16 fev

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O CRUZEIRO

Primeira capa da revista O Cruzeiro (Foto: Divulgação)

Estamos em torno dos 41 anos do fechamento da revista de circulação nacional, O Cruzeiro. Foi uma revista de grandes reportagens e alto padrão lançada no Rio de Janeiro em 10 de novembro de 1928 e perdurou até 1975. Era editada pelos Diários Associados, de Assis Chateaubriand. Em 1960 recebeu novo design editorial que ficou conhecido como “bossa nova”.

A revista O Cruzeiro foi a principal revista ilustrada brasileira. Com inovações gráficas, publicações de grandes reportagens com ênfase ao fotojornalismo, estabeleceu linguagem nova na imprensa do Brasil. Reportagens de grande repercussão surgiram em parceria com a dupla repórter-fotográfico, sendo a mais famosa a formada por David Nasser e Jean Manzonque, anos 40 e 50.

O Cruzeiro falava dos astros de Hollywood, cinema, esportes e saúde e ainda divertia com charges, culinária e moda. Foram feitas reportagens como Lampião, Floro Novais, entrevistas com cangaceiros e cangaceiras e cobertura do suicídio de Getúlio. Chegou a atingir uma tiragem de 720.000 exemplares, quando a maior fora 80.000.

Dizem que nos anos 60, O Cruzeiro entrou em declínio por má gestão, sem o uso de suas fórmulas e o surgimento de novas publicações como as revistas Manchete e Fatos e Fotos. O ano de 1975 marcou a consagração da televisão e o declínio dos Diários Associados. Claro que todo veículo de comunicação tem sua tendência, sendo assim também com esta revista.

Nos anos 60, apesar de gostamos de gibis, como Tarzan, Kid Colt, O Fantasma e outros, aguardávamos também O Cruzeiro, para olharmos na última página, a charge do Amigo da Onça. As revistas chegavam para Dona Maria, esposa do alfaiate, Seu Quinca, à Rua Nilo Peçanha (Rua da Cadeia Velha). Dava gosto receber tantas revistas cheirosas das gráficas brasileiras. Muitas vezes quando as revistas chegavam, já estávamos aguardando na casa de Dona Maria, que era uma pessoa paciente e agradável.

A polêmica da estátua em homenagem ao jumento e seu tangedor, em Santana do Ipanema, foi mote desta revista em longa reportagem falando dos dois lados da questão, entre o prefeito da época e o vereador Everaldo Noya.

Que lembranças da qualidade em comunicações!

Clerisvaldo B. Chagas, 16 de fevereiro de 2018

Crônica 1.844 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

15 fev

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FAZENDO MOSAICO

Mosaicos (Foto: Gazeta do Povo))

O piso das casas de Santana, após o uso do cimento, entrou em um tipo de moda muito interessante. Pessoas mais abastadas da cidade começaram a usar, em lugar do cimento comum, ladrilhos chamados mosaicos. O mosaico era um pequeno bloco de cimento e outras misturas, de aproximadamente 20 cm2. Era grosso com superfície polida, continha variadas cores e desenhos criativos.

Com a moda em expansão, principalmente pelo efeito positivo e belo em salões e residências, foi implantada uma fábrica em Santana do Ipanema. Por pequena que fosse a unidade, mas representava um passo no modernismo, no progresso e economia local.

Conhecida como “A fábrica de mosaicos”, estava situada no Bairro São Pedro e pertencia ao cidadão denominado Zezito Tenório (o mesmo que cedeu a maior parte das terras para o atual Bairro São José). Foi de grande valia essa fábrica que fez a evolução do conforto caseiro, criou empregos e movimentou o comércio da construção.

Não sabemos as razões, mas a fábrica de Zezito Tenório cerrou as suas portas. Ainda hoje o lugar é marcado com uma parede em preto, nas proximidades da Biblioteca Municipal Adercina Limeira.

Com a evolução dos tempos, o mosaico foi substituído pelo chamado “piso”, mais fino e mais polido, feito de argila cozida. O mosaico era encerado nas residências, formando um brilho muito bonito e chamativo. O piso de hoje já chega com o brilho de fábrica e alguns são até vitrificados. Portanto, a fábrica de mosaicos de Zezito Tenório, foi também ponto de referência tanto do Bairro São Pedro, quanto da cidade.

