Sobre Diógenes Pereira

Diógenes Rodrigues Pereira é Psicólogo Clínico, Terapeuta Cognitivo Comportamental, Especialista em Avaliação Psicológica, Palestrante, Consultor Pessoal e Organizacional. Formado pelo Centro Universitário Cesmac (Maceió).


Aprenda como ajudar alguém em risco de suicídio

14 setembro 2020


Foto: Marcos Santos / USP Imagens

A Campanha SETEMBRO AMARELO existe no Brasil desde 2015, mas o que deu origem a esse movimento mundial foi à morte de um jovem americano na década de 90.

Em setembro de 1994, nos Estados Unidos, o jovem de 17 anos Mike Emme cometeu suicídio. Ele tinha um Mustang 68 amarelo e, no dia do seu velório, seus pais e amigos decidiram distribuir cartões amarrados em fitas amarelas com frases de apoio para pessoas que pudessem estar enfrentando problemas emocionais como o jovem EMME.

A ideia acabou impulsionou um movimento de prevenção ao suicídio e até hoje o símbolo da campanha é uma fita amarela.

Inspirado no caso Emme, o “Setembro Amarelo” foi adotado em 2015 no Brasil pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a cada 40 segundos, uma pessoa comete suicídio em algum lugar do planeta. Ou seja, em um ano, aproximadamente (um milhão) de pessoas perdem sua vida dessa maneira. Dados levantados pela instituição em 2016 também apontam que suicídio está entre as três principais causas de morte entre jovens com idades entre 15 e 29 anos. 

Diante desse cenário, fica clara a necessidade de dar mais atenção ao tema, com campanhas de conscientização e debates que possibilitem a quebra do tabu sobre o problema. E é essa a proposta do Setembro Amarelo. 

Importância da campanha

Além de trazer esclarecimentos importantes, as campanhas disponibilizam informações e opções de tratamento para o público, visando a reduzir o medo e o preconceito das pessoas acerca desse problema de saúde publica, assim como orientar os que sofrem a buscar ajuda profissional. 

O fato de muitos acharem que o suicídio é algo distante e que afeta poucas pessoas – o que a OMS mostra não ser verdadeiro –, também prejudica discussões mais aprofundadas que seriam benéficas para quem precisa.

Infelizmente ainda é pouca a atenção dadas a esse problema, por isso muitas pessoas ainda se sentem sozinhas diante de universo doentio.

MITOS e VERDADES SOBRE O SUICÍDIO

1. Pessoas que ficam ameaçando suicídio não se matam, só quer chamar atenção. ERRADO

A maioria das pessoas que se matam deram avisos de sua intenção, frases e postagens em redes sociais é uma forma de pedir socorro.

2. Quem comete suicídio, tem falta de Deus. ERRADO

Pensar em suicídio na maioria das vezes é parte de sintomas de doença mental, então tirar a própria vida é um momento de conflito e sofrimento, e algumas pessoas ligadas a religiões também cometem suicídio.

3. Suicídios ocorrem sem avisos. ERRADO

Suicidas frequentemente demonstram sintomas e comportamentos de que não estão gostando de viver. Deixam de fazer o que gostam, desprezam objetos de estimação e etc.

4. Melhora após a crise significa que o risco de suicídio acabou. ERRADO

Muitos suicídios ocorrem num período de melhora, quando a pessoa tem a energia e a vontade de transformar pensamentos desesperados em ação autodestrutiva. A melhor alternativa é ser acompanhado por um profissional da saúde isso irá reduzir a possibilidade de outra tentativa.

5. Nem todos os suicídios podem ser prevenidos. VERDADE

A maioria é possível prevenir, 90% dos casos podem ser evitados quando recebem ajuda.

6. Uma vez suicida sempre suicida. ERRADO

Pensamentos suicidas podem retornar, mas eles não são permanentes e em algumas pessoas eles podem nunca mais retornar.

7. Falar sobre suicídio estimula as pessoas a se matarem. ERRADO

Quanto mais se fala sobre o assunto mais a prevenção é eficiente, desde que a pessoa que converse com o suicida saiba direciona-la com intervenções certas, isso facilita para que os que pensam em cometer suicídio entendam o porquê se sente assim e busquem aceitem ajuda, e para os que nunca pensaram se tornarão mais preparados para ajudar os que precisam.

8. Quem se suicida está em conflito mental e só vê a morte como única alternativa para resolver seus problemas. CERTO

Quando o indivíduo não encontra saída para seu problema, para sua dor, ele quer acabar com esse sofrimento e só enxerga a morte como alternativa. Conversar, acolher, ouvir e cuidar é a principal prevenção.

Não julgue a dor do outro, se você não sabe como ajuda-lo, leve-o a um profissional que saiba, essa ação terá 90% de chance de salvar seu amigo ou parente.

O ministério da Saúde (MS), juntamente com a Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio (AIPS), colaboram com a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Federação Mundial para Saúde Mental (FMSM), em ações articuladas que mobilizam cerca de 40 países e realizam eventos de sensibilização para fortalecer a ocasião. 

Segunda a Organização Mundial de Saúde (OMS), estima-se que no mundo por ano mais de UM MILHÃO de pessoas morram por suicídio, sendo contabilizado o maior número entre pessoas com idades entre 15 e 29 anos, com isso, se torna a quarta causa de mortes entre homens e a oitava causa entre mulheres.

A campanha Setembro Amarelo é projetada para desconstruir o preconceito sobre as causas do suicídio. A falta de conhecimento sobre o assunto é o principal obstáculo que dificulta a prevenção. 

Segundo o Ministério da Saúde (MS) 90% dos casos de suicídio estão relacionados com alguma doença mental, então quanto maior o nível de conhecimento sobre a temática, mais fácil de prevenir o problema.

Quando um indivíduo pensa ou tenta suicídio, mas é acolhido e direcionado pelo profissional capacitado, raramente ele volta a tentar, o índice de desistência é de 90% desde que tratado. Ou seja, quando esse indivíduo não é cuidado ele tem uma grande chance de cometer suicídio a qualquer momento. 

Segue algumas dicas de como agir diante de alguém com ideação suicida:

Mantenha-se calmo e receptivo, disposto a ouvir alguém que precisa desabafar;

Não julgue nem critique o que ele disser, pois você não sabe o quanto ele sofre;

Diga que está com ele e vai ajudá-lo.

Estimule o indivíduo a falar sobre como tentou? Há quanto tempo se sente assim? Quem sabe das tentativas? são perguntas que o farão explicar o nível de perigo que ele se encontra;

Mesmo que ele se negue no momento, tente leva-lo a um serviço de saúde mental; 

Não o abandone, não o deixe desistir da vida;

Falar sobre suicídio com quem pensa em tirar a própria vida é melhor maneira de amenizar o sofrimento mental que ele sente, tudo que precisa nesse momento é ser ouvido e valorizado.

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