Biógrafo de Graciliano Ramos diz na Flip que o escritor apoiaria os protestos no Brasil

06 jul 2013 - 10:12


Homenageado da Flip 2013, o escritor Graciliano Ramos foi tema de mais uma mesa manhã desta sexta (5).

Bathania

Maria Bethania participa de leitura durante a Flip 2013

Randal Johnson, Sergio Miceli e Dênis de Moraes conversaram sobre a atuação política do escritor. Graciliano foi prefeito de Palmeira dos Índios (Alagoas) e filiado ao Partido Comunista.

Moraes, autor de “O Velho Graça — Uma Biografia de Graciliano Ramos”, afirmou que o escritor deixou um legado político ainda muito atual.

“Graciliano diz muito sobre 2013, sobre esses protestos, essas reivindicações por demandas da sociedade. Para uma geração que protesta contra tarifas, contra uma copa milionária em um país com tantos problemas, Graciliano chama a atenção para a coerência ética. Ele deixa um legado de que é possível exercer a política com p maiúsculo.”

“Se vivo fosse, ele estaria apoiando os protestos e as manifestações populares. Ele teria sido uma voz crítica –estaria aplaudindo as manifestações da cidadania, pedindo mais e mais, e faria duras criticas à repressão”, completou, sendo muito aplaudido.

Randal Johnson, professor titular da Universidade da Califórnia e estudioso da obra de Graciliano, relembrou que o escritor implantou uma gestão extremamente moderna em sua gestão como prefeito de Palmeira dos Índios, entre 1928 e 1930.

“Ele tentou sanar as finanças, limpar as ruas, cobrar impostos atrasados. Combateu o clientelismo e a corrupção.”

Moraes também comentou que o interesse de Graciliano pela política já era visível desde o início dos anos 1920, nas crônicas “insubordinadas e de espírito zombeteiro” que escreveu para o jornal “O Índio”.

O sociólogo Sergio Miceli completou o debate relacionando a experiência política aos romances de Graciliano.

Para o pesquisador, os protagonistas de “Caetés”, “São Bernardo” e “Angústia” lidam com o problema da potência e da impotência, tanto política quanto sexual.

Miceli fez uma explanação muito aplaudida ao relacionar as tramas e as relações entre os livros.

“O Luis da Silva, de ‘Angústia’, é o que perdeu tudo, foi relegado à condição de funcionário burocrático infeliz. É obcecado por sua insatisfação sexual, sempre acha que todas as pessoas estão transando. O Antonio Candido fez um artigo notável sobre isso. Ele diz que o Luis da Silva tem um ingrediente em seu comportamento que é esclarecedor, ele tem fixação com os símbolos fálicos.”

Folha de São Paulo –

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