E foi assim que no chavão de “bater às portas”, desapareceram conquistas que representavam os passos para frente como fabriquetas de calçados, aguardente, refrigerante, colorau, vinagre, móveis, cordas, colchões, sola e outras que não encontraram respaldo das autoridades. A cidade perdeu todo seu processo nascente de industrialização.

Há pouco ainda havia várias casas em Santana do Ipanema, ostentando os charmosos blocos de mosaicos da fábrica de Zezito. Foi em palestra na Biblioteca Adercina Limeira que historiei por completo o Bairro São Pedro e sua importância no desenvolvimento de Santana do Ipanema, para os alunos da Escola Líder. 

Acho que não existe nenhuma pedra de mosaico em exposição no Museu Darras Noya.

Clerisvaldo B. Chagas, 15 de fevereiro de 2018

Crônica 1.843 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

09 fev

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OS BALÕES DE SENHORA SANTA ANA

Caminhão: lugar exato da soltura dos balões (Foto: Domínio Público)

Não posso dizer com certeza se as festas de padroeiros e padroeiras do Sertão de Alagoas eram todas iguais. Contudo, nos novenários à Senhora Santa Ana, sempre havia banda de música que tocava fora e dentro da Matriz. Havia ainda o foguetório que saía do Beco de São Sebastião e o “carro de fogo” que navegava com velocidade num arame estendido defronte a Igreja.

Com fogos também era descerrada a imagem da santa que ficava enrolada num mastro de madeira. O fogo ia subindo e desenrolava a imagem sob aplausos da multidão. A parte dos fogos tinha os fogueteiros profissionais responsáveis que vieram de muito antes do meu tempo e que, praticamente, foi encerrada com o “Zuza Fogueteiro”. O Zuza, gordinho, alto, branco e simpático, morou por último no final da Rua Tertuliano Nepomuceno, centro de Santana do Ipanema.

O balão tradicional não faltava. Era manipulado e solto por trás do hoje extinto, “sobrado do meio da rua”, precisamente por trás da última casa comercial, “A Triunfante”, de José e depois Manoel Constantino. O papel delicado quase sempre tinha as cores azul e branca. Habitualmente o balão ia aos céus durante a celebração da novena.

Formava-se uma pequena torcida ali no ponto do balão, onde estava armada a “onda” e o “curre” (carrossel). É que precisava muita habilidade dos encarregados para desdobrar o balão, esticá-lo, por fogo sem queimar suas paredes, erguê-lo no ar e aprumá-lo para a subida triunfante sob palmas e gritos de triunfo.

Havia profissionais para tudo, na cidade: fogueteiro, ferreiro, flandreleiro, retelhador, sapateiro, barbeiro, amolador… Mas nunca me foi dito quem era o artista dos balões. Só poderia ter sido uma pessoa de muitas nuances e amor no coração para confeccionar uma coisa tão mimosa, frágil e bela.

E lá ia aquele artefato se equilibrando no ar, subindo, subindo, subindo… E a luz segura do seu bojo ia ficando cada vez mais longe e se apequenando até tornar-se apenas um pontinho luminoso misturado com as estrelas no céu profundamente azul.

Havia ainda o leilão. Mas aí era outra coisa. Quem seria o artista dos balões? Saudade.

Clerisvaldo B. Chagas, 9 de fevereiro de 2018

Crônica 1.842 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

08 fev

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PAGINANDO OS CARNAVAIS

Bacalhau do Batata (Foto: G1)

Siloé Tavares – o deputado estadual santanense – estivera no comando do combate violento do Impeachment do governador Muniz Falcão. Mudando da violência para cena doce, o deputado compadre de meu pai, construiu com festas todos os dias, a segunda igrejinha do serrote do Cruzeiro. (O boi, a bota e a batina, história completa de Santana do Ipanema).

