Alagoanos fomentam mercado de toca-discos e da compra e venda de LP’s

24 abr 2019 - 09:30

*Psicólogo Adalberto Souza possui 4 toca-discos de diferentes designs (Foto: Ascom Itec)

O jornalista e estudioso de novas tecnologias Roger Fidler diz que os velhos meios não morrem com o aparecimento das novas mídias, mas sim continuam a evoluir e a se adaptar, podendo inclusive ocorrer revivals, como no caso dos toca-discos.

Em Alagoas, o mecanismo fácil e o som inigualável das radiolas também vem fazendo a cabeça de comerciantes, técnicos em eletrônica e consumidores, que voltam a movimentar esse retorno das máquinas e também do vinil, que podemos chamar de tataravô dos serviços de streaming de música.

O técnico em eletrônica Sebastião Leão, que há anos mantém loja na rua Cincinato Pinto, diz que sua clientela é formada por gente inclusive de outros estados.

“Várias pessoas, de diversos lugares, entram em contato comigo, pois eu conserto tanto radiolas antigas como os novos modelos. Antigamente, eram feitas de ferro ou alumínio, hoje são de plástico e não tem durabilidade, quase sempre nem dá para a gente recuperar, principalmente quando acontece uma quebra de mecanismo e o aparelho está perdido. Por isso, as pessoas preferem muitas vezes consertar seus aparelhos dos anos 1980, 1990” explicou o técnico.

A clientela do seu Sebastião é feita por gente como o psicólogo e poeta Adalberto Souza, que possui quatro toca-discos de vários designs e também dezenas de lp’s.

“A minha primeira vitrola eu ganhei aos 12 anos, como presente de Natal do meu pai, e a gente ouvia uns LP’s coloridos que eram de história dos Irmãos Grimm. Não me considero colecionador, apenas acho bonito o design e compro. Eu tenho ainda a primeira que ganhei, as outras eu comecei a comprar pelo design” disse Adalberto Souza.

“Gosto do aparelhinho, de ter a vitrola, de ouvir aquele chiadinho do vinil. Há agora um revival, mas os discos vem com o preço astronômico. Existe uma facção que defende que o som do vinil é mais puro do que o digital e cada vez mais estão sendo produzidas outras vitrolas, mais elaboradas, cheias de recurso, tecnologia. Então, eu acho que em algum momento os vinis vão dominar de novo“ finalizou o poeta.

Se os toca-discos estão sendo fabricados novamente e procurados, a mídia diretamente ligada a eles, os long plays, vulgo lp’s, também estão em ascensão no Brasil, por intermédio da volta de fábricas como a Polysom em 2009 e a Vinil Brasil, em 2017. Em Alagoas, um dos maiores representantes é o vendedor Cicero Alves, conhecido como Quincas, que trabalha no ramo há 45 anos, com loja entre a Ladeira dos Martírios e a Praça Centenário.

“Meu pai era comerciante em Rio Largo, alugava som para pequenos eventos como comício e circo e também tinha uma loja de vinil. Eu sempre o ajudei, era acordando e dormindo com música, eu gostava muito também das capas dos discos. Quando ele mudou pra Maceió, eu acompanhei, tive barraca e depois loja no Centro, isso até a derrocada do vinil em 1996. Nessa época, continuei no ramo e também passando músicas de vinis para cds e vídeos de VHS para dvds. Agora, o mercado está aquecendo de novo” diz o comerciante.

“Vem gente de vários lugares do Brasil e até turistas me procurar atrás de discos raros. O preço de um disco varia muito, dependendo da raridade pode variar de R$ 0,50 centavos a R$ 50 reais ou mais. O disco de vinil é um objeto carinhoso, você sente o lp, a foto de capa, é rico em divulgação, você sente prazer em tocar. Está certo que a qualidade do MP3, do CD é boa, mas não chegam aos pés da qualidade do vinil” finaliza Quincas.

Por  Isaac Moraes / Ascom Itec Alagoas

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