Alagoas: homem que matou professora com 37 facadas é condenado a quase 30 anos de prisão
José Ricardo dos Santos foi condenado por feminicídio qualificado pelo assassinato da professora Cenira Angélica, crime ocorrido em 2018, em Viçosa.
A Justiça de Alagoas condenou José Ricardo dos Santos a 29 anos, 8 meses e 16 dias de prisão, em regime inicialmente fechado, pelo assassinato da professora Cenira Angélica, morta com 37 golpes de arma branca dentro da própria casa, em Viçosa, em março de 2018. A sentença foi proferida nesta quarta-feira (29), durante julgamento realizado no Fórum do município.
O Conselho de Sentença reconheceu a autoria do crime e acatou as qualificadoras de motivo fútil, recurso que impossibilitou a defesa da vítima e feminicídio, rejeitando a versão apresentada pela defesa de que o acusado não seria o autor do assassinato.
A acusação foi conduzida pelo promotor de Justiça Gustavo Arns, do Ministério Público de Alagoas (MPAL), que destacou a importância da condenação como resposta da Justiça e no enfrentamento à violência contra a mulher.
"O conselho de sentença reconheceu todas as qualificadoras, a autoria e a materialidade do crime. É uma resposta que a sociedade esperava para um caso tão emblemático e uma demonstração de que crimes de violência contra a mulher serão punidos dentro da lei", afirmou o promotor.
Crime chocou Viçosa

A professora Cenira Angélica foi assassinada no dia 2 de março de 2018. Segundo as investigações, ela tomava banho quando foi surpreendida por José Ricardo, que a atacou com uma faca.
Mesmo gravemente ferida, a vítima ainda conseguiu correr para a rua em busca de socorro, mas não resistiu aos ferimentos provocados pelas dezenas de perfurações.
Testemunhas e familiares relataram durante o processo que o condenado era extremamente ciumento e possessivo. De acordo com os depoimentos, ele costumava controlar a vida da professora e chegou a utilizar o celular dela para conversar com amigos se passando pela vítima.
Uma vizinha afirmou ter ouvido Angélica gritando o nome do acusado no momento do crime, mas acreditou que se tratava de mais uma discussão entre o casal.
Defesa foi rejeitada
Durante o julgamento, a defesa sustentou que José Ricardo não teria cometido o crime e alegou que a motocicleta utilizada na fuga havia sido emprestada a um primo, já falecido. A versão, no entanto, não convenceu os jurados.
José Ricardo permaneceu foragido por mais de cinco anos e foi preso apenas em dezembro de 2023, no estado do Mato Grosso. Ele participou do julgamento por videoconferência diretamente do presídio onde está custodiado.
Após a condenação, a juíza Juliana Batistela determinou que sejam adotadas as providências para a transferência do condenado para Alagoas, onde deverá cumprir a pena.
Familiares da professora acompanharam o julgamento e se emocionaram com a sentença. Para eles, a condenação representa um passo importante na busca por justiça após mais de oito anos do crime que marcou a cidade de Viçosa.






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