Análise de santanense é uma evidência no pedido de bloqueio de verba da Braskem

02 abr 2019 - 15:48

Ecologista José Geraldo Marques (Foto: site Ethnoscientia)

Durante a coletiva de imprensa na manhã desta terça-feira (2), o procurador-geral de Justiça do Ministério Público de Alagoas, Alfredo Gaspar de Mendonça afirmou várias vezes que o pedido de bloqueio de recursos da Braskem, por causa de problemas em bairros como o do Pinheiro, se embasaram em diversas evidências colhidas pelo órgão.

Uma dessas evidências, foi revelado em primeira mão pelo blog do Ricardo Mota, e trata-se do termo de audiência com o ecólogo José Geraldo Marques. O professor-doutor é filho do ex-prefeito de Santana do Ipanema por três vezes, Adeildo Nepomuceno Marques.

Em conversa com o site Alagoas na Net, Marques explicou o que expôs ao MP-AL, deixando claro logo de início que, “seu compromisso desde quando abordou esse assunto, ainda no ano de 1985, foi com apenas um tipo de verdade: a verdade científica”.

Hipóteses do problema

Segundo o professor, três hipóteses foram colocadas para explicar o fenômeno naqueles bairros. “No início era falado em causas naturais, provocado por tectônicas de placas. Esta tem valor nulo, porque o Brasil não está numa região em que há encontro de placas”, disse.

A segunda hipótese foi a de que o problema teria sido causado por falhas geológicas. “Elas por si só, não são causas de nada. A ciência trabalha com relações de causa e efeito. Falhas geológicas ficam adormecidas por todo o tempo e só são despertadas se houver alguma perturbação”.

Marques indica a terceira hipótese: a ação mineradora feita pela Braskem nessas falhas é a mais provável para os problemas. “O que aconteceu foi que a Braskem abriu poços em cima da falha geológica. Com isso a falha foi despertada. Essa é a hipótese mais robusta”.

Entrevista em 1985

Na conversa com a nossa reportagem, José Geraldo Marques relembrou uma entrevista que deu a imprensa local no ano de 1985. “Eu nunca fiz nenhuma afirmação que haveria com certeza afundamento, até porque a ciência também não uma coisa fechada, ela trabalha com probabilidade”.

“Desde o ínicio, quando eu falei em 1985, numa entrevista extremamente responsável, embasada em dados científicos, eu previa a subsidência (termo que refere-se ao movimento de uma superfície à medida que ela se desloca para baixo) em Maceió. Eu nem havia falado no bairro Pinheiro, mas na cidade de Maceió”, completa.

Apesar da analise do passado, o ecólogo ressaltou que na época ainda não sabia das falhas geológicas. “Eu embasei meu argumento em cima de uma outra coisas, que é o que chamamos tecnicamente de perda de segurança hidráulica. A evidência dessa uma falha geográfica e dessas perfurações já é recente, apresentada pelo professor Abel Galindo, que também foi ouvido pelo MP e que carrega muita respeitabilidade”.

Foi ignorado

Questionado do porquê de sua análise não ter sido levada em consideração naquele momento, o professor avalia que as suas ideias eram muito avançadas para a época. Ele fala inclusive que houve toda uma tentativa de desmoralizar sua pessoa, o chamando de louco.

“A Salgema (hoje Braskem) sempre negou, como nega tudo até o momento. Ela mandou um geólogo no meu gabinete para me convencer e mandar retirar o que eu tinha declarado. Essa entrevista se tornou polêmica durante um bom tempo, depois ela entrou no esquecimento e ninguém tocou no assunto, até agora”, disse.

José Geraldo Marques termina a conversa declarando que torcia para que suas análises não se concretizassem. “Nesse tempo todo eu torcia para que nada disso acontecesse, mas claro que ali não estava minha crença, não era minha opinião pessoal, era uma previsão embasada em fundamento científico”.

Por Lucas Malta / Da Redação

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