Não era de se esperar que um homem sério e rouco fosse capaz de brincar o Carnaval. Mas estava ali no meio da rua para quem quisesse ver. Siloé e seus amigos foliões fundaram o “Bloco do Bacalhau”. A turma tinha um estandarte onde um bacalhau centralizava ladeado por recipientes de vinagre e azeite. E se havia mais de uma estrofe na música do bloco, não foi registrada. Mas o mote de guerra era repetido infinitas vezes:

“Olha o bacalhau

Pra nós é um colosso

Azeite com vinagre

Salgado ou insosso…”

Este conjunto de folia, anos 60, foi apenas mais um dos tantos e tantos blocos carnavalescos da minha terra, descritos desde a década de 1920.   Quando o bloco era organizado, listava casa de pessoas influentes, para visitá-las durante o trajeto das ruas.

Essas pessoas preveniam-se e aguardavam a passagem do bloco com espaço, bebidas e tira-gosto. Antes dos anos 20, os foliões costumavam invadir o sobrado do coronel Manoel Rodrigues da Rocha e dançavam no salão principal do casarão. Depois, a casa do padre Bulhões também era muito visitada onde o tira-gosto era pão de ló.

Os carnavais, tanto no interior do Brasil, quanto nas capitais, ora se apagam, ora se acendem. Mas tanto os fracos quanto os fortes movimentos de Momo, trazem suas histórias coloridas como suas roupas e estandartes. Quem gosta da folia, vai recordando suas aventuras repetidas a cada mês de fevereiro, ocupando a mente com suas fantasias.

Em Santana do Ipanema, cada um que conte as piruetas e os amores dos antigos carnavais, aumentando aqui, esticando mais ali, na ressurreição de foliões como Seu Carola (ô), Silóe, Nozinho (ô), Lucena, Chico Paes, Agenor e muitos outros que ficaram famosos na cidade. Sei lá…

“Olha o bacalhau

Pra nós é um colosso

Azeite com vinagre

Salgado ou insosso…”

Clerisvaldo B. Chagas, 8 de fevereiro de 2018

Crônica 1.841 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

07 fev

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NO TEMPO DOS LAMBE-LAMBES

LAMBE-LAMBES. (FOTO: JORNAL LANCE)

Como os mais antigos fotógrafos profissionais alcançados por nós, estavam Seu Antônio e Seu Zezinho. Seu Antônio atuava na calçada alta – logo no início da Ponte do Padre. Depois se mudou para a Rua Coronel Lucena, entre os dois becos de acesso à Rua Ministro José Américo. Era magro, barba por fazer, calado e fumante. Seu estabelecimento tinha o nome de “Foto Santo Antônio”. Seu Zezinho trabalhava na Rua Coronel Lucena (defronte a antiga Praça Emílio de Maia) depois migrou para a Rua Benedito Melo (Rua Nova) parte de cima, perto do declive de acesso ao Bairro São Pedro. Morava no próprio lugar de trabalho, era gordinho, branco e ansioso. Ali funcionava o “Foto Fiel”.

A produção de ambos era mais voltada para o social, principalmente para documentos 3×4 e fotos maiores para lembrança. Afora isso, quando convidados registravam eventos como inaugurações, batizados, casórios, formaturas. Dizem que Seu Zezinho tirou várias fotos das cabeças dos cangaceiros mortos em Angicos e apresentadas em praça pública de Santana do Ipanema.

Não havia a percepção de fotografar inúmeras ruas e prédios públicos para engajá-las à História. Não havia percepção nem interesse, além do material fotográfico raro e caro.

Já os fotógrafos denominados lambe-lambes, atuavam na frente da Matriz de Senhora Santa Ana. Como os outros dois, limitavam-se aos 3×4 dos matutos da feira, das suas poses nos altares, de casamentos e batizados. Nada de registrarem em geral para a História, pois eles representavam a própria história presente.

No dia em que chegou um ditador abusado, meteu grades defronte a Matriz, expulsando os tradicionais fotógrafos do povo. Daí em diante, os lambe-lambes ficaram desarvorados. Nem na frente da Igreja e nem mais em lugar algum. A prepotência  havia dado o golpe de misericórdia numa riqueza cultural brilhante, prestativa e indefesa.

Enquanto o Papa anda com flores nas mãos, outros andam com relhos de couro cru. Droga de tanto ódio!

Dizem os espíritas que esses são os que reencarnam na marra.

Os fotógrafos ou retratistas hoje são raros e estão em cidades como Recife e Juazeiro do Norte, misturados aos romeiros e sobrevivendo como podem.

