Crescimento de restaurantes vai além da propaganda, dizem especialistas
Especialistas afirmam que cozinha, análise de dados, gestão comercial e retenção de clientes são fatores decisivos para a expansão no setor de food service.
O crescimento dos restaurantes voltou ao centro das decisões do setor de alimentação fora do lar. Segundo a Abrasel, bares e restaurantes faturaram R$495 bilhões em 2025, acima dos R$455 bilhões registrados em 2024, mas ainda sob pressão de custos e perda de ritmo no emprego.
Para Athos Vilarins, empreendedor com atuação nas áreas de marketing, posicionamento estratégico, crescimento comercial e CEO da Assessoria Alpha, empresa especializada em marketing para restaurantes e estruturação comercial no food service, o dado mostra que vender mais já não basta para sustentar uma operação.
“O crescimento de restaurantes não acontece apenas quando a casa está cheia. Ele aparece quando o empresário entende de onde vem o cliente, quanto custa atrair esse público, quantas vezes ele volta e qual margem fica no caixa depois da operação”, afirma o empreendedor.
Fundada por Athos Vilarins e Gustavo de Oliveira, a Assessoria Alpha faz parte do ecossistema do Grupo Alpha e atua com estratégias de marketing, tecnologia e gestão para restaurantes. A empresa afirma já ter atendido mais de 1.500 operações do setor, com foco em aquisição de clientes, conversão, retenção, tíquete médio e previsibilidade de receita.
A trajetória dos fundadores ajuda a explicar o posicionamento da marca, antes de estruturar métodos comerciais, os dois afirmam ter vivido de perto a rotina da cozinha, a pressão por vendas e os gargalos que impedem muitos negócios gastronômicos de crescer.
Da cozinha para os indicadores
A história da Alpha parte de uma percepção comum no setor: muitos restaurantes têm boa comida, público interessado e movimento em datas fortes, mas não conseguem transformar demanda em lucro recorrente.
Para os fundadores, isso acontece quando o marketing é tratado apenas como vitrine, sem conexão com atendimento, cardápio, margem, recompra e canais próprios de relacionamento. “Durante muito tempo, o marketing para restaurantes foi confundido com postagem bonita. A foto pode atrair atenção, mas o que sustenta o negócio é saber converter essa atenção em pedido, reserva, retorno e faturamento recorrente”, diz o CEO.
Em maio de 2026, o grupo Alimentação e bebidas teve alta de 1,33% no IPCA, segundo o IBGE. A alimentação fora do domicílio, que inclui bares e restaurantes, subiu 0,49% no mesmo mês. O avanço de preços pressiona a operação, mas nem sempre pode ser repassado integralmente ao consumidor.
O risco de vender mais e lucrar menos
A Copa do Mundo de 2026 deve ampliar esse desafio. Projeção da CNC, citada pelo InfoMoney, aponta que bares e restaurantes no Brasil devem movimentar R$2,42 bilhões durante o torneio, com alta real de 15,7% sobre o faturamento registrado no Mundial de 2022. O número reforça o potencial de consumo, mas também aumenta a disputa por atenção, atendimento e eficiência operacional.
Para Gustavo de Oliveira, especialista em desenvolvimento comercial e fundador da Assessoria Alpha, as datas de pico mostram quais restaurantes têm estrutura para crescer e quais apenas absorvem movimento. “Quando chega uma Copa, um feriado ou uma campanha forte, o restaurante descobre se tem processo ou só volume. Se o atendimento falha, se a entrega atrasa, se o cardápio não foi pensado para margem e se o cliente não volta depois, o pico de venda vira apenas um dia cheio”, afirma.
A leitura ajuda a explicar por que a empresa passou a defender uma atuação que une marketing, tecnologia e gestão. Na prática, o modelo busca conectar presença digital, captação de clientes, campanhas comerciais, análise de dados e relacionamento para que o restaurante não dependa apenas do movimento espontâneo.
Crescimento de restaurantes pede método e rotina
Com atuação nacional, a Assessoria Alpha tenta se distanciar das consultorias baseadas em discurso motivacional e reforça uma abordagem ancorada em operação real. O foco está em transformar dados do dia a dia em decisões comerciais, como quais produtos divulgar, quais clientes reativar, quais datas explorar, quais canais priorizar e quais ações aumentam a recompra.
Para o especialista, técnica culinária e bom atendimento seguem essenciais, mas já não garantem crescimento sozinhos. “O dono de restaurante precisa olhar para o negócio como empresa. Isso significa entender funil de vendas, comportamento do cliente, calendário comercial, margem por produto, recompra e canais próprios. Quem depende só do movimento espontâneo fica vulnerável”, diz.
Em vez de funcionar como uma área isolada, a comunicação passa a ser usada para gerar fluxo qualificado, medir retorno, manter relacionamento com clientes e apoiar decisões de venda.
No setor de food service, em que a rotina costuma consumir quase toda a atenção do empreendedor, essa integração pode ser a diferença entre crescer com controle ou apenas aumentar a complexidade da operação.






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