Cordelista pernambucano descreve em versos, detalhes do Bioma Caatinga

29 abr 2014 - 06:01

semanacaatinga

Foto: Blog do autor

Foto: Blog do autor

Seguindo a nossa semana cultural em homenagem ao Bioma Caatinga, hoje vamos publicar o texto de um internauta colaborador, da cidade de Buíque, no estado de Pernambuco.

O profissional formado em Letras e bacharel em Direito, Paulo Tarcísio Freire de Almeida, nos enviou uns versos em formato de literatura do cordel onde descreve as belezas deste bioma unicamente brasileiro.

O escritor pernambucano é autor de diversas folhetos de cordel e atualmente possui um blog na internet, que leva seu nome (http://paulocordelbuique.blogspot.com.br). Veja abaixo o trabalho do autor, denominado de Caatinga Declamada:

Amigos me deem licença

Pois agora eu vou falar

O tema hoje é caatinga

Se quiser pode anotar

Vem do Tupi-guarani

Por isso anote aí

Para depois se lembrar.

“Mata branca” digo agora

É seu significado

Aqui em nosso país

Está bem representado

Nos Estados do Nordeste

Terra de cabra da peste

Vou lhe dizer cada Estado.

Paraíba e Ceará

Pernambuco e na Bahia

Sergipe e Alagoas

Digo mais com alegria

No Estado Piauí

Caatinga tá por ali

Frio a noite fogo ao dia.

Pelo Rio Grande do Norte

Se estende lá a caatinga

Norte de Minas Gerais

Ela por lá predonina

As secas são prolongadas

Poeira sobe na estrada

E o semi árido é o clima.

Ação humana mudou

Cerca de oitenta por cento

Do que era original

Isso digo com lamento

Os recursos naturais

Com isso sofrem demais

As vezes falta alimento.

Áreas de conservação

Em número tem trinta e seis

Que é menos de um por cento

Vejam perdemos a vez

De um ar mais natural

E esse calor infernal

Foi o homem que assim fez.

Setecentos e tinta e quatro mil

De quilômetros quadrados

Corresponde a dez por cento

Do território marcado

Dentro do nosso país

O livro assim já me diz

E aqui está confirmado.

Falando em temperatura

São elevadas demais

Entre vinte e cinco graus

E vinte e nove é e outra mais

Solo raso e pedregoso

O clima a noite é gostoso

Rochas na frente e atrás.

As chuvas na região

Vem na chegada do ano

E tudo que estava seco

Vai logo ressuscitando

O mato seco enverdece

Os frutos logo aparece

A esperança voltando.

É que a recuperação

Do bioma em rapidez

Vai sim mudando a paisagem

Pau seco sem cor e vez

Vai logo brotando folhas

Ao ver a água em bolhas

Se acaba a “viuvez”.

Os problemas sociais

Na região são presentes

A baixa renda é um deles

Quem vive aqui sei que sente

Até escolaridade

Seja no sítio ou cidade

Pede atenção bem urgente.

Afinal em habitantes

Na caatinga e seus rincões

Vou dizer aproximado

Tem 25 milhões

Falta sim seneamento

Tem ruas sem calçamento

Políticos espertalhões.

Mortalidade infantil

É alto o número, faz pena

É árido até no nome

Mas melhorou sei do lema

Se o povo aprender votar

E muito mais, se cobrar

Vai ver a situação “amena”.

Principal atividade

Na caatinga é a pecuária

Mas com a seca constante

Sem a água necessária

Prejudica a região

Isso já é tradição

O Gonzagão já cantava.

Veja o Rio São Francisco

Um grande libertador

Trazendo água e progresso

Quem da água já usou

Fazendo irrigação

Viu progresso no seu chão

Tem poeta e cantador.

E as plantas da caatinga

Vou citar algumas delas

Xerófilas que se adaptam

À seca mas que são belas

Mas tem também umbuzeiro

E o mandacarú “flexeiro”

E muita planta amarela.

Já a fauna da caatinga

Tem répteis representados

Por lagartos e por cobras

Roedores e por sapos

Tem cutia e tem gambá

Tatupeba e o preá

Arara azul e veados.

Árvores como umburana

Está na vegetação

Tem de 2 a 5 metros

Embeleza a região

As paisagens naturais

Na caatinga tem demais

Turismo boa opção.

A região da caatinga

Tem vaqueiro e aboiador

Violeiro e repentista

Que ao verso dá valor

E foi nessa região

Que viveu o Lampião

Que sua fama deixou.

Você que não conheceu

Não deixe o tempo passar

Marque com a sua turma

E venha sim passear

Conhecer belas paisagens

No São Francisco ás margens

Tomar banho e peixe assar.

Obrigado por me ouvirem

E aos que leram o cordel

Foi o que pude escrever

Olhando para esse céu

Azul de um sol escaldante

De um povo forte e vibrante

Pra quem eu tiro o chapéu.

Por Paulo Tarciso Freire de Almeida

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