Clerisvaldo B. Chagas, 7 de fevereiro de 2018

Crônica 1.840 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

06 fev

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ILHAS DE CALOR

ILHA DE CALOR. (ILUSTRAÇÃO: MUDA-MUNDO BLOG SPOT)

As geograficamente denominadas “Ilhas de Calor” são áreas com temperaturas mais elevadas do que as da redondeza. Isso costuma acontecer no centro das grandes cidades, onde há maior concentração de construções, calçadas, asfaltamento e veículos.

Vários motivos juntam-se para essa formação como o concreto das edificações, a pavimentação de ruas e avenidas, a inexistência de áreas verdes e a poluição atmosférica que elevam a temperatura fazendo com que o ar torne-se mais quente e seco.

Nos grandes centros urbanos predomina o concreto em detrimento a área verde. Mas não somente acontece nos grandes centros, pois as cidades menores também seguem os padrões das maiores com efeitos similares.

As cidades dos sertões nordestinos, antes com o calor amenizado pelo entorno da caatinga, hoje sofre com o desmatamento da antiga proteção. O progresso que vai chegando segue os padrões das metrópoles, mas, raramente a jardinagem urbana é lembrada permitindo as “ilhas de calor” em maiores ou menores proporções.

Inúmeras dessas cidades incentivam a arborização, sem orientações técnicas alguma. Em várias delas as árvores são até inadequadas causando transtorno à população.  Outras são abandonadas à própria sorte como se a obrigação das autoridades não passasse de um discurso raro, chocho e cadavérico.

O agrônomo, o urbanista, o geógrafo, o geólogo, tornam-se figuras raras no planejamento urbano e, os garis – os mesmos que recolhem o lixo – passam para os importantes ofícios dos especializados.

Além da arborização planejada de ruas e avenidas, ainda temos direito as áreas verdes do entorno da cidade, das praças e dos parques gigantes que são atualmente os amenizadores das tensões diárias da população. E se os climas do mundo estão sofrendo modificações negativas, deveremos cuidar da nossa própria casa que é o lugar onde a gente mora. Ainda como dizia um grande filósofo: “Se todo mundo varresse a porta de casa, o mundo inteiro seria limpo”.

Pois é assim que se formam as “ilhas de calor”, bem como é assim também que deveremos agir para uma melhor qualidade de vida. Sertão: cobre do seu dirigente local.

Clerisvaldo B. Chagas, 6  de fevereiro de 2018

Crônica 1.839 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

05 fev

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QUEM FOI O PRIMEIRO ESCRITOR SANTANENSE?

Oscar Silva (Foto: Fruta de Palma)

Como Santana do Ipanema, não possui rastreamento, nem arquivo e nem coisa alguma sobre seus escritores em território brasileiro, fica difícil afirmar o título deste trabalho. É que alguns santanenses tornaram-se escritores após deixarem a terra.  Sobre eles, essa geração nunca ouviu falar. Mas estou me referindo a escritores verdadeiros e não a certas coisas que surgem como fantasia de Carnaval.

Apenas dentro da minha área de pesquisa (o que é muito pequena) tenho como primeiro trabalho publicado, uma conferência, “Asas para o pensamento”, em 1945, em Maceió, pelo escritor da minha rua, Oscar Silva. Tenho ainda como segundo trabalho publicado por um santanense, “O Cavaleiro da Esperança”, obra em cordel, em 1946, ainda do escritor Oscar Silva. (essa obra foi apreendida pela polícia do, então governador, Silvestre Péricles).

Como terceira obra publicada por um santanense, temos o “Caderno de Geografia do Brasil”, em 1951, pelo escritor maiúsculo Tadeu Rocha. Apontando como quarta obra publicada por autor da terra, temos “Fruta de Palma”, novamente de Oscar Silva, editado em 1953, em Maceió, pela Editora Caetés. O quarto, o quinto e o sexto lugares, são ainda ocupados por Tadeu Rocha com: “A Geografia moderna em Pernambuco”, em 1954, “Roteiros do Recife”, em 1959, e “Delmiro Gouveia, o pioneiro de Paulo Afonso”, em 1963.

