Sobre Djessyka Silva

Djessyka Silva é servidora pública, atuando como Educadora Social em Santana do Ipanema. Bailarina e amante de todas as artes. É Assistente Social e graduanda em Ciências Biológicas pela Uneal


Um fio de esperança

26 agosto 2018


Foto: Reprodução / Pixabay

Na tentativa de iniciar com uma reflexão, me surgiu à mente uma pergunta: Você já parou pra pensar na diferença que pode fazer no mundo? – Ou, num sentido mais estreito e próximo, que diferença a sua existência tem feito em sua cidade, comunidade, rua, corpo acadêmico, escola, que seja… no pequeno e curto espaço de sua casa?

No decorrer dessa semana estive conversando com alguns amigos sobre os mais aleatórios assuntos possíveis, e em todos os momentos caíamos no mesmo questionamento em algum ponto do diálogo, sobre o que almejamos para o futuro. Desde o nosso futuro, ao futuro de nossas famílias, de nossa comunidade, e pensando em larga escala, no futuro do mundo.

Em contrapartida, refazendo algumas leituras de materiais de estudo de sociologia, me peguei pensando na quantidade de vezes que a humanidade se viu em declínio ao fracasso, e ainda assim, se reergueu, e se reconstruiu aparentemente sempre mais forte. Em um desses estudos vi um provérbio chinês que seria, talvez, a chave para todos os meus questionamentos: “Uma geração constrói o caminho pelo qual a próxima vai andar”.

É quase intrigante pensar que a dez anos atrás as coisas eram tão diferentes e que, mesmo assim, fomos nos moldando a todas as mudanças. Falo em linha cronológica de curtos dez anos, porque sei que todos terão fresca memória. Além do mais, é instigante pensar em dez anos à frente. O sabor do enigmático é agridoce. Temos uma perspectiva de nossas vidas para daqui uma década, e ao mesmo tempo, nem ao menos certeza da nossa existência até lá somos capazes de ter.

Pensando nisso, me questionei junto ao provérbio chinês, “o que estou produzindo para a próxima geração?”. É crucial e importante pensar em melhorias para si, mas, a individualidade é tão saborosa quanto egoísta. Olhar somente para o próprio umbigo tem feito de você um construtor do caminho, talvez pedregoso, de dez anos à frente? Como diria o genial e plausível Zygmunt Bauman, a sociedade está cada vez mais mecânica, tudo é líquido, rápido e fluido como água corrente.

Ao mesmo tempo em que me espanta a brusca mudança de dez anos atrás aos dias de hoje (podendo citar principalmente o avanço tecnológico), me conforta saber que as crianças de hoje não têm, nem de perto, o pensamento das crianças de uma década atrás. E o meu fio de esperança mora principalmente nesse quesito.

Os adultos de hoje, digo, de seus trinta anos à frente, que têm suas respectivas opiniões formadas a cerca de algo, por conveniência ou comodismo, dificilmente irão despertar para opiniões contrárias a sua, muito embora venham respeitando e se adaptando saudosamente as mudanças sociais dos mais variados tipos. Além disso, com toda sua experiência e conhecimento, continua construindo sua parte do caminho a ser trilhado.

Os jovens, por sua vez, estão em um período divisor de águas. Chegamos a uma Era em que não existe o impossível para quem quer tornar qualquer coisa possível. O que parece ser ótimo. A cada dia, um jovem sai da bolha, da zona de conforto, e desperta pra uma nova ideia. E talvez, e mais uma vez ressalto, talvez, o caminho a ser construído por esses venha a ter gigantesco impacto.

Agora, vamos ao fio de esperança. Se você tiver irmãos em fase de infância, ou filhos, primos, vizinhos, espere que uma turma delas se junte para brincar, e observe-os conversar. Não interfira, apenas observe. Tentei compará-las a minha turma de crianças de anos atrás, quando eu estava inserida a essa categoria, e nem de longe foi possível fazer isso. Mas, o que será que existe de diferente nessa nova geração?

Como dito, muitas foram as mudanças. A formação familiar, o contexto em que os pequenos estão inseridos, as mudanças na base da educação escolar, a inserção da tecnologia em suas vidas desde muito pequenos, e outra gama de fatores vêm construindo pequenos gênios. Mas, voltemos ao início. Estamos fazendo o nosso papel de construir a nossa parte do caminho para que o mundo venha a os receber?

Guarde essa pergunta e faça a si próprio todos os dias. Todos nós clamamos por mudanças, mas, ficar sentados clamando pra que as coisas mudem, é só gritaria desnecessária. Encerro dizendo uma passagem que muito me agrada de Mahatma Gandhi: Seja a mudança que você quer ver no mundo!

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