Livro que resgata trajetória de cineasta santanense é lançado nesta 6ª em Santana do Ipanema
A trajetória do cineasta, fotógrafo e pesquisador santanense Nestor Peixoto Noya, marcada pelo exílio durante a ditadura militar e por uma carreira dedicada à inclusão social na Suécia, ganha registro em livro. A obra "Vozes do Silêncio – Fragmentos Biográficos de Nestor Peixoto Noya", escrita por João Neto Felix Mendes, será lançada nesta sexta-feira (31), às 15h, na Câmara de Vereadores de Santana do Ipanema.
Fruto de anos de pesquisa, o livro reconstrói a vida de Nestor desde sua juventude em Santana do Ipanema, sua passagem pela Universidade de Brasília (UnB), o envolvimento com o cinema brasileiro na década de 1960 e o período de exílio na Europa após o regime militar.
A publicação também revela um personagem pouco conhecido da história cultural alagoana. Integrante do elenco do filme "Manhã Cinzenta" (1969), de Olney São Paulo, Nestor participou de uma produção que foi censurada e confiscada pela ditadura militar, tornando-se um dos símbolos do chamado Cinema Verdade.
Segundo o autor, a ideia do livro nasceu durante pesquisas para um documentário sobre Nestor, desenvolvidas em parceria com o cineasta e documentarista Pedro da Rocha, falecido em 2021. Com a interrupção do projeto audiovisual, João Neto decidiu aprofundar as investigações e transformar o material em uma biografia baseada em documentos, arquivos históricos e pesquisas acadêmicas.
Para reconstituir a trajetória do homenageado, foram consultados acervos da família, instituições de ensino, a Universidade de Brasília, documentos do Arquivo Nacional, além de registros do período em que Nestor viveu no Chile, Panamá e, posteriormente, na Suécia.
O livro destaca ainda a atuação de Nestor como fotógrafo do Instituto de Deficiência, em Estocolmo, onde trabalhou por mais de três décadas documentando avanços científicos, tecnológicos e iniciativas voltadas à inclusão de pessoas com deficiência. Suas imagens integram artigos científicos, livros, dissertações e publicações de referência na Suécia.
Mais do que contar a história de um santanense que precisou deixar o Brasil em um dos períodos mais conturbados da história do país, a obra busca preservar a memória de um personagem cuja contribuição para o cinema, a fotografia e a inclusão social permaneceu pouco conhecida por muitos anos.
O lançamento é aberto ao público e acontece às 15h, na Câmara de Vereadores de Santana do Ipanema, localizada na Avenida Nossa Senhora de Fátima, nº 160, no Centro da cidade.



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