Sobre Djessyka Silva

Djessyka Silva é servidora pública, atuando como Educadora Social em Santana do Ipanema. Bailarina e amante de todas as artes. É Assistente Social e graduanda em Ciências Biológicas pela Uneal


A súplica dos likes

2 outubro 2018


Foto: Reprodução / Pixabay

Nos últimos dias me peguei fazendo uma autoavaliação no que diz respeito as redes sociais, então, na correria do dia a dia, me dei um prazo de meia hora de “descanso” das minhas atividades rotineiras para fazer uso de um aplicativo de compartilhamento de fotos e vídeos. Para a minha surpresa, os trinta minutos se transformaram em quase duas horas, sem que eu pouco percebesse a hora passar. Sentindo-me inquieta com isso, cheguei numa turma de amigos, e individualmente, perguntei para eles: “Ao longo do dia, quanto tempo você passa usando as redes sociais?”, e a resposta unânime, tão surpresa quanto esperada foi “o dia todo”.

Isso me fez pensar em várias situações corriqueiras, e todas elas me geraram um sentimento de escravidão mental. Nós estamos curtindo e compartilhando a nossa vida de verdade, ou fazendo isso somente superficialmente, estando dependentes de uma ferramenta tecnológica? Porque cá entre nós, estou vendo o mundo inteiro amarrado a uma constante alienação em um ciclo de postar, compartilhar e esperar curtidas e comentários. Agora imagine que você publicou uma foto, e absolutamente ninguém deixou lá o seu like, isso te deixaria triste de alguma forma? Se a resposta for sim, porque isso importa tanto assim?

Acredito que foge totalmente da minha ossada conseguir entender esse ponto em que chegou a humanidade. Ao mesmo tempo em que é maravilhoso poder compartilhar informações importantes e em segundos esta ter chego a um grande patamar de receptores, é aprisionador viver em função do que as pessoas do outro lado da pequena tela irão pensar, curtir ou comentar sobre a sua vida. Só pode haver uma pitada de insensatez de todos nós envolta nisso tudo. Porque, pare pra pensar, a sua vida deve importar a quem além de você?

Tem outra coisa que me deixa curiosa… Qual a necessidade das pessoas estarem provando o tempo todo que estão vivendo? Fotos da conveniência de posto de gasolina onde pararam pra tomar café da manhã, fotos do prato do restaurante classe média onde foram comer, fotos do jantar na orla a beira mar, vídeos daquele show bacana em que puderam ir, vídeos da BR com localização quando arranjam um jeito de viajar. Percebem o quanto estamos dependentes de nos mostrar ativos? Mas, mostramos somente a felicidade gratuita e o egocentrismo aflorando feito primavera. Porque, sejamos sinceros, os boletos a pagar, ou aquele fim de mês que só tinha feijão, farinha e ovo no almoço, eu ainda não vi ninguém tirar foto e postar.

Não contente com o simples ato de postar, as pessoas só se sentem, enfim, realizadas em sua vida virtual, se houver o feedback daquilo que foi posto. Afinal de contas, estamos postando aquilo que em nosso subconsciente é atrativo para quem está vendo. Mas o que acontece, é que estamos gastando o que não temos, alimentando a ideia de mostrar uma realidade que não nos condiz, para mostrar pra pessoas que pouco estão se importando com isso, gerando um ciclo sem fim de insatisfação.

Ainda há outro fator, “Li e concordo com os termos de uso”. Quando foi a ultima vez que você viu essa frase? E mais, você realmente leu, e realmente concorda com os termos de uso? Então, caro amigo, tenho uma coisa pra te contar hoje, e é melhor abrirmos bem os olhos, a propósito: “Você nos outorga uma licença mundial gratuita, não exclusiva (com direito a sublicenciar) para usar, copiar, reproduzir, processar, adaptar, modificar, publicar, transmitir, exibir e distribuir esse Conteúdo em qualquer e em todos os tipos de media ou métodos de distribuição” – e você realmente concorda com isso? Pois é, é isso que o twitter pede para que concorde, e você nunca leu. Mas, se você ficar atento, ficará surpreso com o que irá encontrar nas letras miúdas de todos os veículos que chamamos de redes sociais.

A propósito, quando você faz o download de um aplicativo, e no ato da instalação o mesmo pergunta “Você permite que nós tenhamos acesso aos seus contatos?”, qual a razão para isso? Porque um aplicativo qualquer teria que ter acesso aos meus contatos, ou a minha localização, ou as minhas fotos? Não te deixa intrigado que isso aconteça? Então vou te contar um segredo: isso é só mais uma forma de te manipular, e fazer com que você continue preso a essa corrente, afinal, existem informações importantes sobre você em seus arquivos, e tendo acesso a isso, fica muito mais fácil te atrair e te convencer a continuar nessa bola de neve constante e sem fim.

Agora te deixo a responsabilidade de fazer uma análise corriqueira, em seu dia a dia, você se pertence, ou pertence ao “sistema” se deixando manipular? Pode até parecer hipocrisia perguntar isso, até porque, se você está lendo isso nesse exato momento, você está fazendo uso da tecnologia para isso. Mas, a questão é: você tem filtrado aquilo que está constantemente acessando? Nós somos aquilo que carregamos conosco, sugiro que evite bagagens fúteis e angustias desnecessárias causadas pela grama do vizinho sempre verde, pois, como bem disse Shakespeare: “Não há arauto mais perfeito da alegria do que o silêncio. Eu sentir-me-ia muito pouco feliz se me fosse possível dizer a que ponto o sou.”

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