Como já dissemos, alguns santanenses que escreveram livros, nunca mais voltaram a terra e, para nós, seus livros e eles se tornaram ilustres desconhecidos. Quanto à resposta em saber seus motivos, só eles sabem. Pessoas partem muito cedo, esquecem a terra em que nasceu. Outras saem revoltadas com alguma coisa e nunca mais dão notícias. Nada disso, porém, foi o caso de Tadeu e de Oscar, em cujas obras Santana do Ipanema está sempre em evidência e trazem inúmeras revelações que fazem parte da nossa história ignorada por autoridades municipais e escolas.

Portanto, a classificação acima das seis primeiras obras publicadas por santanenses, pode não está correta, mas, diante das considerações que estes homens tiveram com Santana, dificilmente esta lista deixará de ser vitoriosa.

Clerisvaldo B. Chagas, 5 de fevereiro de 2018

Crônica 1.838 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoas

02 fev

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SERTÃO E A VITÓRIA TRÊS EM UM

Centro de Santana do Ipanema (Foto: Clerisvaldo B. Chagas)

Abrimos o mês de fevereiro dentro do anúncio não oficial da implantação de uma faculdade particular no Sertão alagoano. Para a cidade polo, Santana do Ipanema, segundo os comentários, a referida faculdade estará funcionando por aqui ainda este ano com os cursos de Fisioterapia, Enfermagem e Direito.

Mesmo sendo uma faculdade particular, as alvíssaras são motivos de regozijo e mais uma merecida mega festa para o Sertão inteiro. Isto faz lembrar os filhos de Santana tentando formatura em cidades como Belo Jardim, Arco Verde (Pernambuco) Pão de Açúcar, Palmeira dos índios e Arapiraca, lugares mais procurados nos últimos tempos.

A quem interessar os cursos, economizará nas viagens, alimentação e hotel, além de mais preservar a vida pelas estradas aventureiras.

Ganhará Santana do Ipanema definitiva consolidação como polo universitário do interior nordestino. Nova onda de estudantes de outras cidades buscarão serviços, notadamente em hotéis, pousadas, casas de lanches, postos de gasolina, gráficas, livrarias, papelarias, barzinhos, transportes e o Comércio em geral com suas compartimentações.

Certo que ainda estamos esperando a cereja do bolo que continua sendo a Medicina. Mas pode chamá-la que ela virá. Hoje em dia só não estuda quem não quer. Os convites ao tapete vermelho do Saber estão chegando por todas as ruas, becos e avenidas da facilidade. E nada mais valioso na vida de que o alto conhecimento que liberta.

É bom lembrar que a Festa do Feijão, acabou porque a fama cresceu mais do que a estrutura. Chegou gente por aqui de todos os recantos brasileiros, mas deu no que deu.

Santana do Ipanema há muito vem atuando com três bancos federais: Caixa, Banco do Brasil e Banco do Nordeste, despejando dinheiro e alavancando o desenvolvimento sertanejo. Com UNEAL, IFAL, UFAL e outros cursos particulares, a tendência é virar a Índia no trânsito por falta de alternativas para a mobilidade.

Tudo que foi feito até hoje pelo trânsito foi a ponte sobre o rio Ipanema e o Aterro na BR-316. Precisamos redesenhar o espaço físico da cidade, indenizando casas, terrenos… Criando novas vias com uma engenharia eficiente e um planejamento de alto nível.

Chega de administrações pífias e covardes que escravizam o povo e não passam de pedra de calçamento e recolhimento de lixo.

Clerisvaldo B. Chagas, 2 de fevereiro de 2018

Crônica 1.837 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

01 fev

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OS QUATRO DA MODA DE ONTEM

Feira em Santana do Ipanema nos anos 60 (Foto: Domínio Público)

Aproveitando marca de sapato exibida no Face pelo nosso compositor Remi Bastos, resolvemos reagir com este trabalho saudosista. Vamos relembrar quatro objetos que atuaram fortemente no modismo do Brasil, particularmente em nosso Sertão das Alagoas, em torno dos anos 60, não necessariamente pela ordem.

Um deles foi um pente longo e preto, dito inquebrável. Era muito maleável e vendido na feira de Santana do Ipanema. Vendedores e rapazes adquirentes do objeto dobravam-no e faziam outras piruetas com ele e o pente na quebrava. Na época predominava a moda da cabeleira farta e fazia sentido comprar, usar e exibi-lo.

