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  • Santana do Ipanema, 12/10/2026
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Jovem de Olivença morre durante participação na guerra da Ucrânia

Fabrício estava no conflito há alguns meses; família foi comunicada da morte e agora busca trazer o corpo para o Brasil

Fotos: Cortesia
Jovem de Olivença morre durante participação na guerra da Ucrânia

Em busca de um sonho antigo de entrar para o exército, um jovem de 25 anos, natural de Olivença, município do Médio Sertão de Alagoas, acabou atravessando o mundo e dando sua vida em um conflito armado entre duas nações estrangeiras.

A história é do alagoano Fabrício da Silva Duarte, que tombou em combate na semana passada durante a guerra da Ucrânia. Sua família recebeu a notícia na manhã do último sábado (10).

Em relato ao Alagoas na Net, a irmã de Fabrício contou que o jovem vivia em São Paulo antes de viajar para participar do conflito. Segundo ela, a família não apoiava a decisão de ir para fora do país, tentou convencê-lo a permanecer no Brasil, mas ele já havia providenciado o passaporte e organizado a viagem.

Fabrício era um rapaz sonhador e tinha o desejo de servir ao Exército Brasileiro. Ele chegou a se inscrever, realizou exames e testes físicos e mentais, foi aprovado e convocado, mas, na época, já morava em São Paulo e decidiu continuar trabalhando no estado.


A ideia de participar da guerra da Ucrânia surgiu posteriormente, quando ele encontrou informações sobre o recrutamento pela internet. Conforme o relato da irmã, o jovem só comunicou à família que viajaria quando a data da partida estava próxima.

“A gente sempre quis que ele ficasse, que ele não fosse. Por mais que aqui fosse difícil no Brasil, ainda era melhor estar por aqui”, contou a Ynaiane.

Meses de treinamento e atuação no conflito

Segundo a familiar, Fabrício viajou com outros brasileiros e passou alguns meses em treinamento antes de atuar nas missões. O jovem e outros integrantes precisaram ser resgatados por militares de outro batalhão, após permanecerem em uma posição próxima à linha de frente dos ataques. Depois disso, conforme o relato, Fabrício passou a integrar outro grupo e participou de novos treinamentos e missões.

A familiar fez questão de esclarecer que a morte não aconteceu durante a primeira missão, como algumas pessoas estariam comentando. O irmão já havia participado de outras operações e estava na terceira ou quarta missão quando morreu.

Fabrício já manifestava a intenção de voltar para casa. Nesta segunda-feira (12), completava um mês desde que ele estava em confronto na guerra da Ucrânia. Segundo a irmã, essa seria sua última missão antes de retornar ao Brasil. Ele pretendia concluir a operação e, em seguida, voltar para casa, mas morreu antes de realizar o desejo de rever a família.

Família recebeu a notícia por telefone

A confirmação chegou à família na manhã do sábado (10), por meio de uma ligação do comandante de Fabrício. Conforme a irmã, a conversa ocorreu em inglês, com o auxílio de um tradutor, que intermediou a comunicação entre as partes.

Durante o contato, o comandante informou que o jovem não havia resistido aos ataques. Na ocasião, também apresentou condolências aos familiares.


Fabrício atuava na segurança de uma posição militar. Ela afirmou ainda que o irmão utilizava o nome de guerra “Chavinho”.

Jovem mantinha contato com a família em Olivença

Apesar da distância e dos riscos enfrentados no conflito, Fabrício mantinha contato frequente com a mãe, os irmãos e amigos que ficaram em Olivença. De acordo com a irmã, ele procurava tranquilizar os familiares e informar que estava bem sempre que tinha oportunidade.

Mesmo quando não conseguia falar diretamente com eles, enviava áudios ou pedia a colegas que transmitissem notícias à família.

A irmã descreveu Fabrício como uma pessoa alegre, querida pelos amigos e que não costumava ter desentendimentos com outras pessoas.

Família busca resgate do corpo e traslado para o Brasil

A família também aguarda informações sobre o resgate do corpo de Fabrício e tenta viabilizar o traslado para o Brasil. Segundo a irmã, uma advogada entrou em contato com o Itamaraty para buscar orientações sobre os procedimentos necessários e a possibilidade de apoio, já que os familiares não têm condições financeiras de custear a operação. 

Até o momento, porém, não há confirmação de que o corpo tenha sido resgatado. Em contato com a família no sábado à tarde, o comandante informou que ainda não havia atualizações. A região onde o jovem morreu continua sendo alvo de confrontos e bombardeios, o que dificulta o acesso ao local. Enquanto aguarda novas informações, a família espera que o corpo seja resgatado para que possa ser levado ao Brasil e receber um sepultamento digno.

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