Bancos de leite materno fizeram estoques para compensar a diminuição das doações nesta época do ano

18 jul 2012 - 19:55

São Paulo – O número de doações de leite humano em São Paulo pode diminuir até 40% no mês de julho, segundo estatísticas de bancos de leite da capital. Os estoques de quatro bancos pesquisados pela Agência Brasil, no entanto, estão em nível adequado, porque, diante do histórico de baixa, os bancos fazem estoques para compensar o período de baixa doação. As férias escolares e o inverno são as principais razões apontadas pelos bancos para a diminuição.

“Nos meses de férias, as mães viajam e interrompem as doações. O frio nesse período também não ajuda, porque dificulta a coleta. Já que elas precisam fazer a higienização, lavar as mãos, expor a mama e isso as deixa desagasalhadas”, disse Cristiane Gomes, diretora substituta do Hospital Maternidade de Interlagos, localizado na zona sul da capital. Segundo ela, algumas mães diminuem, inclusive, a amamentação dos filhos.

De acordo com a diretora, em junho, foram recolhidos 48 litros de leite e, em maio, 49 litros. “Ainda não fechamos os dados de julho, mas certamente teremos redução. Fazemos a manobra de pasteurizar e congelar para evitar zerar o estoque”, explicou. Segundo Cristiane, o leite materno pasteurizado dura até seis meses, quando congelado. “Sem pasteurização, ele dura 15 dias, que é como as mães doadoras costumam conservá-lo”, completou.

Em 2011, o Hospital Maternidade de Interlagos conseguiu manter o volume de doações, mas, segundo a avaliação dos técnicos do banco de leite, foi um ano atípico, por ter concentrado um bom número de doadoras. Em maio, foram doados 87 litros de leite; em junho, 79; e, em julho, foram 82 litros. Nos anos anteriores, no entanto, houve diminuição de 46 para 28 litros, de junho para julho de 2010; e de 65 para 48 litros, em 2009.

A coleta feita pelo hospital é suficiente apenas para abastecer a unidade de terapia intensiva (UTI) neonatal, disse a diretora. “Temos equipes que recolhem o leite na casa das doadoras”, destacou. Para evitar a baixa das doações nas férias e no inverno, a equipe faz um trabalho de conscientização das mães para que continuem a doação no período, especialmente as que não saem de férias.

No Hospital Maternidade Leonor Mendes de Barros, na zona leste de São Paulo, em julho também ocorre a diminuição das doações. No ano passado, no entanto, a redução do estoque de leite materno foi evitada por uma campanha feita pelo hospital, que conseguiu manter os níveis de doações. Houve uma queda de 80 para 53 litros, de maio para junho do ano passado. Em julho, o volume de leite doado voltou a crescer, atingindo 64 litros. Em 2012, já foi verificada uma queda entre maio e junho, passando de 100 litros de leite para 71 litros no último mês.

Cristiane Gomes alerta para a importância de manter os estoques abastecidos, pois o leite materno tem diferenciais fundamentais para a recuperação de bebês prematuros, com cardiopatia ou infecção intestinal. “Com o leite artificial, o metabolismo é outro. As cólicas, por exemplo, podem aumentar. A digestão é mais rápida com o leite materno. Sem falar nas proteínas presentes nessa substância”, ressaltou.

Os hospitais estaduais do Ipiranga e da região sul também relataram redução nas doações, mas não divulgaram os dados.

A Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), disponibiliza a localização de todos os bancos de leite do país no endereço eletrônico www.redeblh.fiocruz.br.

Agência Brasil

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