MP Eleitoral recomenda governador e senador a se absterem de práticas que possam configurar abuso de poder nas eleições
Procuradoria Regional Eleitoral em Alagoas expediu recomendação em razão de evento em Rio Largo no qual teria sido anunciada distribuição de valores em dinheiro por meio de pix
O Ministério Público Eleitoral (MP Eleitoral) em Alagoas expediu recomendação ao governador de Alagoas, Paulo Dantas, ao senador Renan Calheiros e às secretarias estaduais de Governo para que se abstenham de distribuir ou prometer brindes, cestas básicas, transferências via pix ou quaisquer outros bens e vantagens a eleitores, prática que pode configurar abuso de poder político e econômico no contexto eleitoral.
A recomendação, assinada pelo procurador regional eleitoral Marcial Duarte Coêlho, foi motivada por notícias amplamente divulgadas na imprensa e registradas em procedimento administrativo sobre evento público realizado no município de Rio Largo, no último dia 10 de maio. Segundo o documento, há registros audiovisuais nos quais o governador teria afirmado que os presentes receberiam “um presente do senador Renan Calheiros (pai) e do governador Paulo Dantas”, consistente na distribuição de “50 pix de R$ 200” para participantes do evento.
De acordo com a Procuradoria Regional Eleitoral em Alagoas (PRE/AL), a eventual repetição de práticas dessa natureza pode comprometer a normalidade, a igualdade de oportunidades e a higidez do processo eleitoral, sobretudo diante da presença, no mesmo evento, de autoridades apontadas como possíveis pré-candidatas às eleições futuras.
Na recomendação, o MP Eleitoral reforça que compete ao Ministério Público prevenir, fiscalizar e combater irregularidades eleitorais, como captação ilícita de votos, uso indevido da máquina pública, abuso de poder político e econômico e propaganda irregular. O documento também destaca entendimento consolidado do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no sentido de que o abuso de poder econômico pode ocorrer mesmo fora do período eleitoral.
Além de recomendar que os agentes públicos e políticos se abstenham de prometer ou distribuir vantagens a eleitores, a PRE/AL orienta que não sejam utilizados bens públicos em benefício de candidaturas, partidos ou coligações, nem haja uso promocional de programas sociais custeados pelo poder público.
O procurador regional eleitoral Marcial Duarte Coêlho ressaltou que a atuação preventiva do Ministério Público Eleitoral busca preservar a legitimidade do processo democrático e assegurar igualdade de condições entre os futuros candidatos. “O Ministério Público Eleitoral atua de forma preventiva para garantir a lisura do processo eleitoral, protegendo a liberdade do voto e a igualdade de oportunidades entre os candidatos. Condutas que possam caracterizar abuso de poder político ou econômico devem ser coibidas, independentemente do período em que ocorram”, afirmou.
A PRE/AL advertiu ainda que o eventual descumprimento da recomendação poderá resultar no ajuizamento de representações eleitorais e de Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), com possibilidade de sanções como cassação de registro ou diploma e decretação de inelegibilidade por oito anos.
O documento foi encaminhado aos destinatários da recomendação, à Procuradoria-Geral do Estado de Alagoas e ao Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE/AL).




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