Criança de 3 anos que sofreu acidente de moto e estava sem capacete sobrevive após assistência no HGE
Rhavy Lucca escapou da morte, mas ficou paraplégico e segue em reabilitação para poder retornar à residência
Rhavy foi assistido pela rede integrada da Secretaria de Estado da Saúde O pequeno Rhavy Lucca da Silva Pereira, de apenas 3 anos, voltava com os pais do sítio Serrote do Umbuzeiro, na zona rural de Olho d’Água do Casado, quando a moto em que estavam foi atingida por um caminhão baú na AL-220, no trecho que corta o município de Delmiro Gouveia. Com o impacto, ele ficou gravemente ferido, mas, felizmente, após tratamento intensivo no Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió, o garoto teve a vida salva e recebeu alta médica, após quase três meses de internação.
No dia do acidente, trafegavam na moto três pessoas. Rhavy era o único sem capacete. Com o impacto foi violento, a mãe da criança morreu, o pai foi socorrido e levado ao Hospital Regional do Alto Sertão (HRAS), em Delmiro Gouveia, onde recebeu atendimento médico e, após a alta hospitalar, continua em acompanhamento psicológico.
Já Rhavy precisou do resgate rápido e preciso do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), dos cuidados multidisciplinares do HRAS e do Hospital de Emergência do Agreste (HEA), em Arapiraca, por onde também passou. Posteriormente, no dia 2 de janeiro deste ano, foi levado para o Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió, maior referência em atendimento a politraumatizados em Alagoas.
“A atuação da rede da Secretaria de Estado da Saúde [Sesau] foi ágil e determinante para manter a criança estabilizada até a transferência para a maior unidade de urgência e emergência de Alagoas, referência no tratamento de traumas de média e alta complexidade. No HGE, o Rhavy enfrentou dias delicados na UTI, mas ele pode contar com profissionais qualificados, que conseguiram afastar o risco de morte e levá-lo para recuperação em Enfermaria”, pontuou o diretor médico da unidade, Miquéias Damasceno.
Paraplegia
Entretanto, a família da criança precisou enfrentar o diagnóstico da paraplegia devido a uma lesão medular que resultou na perda dos movimentos entre o pescoço e os pés. A pediatra Ana Carolina Ruela explica que, para uma criança de três anos, o peso dessa condição vai além da limitação física, representa o risco de uma infância limitada, sonhos redesenhados antes mesmo de serem compreendidos.
“Mas, quando ele chegou aqui na Enfermaria Pediátrica, a nossa equipe seguiu com os esforços para a recuperação de sua saúde e iniciou o processo de reabilitação, com assistência da Fisioterapia, Terapia Ocupacional e Fonoaudiologia. Ao passar dos dias, mesmo diante de um cenário tão duro, a história começou a ganhar novos contornos e vem animando todos nós”, relatou a médica do HGE.
Os resultados começaram a aparecer e os movimentos que não existiam passaram a surgir. Hoje, a criança já consegue sentar, pegar objetos e até contrair ambas as pernas – avanços considerados extremamente significativos para o quadro clínico. A terapeuta ocupacional Enísia Freitas explica que esses avanços são resultados de um treinamento de habilidades básicas, utilizando a ludicidade para despertar o interesse do menor.
“Estimulamos o controle cefálico, controle de cabeça, a funcionalidade de membros superiores (o pegar, o soltar, manipulação de objetos), o controle de tronco, as reações de endireitamento, a coordenação motora e visomotora e a sensibilidade abaixo e acima do nível da lesão. Durante todo o processo de reabilitação, Rhavy teve ganhos significativos adquirindo habilidades. E a gente aqui do HGE só tem que acolher e apoiar ele para que, futuramente, ele siga neste processo de progressos funcionais”, declarou a terapeuta ocupacional do HGE.
Reabilitação
Rhavy já recebeu alta hospitalar e voltou para casa, onde deve continuar o processo de reabilitação cercado pelo amor de sua família. Joana Pereira da Silva, tia do garoto, deixou um recado importante às famílias que também usam a moto como meio de transporte.
“Eu alerto aos pais que não saiam de casa com seus filhos, três pessoas em uma moto. Se puder ir só um ou dois, vai embora os dois com Deus na frente. Nunca saia os três, porque o que o Rhavy está passando aqui não é fácil. Então, eu deixo esse apelo para as pessoas que têm amor aos seus filhos que não façam mais isso, porque dói”, enfatizou Joana, que esteve com a criança durante os quase três meses de internação.
Números altos
Em 2025, 2.429 pessoas foram atendidas no HGE por acidentes de moto. A história de Rhavy escancara uma realidade frequente nas estradas brasileiras. O transporte de crianças em motocicletas, muitas vezes sem equipamentos de segurança e acima do número permitido de passageiros, continua sendo uma prática comum e extremamente perigosa. O Código de Trânsito Brasileiro proíbe o transporte de crianças menores de 10 anos em motocicletas, além de exigir o uso de capacete adequado para todos os ocupantes e o respeito ao limite de passageiros.
“Ainda assim, o desrespeito às normas segue provocando consequências graves. Somente aqui no HGE, 2.429 pessoas foram atendidas em 2025 por acidentes de moto e nos primeiros dois meses deste ano já registramos 439 atendimentos. São pessoas que vivem consequências com marcas profundas que incluem sequelas permanentes, como a paraplegia, psicológicas e sociais, já que famílias inteiras têm suas rotinas e estruturas abaladas, muitas vezes enfrentando dificuldades financeiras e emocionais”, ressaltou o cirurgião geral Amauri Clemente.
No caso de Rhavy, a dor da perda da mãe se soma ao desafio de uma nova realidade mergulhada no universo de dificuldades enfrentadas por quem vive na zona rural do Sertão. Agora, a missão da família, amparada pelos serviços municipais, é continuar com o tratamento, que inclui a reabilitação, e, ao passar dos dias, conseguirem reconstruir uma nova história de superação para todos.






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