Blogueiro da Veja, que já desqualificou Barbosa, hoje o defende do “petralhas”

11 nov 2012 - 11:01


Em 2009, a conduta de Joaquim Barbosa era, segundo Reinaldo Azevedo, “incompatível com o Supremo, com a democracia e com o estado de direito”. Dizia o blogueiro de Veja.com que o ministro representava o “direito achado na rua” e não na Constituição. Era o exemplo de ministro que jogava para a torcida, com seu populismo judicial. Mais: se algum “petralha” ousasse fazer elogios a ele em seu blog seria censurado. Hoje, no entanto, Reinaldo está em outra posição e argumenta que são os petralhas que tentam desacreditar o futuro presidente do STF, com a história de sua possível candidatura à presidência da República. E diz ainda que, sendo ou não candidato, isso não muda em nada a natureza do julgamento.

Pelo jeito, no mundo de Reinaldo, Barbosa no dos outros é refresco.

Leia abaixo o texto de Reinaldo Azevedo:

Joaquim Barbosa candidato à Presidência??? Eis uma forma de tentar desacreditar o ministro

O petismo sabe fazer duas coisas com destreza inigualável: manchar reputações e lavá-las. Por óbvio, mancha as que estão limpas, limpa as que estão sujas. Essa inversão moral sintetiza um jeito de fazer política. Os petistas, Lula e José Dirceu em especial, estão furiosos com Joaquim Barbosa. Não! As suas restrições não têm nenhuma relação com o temperamento eventualmente difícil do ministro, com a sua tolerância às vezes muito estreita com o contraditório, com seu estilo meio irado. Eu mesmo já chamei a atenção para certos aspectos de sua conduta que me parecem um pouco além da prudência. Não é isso que fere a sensibilidade dos companheiros.

Eles estão bravos com Joaquim Barbosa porque achavam e acham que ele é um devedor do petismo. Afinal, se foi o Apedeuta quem o indicou, como ousa agora o ministro — um negro!!! — se voltar contra os petistas? O detalhe nada irrelevante é que Barbosa não se voltou contra petista nenhum! Ele apenas se apegou à lei. Isso não é novidade. A nova onda contra Joaquim Barbosa, agora, é declará-lo um presidenciável; alguém que teria se deixado picar pela mosca azul e que está de olho na cadeira de Dilma Rousseff.

Trata-se de uma sandice, de uma bobagem, de uma especulação despropositada. Ainda que o ministro, por conta do mensalão, seja aplaudido em locais púbicos — enquanto um ou outro colegas seu são vaiados —, não há o menor indício, evidência ou sinal de que ambicione uma carreira política. Não que não pudesse. Está no pleno gozo de seus direitos políticos e pode, se quiser, renunciar à sua cadeira no Supremo e disputar um cargo político. Mas será que ele o fará?

Com quem anda falando Joaquim Barbosa? Quais são os seus interlocutores políticos? Que relação ele mantém com os partidos políticos? Como transita nos corredores do poder? Que partido lhe daria a vaga de candidato? O PT? Não! Já está ocupada. O PMDB? Não! Já está com Dilma Rousseff? O PSB? Se tiver candidato próprio (coisa de que duvido), será Eduardo Campos. O PSDB? A vaga está prometida para Aécio Neves. Quer dizer que Joaquim Barbosa, contra todo o establishment político, sem tempo na televisão — porque não teria — e sem articuladores no Congresso, poderia se lançar candidato à Presidência?

Trata-se, é evidente, de uma campanha de queimação de Barbosa. Que coisa espantosa! Essa gente não brinca mesmo em serviço. José Dirceu e seus amigos são insaciáveis. Lutaram para que não houvesse julgamento; quando ficou claro que haveria, lutaram para que se desse depois da eleição; quando ficou claro que ocorreria antes, lutaram para transformar o STF num tribunal de exceção. Agora que o Zé está condenado por formação de quadrilha e corrupção ativa, lutam para desmoralizar Joaquim Barbosa — na reta final, na hora da dosimetria. A inferência é óbvia: como o ministro alimentaria eventuais ambições políticas, seus votos, então, teriam de ser vistos à luz dessa possibilidade.

Políticos costumam ficar satisfeitos quando seus respectivos nomes integram lista de presidenciáveis. Barbosa, que não é político, tem todo o direito de se zangar. Espalhar essa possibilidade, a esta altura do julgamento, é uma forma de desacreditá-lo, de sugerir que ele não tem isenção para julgar ninguém. A inferência é que se comporta como um juiz de exceção, de olho na própria carreira.

“Você garante, Reinaldo, que Barbosa não pensa nisso?” Eu??? Eu não garanto nada sobre ninguém! Não sou nem íntimo nem confessor de Joaquim Barbosa. O que posso assegurar é que, até agora, ele se comportou dentro dos limites legais na relatoria da, como é mesmo? “Ação Penal 470”. Tratá-lo como presidenciável é só mais uma forma de tentar desmoralizar o seu trabalho. Ainda que venha ou viesse a ser candidato um dia, pergunto: isso mudaria a natureza dos crimes cometidos pelos mensaleiros?

Barbosa será, sim, presidente, mas do STF. O resto é especulação de quem está com a corda no pescoço.

E abaixo reportagem anterior do 247 sobre o tema:

247 – “Saia às ruas, ministro Gilmar. Vossa Excelência está destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro”. Com essas palavras, Joaquim Barbosa, que está prestes a assumir a presidência do Supremo Tribunal Federal e o comando do Poder Judiciário, agrediu o ministro Gilmar Mendes num embate ocorrido em 2009. À época, o blogueiro Reinaldo Azevedo escreveu que a conduta de Barbosa é “incompatível com o Supremo, com a democracia e com o estado de direito”. Como hoje a conduta de Barbosa — que continua a mesma — se dirige a adversários políticos do grupo ao qual Reinaldo pertence, Barbosa foi convertido em herói justiceiro. Mas não é demais relembrar as palavras de Reinaldo Azevedo em relação ao ministro:

ELOGIOS À ATUAÇÃO DE BARBOSA AQUI??? NEM PENSAR!!!

É inútil entrar no meu blog para tentar defender Joaquim Barbosa. Inútil porque os comentários serão eliminados. Não flerto com quem desrespeita as instituições. Não endosso atuações destrambelhadas. Não vou engordar a área de comentários com o papo-furado da canalha que tem seus próprios blogs. A fala de Joaquim Barbosa é incompatível com o Supremo, com a democracia e com o estado de direito. Um ministro do Supremo não acusa sem provas nem submete as instituições ao vexame.

Aqui não passa!

Que essa gente vá procurar sua turma!

Acho que eu não poderia ser mais claro. Este blog tem lado! O do estado democrático e de direito, que Gilmar Mendes vem defendendo com coragem e desassombro. Ainda que Barbosa fosse um príncipe do direito, o que não é, consideraria a sua atuação intolerável. Os tontons-maCUTs não percam o seu tempo.

Por Reinaldo Azevedo

Fonte: Brasil247

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