livros e cadernos.

A palmatória e a régua de baraúna cantavam nas mãos e nas canelas. Alguns poucos chegavam dos sítios, não suportavam a escola e caiam na jogatina da sinuca. A grande maioria, porém, valorizava a luta por um melhor lugar no mundo. Essa foi uma fase difícil para os estudos, mas não conhecemos ninguém que tenha se arrependido em ter estudado.

Atualmente o governo fornece tudo. Manda buscar o aluno em casa, em qualquer lugar da zona rural. Nem o caminhão serve mais tem que ser de ônibus. O transporte vai buscar e levar no terreiro. A escola dispõe de ventilador ou ar condicionado. Livros de graça. Merenda da melhor qualidade. Laboratório de informática, segurança, cursos, visitas e passeios. Infelizmente ainda são muitos os que procuram apenas assistir a primeira aula, com um enfado e uma alergia à escola, própria dos lugares mais perigosos da periferia.

E se o governo fornece tudo ao aluno e este não corresponde, onde está o erro?

Educação, um desafio permanente.

Clerisvaldo B. Chagas, 23 de março de 2018

Crônica 1.864 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano