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  • Santana do Ipanema, 18/03/2026
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Cineclube escolar forma novos olhares na rede pública de ensino

Projeto em escola de Maceió leva oficinas de audiovisual e une arte e educação entre estudantes do ensino médio

Foto: Kaíque Pacheco / Ascom Seduc
Cineclube escolar forma novos olhares na rede pública de ensino Cineclube promove diversas ações voltadas ao audiovisual
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Na Escola Estadual Romeu de Avelar, na parte alta de Maceió, o cinema ganhou um lugar cativo dentro da rotina escolar. O audiovisual passou a integrar o cotidiano pedagógico por meio do Cineclube Conexões Pedagógicas, iniciativa que transformou o cinema em ferramenta de aprendizado e reflexão para estudantes do ensino médio. O projeto propõe algo simples e, ao mesmo tempo, potente: usar o cinema para ampliar a experiência educativa, conectando histórias da tela com temas discutidos em sala de aula.

O cineclube surgiu a partir da iniciativa da atriz e servidora da Secretaria de Estado da Educação de Alagoas, Ane Oliva, que atua como secretária escolar na unidade. Com mais de três décadas de trajetória artística no estado, ela trouxe para a escola a convicção de que cultura e educação não podem caminhar separadas. Para ela, as duas áreas são complementares e, quando trabalham juntas, têm potencial para transformar o ambiente escolar e ampliar o olhar dos estudantes sobre o mundo.

“A proposta do cineclube é justamente criar essas conexões. Professores são convidados a pensar seus conteúdos pedagógicos e relacioná-los com produções audiovisuais que possam dialogar com os temas abordados em sala. Após as exibições, os alunos participam de debates e reflexões que ajudam a aprofundar a compreensão dos assuntos estudados. Dessa forma, o cinema deixa de ser apenas entretenimento e passa a funcionar como ferramenta de análise, discussão e construção de conhecimento”, explica Ane.

Cinema no celular

A iniciativa também abriu caminho para outras atividades ligadas à arte dentro da escola. Oficinas culturais, encontros com artistas e projetos formativos passaram a ocupar os espaços do cineclube, aumentando as possibilidades de aprendizado para além das disciplinas tradicionais.

Foi nesse contexto que surgiu uma parceria recente com o projeto Filme das Piabas, responsável por levar à escola a oficina Cinema com Celular, atividade que ensinou os estudantes a produzir vídeos utilizando apenas aparelhos que já fazem parte do cotidiano deles.

Durante algumas semanas, estudantes participaram de encontros voltados para a linguagem audiovisual. A oficina apresentou noções básicas de cinema, como enquadramento, composição de cena, teoria das cores e construção de roteiro. Tudo isso utilizando celulares e acessórios simples, demonstrando que, para produzir imagens, não precisa necessariamente depender de equipamentos profissionais.

Para a instrutora da atividade, Amanda Duarte, que trabalha com audiovisual há mais de uma década, experiências como essa têm um papel importante na formação cultural de jovens

Segundo ela, muitos profissionais do audiovisual em Alagoas começaram justamente em oficinas e cursos livres.“Eu entrei nesse segmento da cultura por meio de uma oficina criativa. Por isso, valorizo muito esses espaços de formação. Aqui em Alagoas, muitos realizadores acabam se formando pelo próprio empenho e por cursos livres”, destaca.

Para Amanda, levar esse tipo de atividade para escolas públicas têm um significado ainda maior. Ela destaca que a experiência de encontrar, dentro da escola, uma estrutura dedicada ao cinema é algo raro e extremamente positivo.

“É muito importante ver essa atividade chegando à parte alta da cidade e encontrar uma escola que tem uma sala preparada para trabalhar com cinema. Isso fortalece muito a comunidade escolar”, afirma.

Juventude como tema e ponto de partida

A oficina foi conduzida junto com o produtor audiovisual Lucas Villar, integrante do projeto Filme das Piabas, que desenvolve atividades de formação voltadas para o cinema em diferentes espaços educativos.

“Mostramos como funciona a linguagem do cinema, os equipamentos, como eles podem transformar ideias em roteiros e tirar projetos do papel”, informa.

A metodologia é adaptada à realidade de cada escola. Nesta edição, os alunos foram divididos em grupos e receberam um desafio em comum: produzir vídeos a partir do tema juventude. A proposta era que cada equipe desenvolvesse uma perspectiva própria sobre o assunto, explorando diferentes experiências e pontos de vista.

“Cada grupo trouxe uma visão diferente sobre o mesmo tema. Isso faz com que eles expressem suas próprias histórias”, diz Lucas.

Para ele, trabalhar com jovens também representa um processo de renovação para o próprio cinema alagoano. “É muito bom ver gente nova interessada. A gente aprende com eles também, porque são novas ideias, novas vivências”, declara.

O olhar dos alunos

Entre os estudantes que participaram da oficina, a experiência despertou curiosidade e entusiasmo. Muitos deles tiveram contato com conceitos do cinema pela primeira vez.

O aluno Wesley Costa conta que sempre gostou de desenhar e produzir conteúdos visuais no dia a dia. Durante as aulas, ele passou a compreender melhor elementos que antes apareciam apenas de forma intuitiva.

“Eu comecei a ver coisas que já gostava no meu dia a dia, mas, agora, entendendo melhor, como teoria das cores e enquadramento”, conta. Ele produziu vários vídeos durante as atividades e diz que a experiência foi uma forma diferente de aprendizado. “Foi muito interessante participar, uma experiência muito legal”, relata.

A estudante Emilly Victoria de Lima também destaca que a oficina desperta o olhar sobre uma ferramenta que já faz parte da rotina dos jovens. “O celular está sempre presente no nosso dia a dia. Aprender a usar ele para criar algo artístico é muito interessante”, observa.

Para ela, o curso trouxe uma oportunidade que nunca havia surgido antes. “Eu sempre gostei de gravar vídeos, mas nunca tinha tido uma experiência como essa”, fala a estudante.

Protagonismo dentro da escola

Entre os participantes do projeto, está também o estudante Lenildo Souza, que atua como monitor da oficina e ajuda a organizar as atividades entre os colegas. Ele acredita que iniciativas como o cineclube e as oficinas audiovisuais ajudam a fortalecer a presença da arte dentro da comunidade. “É muito bom poder trazer essa cultura artística para dentro da escola e para a comunidade”, diz.

Na oficina, Lenildo se identificou especialmente com a parte de criação de roteiros e também ajudou os colegas com apresentação e organização das ideias. Segundo ele, o contato com ferramentas tecnológicas voltadas para a produção de conteúdo também pode abrir caminhos futuros. “Conhecimento nessa área tecnológica sempre vai agregar muito na nossa vida”, frisa.

A arte como parte da educação

Enquanto os estudantes discutem roteiros, testam enquadramentos e gravam cenas com os celulares, o cineclube segue cumprindo o papel que motivou sua criação: ampliar as possibilidades de aprendizado por meio da arte.

Para a gestora da escola, Sílvia Bueno, iniciativas como esta mostram como a arte pode transformar o ambiente educacional. Ela afirma que, dentro do modelo de ensino integral, projetos culturais são fundamentais para manter os estudantes engajados e interessados nas atividades da escola. “A arte muda o curso da educação”, resume.

Segundo ela, o envolvimento dos alunos com projetos criativos tem sido cada vez maior e o cineclube se tornou uma das iniciativas mais importantes nesse processo.

A diretora também destaca o papel de Ane Oliva na construção dessas atividades dentro da escola.“Ela é o nosso pilar nessa área. Sempre traz projetos, sempre desenvolve ações ligadas à arte”, enfatiza.

Ao final do curso, a escola recebeu um kit com um estabilizador de celular e luz portátil para a produção de novos vídeos. Nas próximas semanas, a oficina chega à Escola Estadual Eunice Lemos Campos, no Benedito Bentes.

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