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  • Santana do Ipanema, 24/03/2026
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Inadimplência alcança 8,9 milhões de empresas brasileiras e mais de R$210 bilhões em dívidas

Alta dos juros e dificuldade de crédito pressionam negócios, especialmente os de menor porte

Foto: Assesoria
Inadimplência alcança 8,9 milhões de empresas brasileiras e mais de R$210 bilhões em dívidas
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A inadimplência entre as empresas brasileiras bateu novo recorde em novembro de 2025, atingindo 8,9 milhões de CNPJs, o maior número desde o início da série histórica. Juntas, elas somaram mais de R$ 210,8 bilhões em dívidas negativadas, segundo o indicador de inadimplência das empresas da Serasa Experian.

O resultado reflete um cenário econômico ainda marcado por juros elevados e crédito mais restritivo. Muitas empresas seguem com pouco espaço financeiro para absorver oscilações de custos ou de receita. Com o crédito mais caro, cresce a dificuldade de alongar dívidas, o que acaba levando ao atraso de obrigações recorrente.

De acordo com o economista, Lucas Sorgato, o endividamento por si só não é ruim, já que as empresas se endividam para poder buscar um crescimento para o seu negócio, mas a situação fica complicada quando a questão chega à inadimplência.

“O Brasil hoje tem uma taxa de juros muito alta, então em casos de falta de pagamento essa dívida cresce mais ainda, o que é muito ruim para a continuidade dos negócios. Por isso o número é considerado alto. Além disso, a maioria das endividadas são micro e pequenas empresas, ou seja, o pujante de CNPJs da economia nacional”, reforça.

Entre as quase 9 milhões de empresas endividadas, 8,5 milhões delas eram micro, pequenas e médias empresas. O grupo concentrou 57,7 milhões de dívidas negativadas, o que consolida que há uma maior vulnerabilidade de empresas de menor porte a ciclos de crédito mais restritivos, já que esses negócios costumam ter menor acesso a financiamento e menos margem para renegociação.

“São empresas que tem mais dificuldade de crédito, as que têm taxas mais altas do que os outros e as que não têm garantias para dar de contrapartida. Por isso tantas se encontram nessa situação”, explica o economista.

Ainda segundo os dados de novembro de 2025, as empresas inadimplentes possuíam em média  7 contas negativadas, cujo ticket médio foi de R$ 3.375,40, enquanto a dívida média por empresa alcançou R$ 23.790,80. Os dados mostram que, além de mais empresas inadimplentes, as dívidas estão maiores.

A maior parte das empresas negativadas eram do setor de “Serviços” (55,2%), em seguida ficaram as do “Comércio” (32,7%), e “Indústria” (8,1%). O crescimento das dívidas ligadas a instituições financeiras e a serviços essenciais mostra que as empresas estão priorizando despesas operacionais imediatas, enquanto postergam compromissos financeiros, o que é típico de momentos de maior aperto de liquidez.

Para resolver esse problema, é comum o Governo Federal abrir margens para renegociação, como o Refis. No entanto, Lucas Sorgato salienta que não há nenhum aceno do tipo sendo feito para o empreendedor. “Pode ser que exista alguma coisa, pois temos um período eleitoral se aproximando e há interesse em se aumentar a arrecadação. Além disso, há também a reforma tributária entrando em vigor na prática para o ano que vem, o que pode ser uma saída para esse empresário”, conta.

Por fim, a expectativa da baixa de juros prevista para o primeiro semestre desse ano sofreu um abalo decorrente da guerra travada no Oriente Médio. O economista lembra que a situação criou um aumento no petróleo, que incide numa alta dos combustíveis. “São materiais imprescindíveis para levar produtos até a população. Logo, também temos um aumento de frete e de inflação, que é combatido pelo Banco Central com variações nos juros. Assim, isso pode indicar que a redução cogitada no início do ano para até o final de 2026 não aconteça”, finaliza.


 

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