Artigo: Novos Políticos; Velhos Hábitos

26 fev 2018 - 19:00

Foto: Reprodução / Pixabay

A política é fascinante. Toda vez que eu menciono essa frase para amigos eles sempre me olham com estranhamento. A questão é simples, a maioria das pessoas hoje em dia associam a palavra política a coisas ruins, como safadeza, mentiras, fuxicos, intrigas, interesses espúrios, corrupção e por aí vai. A lista é longa. Maquíavel, o pai da ciência política moderna se espantaria se vivo estivesse.
 
Em sua obra-prima “O príncipe”, seu tratado político serviu como base para modelar a estrutura governamental nos tempos modernos. É dele a famosa e polêmica frase “os fins justificam os meios”. É basicamente aquilo que ouvimos da ex-presidente Dilma em sua última campanha para presidente: “Fazemos o diabo para ganhar a eleição”. Muda-se o tempo e as palavras, mas o enredo se repete ainda com mais acidez.
 
Na maioria das cidades brasileiras o modus operandi para se chegar lá é praticamente o mesmo. Dificilmente se elege os melhores, mas os que têm mais dinheiro para financiar campanhas sofisticadas e milionárias. Os riscos que corremos por conta de nossa mentalidade assistencialista vão muito além de apenas pagar altos impostos, mas de eleger pessoas inescrupulosas, imaturas e sem virtude para o cargo.
 
Os critérios para se escolher um representante continuam chulos, e os que surgem como opção para representar, continuam presos aos velhos e nocivos hábitos. Em tempos de internet a briga fica ainda mais exposta e o ridículo muito mais evidente. Usam a miséria alheia, colecionam intrigas gratuitas, banalizam o bem, glamourizam o banal, disputam eventos – a melhor banda sempre atrai mais gente – e por ai vai.
 
Para muitos, não é o debate sério, construtivo, que busca a otimização de soluções, o que interessa. Muito pelo contrário. Em pleno século XXI ainda é comum termos que nos deparar com figuras que optam por exercer a atividade pela retaliação pessoal, pelo pedantismo e pela negação dos sadios princípios de convivência. Aqueles que não podem colaborar para a maturidade política e moral de seu povo deveriam se aquietar. Ao menos, seria um favor a nos fazer.

Por Jeno Oliveira – Colaboração* 

*O autor é estudante de Jornalismo

Comentários