Sobre Djessyka Silva

Djessyka Silva é servidora pública, atuando como Educadora Social em Santana do Ipanema. Bailarina e amante de todas as artes. É Assistente Social e graduanda em Ciências Biológicas pela Uneal


Quanto custa?

9 setembro 2018


Foto: Amouton / Reprodução / Pixabay

Você tem sido você, ou só mais uma peça que compete ao sistema encaixar ao jogo? Tem sido prazeroso levar a vida que escolheu ter, ou a máscara está pesada demais para continuar sobre a face? Gostaria de saber um pouco mais… Queria poder te perguntar com franqueza: você se conhece? Apresente-se a mim. Ou melhor, apresente-se a si mesmo. Descreva-te pelos teus próprios olhos, dispa-se. Consegue se enxergar por inteiro, ou é só mais um reflexo infeliz no espelho do banheiro pela manhã?  

Você acorda satisfeito e vai à cozinha sorridente tomar seu café da manhã antes que as responsabilidades diárias comecem, ou você está sempre sufocado pela obrigatoriedade de levantar cedo, e insatisfeito pelas escolhas que tomou na vida? Por que, cá entre nós, se você está onde está, foi você que se colocou lá. E sim, eu entendo que algumas coisas são necessárias serem passadas para que, posteriormente, possamos alcançar aquilo que realmente almejamos. Mas, não deixa de ser uma questão de escolhas. 

Chegamos ao século divisor de águas da história. Enfim chegou a Era de podermos, no sentido mais amplo da palavra, nos permitir. É necessário desprender-se das correntes do julgamento alheio, desatar o nó. Libertar-se. O preço que se paga por viver a mercê dos padrões e do status, é incontavelmente maior que o valor de ser exatamente quem é. Não há sabor mais gostoso que um copo cheio de si mesmo. É agridoce. Inebriante. Faça o teste, esteja desnudo, em uma conversa entre você e você… 

Experimente tomar um porre de você, ainda não pôde ser encontrada uma ressaca tão cheia de quero mais. Vá mergulhando em si de dose em dose, aos poucos. Se deguste. Não haverá ânsias, náuseas, nem arrependimentos no dia seguinte. Mas, são grandes as chances de se tornar um viciado. Um dependente de si. E é bom deixar claro aqui: não existem tratamentos, nem reabilitações. É um caminho sem volta. Se pertencer, de verdade, é algo tão forte que uma vez alcançado, não há possibilidades de retorno. 

Chegará um momento em que ser você mesmo parecerá algo pesado. Alguns dias você se sentirá perdido, no meio do deserto, com sede de mudanças. Outros dias, talvez irá sentir-se numa assustadora escuridão, e olhará para dentro perguntando: quem sou eu, afinal? – e então, saberá responder? (Mas todas as mudanças são assim mesmo, não é?) Quanto será que tem custado ser você… Será que o preço a se pagar é justo? Avalie um pouco. Quando você vai a uma loja comprar algumas peças de roupa, você compra pensando em si mesmo, ou, no que as pessoas irão pensar ao vê-lo vestido? Sejamos sinceros, cada vez mais, as pessoas alimentam a fome do capitalismo, comprando coisas que não servem, para agradar pessoas que estão pouco se importando com as suas escolhas. 

Arrisque se entregar a si próprio, apenas. Haverá dias em que pessoas que não te conhecem te julgarão da maneira mais árdua que você possa imaginar. Chegam, te olham, e se fazem rasas ao tentar conhecer o seu universo, sem te mergulhar. Também haverá a possibilidade de pessoas próximas colocarem em teste tudo que encontrarem em você, pois, se já somos julgados em querer agradar o mundo, imagina se pararmos de viver em função de tudo e todos e começarmos a viver em função de nós? Esteja pronto para a viagem no seu infinito particular. 

Não desanime. Há uma pessoa, uma única pessoa, que aceitará sua imensidão sem questionar, e será o bastante. Não te julgará, e se julgar, será para o teu crescimento. Te fará mudar, te motivará a ser forte, te ensinará com os erros, e sempre, sempre estará lá. A pessoa que nunca se fará ausente, aquela que sempre será a primeira a chegar sem que você tenha que chamar. Consegue perceber quem é essa pessoa? Quando precisar dela, olhe para dentro de si e pergunte: você está aí? – Posso te garantir, irá ouvir de imediato: sim, eu estou aqui. – E não há sentimento mais puro que se pertencer, amar-se, ser presença, e o protagonista da própria vida. 

Em um mundo cheio de pessoas querendo mostrar umas às outras aquilo que não são, por motivos tão mesquinhos e banais, poder mostrar-se verdadeiramente, e não ter que sempre pensar duas vezes antes de agir, e simplesmente ser, ah, não tem preço… Desate o nó das amarras que te prendem, quebre as correntes, esteja liberto. Custa um preço alto demais viver uma vida da qual não te pertence, e não há como resgatar o valor perdido. Não compensa. Pague o preço de ser quem você quiser. Você é seu, e isso jamais pode estar à venda.

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