Sobre Sérgio Campos

Sérgio Soares de Campos, nasceu em 11 de novembro de 1961, em Santana do Ipanema, Alagoas. Possui crônicas publicadas em sites e livros como: À Sombra do Umbuzeiro e À Sombra do Juazeiro. É membro idealizador e cofundador da Associação Guardiões do Rio Ipanema (Agripa). Criou o projeto musical Canteiro da Cultura, lançado dia 14 de dezembro de 2019.


Parabéns rio Ipanema

21 abril 2020


Imagem da barragem do rio Ipanema em Santana (Foto: Sérgio Campos / abril 2020)

O rio Ipanema, que há muitos anos foi bem cuidado pelos nosso irmãos índios, possui o 21 de abril como sendo o seu dia, para celebração pelos moradores santanenses. A data é fruto de uma lei sugerida pela Associação Guardiões do Rio Ipanema – AGRIPA – aprovada pela Câmara Municipal, no ano de 2014.

Santana do Ipanema, que em 2020 completa 145 anos de emancipação política, é a única cidade em que recebe o nome deste belo rio, que percorre cerca de 220 km, desde sua nascente, em Pesqueira/PE, até a sua foz, no povoado de Barra do Panema, em Belo Monte/AL, onde deságua no rio São Francisco. 

Na condição de membro idealizador e fundador da Associação Guardiões do Rio Ipanema (Agripa), única instituição criada em defesa dele, eu parabenizo este rio, por tanto bem que ele já nos ofereceu, como por exemplo, água para beber, peixe como alimento, areia para construção de residências e comércios, além de lazer.

Guardiões comemoração o dia do rio Ipanema em 2017 (Foto: Lucas Malta / Alagoas na Net / abril 2017)

Minha ligação com o Panema

A minha história no rio Ipanema começa na infância, quando, além de matar a sede, eu ia me banhar em suas margens. Os locais mais frequentados por mim e muitos dos meus amigos, eram a Ponte dos Canos e o Escondidinho, acima e abaixo da Maniçoba e Bebedouro, respetivamente.

Já na juventude, a minha frequência de lazer se deu na Barragem, em um local chamado de “Pedra da Moça”, um dos lugares mais belos do Ipanema, no trecho que corresponde à nossa cidade, cerca de 3 km.

Sergio Campos na sua juventude quando visitou a chamada Pedra da Moça (Foto: Arquivo Pessoal)

Podemos citar outros trechos também muito frequentados por santanenses, mas que eu confesso nunca ter me banhado, a exemplo do “Poço do Juá” e “Poço dos Homens”, lugares onde hoje a areia encobriu e já não existem na condição de poços.

Sergio Campos em visita ao local conhecido como cachoeiras (Foto: Sérgio Campos / Cortesia / 2014)

Ainda existem belezas 

Mesmo com tanto abandono, eu nunca deixei de frequentar o rio Ipanema. Em sua grande maioria, as visitas foram para vislumbrar o que ainda resta de beleza.

Se percorrermos todo o leito do Ipanema, não veremos tanto lixo e lama como em na parte urbana de nossa cidade.

Ainda assim, encontramos lugares onde se pode passar um domingo de lazer e desfrutar das suas belezas naturais.

As duas partes mais preservadas estão exatamente nos dois extremos do seu leito. Na Barragem pode-se fazer um gostoso banho. Outra bela parte do rio se encontra abaixo do Bebedouro, nas chamadas “Cachoeiras”. Lá, além de se molhar, podemos admirar belas paisagens, onde árvores frondosas enfeitam o rio.

Ponte da Barragem sobre o rio Ipanema em Santana (Foto: Sérgio Campos / Cortesia / abril 2020)

As enchentes 

Durante a minha infância e juventude, me acostumei a observar as enchentes do Panema, que se repetiam entre os meses de dezembro e janeiro.

Durante esse belo espetáculo, era comum ver a garotada descer o rio, da Barragem a Maniçoba, em cima de câmaras de ar. Também era grande a quantidade de garotos que pulavam das pontes da Barragem e do Padre.

Em 2004 aconteceu uma das grandes enchentes deste século, onde muitas casas foram invadidas pelas águas do Ipanema, ocorrendo um número alto de desabrigadas.

Este ano aconteceu aconteceu outra grande cheia, onde mais prédios foram atingidos.

Enchente destruiu muitas casas que estava as margens do rio (Foto: Lucas Malta / Alagoas na Net / março 2020)

No entanto, é bom salientar que o rio não invadiu os espaços alheio. Ele apenas passeou pelo seu leito, onde, ao longo dos anos, foi invadido pelos moradores, ou comerciantes, que não tiveram o cuidado ao construir na parte em que pertence ao rio. 

Salientando também que os órgãos responsáveis por defendê-lo não o fizeram, tais como Defesa Civil e Instituto do Meio Ambiente, por exemplo.

Estragos da enchente deste ano no rio Ipanema (Foto: Sérgio Campos / março 2020)

Mesmo diante de tantos lamentos, venho através deste meio de comunicação parabenizar o nosso querido rio Ipanema pelo seu dia.

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