Dos falados de boas cabeleiras, lembramos apenas de alguns como o Gilson Alfaiate, o Pascoal de José Urbano, eu e um barbeiro, cujo nome não me recordo, mas havia pelo menos uns dez na disputa. Também não me chega à marca do objeto que foi após o pente menor e elegante marca “Flamengo”. Era o tempo da brilhantina.

Outra moda marcante foi a do relógio “Seiko” mesma época do “Oriente”. Os rapazes jogavam-no longe como uma pedra e nada acontecia a ele. Lembramos ainda o Jorge de Leusinger, fazendo isso na Rua São Pedro.

Teve também a moda – como escreveu o Remi – do sapato “Passo Doble”. Todo mundo queria comprar esse tipo de sapato que a novidade trazia como infinitamente durável, inclusive, seguido de boa propaganda que não era enganosa. Durava tanto que parecia sem fim! Muito bom para nós os estudantes (ginasianos) destruidores de sapatos. Era confortável, preto e sem beleza. 

E finalmente, a camisa mimosamente azul, manga comprida, elegante e também indestrutível chamada “Volta ao mundo”. Lindérrima e meu sonho de consumo.

Pense num rapaz: cabeleira vasta com brilhantina Coty, camisa Volta ao Mundo, calça de linho, pente Flamengo, meias Lupo, lenço italiano, cinto Ypu, sapatos Samello, relógio Oriente e perfume francês!

Ah! Somente no antigo Reino de Monte Mor.

Clerisvaldo B. Chagas, 1 de janeiro de 2018

Crônica 1.8360 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

31 jan

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UMA CRÔNICA DOMINGUEIRA

BARRAGEM A MONTANTE. BARRAGEM A JUSANTE. (FOTO: B.CHAGAS)

Acordei com os passarinhos, montei nos dois pés e fui andar pela periferia, como sempre faço. Conversar, inquirir, curiar… Desci até à barragem, pensando que a rua que margeia a BR-316 (DENIT à barragem, rua de antigos quebradores de pedra) estivesse calçada. Nem vou dizer o que ouvi. Difícil andar por ela. Tive que ir para o asfalto, encolhendo-se para não ser atropelado na pista muito movimentada.

Foi assim que passou um maluco numa moto, com um doido na garupa, acelerando, gritando e perseguindo seus cavalos soltos no asfalto. Nunca tinha visto um negócio daquele e por pouco não sofri acidente grave. Os cavalos do bandido, aterrorizados e olhos fora de órbitas, entraram em estrada vicinal na cabeça da ponte, com uma velocidade das “mile” e uma peste!

O cabra da moto deu um cavalo-de-pau e retornou em direção ao centro. Passou dois motoqueiros com pessoas na garupa, pegando corrida (em dupla) por cima da ponte.

Cheguei à barragem apenas para bater algumas fotos e fazer contato com a Natureza. O assoreamento do antigo lago artificial no rio Ipanema, de mais de um quilômetro de espelho d’água, formou um bioma particular semi pantanoso naquele local. Fios d’água, poços, florezinhas multicores, areia grossa, vegetação rasteira, arbustos, arvoretas e árvores com até 20 metros de altura. Na parte inferior da barragem, também um panorama de encher os olhos, desde as pedras do rio, aos batentes da serra da Remetedeira, com sopé de barro vermelho no verde da paisagem. De repente perdi a coragem de encarar a estrada rumo ao riacho Salobinho ou a trilha que leva ao Poço Grande.

Nem irei falar do que estar acontecendo ali, sobre o meio ambiente nas areias do rio que já é de amplo conhecimento de todos. Apenas procurei gozar ao máximo o que a Natura poderia me oferecer. Respirei o mato verde, tomei o Sol da manhã, conversei com muita gente humilde, matei a saudade para não ser morto por ela e, ainda cedo da manhã do domingo (21), retornei ao lar, feliz como quem havia escalado o Pico da Neblina.

 

Clerisvaldo B. Chagas, 31 de janeiro de 2018

Crônica 1.835 – Escritor Símbolo do Sertão Alagoano