Justiça condena mulher a 12 anos por assassinato de sargento em Alagoas
Jurados afastaram a alegação de legítima defesa e reconheceram a qualificadora de motivo fútil.
A Justiça condenou Josefa Cícera Nunes Flores a 12 anos de prisão, em regime fechado, pelo assassinato do companheiro, o sargento da Polícia Militar Alessandro Fábio da Silva, de 53 anos. A decisão foi tomada pelo Conselho de Sentença durante julgamento do Tribunal do Júri, após acolher a tese apresentada pelo Ministério Público de Alagoas (MPAL), que sustentou a prática de homicídio qualificado por motivo fútil.
A acusação foi conduzida pelo promotor de Justiça Antônio Vilas Boas, com assistência dos advogados José Paulo e Beatriz Carvalho. Apesar de a ré ser primária e ter confessado o crime, fatores que contribuíram para a redução da pena, os jurados rejeitaram a alegação de que ela teria agido em legítima defesa
Segundo o Ministério Público, as diferentes versões apresentadas por Josefa ao longo da investigação apresentavam diversas contradições e foram desmentidas pelas provas técnicas produzidas durante o processo.

Durante o julgamento, familiares do sargento acompanharam a sessão. Foram ouvidos como testemunhas de acusação uma ex-esposa da vítima, uma sobrinha, um dos filhos e um amigo de corporação.
Em sua sustentação, o promotor Antônio Vilas Boas afirmou que a defesa tentou inverter a posição das partes ao retratar a vítima como agressora, mas que os elementos técnicos e os depoimentos apresentados confirmaram a responsabilidade da ré.
De acordo com o laudo pericial, houve dois disparos efetuados à distância, sendo um deles fatal, além da tentativa de um terceiro disparo. O Ministério Público também destacou que a tese de "roleta russa" apresentada pela defesa não se sustentava, já que essa prática normalmente envolve revólver, enquanto os tiros foram disparados por uma pistola. Nenhum revólver foi encontrado na residência do casal.
Três versões para o crime

Logo após o homicídio, Josefa afirmou que o casal discutiu por ciúmes e que o companheiro teria proposto uma brincadeira de roleta russa. Segundo ela, durante uma luta corporal, a arma disparou acidentalmente.
Em outro momento da investigação, apresentou uma versão diferente, alegando que matou o sargento porque teria descoberto que ele executaria uma pessoa a mando de um delegado, com suposta proteção de um juiz.
Já durante o julgamento, declarou que o casal havia ingerido bebida alcoólica, discutido por ciúmes e que, após uma suposta sessão de roleta russa, teria sido agredida pelo companheiro durante cerca de 25 minutos, efetuando o disparo em legítima defesa durante a luta corporal.
As três versões foram contestadas pela acusação com base nos laudos periciais e demais provas reunidas no processo.
Família fala em alívio após quatro anos
Os filhos do sargento Alessandro Fábio relataram, durante o julgamento, o sofrimento vivido desde o crime, ocorrido há quatro anos. Segundo eles, o pai era presente, mantinha contato diário com a família e nunca deixou de prestar assistência aos filhos.
Após a condenação, o assistente de acusação, advogado José Paulo, afirmou que a decisão representa o primeiro passo para a responsabilização pelo crime.
Com a sentença, Josefa Cícera deixou o Tribunal do Júri para iniciar o cumprimento da pena em regime fechado.






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