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  • Santana do Ipanema, 30/04/2026
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Moda artesanal de Alagoas ganha destaque em Milão

Parceria entre estilistas, artesãs, entidades produtivas e o programa Alagoas Feita à Mão transformou tradição em desejo global

Foto: Ericles Vitor
 Moda artesanal de Alagoas ganha destaque em Milão Coleção reuniu nove técnicas distintas de rendas e bordados, revelando a riqueza do artesanato alagoano
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A moda artesanal de Alagoas conquistou um novo patamar de visibilidade internacional com a coleção Fios e Tecidos, que levou para as ruas de Milão, capital mundial da moda, peças produzidas a partir da colaboração entre estilistas alagoanas e nove entidades produtivas de artesanato de diferentes regiões do estado. Em meio à efervescência da Semana de Design de Milão – enquanto Alagoas também se destacava com a exposição Alagoas Plural, no Fuorisalone, nos dias 20 a 26 de abril –, a moda feita à mão mostrou sua força ao transformar tradição, identidade e técnicas artesanais em editoriais vivos no cotidiano italiano.

Composta por criações desenvolvidas por estilistas em parceria com associações, cooperativas e grupos produtivos, a coleção reuniu nove técnicas distintas de rendas e bordados, revelando a riqueza do fazer manual alagoano em composições contemporâneas que dialogaram com o cenário urbano de Milão. Mais do que peças de passarela, os looks foram apresentados em contextos reais, reforçando a usabilidade, o desejo e a potência comercial da moda artesanal.

As peças foram produzidas pelos grupos Cooperativa Cooperartban, Cooperativa Art Ilha, Associação Mimos de Dona Peró, Grupo Produtivo Amor Caseado, Associação Casa do Bordado, Grupo Produtivo Fulô.A, Grupo Produtivo Mestra Clarice, Grupo Produtivo Nossa Singeleza e Grupo Produtivo Tecelãs, em parceria com as estilistas Fiama Pimentel e Maria Eugênia.  

Para Maria Eugênia, da marca Mareu, acompanhar essa segunda etapa do projeto em Milão foi a concretização de um sonho construído ao longo de um ano de trabalho coletivo. Segundo a estilista, ver as peças expostas no exterior, após o desfile inicial, representou a conclusão de um ciclo importante para a moda.

“Ver as peças em Milão foi de arrepiar. Pensar que há um ano começou tudo, com um trabalho feito por várias mãos, visitando cada localidade e conhecendo o contexto da coleção, torna tudo ainda mais especial. O desfile já tinha sido um momento de muita satisfação, mas ver essas peças nas ruas de Milão, em cenários cotidianos, mostrando sua usabilidade real, foi como completar o ciclo da moda”, frisou.

Maria Eugênia também ressaltou que a inserção das peças no cotidiano amplia o alcance da moda artesanal e pode inspirar outros criadores a valorizarem o trabalho manual. “A moda precisa gerar desejo. Quando essas peças, que têm história e identidade, ocupam as ruas de Milão, elas ganham uma nova dimensão. Isso impacta consumidores, estilistas e toda a cadeia produtiva, despertando novos olhares para parcerias com artesãos”, afirmou.

A estilista Fiama Pimentel, da marca Baru, também celebrou a experiência e destacou a importância da iniciativa para a valorização global da produção artesanal alagoana.

“Ter minhas peças em Milão, em uma semana tão especial para o design, é a prova de que a moda artesanal alagoana tem força, beleza e valor para alcançar o mundo. Essa iniciativa dá visibilidade ao trabalho manual, à nossa cultura e ao talento de tantos artesãos de Alagoas”, disse.

Fiama enfatizou ainda os impactos positivos após a colaboração, como reconhecimento ampliado, novas oportunidades e maior valorização do trabalho artesanal. “Após a colaboração, percebi uma repercussão muito positiva no meu trabalho, com mais reconhecimento, novas oportunidades e pessoas valorizando ainda mais o artesanal e a história por trás de cada peça. Obrigada pela oportunidade e por todo acesso às riquezas de Alagoas”, finalizou.

Processo criativo 

Com sensibilidade estética, reconhecimento internacional e forte impacto simbólico, Fios e Tecidos não apenas vestiu Milão, apresentou ao mundo uma nova perspectiva sobre a moda alagoana, onde herança cultural, design e artesanato se encontram para criar peças com história, propósito e alcance global. Essa narrativa visual também foi conduzida pelo olhar do comunicador e coordenador de comunicação Ericles Vitor, da Secretaria de Estado do Planejamento, Gestão e Patrimônio (Seplag), responsável por transformar a coleção em um editorial vivo nas ruas da capital italiana. 

Segundo ele, o processo criativo nasceu de um intenso trabalho de pesquisa e construção conceitual ao lado da secretária de Estado Paula Dantas (Seplag), buscando criar um encontro entre peça, corpo e cidade para ampliar a identidade alagoana em um cenário internacional. 

“Procurei fugir de uma lógica mais engessada de editorial de moda e observar o que cada cenário de Milão oferecia, a textura das paredes, o ritmo das pessoas, a luz atravessando as ruas, o contraste dos tons neutros com a riqueza de cores e texturas dos looks”, explicou. 

Para Ericles, inserir o artesanato no cotidiano milanês foi uma escolha estratégica para deslocá-lo de uma percepção estática, colocando-o em movimento e em diálogo com uma das maiores capitais da moda mundial. “A ideia era justamente mostrar que nosso artesanato não pertence só à passarela ou à vitrine. Ele é vivo, tem usabilidade real, caimento, presença e pode ocupar diferentes contextos. Estamos falando de peças que caminham, respiram e carregam nossa identidade para o mundo”, finalizou Vitor, que é diretor criativo do projeto.

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