Em meio à polarização, o que ainda faz o brasileiro acreditar nas eleições?
Pesquisa aponta que 81% dos participantes veem corrupção generalizada no governo, enquanto fé, esperança e senso de comunidade ajudam a explicar o comportamento emocional do eleitor.
Faltando poucos meses para as eleições de 2026, um dos maiores desafios é compreender o estado emocional do brasileiro. Em meio à polarização, às incertezas econômicas e ao desgaste da confiança nas instituições públicas, o que sustenta o otimismo da população?
O Mapa da Felicidade Real do Brasil 2026, pesquisa realizada pela Renata Rivetti, pesquisadora da Ciência da Felicidade, em parceria com o Instituto IDEIA, aponta um retrato que desafia leituras simplistas do país. Embora o brasileiro conviva diariamente com ansiedade, estresse e insegurança, 89% afirmam ser felizes. O estudo mostra que essa felicidade não nasce da ausência de problemas, mas da capacidade de encontrar sustentação em elementos como família, relações de confiança, fé e esperança. Os dados mostram ainda um nível elevado de desconfiança institucional entre os brasileiros, sendo que 81% dos entrevistados, acreditam que a corrupção está generalizada no governo.
Na pesquisa, quando convidados a definir felicidade em apenas uma palavra, os entrevistados mencionam principalmente vínculos familiares, paz, gratidão, esperança e fé. Deus aparece entre as respostas mais frequentes, reforçando que a espiritualidade continua ocupando papel importante na construção do bem-estar do brasileiro.
Outro dado chama atenção: 87,2% afirmam contar com uma rede de apoio, enquanto a felicidade declarada é maior entre pessoas religiosas, sugerindo que comunidades de pertencimento funcionam como fator de proteção emocional.
Segundo Rivetti, esses resultados ajudam a compreender um aspecto importante da sociedade brasileira em períodos de grande mobilização nacional. "O brasileiro desenvolveu uma capacidade muito particular de sustentar esperança mesmo em cenários adversos. A pesquisa mostra que essa esperança não está baseada necessariamente na confiança nas instituições, mas na força das relações, da fé e na expectativa de que o futuro pode ser melhor. Esse estado emocional ajuda a explicar como a população enfrenta momentos de grande tensão, como uma eleição”.
Para a especialista, compreender esse contexto é importante porque processos eleitorais são marcados não apenas por debates racionais, mas também por expectativas coletivas sobre o futuro.
"As eleições sempre mobilizam emoções. Mais do que avaliar propostas, as pessoas também buscam perspectivas de segurança, pertencimento e esperança. Nossa pesquisa mostra que esses elementos fazem parte da forma como os brasileiros constroem bem-estar e interpretam a realidade".
O levantamento também evidencia que felicidade e sofrimento não são opostos no Brasil. Enquanto 33% relatam ansiedade frequente e 29% convivem diariamente com estresse, a maioria continua afirmando ser feliz, indicando uma felicidade construída apesar das dificuldades.






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